segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

As sinagogas como patrimônio cultural

 

Durante o ano de 2025, e agora, em fevereiro de 2026, participei de cursos relacionados à imigração, memória e identidade judaica, expressões artísticas, patrimoniais, culturais. Abordei, em minhas aulas, o tema das sinagogas como patrimônio.

As sinagogas paulistas representam um patrimônio cultural valioso, entrelaçando história, arquitetura, religião e memória da comunidade judaica, preservando sua identidade em um contexto dinâmico e multicultural como São Paulo.

Esses espaços, muito mais do que locais de culto, constituem um patrimônio cultural, histórico e arquitetônico de valor inestimável para as comunidades judaicas e para a sociedade em geral.

Historicamente, ao longo dos séculos, esses espaços serviram como centros de aprendizado e da vida comunitária, testemunhando a resiliência, a fé e a rica tradição judaica em diferentes partes do mundo. Além das celebrações religiosas, elas abrigavam escolas, tribunais, espaços de assistência social e encontros comunitários. Em tempos de perseguição e adversidade, as sinagogas muitas vezes se tornaram símbolos de resistência e identidade, preservando a cultura e a coesão do povo judeu.

Arquitetonicamente, as sinagogas exibem uma diversidade impressionante, refletindo as influências culturais dos locais onde foram construídas. Desde as grandiosas sinagogas históricas da Europa e do Oriente Médio, com seus detalhes ornamentados e imponentes cúpulas, até as linhas mais modernas e adaptadas às realidades locais em outros continentes, cada uma conta uma história única. Seus elementos internos, como a Arca Sagrada (Aron Kodesh ou Hekhal), o púlpito (Bimá ou Tebá), vitrais, luminárias, candelabros e os assentos, são dispostos com significado e beleza, criando um ambiente propício à oração e ao estudo.

Os costumes, as melodias, os rituais e ritos de orações, as línguas faladas pelos imigrantes e as histórias de vida transmitidas oralmente de geração em geração, que ecoam nos espaços sinagogais, compõem um mosaico cultural diverso. Preservar esses espaços significa manter viva a história judaica, além de promover o diálogo intercultural e a compreensão mútua.

Reconhecer as sinagogas como patrimônio implica em sua proteção e valorização. Isso envolve a conservação de seus edifícios, da documentação de sua história e a promoção de seu significado para as gerações presentes e futuras. Implica, da mesma maneira, na readequação e no retrofit dos edifícios existentes, ou na busca por novos espaços. Ao fazê-lo, honramos a memória daqueles que construíram e mantiveram esses espaços sinagogais e enriquecemos nosso entendimento da diversidade cultural que molda a todos.

Deste modo, preservar as sinagogas como patrimônio cultural significa reconhecer a importância da diversidade religiosa e étnica na formação da identidade paulistana, paulista e brasileira, promovendo o respeito e a valorização da memória de diferentes grupos que contribuíram para a construção da sociedade brasileira.