terça-feira, 25 de agosto de 2026

O bairro do Bom Retiro: uma sugestão de roteiro cultural*

Jardim da Luz - São Paulo (SP)

O bairro do Bom Retiro, como um bairro multicultural, possibilita um percurso de turismo de experiências e criativo, de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais. Além da possibilidade de uma exposição sobre as sinagogas do bairro, é possível definir e sugerir roteiros diversos: um roteiro gastronômico (cafés, armazéns e restaurantes coreanos, italianos, gregos, judaicos, colombianos, entre outros); oureligioso; ou de memória (Memorial do Holocausto, Memorial da Resistência, Rua Itaboca/Dr.Cesare Lombroso); ou de turismo criativo, um roteiro arquitetônico, com as requalificações e revitalizações de edificações já realizadas ou a realizar (Arquivo Histórico Municipal, Casa do Povo, Oficina Cultura Oswald de Andrade, casas antigas até hoje existentes); e também um roteiro visando atividades diversas como o Eruv, a dança tradicional coreana, feira boliviana, palestras, exposições relacionadas às origens dos imigrantes, rodas de samba e ações artísticas.

Pinacoteca - São Paulo (SP)

Além das atividades e roteiros específicos do bairro, há a possibilidade de serem incluídas atividades e visitas ao entorno, como “pontos de interesse”, a instituições e a uma variedade de organizações culturais. Neste sentido, considera-se a Pinacoteca/Pina Contemporânea, Jardim da Luz, Sala São Paulo, Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz, Pina estação/Museu da Resistência, Museu de Arte Sacra, Arquivo Histórico Municipal, Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, Museu da Obra Salesiana, Memorial do Holocausto, Casa do Povo, Sesc Bom Retiro, Museu das Favelas, Museu da Energia de São Paulo, Jardim da Luz. Escola Marechal Deodoro, Colégio Santa Inês, Centro Paula Souza, Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo, Instituto Dom Bosco, Escola Senai, Faculdades Oswaldo Cruz. 

Ações anteriores já foram realizadas, vinculadas ao Bom Retiro, desde inventários, publicações, artigos, e iniciativas de políticas públicas. Como exemplos, tem-se:

1) Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) - Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) : Inventário do Bairro do Bom Retiro, considerado um modelo de miscigenação e variedade étnica. Técnica do Iphan responsável pelo projeto, Simone Toji.

2)    “Renovando, revitalizando e imaterializando: ações de reconhecimento cultural na região do Bom Retiro e Luz” - Simone Toji e Flávia Brito do Nascimento / IPHAN-SP

3) Bom Retiro de muitas etnias- Marcelo Spomberg – Estação TV - Vídeo produzido, para finalizar o trabalho de registro do bairro Bom Retiro, como Patrimônio Cultural Imaterial do País.

4)  Koreatown: Entre a cidade de enclaves e a urbe cosmopolita - artigo de Simone Toji (2021)

5) “Little Seul” (2017), projeto de revitalização em parceria entre empresas sul-coreanas e a prefeitura de São Paulo

6) “Luz Cultural” (1984) privilegiou a instalação bens imóveis restaurados e reconvertidos.

7)    Nos anos 2000, a prefeitura de São Paulo, propôs o programa de concessão pública “Nova Luz”.

8)   VII Seminário da Associação Nacional Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo 20 e 21 de setembro de 2010 – Universidade Anhembi Morumbi – UAM/ São Paulo/SP O Patrimônio Cultural Imaterial dos Imigrantes Coreanos no Bom Retiro/SP Rafael Galvão Monteiro

9)  MulticulturalBom Retiro tem 215 opções de patrimônio - 16/05/2009 - Folha de S. Paulo. **

Você ou sua família frequentaram ou frequentam o bairro do Bom Retiro e suas sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com


*resumo de um trecho do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP


** Para compartilhamento, solicitar autorização por e-mail.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo *

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo, surgiu nos anos 1820, uma área nobre de sítios e chácaras de veraneio, como “Dulley”, “Sítio do Carvalho”, Chácara do Marquês de Três Rios, Solar do Marquês, e sr. Joaquim Egídio de Sousa Aranha. O Jardim da Luz data de 1825, e a Estação da Luz, de 1867, foi ampliada em 1901. 

A partir de 1870 a mudança na paisagem tornou-se evidente, com a primeira leva de imigrantes, e a presença de operários italianos. A proximidade com a estação ferroviária, indústrias, oferta de emprego, moradia barata, presente em todas as levas de estrangeiros no local, mudaram a paisagem local.

Com a urbanização, arruamentos e loteamentos das chácaras, o bairro saiu de seu isolamento: depósitos e olarias, como a Olaria de Manfred Meyer, forneceram tijolos para a transformação da cidade. Naquele momento, o bairro tornou-se um polo de indústrias, entre elas a Fábrica Anhaia (tecidos de algodão), a Cervejaria Germânia e a Ford do Brasil (1921).

A primeira Hospedaria de Imigrantes, situada no sobrado Bom Retiro, de 1882 a 1887, atendeu levas de imigrantes. Naquela data mudou-se para o Brás, ali permanecendo até a década de 1970. O sobrado, demolido, foi substituído pelo edifício do Desinfectório Central, à Rua Tenente Pena, 100, transformado em Museu de Saúde Pública Emílio Ribas. Apesar das mudanças ocorridas no bairro, o Bom Retiro manteve, de uma maneira geral, suas edificações construídas ao longo de sua história.

O perfil do Bom Retiro, formado por origens, nacionalidades e religiosidades diversas, permanece multicultural, evidenciando-se na convivência de famílias de imigrantes de variadas origens: espanhola, portuguesa, italiana, grega, armênia, coreana, boliviana, húngara, paraguaia, e judaica (provenientes do leste europeu). As potencialidades turísticas que apresentei para este bairro foram consideradas principalmente na proposta da execução de uma exposição. Um ponto de partida que pode ser replicado para cada comunidade, deste bairro ou não, independente de sua origem, imigrante ou não.

Uma maneira de divulgar conhecimentos e saberes, partindo do ponto de vista de Belanciano, em que afirma: “Todos somos turistas. Mesmo os que não se sentem forçosamente identificados com aquilo a que chamamos turismo.” (Belanciano, 2016).  Multicultural é o bairro, e diversas possibilidades de turismo se evidenciam. Como afirma Richards (2009) Junto com o patrimônio arquitetônico e das artes, alguns países incluem em sua definição, por exemplo, a gastronomia, o esporte, a educação, as peregrinações, o artesanato, a contação de estórias, e a vida na cidade”. O bairro, com sua diversidade de identidades de imigrantes, possibilita um percurso de turismo cultural, de experiências, criativo, de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais, identificando “motivações culturais” e o “fazer contato com moradores do local e aprender mais sobre a sua cultura” (Richards, 2009).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*Este texto faz parte do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

Sugestões de leitura

Richards, Greg. Turismo cultural: padrões e implicações. in Turismo cultural: estratégias sustentabilidade e tendências. Camargo, Patricia e Cruz, Gustavo (orgs). editora da Universidade Estadual de Santa Cruz – Uesc: Ilhéus, 2009, pp. 25-48

Belanciano, Vítor. "Todos somos turistas", Jornal Público, 2016, https://www.publico.pt/2015/12/20/economia/noticia/todos-somos-turistas-1717829

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sinagogas paulistanas e o “Guia das Sinagogas em São Paulo”

Revitalização do Pletzale
Bom Retiro
Artista - Artur Lescher - 2020

Organizar um roteiro turístico-cultural temático, para que se conheçam os locais em que os judeus se estabeleceram ao chegarem à capital paulista, é a proposta da publicação, impressa ou digital para o “Guia das Sinagogas em São Paulo”. Apresentar não só a história de cada comunidade judaica, em textos, documentos e fotos, mas principalmente as respectivas sinagogas, nos bairros em que se fixaram, possibilita refletir sobre a inserção destas no contexto urbano, inclusive em relação à tipologia das edificações do entorno e no uso do espaço pelo homem.

Indicar caminhos e percursos, interligados ou setorizados por regiões, promovendo visitas guiadas, descobrindo os usos e destinos atuais que o então edifício sinagogal recebeu ao ser desativado ou demolido, faz parte da proposta. No caso do edifício ter sido demolido, um marco ou uma exposição de rua em uma praça do entorno, em museus de rua, torna-se uma opção. É possível uma interação entre a população local e os potenciais turistas, mas se faz necessário analisar as possíveis consequências de um fluxo turístico a estes bairros, caso ocorra. Vale destacar os pontos apresentados por Vitor Belanciano, relacionados aos bairros como um ecossistema complexo, sujeitos às mudanças na paisagem urbana ao absorverem um número (elevado) de turistas. Como afirma Belanciano, “o turismo gera receitas e por vezes reabilita zonas urbanas. Mas também pode contribuir para a diminuição da qualidade de vida local” (Belanciano, 2015).

Particularizar e exemplificar este roteiro torna-se possível no bairro do Bom Retiro, considerando-se que uma boa parcela da comunidade ali se estabeleceu a partir dos anos de 1910/1920, à época um bairro fabril e proletário, por facilidade de transporte, aluguel barato, na busca ou não de parentes ou amigos. A dificuldade com o idioma, e de se conseguir emprego, resultaram na escolha da profissão como mascates, ou Klientelchik, além das possibilidades de trabalhos em confecções têxteis. Os que aqui chegaram, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, acreditaram ser conveniente morar numa região onde já estava instalada parte da comunidade, com suas escolas, sinagogas, moradia e crédito. Organizaram-se, abriram lojas, fundaram sociedades de auxílio mútuo, organizações religiosas, sinagogas, escolas, publicaram jornais e revistas, construíram o cemitério. Muitas famílias da coletividade judaica que moravam no Bom Retiro, a partir da década de 1960, começaram a migrar para bairros como Higienópolis e Jardins. Várias instituições judaicas permanecem em funcionamento (Ten-Yad, Memorial do Holocausto, Unibes, Escola Gani-Lubavitch, Yeshivót, Casa do Povo, diversas sinagogas), e outras encerraram suas atividades no bairro (Escola Talmud Thorá, Escola Scholem Aleichem, Taib, Linath Hatzedek, Cooperativa de Crédito Popular, Habonim Dror, Hashomer Hatzair, Bnei Akiva).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*O presente texto é um recorte da pesquisa que venho realizando ao longo do tempo, relacionada às sinagogas de São Paulo e faz parte do Trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

quinta-feira, 16 de julho de 2026

As sinagogas em São Paulo: resgate de memórias e histórias

O presente texto é um recorte da pesquisa que venho realizando ao longo do tempo, relacionada às sinagogas de São Paulo, tanto da capital como do interior paulista, tendo como foco o estudo das comunidades judaicas nos locais em que se estabeleceram. 

A percepção da existência de uma lacuna relativa ao conhecimento e compreensão destas comunidades judaicas por uma comunidade mais ampla possibilita a proposta de realização de um projeto de roteiro cultural com o objetivo de divulgar, difundir e resgatar o patrimônio material e imaterial desta coletividade em sua diversidade. A organização, catalogação e divulgação do material reunido até o momento, incluindo visitas às sinagogas e arquivos existentes, entrevistas relatando histórias de vida desta parcela de população imigrante, e a coleta de documentos, fotos e objetos que ainda estão por ser localizados, possibilitam, também, a continuidade desta pesquisa.

A comunidade judaica da Vila Mariana foi o ponto de partida para o levantamento de dados das diversas sinagogas paulistas, na busca por informações, histórias e memórias. Na cidade de São Paulo foram identificadas setenta sinagogas, que existiram ao longo do tempo, sendo que muitas delas foram desativadas ou tiveram seus usos alterados.

A proposta de realização de um roteiro cultural relacionado à comunidade judaica, em particular às sinagogas paulistanas nos diversos bairros da capital em que esta comunidade imigrante se estabeleceu, ao longo das estações das estradas de ferro, engloba a elaboração de um guia, impresso e digital, além de uma exposição no bairro do Bom Retiro, de forma a revalorizar o patrimônio e bens culturais existentes. 

O Guia das Sinagogas em São Paulo possibilita o acesso à localização das edificações, mesmo as já demolidas, e o conhecimento de suas histórias, para a população como um todo, sejam os moradores da capital, ou turistas de outras localidades. Revalorizar, desta forma, este patrimônio como legado para as futuras gerações, considerando não só o passado e o presente, mas também olhando para o que esta por vir.

Este projeto está em concordância à pesquisa que realizo, na percepção das “potencialidades turísticas contidas na dimensão urbana dos museus e na dimensão museológica do espaço urbano a partir de experiências e metodologias inovadoras”, “ao avanço dos processos de refuncionalização do patrimônio e de requalificação de áreas urbanas que visam a inserir as cidades em circuitos turísticos mundiais”, “os usos do patrimônio cultural pelo turismo”, “o turismo fundamentado no território”. (IMU5022 - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI*).

Ambos os projetos, o Guia das Sinagogas em São Paulo e a exposição Sinagogas do Bom Retiro foram aprovados em Leis de Incentivo, o primeiro em Lei Federal (Lei Rouanet), e o segundo em Lei Municipal (Promac), porém ainda não foram efetivados.

A presença da comunidade judaica em São Paulo pode ser verificada desde 1578, através de Atas da Câmara de S. Paulo que citam perseguições a "judaizantes”, assim como nos séculos seguintes, através do Tratado de Amizade e Paz (1810), em que se conferiu liberdade religiosa, possibilitando a imigração judaica de ingleses, alemães, franceses, ou da presença do Dr. Samuel Edouard da Costa Mesquita como o primeiro rabino em São Paulo (1860). 

A imigração judaica à capital e interior paulista ganhou força, porém, a partir do início do século XX. Como exemplo podem ser citados os imigrantes judeus de origem russa que seguiram para os núcleos coloniais paulistas como Nova Odessa, Jorge Tibiriça ou Campos Salles, os sefaradim originários do Império Otomano, os mizrahim (orientais) que se encaminharam para o bairro de Mooca (SP), e os que aqui chegaram a partir da região europeia (Polônia, Bessarábia, Lituânia, Letônia, entre outros), fruto das perseguições e situação econômica precária em seus países de origem. No período “Entre Guerras”, ocorreu a entrada maciça de imigrantes judeus da Europa (perseguição), porém durante a Segunda Guerra Mundial, a imigração judaica diminuiu, tanto pelas leis restritivas do país, como pela dificuldade de saída da Europa. Uma nova onda imigratória ocorreu no período de 1952 -1962, de judeus provenientes de países árabes e da Hungria. Dados puderam ser observados em consultas de arquivos no Museu da Imigração.

A partir do porto de Santos, de trem, para São Paulo, imigrantes judeus desembarcaram ao longo das estações ferroviárias e se estabeleceram, em um mesmo período, em diversos bairros da capital paulista. Fixaram residências no Brás, Ipiranga, Cambuci, Vila Mariana, Penha, São Miguel Paulista, Lapa, Pinheiros, e em diversas outras regiões, e ali, muitas vezes, formaram suas sinagogas.

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*Este texto faz parte do Trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

terça-feira, 26 de maio de 2026

Sinagogas paulistas e os desafios em preservá-las

Beth-El - Museu Judaico de São Paulo

As sinagogas paulistas desempenham um papel importante na dinâmica da comunidade judaica, atuando como locais de culto, centros de educação, espaços de convivência e, em alguns casos, como importantes pontos de preservação e valorização da memória e da cultura judaica. E seus edifícios representam um capítulo de destaque no panorama do patrimônio arquitetônico de São Paulo, refletindo a história e a diversidade da comunidade judaica que moldou parte da identidade do estado. Ao longo das décadas, diferentes estilos e influências se manifestaram na construção desses espaços sagrados, conferindo-lhes um valor arquitetônico que transcende sua função religiosa. 

Kehilat Israel -
Memorial da Imigração
Judaica e 
do Holocausto


A preservação das sinagogas em São Paulo é um esforço contínuo que deve envolver a comunidade judaica como um todo, órgãos públicos e a sociedade em geral. Reconhecer o valor desses espaços como patrimônio cultural é fundamental para garantir que as futuras gerações possam aprender com sua história e apreciar sua riqueza cultural e arquitetônica, contribuindo para a compreensão da diversidade cultural de São Paulo.

No entanto, a preservação destas construções enfrenta diversos desafios, relacionados tanto ao envelhecimento, deterioração e necessidade de restauro, ao declínio e mudanças demográficas da comunidade em diversas regiões, à falta de recursos para a sua manutenção, como à necessidade de integração com o entorno urbano.

Explicando um pouco melhor:

Muitas sinagogas, principalmente as mais antigas, construídas antes de 1950, demandam esforços e recursos para sua manutenção constante e restauro, para evitar a deterioração de suas estruturas e elementos artísticos. Em algumas cidades ou bairros onde a população judaica diminuiu, algumas sinagogas podem enfrentar dificuldades para manter suas atividades, levando, até mesmo, à sua desativação. Algumas sinagogas paulistas mudaram de endereço ao longo de sua história, refletindo o crescimento das comunidades judaicas, mudanças demográficas e a busca por espaços mais adequados. Esse deslocamento de famílias judias para diferentes bairros ou cidades, em alguns casos, levou à necessidade de adaptação ou mesmo ao fechamento de sinagogas nestas áreas em que a comunidade diminuiu, devido, muitas vezes ao abandono destas, tornando sua preservação ainda mais desafiadora. A obtenção de recursos financeiros para a restauração e manutenção pode ser um obstáculo significativo para algumas comunidades. A falta de conhecimento sobre a importância histórica e cultural das sinagogas pode levar ao desinteresse em sua preservação, e, em áreas urbanas em transformação, a preservação das sinagogas deve considerar a integração com o desenvolvimento do entorno, evitando o isolamento ou a descaracterização desses espaços.

Knesset Israel - Ten Yad

Apesar dos desafios, existem exemplos importantes de preservação de sinagogas na capital paulista.

Sinagoga Beth-El (São Paulo, SP): O edifício foi tombado pelo CONPRESP, e representa um marco para a história dos judeus paulistanos. Atualmente neste espaço funciona o Museu Judaico de São Paulo. A Bet-El, como sinagoga, está em funcionamento no bairro dos Jardins.

Sinagoga Kehilat Israel: Fundada em 1912, no bairro do Bom Retiro, após um período de restauro, projeto iniciado em 2004, abriga hoje em dia o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.

Sinagoga Knesset Israel: Fundada em 1916, seu primeiro edifício data de 1918, no edifício da década de 1970 funciona a Instituição beneficente Ten Yad, que visa “melhorar a qualidade de vida de pessoas em condição de vulnerabilidade social, combatendo a fome e resgatando a dignidade humana”, como informa o site da instituição.

Aguardem detalhes sobre as sinagogas que foram doadas, desativadas, demolidas, vendidas ou que mudaram de endereço, tanto na capital como no interior paulista.

Em resumo, é importante notar que a história das sinagogas em São Paulo é dinâmica, com comunidades se formando, crescendo e, por vezes, mudando de localização para melhor atender às suas necessidades. Neste blog vocês podem verificar informações mais detalhadas sobre a história e a localização de diversas sinagogas do Estado de São Paulo.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam alguma sinagoga? Seus familiares fizeram parte da fundação destas? Gostaria de escrever um texto contando sua história? Deixe um comentário aqui no blog, ou escreva para mim no e-mail myrinhars@gmail.com


quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Mooca Judaica: histórias e memórias de uma comunidade" no Museu da Imigração

Estamos felizes em comunicar que a exposição "Mooca Judaica: histórias e memórias de uma comunidade", será reinaugurada, agora no Museu da Imigração, e poderá ser visitada do dia 17 de maio até 21 de junho de 2026, de terça a sábado das 9:00 às 17:00 e os domingos das 10:00 às 17:00.

Esta exposição, itinerante, reúne fotos, textos, documentos e depoimentos gravados e editados, antes expostos na Unibes Cultural A mostra é um resgate das memórias e histórias familiares de uma comunidade pouco conhecida, a comunidade judaica imigrante estabelecida na Mooca no início do século XX. Esta iniciativa é fruto de um projeto iniciado em 2023, com o apoio e parceria de um grupo de descendentes desta comunidade. É também uma forma de preservar um patrimônio cultural tão valioso, e de grande significado para mim.

Pesquisa de Myriam Rosenblit Szwarcbart e Adriana Abuhab Bialski

Curadoria: Maria Luiza Tucci Carneiro

Abertura da exposição: dia 17 de maio de 2026, às 13hs.

Local: Museu da Imigração - R. Visconde de Parnaíba, 1316 - Mooca.

Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, acessem algumas postagens deste blog. Mas lembrem-se, fotos, desenhos e textos possuem direitos autorais. Autorizações de compartilhamento: enviar e-mail para myrinhars@gmail.com 

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2017/11/identificando-o-bairro-da-mooca.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/02/um-recorte-sobre-comunidade-judaica-de.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/05/familias-da-comunidade-judaica-da-mooca.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2017/12/um-pouco-sobre-comunidade-judaica-da.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/06/uma-nova-visita-sinagoga-israelita.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/03/a-sinagoga-israelita-brasileira-e.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/03/a-sinagoga-israelita-brasileira-no.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2018/01/leitores-participam-das-publicacoese.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2018/01/visita-sinagoga-israelita-brasileira.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2017/12/no-dia-03122017-atraves-deconvite-de.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/03/detalhes-sobre-comunidade-de-origem.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2017/12/sinagoga-da-sociedade-uniao-israelita.html

https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/2023/02/a-comunidade-judaica-de-origem-mizrahi.html

terça-feira, 7 de abril de 2026

Presença Judaica no Brasil: imigração, cultura e vida comunitária






Presença Judaica no Brasil: imigração, cultura e vida comunitária

Nos dias 15, 22 e 26 de abril, acontecerá, na Unibes Cultural, o curso “Presença Judaica no Brasil: imigração, cultura e vida comunitária”, um percurso introdutório sobre história, cultura e memória judaica, articulando formação teórica, mediação cultural e vivência práticaOs encontros serão conduzidos pelas pesquisadoras Adriana Abuhab Bialski e Myriam Rosenblit Szwarcbart.

Como informa o site da Unibes Cultural, “a proposta é apresentar os fundamentos históricos e culturais do judaísmo e contextualizar a formação das comunidades judaicas brasileiras a partir dos ciclos migratórios dos séculos XIX e XX, com ênfase na diversidade da presença judaica em São Paulo. O bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, território emblemático dessa história, é tomado como eixo para compreender processos de imigração, organização comunitária, memória e identidade. O curso busca ampliar o olhar sobre a pluralidade das comunidades judaicas paulistas, promover o diálogo intercultural e oferecer contato direto com espaços, objetos e práticas, favorecendo um conhecimento contextualizado e livre de estereótipos”.

Detalhes:

Encontro 1 - dia 15/04/2026 às 19h: introdução ao judaísmo, tradições, correntes e panorama histórico da imigração judaica no Brasil.

Encontro 2 - dia 22/04/2026 às 19h: foco na comunidade judaica em São Paulo, com visita à exposição Mooca Judaica.

Encontro 3 - dia 26/04/2026 às 10h): visita guiada a uma sinagoga na Mooca, com apresentação dos espaços e práticas.

Inscrições: https://unibescultural.org.br/programacao/curso-e-saida-cultural-presenca-judaica-no-brasil-imigracao-cultura-e-vida-comunitaria/   

Ingressos: R$ 18 por encontro (R$ 54 total)

Classificação: Livre

A Unibes Cultural reforça que “esta programação integra o pilar Raízes Judaicas e conta com patrocínio do Banco Daycoval; apoio da CSN, Banco Safra, White Martins, Banco Rendimento, Grupo GR, Haganá, Enercore e CBF Rolamentos; e realização do Ministério da Cultura e da Unibes Cultural, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet)”.

Sobre as pesquisadoras:

Adriana Abuhab Bialski
Economista (FEA/USP), Mestra e Doutoranda em Letras Estrangeiras e Tradução (FFLCH/USP) e Especialista em Museologia (PUC-SP). Atua em projetos ligados à memória dos judeus no Brasil.

Myriam Rosenblit Szwarcbart
Arquiteta (FAU/USP) e Especialista em Gestão Cultural (SENAC-SP). Pesquisadora de sinagogas e comunidades judaicas paulistas, é criadora do projeto As Sinagogas em São Paulo e atua em projetos de imigração, memória e patrimônio judaico.

Mais informações no site: https://unibescultural.org.br/programacao/curso-e-saida-cultural-presenca-judaica-no-brasil-imigracao-cultura-e-vida-comunitaria/

quinta-feira, 19 de março de 2026

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia - Arq. Sergio Kopinski Ekerman

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (2010 -

Arq. Sergio Kopinski Ekerman

Sociedade Israelita da Bahia | Salvador | Bahia 

A sinagoga com os bancos restaurados

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (SIB) está construída na sede da entidade, em Salvador, Bahia. É parte de uma estrutura mais abrangente, ainda em construção, que contempla também salão de eventos, cozinha, espaços educacionais, biblioteca, além de outras áreas administrativas, recreativas e culturais.

O espaço religioso, propriamente dito, desenhado para até 150 pessoas, tem formato retangular, de planta central, articulado em função de seus dois elementos fundamentais: o Aron HaKodesh, ou Arca Sagrada, onde guarda-se a Torah; e a bimah, o baldaquino, de onde conduz-se a liturgia.

A planta reproduz um modelo comum em sinagogas asquenazitas, ou seja, ligadas à tradição judaica oriunda do leste europeu.

Neste caso, a bimah localiza-se ao centro, tendo a congregação à sua volta, e mirando o muro orientado a leste onde fica a Torah (voltada a Jerusalém). A plateia está organizada em níveis diferentes, o que cria uma situação confortável para visualização da cerimônia. Todo o conjunto visa acentuar o caráter congregacional do espaço – a comunidade coloca-se em volta da liturgia, diferente do que ocorre em organizações planimétricas que situam a bimah e o Aron HaKodesh junto à parede leste, em formato de auditório com atenção unifocal.

O Aron HaKodesh e a bimah hoje em uso foram trazidos da antiga sinagoga, localizada no bairro de Nazaré. As duas peças em madeira maciça constituem uma forte referência para a comunidade, estando a Arca disposta num nicho de concreto aparente, ladeado por muros com o mesmo tratamento. O baldaquino, por sua vez, repousa no ponto central do retângulo.

A sinagoga antes da instalação dos bancos

A sinagoga é também o único espaço do prédio com a laje nervurada que caracteriza sua estrutura totalmente aparente, levando o pé-direito máximo a cerca de cinco metros e criando um teto de luzes e brilho. Quatro pilares de concreto armado aparente e seção circular delimitam o espaço principal e duas “naves” laterais, onde são dispostos os equipamentos de climatização, bem como assentos complementares para cerimônias com maior público. O vão de 12,5m cria boa visibilidade, sendo estes únicos elementos portantes também uma homenagem a espaços de sinagogas tradicionais polonesas que tinham apenas quatro pilares como estrutura de sua cobertura. Na contemporaneidade, este esquema estrutural é reinterpretado em consonância com as possibilidades tecnológicas do concreto armado, em comparação às abóbadas de pedra do medievo.

A luz natural é um elemento fundamental na composição geral, uma vez que reforça a liturgia a partir do destaque do muro leste, bem como do nicho sobre a Arca Sagrada, que recebe iluminação zenital difusa, de modo a evocar sobre a Torah a presença do sagrado, a luz divina.

Complementa o espaço uma menorah cerâmica, de autoria do escultor baiano Israel Kislansky, que colore o espaço com seu tom azul, destacando-se sobre o muro de concreto aparente ao lado do Aron HaKodesh, reforçando a tradicional relação entre arte e arquitetura no espaço religioso.

Neste contexto, a doação dos bancos da antiga sinagoga do colégio I.L. Peretz à Sociedade Israelita da Bahia representou oportunidade de mobiliar o espaço com elementos coerentes com todas as ideias ali dispostas. Em perfeita harmonia com o baldaquino e a arca sagrada, os bancos são também a expressão do diálogo entre elementos tradicionais de sinagogas mais antigas e o espaço contemporâneo, o que acabou por constituir um conjunto único no Brasil, capaz de conservar parcialmente a história de espaços religiosos tradicionais judaicos do século XX, ao mesmo tempo em que adaptado a novas demandas da comunidade.

É de grande importância agradecer aos doadores que fizeram chegar os móveis a Salvador. Em São Paulo, Nicola Nissim Pelosof, Myriam Rosenblit Szwarcbart, Edurado Alcalay (presidente da mantenedora do Colégio I. L. Peretz na ocasião da fusão das escolas Alef e Peretz) e a todos os envolvidos nesta cidade, bem como agradecer à associada da SIB, Tália Dantas Carvalho, que viabilizou e providenciou a reforma e revitalização dos móveis para sua efetiva instalação e utilização no último mês de janeiro de 2026.