A
Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (2010 -
Arq. Sergio Kopinski Ekerman
Sociedade Israelita da Bahia | Salvador | Bahia
A sinagoga com os bancos restaurados
A
Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (SIB) está construída na sede da
entidade, em Salvador, Bahia. É parte de uma estrutura mais abrangente, ainda
em construção, que contempla também salão de eventos, cozinha, espaços
educacionais, biblioteca, além de outras áreas administrativas, recreativas e
culturais.
O
espaço religioso, propriamente dito, desenhado para até 150 pessoas, tem
formato retangular, de planta central, articulado em função de seus dois
elementos fundamentais: o Aron HaKodesh, ou Arca Sagrada, onde
guarda-se a Torah; e a bimah, o baldaquino, de onde conduz-se a
liturgia.
A
planta reproduz um modelo comum em sinagogas asquenazitas, ou seja, ligadas à
tradição judaica oriunda do leste europeu.
Neste
caso, a bimah localiza-se ao centro, tendo a congregação à sua volta, e
mirando o muro orientado a leste onde fica a Torah (voltada a
Jerusalém). A plateia está organizada em níveis diferentes, o que cria uma
situação confortável para visualização da cerimônia. Todo o conjunto visa
acentuar o caráter congregacional do espaço – a comunidade coloca-se em volta
da liturgia, diferente do que ocorre em organizações planimétricas que situam a
bimah e o Aron HaKodesh junto à parede leste, em formato de
auditório com atenção unifocal.
O
Aron HaKodesh e a bimah hoje em uso foram trazidos da antiga sinagoga,
localizada no bairro de Nazaré. As duas peças em madeira maciça constituem uma
forte referência para a comunidade, estando a Arca disposta num nicho de
concreto aparente, ladeado por muros com o mesmo tratamento. O baldaquino, por
sua vez, repousa no ponto central do retângulo.
A sinagoga antes da instalação dos bancos
A
sinagoga é também o único espaço do prédio com a laje nervurada que caracteriza
sua estrutura totalmente aparente, levando o pé-direito máximo a cerca de cinco
metros e criando um teto de luzes e brilho. Quatro pilares de concreto armado aparente
e seção circular delimitam o espaço principal e duas “naves” laterais, onde são
dispostos os equipamentos de climatização, bem como assentos complementares
para cerimônias com maior público. O vão de 12,5m cria boa visibilidade, sendo
estes únicos elementos portantes também uma homenagem a espaços de sinagogas
tradicionais polonesas que tinham apenas quatro pilares como estrutura de sua
cobertura. Na contemporaneidade, este esquema estrutural é reinterpretado em
consonância com as possibilidades tecnológicas do concreto armado, em
comparação às abóbadas de pedra do medievo.
A
luz natural é um elemento fundamental na composição geral, uma vez que reforça
a liturgia a partir do destaque do muro leste, bem como do nicho sobre a Arca
Sagrada, que recebe iluminação zenital difusa, de modo a evocar sobre a Torah
a presença do sagrado, a luz divina.
Complementa
o espaço uma menorah cerâmica, de autoria do escultor baiano Israel
Kislansky, que colore o espaço com seu tom azul, destacando-se sobre o muro de
concreto aparente ao lado do Aron HaKodesh, reforçando a tradicional
relação entre arte e arquitetura no espaço religioso.
Neste
contexto, a doação dos bancos da antiga sinagoga do colégio I.L. Peretz à
Sociedade Israelita da Bahia representou oportunidade de mobiliar o espaço com
elementos coerentes com todas as ideias ali dispostas. Em perfeita harmonia com
o baldaquino e a arca sagrada, os bancos são também a expressão do diálogo
entre elementos tradicionais de sinagogas mais antigas e o espaço
contemporâneo, o que acabou por constituir um conjunto único no Brasil, capaz
de conservar parcialmente a história de espaços religiosos tradicionais
judaicos do século XX, ao mesmo tempo em que adaptado a novas demandas da
comunidade.
É
de grande importância agradecer aos doadores que fizeram chegar os móveis a
Salvador. Em São Paulo, Nicola Nissim Pelosof, Myriam Rosenblit Szwarcbart,
Edurado Alcalay (presidente da mantenedora do Colégio I. L. Peretz na ocasião
da fusão das escolas Alef e Peretz) e a todos os envolvidos nesta cidade, bem
como agradecer à associada da SIB, Tália Dantas Carvalho, que viabilizou e
providenciou a reforma e revitalização dos móveis para sua efetiva instalação e
utilização no último mês de janeiro de 2026.










