domingo, 12 de julho de 2020

Resgate de memórias das comunidades judaicas de Araraquara e Rio Claro

 "Móveis Golovaty" - Rio Claro
Foto do site da empresa

Os familiares de vocês, ao chegarem ao Estado de São Paulo, moraram em Araraquara, Rio Claro, Botucatu, em Barretos, nas colônias agrícolas de Nova Odessa, Jorge Tibiriça ou Campos Sales? Fizeram parte de alguma comunidade judaica, em alguma cidade do interior paulista?

Débora Schwartz Oliveira pelo Facebook comentou que sobre Araraquara a família tem muitas histórias, personagens. Escreveu: “minha mãe Clara Lainer Schwartz nasceu lá, e minha sogra, Riva Nimitz z’l morou lá também! Vou pedir para o Ricardo Nimitz de Souza Oliveira escrever. Entre em contato com a minha mãe! Ela terá muito prazer em te ajudar!”

Conversei com sra. Clara Lainer Schwartz, no final de junho de 2020, que contou que nasceu em Araraquara. O pai, sr. Benjamin Lainer, veio sozinho da Russia, morou na Argentina, onde tinha uma irmã. Ao chegar a São Paulo, morou na casa da família Tarandach, trabalhando como Klientelchik, em Araraquara. Sra. Clara comentou que residiram à Rua Duque de Caxias, e que na cidade não havia sinagoga. A comunidade reunia-se em uma casa.

A família de sra. Clara saiu da cidade quando ela tinha 5 anos e a irmã Izabel, somente 1 ano. Moraram também, por uns meses em Rio Claro, onde residia a bisavó materna de sra. Clara. Sua avó era irmã do sr. Abrão Golovaty, pai de sra. Blima, cuja história relato na sequência. Em São Paulo moraram em no bairro do Ipiranga.

Ainda sobre Araraquara, nas páginas do Facebook foram feitos alguns comentários...Em Pletzale, Sérgio Waissmann  contou que o tio, sr. Abraão Waissmann, morava com a família em Bebedouro, perto de Araraquara. E em Hasbara&Sionismo, Diana Charatz Zimbarg escreveu que os avós paternos vieram para Taquaritinga, região de Araraquara. 

Na página de Jewish Brasil, Haroldo Petlik relatou sua história: “Eu cheguei em Araraquara em 1974, eu me lembro da Casa Ari.  Quando cheguei em Araraquara havia poucos judeus. E eles se foram. Fiquei eu e minha família. Os poucos que vieram foram fazer faculdade. Meus filhos nasceram aqui. Eu ia para São Paulo para as festas. Ainda moro aqui. O filho mais velho também. A filha e o mais novo moram em São Paulo. Nunca houve uma coletividade aqui. Havia antes de eu chegar. O Sr. Ari foi embora pouco depois de eu chegar. Sou médico. Judeu. Nenhum outro médico judeu além do meu filho. Eu sei que tem uma pequena sinagoga em São Carlos que fica a 45 km daqui. Ribeirão Preto tem coletividade. 85 km. Tem uma empresa de ônibus aqui, Paraty, cujo dono é judeu e frequenta a Hebraica nas Grandes Festas. Ele se senta perto de mim. Mas não tenho contato. Gustav Herschkovitz.”

Aguardo mais detalhes sobre a comunidade judaica de Araraquara e aqui compartilho o que sra. Blima Golovaty Asnis, filha de sr. Abrão Golovaty e sra. Enia Prist Golovaty, contou sobre Rio Claro. Conversamos também em junho de 2020, por indicação de Marcia Asnis, filha de sra. Blima...

Sra. Blima nasceu em Araraquara, estudou em colégio de Freiras, formando-se no curso Normal. Veio a São Paulo para cursar pedagogia, tendo trabalhado por 30 anos no Colégio I. L. Peretz como coordenadora. Cursou também a Faculdade de Direito. Os avós paternos, sra. Berta e sr. Benjamin Golovaty saíram da Russia, estiveram na Inglaterra e chegaram ao Brasil em 1905. Fundaram a Casa Golovaty, de móveis e roupas. A loja e a residência ficavam em mesmo edifício. 

O pai de sra. Blima nasceu em 1910, e, sra. Blima lembra, já em 1928 possuía um carro. A Sinagoga em Rio Claro ficava na casa dos avós, como conta, uma casa grande, onde, em uma sala ampla, com Aron Hakodesh e Torah, comemorava-se Rosh Hashanah, e reunia famílias de Mogi Mirim, Campinas e região. Funcionou posteriormente na casa do tio, sr. Samuel. A Torah, pelo que comentou, foi para Limeira, onde a comunidade se reunia em um salão pequeno. A loja, em Rio Claro, existe ainda hoje, como "Móveis Golovaty", "há mais de 90 anos no mercado", como lemos no site da empresa, e está situada à Rua 4, n.1428, no Centro da cidade, tendo como responsável sr. Jacob David, irmão de sra. Blima.

Aqui pergunto novamente... os familiares de vocês fizeram parte de alguma comunidade judaica, em alguma cidade do interior paulista? Vamos compartilhar histórias, resgatar nossas raízes e divulgá-las... Escrevam para mim... myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 1 de julho de 2020

O estudo das Sinagogas em São Paulo em época de isolamento social


Resolvi compartilhar o que vem sendo feito atualmente, em relação ao estudo e pesquisa que desenvolvo sobre as Sinagogas em São Paulo.

Como muitos de vocês já sabem, sou arquiteta e pesquisadora, formei-me na FAUUSP em 1983, e desde a época da faculdade tenho mantido meu interesse no Patrimônio Histórico e Cultural que possuímos, principalmente no que se relaciona à arquitetura e às artes. Realizo, há  um tempo, uma pesquisa e estudo sobre a comunidade judaica e as sinagogas em São Paulo, considerando suas raízes, imigrações, preservação e perpetuação das memórias, do patrimônio histórico, artístico, cultural e arquitetônico que possuímos.

Este estudo não tem, até o momento, nenhum patrocínio, nem apoio financeiro. Desde 2016 escrevo em um Blog (https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/), tenho compartilhado as informações nas redes sociais (Facebook, Instagram), e também no site sobre as sinagogas (https://sinagogasemsaopaulo.wordpress.com/ ), o que colabora em muito o desenrolar do estudo. O Blog, até o momento, teve 231.532 visualizações, no mundo todo. 

Faço visitas, as entrevistas e as fotografias. Realizei, nos últimos 2 anos, "rodas de conversas" e palestra sobre o assunto, de forma voluntária, assim como já encaminhei material para o Bezalel Narkiss Index of Jewish Art, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Iniciei este estudo com a comunidade da Vila Mariana, onde nasci e cresci, e a partir disto, escrevi sobre as diversas comunidades, incluindo Penha, Ipiranga, Cambuci, São Miguel Paulista, Lapa, Mooca, Pinheiros, entre outras. 

Live Unibes 20 de maio de 2020
Atualmente, com o isolamento social, realizei 2 "lives" na Internet, e venho escrevendo sobre as comunidades judaicas do interior paulista, hoje praticamente extintas. Tenho entrevistado por telefone os familiares das pessoas que fizeram parte destas comunidades, e divulgado fotos antigas que recebo. Juntamente com 2 colegas, aprovamos um projeto para um Guia das Sinagogas em São Paulo, porém não conseguimos, ainda, captar recursos.

Inscrevi-me para o Sesc ConVIDA! com uma proposta de oficina com o tema "Resgate de memórias, raízes e muitas histórias - O caso das comunidade judaicas do interior paulista".


Palestra no Centro de Memória
Museu Judaico em São Paulo
21 de agosto de 2019
O objetivo neste caso, seria o de apresentar, divulgar e refletir sobre a importância das diversas memórias na construção do patrimônio cultural material e imaterial de uma comunidade, assim como na construção de sua identidade em um país novo e que, em um primeiro momento, é desconhecido aos imigrantes.

A justificativa do tema relacionava-se, nesta proposta, com a proteção às expressões culturais de grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional, estimulando a produção, construção e difusão de bens culturais de valor universal, e desenvolvendo a consciência e o respeito aos valores culturais de outros povos.

A proposta apresentada não foi uma das selecionadas, mas acredito que ainda haverá a oportunidade de realizar tal oficina, ou uma roda de conversa relacionada a tal proposta.

Este estudo (e sua divulgação) é uma oportunidade para a população, como um todo, conhecer uma história cujo legado, em perspectiva mais ampla, é parte importante na construção da diversidade cultural, que caracteriza, não só a cidade e o Estado de São Paulo, como todo o país. 


Sinagoga União Israelita Paulista-Moóca
Desenho-lápis de cor-Myriam R. Szwarcbart
Também é uma oportunidade para orientar, de maneira sucinta, e incentivar o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à construção e registro das memórias de pequenas comunidades, imigrantes ou não.

Em relação à situação atual de isolamento social e à proposta do Sesc ConVIDA! poder-se-ia apresentar as diversas possibilidades na condução de um estudo focado na memória e patrimônio neste momento, como a realização de "lives", entrevistas virtuais e bate-papos, focando também nas redes sociais, sites, orientação nas buscas de internet e acervos virtuais.

Conheçam os dois vídeos já realizados:


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Em busca de detalhes sobre a comunidade judaica de Araraquara

Fotos dos pais de sr. Josef Rewin em uma praça de Araraquara
Foto de sr. Josef Rewin

A busca por mais detalhes sobre a comunidade judaica de Araraquara permanece. Seus familiares moraram em Araraquara? Em que época chegaram? De onde vieram? O que os levou a buscar moradia e trabalho nesta cidade? Como a comunidade se organizava? Onde eram comemoradas as festividades? Possuem fotos, documentos, alguma história a contar?

Por whatsapp conversei novamente com o sr. Josef Rewin, que comentou: “Infelizmente as fotos que tenho estão muito ruins e pequenas, aqui coloquei uma foto dos meus pais numa praça de Araraquara, outra  da minha família (meus pais e irmãos, e meus tios e as filhas), uma foto do meu pai vendendo gravatas quando chegou em Araraquara, foto da loja do meu pai e de seus funcionários...”

Casa Ary e seus funcionários,
loja do sr. Arje Leib Rewin
Foto de sr. Josef Rewin
Celso Getz, como já publicado, havia escrito no Messenger do Facebook: “Boa tarde. Muito interessante o artigo sobre as comunidades do interior. Meus avós vieram da Polônia e foram para Araraquara. Minha mãe nasceu em Araraquara. Avós Ary Rewin e Clara Rewin”. Ontem, por whatsapp, Celso contou: “Boa noite...Sou neto do Sr Arje Lejb Rewin, que junto com minha avó Chaika, foram meu "Pai" pra mim e meus irmãos, já que meu pai faleceu com 39 anos em 1969, quando eu tinha 6 anos de idade. 

Eu não cheguei a morar em Araraquara, mas durante minha infância e adolescência todo ano íamos para lá no final do ano por uns 15 dias. Lembro bem da loja Casa Ary, onde passávamos vários dias ajudando na loja. 

Vi que meu tio Josef Rewin passou informações mais detalhadas da família, parentes, amigos, vida judaica. Eu não sabia destes detalhes como ele, que morou um bom tempo em Araraquara. Grande parte da minha educação judaica veio dos meus avós. 

Casa Ary
Foto enviada por  sr. Josef Rewin
Eu morava no Bom Retiro em São Paulo, na mesma rua que meus avós moraram depois de se mudarem de Araraquara. Sempre frequentei com eles a Sinagoga da rua da Graça, onde hoje é o magnífico memorial. 

Desde 2013 saí de São Paulo e vim morar em Paulínia (SP) por motivo de trabalho e aqui frequentamos, desde então, o Beith Chabad Campinas. Onde moramos, em nosso condomínio tem 5 famílias judias. Também em Campinas, um de nossos amigos é sr. Júlio Pilnik que também tem avós com raízes em Araraquara. 

O nome oficial do meu avô era Arje Lejb Rewin, mas no Brasil ficou sendo Ary Rubin. Meu pai chamava-se Pincos Yarme Getz, minha mãe, também já falecida, Martha Rewin Getz (filha do Arje). O outro irmão deles, Israel Rewin, é arquiteto muito conceituado em São Paulo. Eu tive a felicidade de morar no Bom Retiro, onde estudei no Renascença, frequentei o Hashomer Hatzair e a Sinagoga da Rua da Graça. Toda minha infância e adolescência frequentei com meus avós esta sinagoga. Meus avós tinham cadeiras lá e em todas as festas judaicas íamos com eles. Era muito bom. Meu Bar-Mitzvah fiz lá. 

Família de sr. Josef Rewin: pais, irmãos, tios e filhas
Foto de sr. Josef Rewin
Fico muito emocionado quando lembro ou falo do meu avô, ou Zeide como eu e meus irmãos o chamávamos. Ele foi um super avó, super "pai" que sempre se dedicou à família e à sociedade também, nos passou valores e sempre nos direcionou para o caminho do bem. Ele que nos levava todo sábado no Hashomer Hatzair e todo domingo era sagrado ir à Hebraica. Também se dedicou muito mesmo para minha avó Chaika (Clara). Vou procurar fotos de Araraquara. 

Meu filho Ilan Getz teve a honra de ser segurado por meu avô no Bris. O Bris foi no Shil da Vila. Tenho 2 filhos, o Ilan Getz com 18 anos e a Julie Getz com 16. Ela não teve a felicidade de conhecer meu avô. Eu e minha esposa Sônia Miriam Crivorot, mesmo longe de São Paulo, temos dado uma educação judaica para os nossos filhos. Agradeço muito ao Beith Chabad Campinas, sexta-feira vamos no Shabat. Meu filho e eu colocamos Teflin todos os dias, ele não come porco. 

Festa surpresa para sr. Arje Leib Rewin
Comemoração dos 90 anos
Foto enviada por Celso Getz
Em relação às fotos, a foto ao lado é da festa surpresa que fizemos para o meu avô 90 anos, aparecem meu avô, filhos Josef e Israel Rewin e os netos A segunda eu, meus irmãos Freddy e Milton Getz com meu avô em 1969, ano que meu pai faleceu. A terceira, no meu Bar-Mitzvah no Shill da Rua da Graça. Meus avós em Araraquara moravam no andar de cima da loja...”

Diversos comentários foram escritos nas páginas do Facebook. Em “Pletzale”, Sérgio Waissmann comentou: “Meu tio, Abraão Waissmann, morava com a família em Bebedouro, perto de Araraquara...” 

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Celso Getz e os irmãos Freddy e Milton Getz,
 com o avô em 1969, ano em que o pai faleceu.
Foto de Celso Getz
Em “Guisheft Vendas e Anuncios”, Newton Peissahk Manczyk escreveu: “Eu nasci em Araraquara, em 1959, Sinagoga não tinha, e nas Festas vínhamos para São Paulo, para passar com meus avós". 

Newton Peissahk Manczyk havia comentado anteriormente: “Meus pais moraram em Bauru um pouco antes de eu nascer em Araraquara e lá fizeram amizade principalmente com o Sr. Max, que tinha uma loja de móveis e a Sra Keyla, avós de Fred, Jaime e Nina Gelcer, que são como irmãos nossos.  

Ficamos pouco tempo, e fomos para Birigui e depois para Cruz Alta (RS), onde tinham algumas famílias e, posteriormente, Londrina, com apenas 3 famílias judaicas. Em 1974 viemos para São Paulo. Em Cruz Alta tinha sinagoga...” 

Nesta mesma página, Debora Sitnik avisou...passa pro Boris. Debora Sitnik escreveu: “Boris Sitnik, Cassio Posvolsky , olhem que interessante...” Allon Idelman “marcou” Raquel Klepacz e Jonas Grinspun indicou Marcio Wajngarten e  Danielle Wajngarten. E Paulinho Rosenbaum comentou: “Araraquoire” 

Bar-Mitzvah de Celso Getz no Shil da Vila
Foto de Celso Getz
Débora Schwartz Oliveira contou: “Sobre Araraquara temos muitas histórias e personagens, minha mãe Clara Lainer Schwartz nasceu lá e minha sogra, Riva Nimitz z’l morou lá também! Vou pedir para o Ricardo Nimitz de Souza Oliveira escrever. Entre em contato com a minha mãe! Ela terá muito prazer em te ajudar! Lembra dela? Clara Lainer Schwartz?” Ótimo saber! Vamos conversar, provavelmente, na próxima semana...

Os familiares de vocês, ao chegarem ao Estado de São Paulo, moraram nas colônias agrícolas de Nova Odessa, Jorge Tibiriça ou Campos Sales? Fizeram parte de alguma comunidade judaica, em alguma cidade do interior paulista? Vamos compartilhar histórias, resgatar nossas raízes e divulgá-las! Escrevam para mim... myrirs@hotmail.com

terça-feira, 23 de junho de 2020

A comunidade judaica de Araraquara


COM. GEOGRAPHICA E GEOLOGICA (CGG).
Estado de S. Paulo (Brazil):
Folha Rincão, São Paulo,1926.
(Folhas Topográficas, n. 16)
Folha S. Carlos do Pinhal. São Paulo:
Weiszflog Irmãos, 1912.
(Folhas Topográficas, n. 21).
Ao iniciar a busca de mais informações sobre as comunidades judaicas do interior paulista, em locais como Araraquara, Marília, Bauru, conversei novamente com Maria Theodora C. F. Barbosa, Coordenadora de Acervo no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo. 

Recebi a listagem do material ali disponível relacionados a estes locais. Compartilho aqui algumas informações que recebi. 

Por exemplo, com o código CP0139, há a Coleção Pessoal Ida Kaplanas, com a seguinte descrição: “Esta coleção contém documentos pessoais de Jankelis Kaplanas, pai de Ida Kaplanas, doadora dos documentos. Jankelis (posteriormente João) nasceu em 1909 na Lituânia. Aos 19 anos, veio para o Brasil no navio Werra, que atracou em Ilha de Flores - RJ em 30 de novembro de 1929. Posteriormente, dirigiu-se para a Hospedaria do Imigrante - São Paulo e de lá foi para o interior do Estado. Formou-se em Araraquara e casou-se com Tema Tarassantsky (imigrante da região da Bessarábia) em 1937”.  Já em FI0015-FOT.RS-LAR/0340, há a anotação relativa à foto, de 1946: “No Shil, uma sala na rua Um, residência de uma família. Identificados na fotografia: Sara Tetner, Jaime Zaionchik, Benjamin Zaionchik, Martha Ruben, Leia Waisman, Bacia Kaplanas, Tema Kaplanas, Iditte Flank, Ida Kaplanas, Bertha Waisman, Líbia Flank, Israel Flank, Leia Waisman e Manoel Schinson”. Uma outra anotação, para a mesma pasta, foto de 1946, lê-se: “No Shil uma sala na rua Um, residência de uma família. Identificados na fotografia: Sara Tetner, Helena Tetner, Samuel Tetner, Moizes Zaiontchik, Benjamin Zaiontchik, Ester Waisman, Yacob Wisman, Israel Flank, Ester Zaiontchik, Marchevski, Manoel Schinson, Bertha Waisman, Americana, Aimen, Americano, Alberto Gotlib, Jaime Waisman, Maurício Flank, Simão Seinson, Ana Seinson, Raquel Rubin, Moises Ruben., Idite Flank, menino, Jaime Zaiontchik, RAquel Ruben, (Raquel Ruben) Martha Ruben, Julia Flank, Moises Rubin, Ida Kaplanas, Tema Kaplanas, Maurício Flank, João Kaplanas, Leia Waisman, Bácia Kaplanas”. Este material será consultado assim que possível, ao final do isolamento social, por causa da pandemia do covid-19.

Para mais detalhes sobre Araraquara, por indicação de sra. Clara Silberberg, conversei com seu primo, sr. Josef Rewin. Nascido em Araraquara em 1941, aos 15 anos mudou-se para a cidade de São Paulo. Seu pai, sr. Arje Lejb Rewin nasceu em 15 de dezembro de 1913 em Lutzig (ou Ludyn, nome a confirmar), localizado, na época, na Polônia, e chegou ao Brasil em 24 de agosto e 1935. Antes da viagem, porém, casou-se com Clara (Chaika) Shreir, que chegou ao Brasil somente em 20 de setembro de 1936, em um navio, que partiu da cidade de Gênova. Sr. Moisés, irmão do sr. Arje Leib, já estava no país, tendo chegado ao Brasil ainda solteiro. No país, os pais do sr. Josef, foram morar em Araraquara, talvez por não falarem a língua, ou pelo fato de, sendo uma cidade pequena à época, fosse mais fácil conseguir trabalho. Sr. Arje Lejb inicialmente vendeu gravatas, posteriormente abriu uma loja, a “Casa Ari”, de calçados e roupas, e que manteve mesmo depois da mudança para a capital. Posteriormente o edifício, histórico, acabou sendo demolido...

Sr. Josef contou que sua família era muito próxima da família do sr. Benjamin Rosenthal, pai da sra. Clara Silberberg, que se mudou da cidade, indo morar em Barretos. Comentou também que na cidade de Araraquara não havia sinagoga, mas as famílias da comunidade judaica reuniam-se em diversas casas, tanto para os minianim, como para as Grandes Festas, quando traziam um Chazan da capital. Sr. Josef e família moraram à Rua 2, ou 9 de julho, a rua principal da cidade. A família mudou-se para São Paulo, como comentou, “pelas mesmas razões que muitas outras famílias”, ou seja, pela preocupação de que os filhos casassem e se mantivessem dentro da comunidade judaica. Em são Paulo frequentaram a Sinagoga Kehilat Israel, à Rua da Graça, onde os pais possuíam cadeiras. Sr. Josef, engenheiro, casado, possui 2 filhos, e retornou à Araraquara algumas vezes desde que deixou a cidade. Comentou que desde então a cidade cresceu e mudou muito, está diferente, se comparada com as memórias que mantém da época em que lá morou. Sr. Josef listou as famílias que fizeram parte da comunidade judaica de Araraquara, em torno de 10 famílias, além de seus pais, sua irmã Martha e seu irmão Israel: Kaplan (sra. Tema, sr. Jankelis e 2 filhas), Tetner (sr. Samuel, esposa e filha Sara), Flank (sr. Mauricio, esposa, 4 filhos), Rubin (sr. Moises, esposa, 2 filhas), Zaiontchik (sr. Moisés, esposa e 2 filhos), Gotlieb (sr. Leon, esposa e 2 filhos), Wasserman (sr. Jacob), família Pilnik.

Em uma palestra, por internet (“Live”), para o Centro de Memória do Museu Judaico, em 27 de abril de 2020, sr. Celso Lafer comentou que seu avô, da família Pilnik, ao chegar ao Brasil, foi morar em Araraquara. Teve uma loja na cidade. Sr. Celso, contou que a mãe, sra. Betty, ficou órfã de mãe muito cedo. Fez o curso Normal, tendo atuado na Ofidas e na Unibes.

Isaac Pinski, ao contar sobre sua família, que morou em Sorocaba, e em texto já publicado neste Blog, relatou que a sra. Clara Kann se casou com sr. Ramiro Gordon, indo morar em Orlândia, próxima a Araraquara.

No site da Fisesp (https://www.fisesp.org.br/2011/04/14/comunidade-judaica-perde-o-jornalista-oscar-nimitz-zl/), podemos ler que o jornalista Oscar Nimitz z’l, nasceu na cidade de Araraquara-SP, tendo sido um dos grandes precurssores da mídia judaica em São Paulo, criando a Resenha Judaica e mais tarde a Tribuna Judaica, pela qual se dedicou até os últimos dias de sua vida.

No Messenger, Celso Getz escreveu: “Boa tarde. Muito interessante o artigo sobre as comunidades do interior. Meus avós vieram da Polônia e foram para Araraquara. Minha mãe nasceu em Araraquara. Avós Ary Rewin e Clara Rewin”. Solicitei a celso que conte um pouco mais e vamos aguardar...

E você, fez parte da comunidade judaica de Araraquara? Sua família, ao chegar ao Estado de São Paulo, morou nas colônias agrícolas de Nova Odessa, Jorge Tibiriça ou Campos Sales? Fez parte da comunidade judaica de Jundiaí, Franca, Catanduva, Itu, Marília, Bauru, Sorocaba, Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Barretos, Botucatu, Campinas, Garça, Gália, Santos, e tantos outros locais? Escreva para mim... myris@hotmail.com

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Comunidade judaica do interior paulista: Araraquara, Rio Claro, Bauru, Sorocaba, Marília, Botucatu, e demais cidades...

Comunidade judaica de Bauru
Foto: Ides Rywa Czerniakowski

Na última publicação deste blog, questionei se você faz parte das famílias da comunidade judaica que moraram no interior paulista. Se você faz parte das famílias que se estabeleceram em cidades como Sorocaba, Bauru, Garça, Galia, Pompéia, Marília, Assis, Lins, Ourinhos, Ipauçu, Araraquara, Piracicaba, São Carlos, Presidente Prudente, Catanduva, Barretos, Itapetininga, Jaboticabal, Franca, Campinas, Itu, Rio Claro, Guarantinguetá e tantas outras. Busco detalhes de como eram estas comunidades, qual a origem das famílias que lá se estabeleceram, quando chegaram, como se relacionavam, em que trabalhavam, se havia sinagoga no local...



Recebi diversos e-mails e comentários por whatsapp e no Facebook, e aqui começo a compartilhar...

Antes disto, porém, relato a conversa que tive com Lisete Barlach, ainda em maio de 2020, e com sra. Clara Silberberg.

Lisete Barlach nasceu em São Paulo, porém parte de sua família morou em Araraquara. Sr. Isaac Pilnik, avô materno de Liste, mais ou menos em 1929, juntamente com 2 irmãos, saíram de Vilna, na Lituânia e, ao chegarem ao Brasil, foram Araraquara. Na cidade não havia sinagoga, o avô e irmãos eram cohanim, e costumavam abrir a casa nos feriados religiosos, não só para a comunidade judaica. A mãe de Lisete, sra. Sara Rosa chegou à capital somente no momento de cursar o colegial e contabilidade. Comentou que a sra. Beth Pilnik, cujo pai era irmão do avô de Lisete, “perdeu” a mãe muito cedo, e casou-se com Jacob Lafer, pai do sr. Celso Lafer. Lisete sugeriu conversar com sr. Helio Pilnik, pois este talvez tenha algum material relacionado à história da comunidade judaica em Araraquara.

Sr. Isaac Pilnik também era o avô da sra. Clara Silberberg. Sra. Clara contou que morou em Barretos, e os pais, sr. Benjamin e sra. Frida Rosenthal, eram muito conhecidos em Araraquara, Bebedouro, Piracicaba, onde tem parentes. Comentou que em Barretos não havia sinagoga, e a casa da sra. Clara era ponto de encontro nas rezas. A mãe era atuante na Wizo. Com o tempo as famílias começaram a se mudar para a capital sendo a família da sra. Clara a última a sair da cidade. Sra. Clara indicou conversar com sr. Josef Rewin, pois a família era de Araraquara...

Segue abaixo alguns comentários realizados no Facebook, a partir de meu questionamento do início deste post e da divulgação da placa em homenagem à Sociedade Israelita de Bauru, realizada pela Sinagoga Talmud Thora...

Por exemplo, em Sinagogas em São Paulo, Sheila Zatz Será escreveu, em relação à placa: “Será que é meu tio?” Marcelo Weingarten comentou por e-mail que talvez o tio de Sheila Zatz fosse da cidade de Garça...Sandro Libeskind “marcou” Beny Bichusky . Na página do Portal Judaico, Sheila Melnick comentou sobre um livro sensacional sobre os judeus do ABC Paulista. Realmente há nele histórias dos que foram inicialmente para o interior paulista...  Em Pletzale, Sheila Tabajuihanski viu  o nome do zeide Mauricio

Em Hasbara & Sionismo, sr. Abraham Marcovici comentou: “Quero parabenizá-la pelo brilhante e importante trabalho que a senhora está desenvolvendo. Tenho passagens pelas mais importantes entidades judaicas de São Paulo e do Paraná’, e orgulho-me de ter sido, ao lado de um grupo, um dos fundadores da Associação Israelita Catarinense. Ao longo desses anos, ouvi de muitos judeus, referências pessimistas quanto a nossa existência como comunidade, e a nossa gradual assimilação e extinção. Graças ao trabalho de muitos, Brasil adentro, como a senhora o faz, a expectativa se arrefeceu e inverteu-se. Contribuo com participações em Pessach, Barmitzvot, Yom Kipur, netos em escolas judaicas e Dror, idas várias a Israel e a eventos judaicos, manifestações na mídia em defesa de nossa fé, nossas cores, bandeira e sionismo. Deus lhe abençoe com seu trabalho”. Eu agradeço muito ao sr. Abraham Marcovici, pelo comentário que realizou, pelas atividades que desenvolve, de grande valor para a comunidade como um todo. Agradeço também por valorizar o trabalho que realizo, mesmo sem patrocínio e apoio financeiro até o momento, mas com a colaboração de todos que prestam seus depoimentos e contam as histórias de seus familiares, compartilham documentos e fotos, resgatam nossas raízes...

Pelo Messenger, sra. Esther Goldzveig Crochik também escreveu: “É Esther, nós conversamos sobre a família de meu ex-marido Crochik quando moravam em Sorocaba. Neste último post que você colocou, a placa do Tamuld Tora, tem o nome do meu sogro José Crochik”.

Na página do Guisheft Vendas e Anuncios, Ita Regina Miedzigorski também “marcou” Beny Bichusky, Yael Codreanschi “marcou” Duda Codreanschi,  Doba Tregier “marcou” Chaia Rosenzweig e Anna Tafla Tregier, e Gilson Suckeveris “marcou” Sergio Tcherniakovsky e Jairo Tcherniakovsky. Chaia Rosenzweig contou: “Minha mãe nasceu em Guaratinguetá” e Esther Salo Chimanovitch: “Eu nasci em São Carlos”. Solange B Valle contou que o pai, Simao Bisker, nasceu em Pompéia, perto de Marília. Marcia Asnis Weber contou que o avô nasceu em Rio Claro, a mãe, e os tios também. E que tem foto da loja do avô. Por e-mail recebi a foto, e já combinamos uma conversa com sra. Blima, mãe da Marcia, para hoje, 17 de junho, à tarde...

Lucila Simões Saidenberg escreveu um texto sobre a comunidade judaica de Campinas e Sheila Zilberman Bulis Strausas comentou que os avós fizeram parte da fundação da sinagoga de Jundiaí. Gil Segre e família moraram em Botucatu e Jose Roberto Zonis gostaria de saber sobre a origem da família, dos avós, que moraram em Bauru. Mais detalhes sobre estas informações, e novidades, nas próximas postagens...Aguardem!!

E se você quiser compartilhar a história de sua família, que fazia ou faz parte da comunidade judaica no interior paulista, escreva para mim ... myrirs@hotmail.com

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Você faz parte das famílias da comunidade judaica que moraram no interior paulista?

Placa afixada na Sinagoga Talmud Thora
em homenagem à Sociedade israelita de Bauru
Foto Rab. Ivo Kauffman
Durante todo este período de isolamento social tenho buscado informações, e pesquisado sobre as comunidades judaicas do interior paulista. E agora, mesmo com a volta parcial das atividades na capital, pretendo manter este estudo.

Como é possível perceber, em parte, os imigrantes dos países da Europa Oriental começaram a chegar à cidade de São Paulo pelas cidades do interior paulista. Esta afirmação consta do livro Estudos sobre a comunidade judaica do Brasil, do professor Nachman Falbel, publicado em 1984, pela Fisesp. Relato semelhante lemos na entrevista do sr. Marcos Firer, publicado em A Carta de Chamada - Relatos da Imigração judaica em São Paulo de 1932 até 1942. Este livro, organizado por Marília Levi Freidenson e publicado em 2014 pela Annablume, foi elaborado a partir de entrevistas realizadas pelo Nucleo de História Oral Gaby Becker, do então Arquivo Histórico Judaico Brasileiro ao projeto A Imigração judaica em São Paulo, iniciado em 1992. Sr. Marcos Firer conta, em tal relato, que “A Estrada de Ferro Sorocabana - que hoje não existe – era a estrada de ferro que ia para o oeste do Estado de São Paulo, todo mundo ia pra lá porque era mais fácil se adaptar no interior – o pessoal comparava aqui e vendia ali. Mas a locomoção era complicada, não era um negócio simples”. O tio-avô de sr. Marcos estabeleceu-se em Ipauçu, o pai em Ourinhos, o tio em Salto Grande, em Assis, o sobrinho dele...Sobre isto falaremos em novas publicações...

E voltando à cidade de Marília, Silvio Ary Priszkulnik havia comentado no Facebook: “Meu tio-avô Froike Stolar na foto. Confere Jonas Stolar? Os Priszkulniks, todos de Marília também. Simão Priszkulnik nascido lá inclusive, junto a minha tia Jeanete Priszkulnik Z"L. Stolares, primos da família Singal”. Por indicação do Silvio pude conversar com o sr. Simão Priszkulnik, pai do Silvio, que relembrou memórias de infância e a história da família. Sr. Avraham, pai do sr. Simão, saiu sozinho da cidade de Rovner, aos 19 anos, indo, inicialmente para Montevideo, onde conterrâneos já haviam se estabelecido. Posteriormente mudou-se para São Paulo, onde conheceu sra. Malka, originária da cidade de Ludz (próximo a Rolin, na Ucrania), e com quem se casou, em 1936. Após o casamento mudaram-se para Marília, cidade que estava florescendo e onde tinham parentes. Sra. Ester, irmã da mãe do sr. Simão, era casada com sr. Oscar Singal, e a família Singal morava nesta cidade. Em Marília, os pais do sr. Simão abriram a loja “Montevideo”, progrediram economicamente, trouxeram os pais e irmãos. Sr. Simão contou que nasceu em Marília, assim como a irmã mais velha, sra. Jeanete, já falecida. No início de 1942 retornaram à capital, onde a sra. Lea, irmã mais nova, nasceu. Sr. Simão irá conversar com sra. Lea em busca de fotos da época em que moraram em Marília, da loja Montevideo...Vamos aguardar...

Em publicações anteriores, algumas famílias haviam comentado que o valor arrecadado com a venda da casa onde estava estabelecida a Sinagoga de Bauru foi doado à Sinagoga Talmud Thora em São Paulo. Rabino Ivo Kauffman, havia comentado que a placa em homenagem à Sociedade Israelita de Bauru permanecia afixada na Sinagoga Talmud Thora ,e encaminhou a foto, que compartilho nesta publicação.

Você faz parte das famílias da comunidade judaica que moraram no interior paulista? Famílias que se estabeleceram em cidades como Sorocaba, Bauru, Garça, Galia, Pompéia, Marília, Assis, Lins, Ourinhos, Ipauçu, Araraquara, Piracicaba, São Carlos, Presidente Prudente, Catanduva, Barretos, Itapetininga, Jaboticabal, Franca, Campinas, Itu e tantas outras? Como eram estas comunidades? Qual a origem destas famílias? Quando chegaram? Como se relacionavam? Em que trabalhavam? Havia sinagoga no local ? Escreva para mim! Meu e-mail é myrirs@hotmail.com