Durante o ano de 2025, e agora, em fevereiro de 2026, participei de cursos relacionados à imigração, memória e identidade judaica, expressões artísticas, patrimoniais, culturais. Abordei, em minhas aulas, o tema das sinagogas como patrimônio.
As sinagogas paulistas representam um patrimônio cultural valioso, entrelaçando história, arquitetura, religião e memória da comunidade judaica, preservando sua identidade em um contexto dinâmico e multicultural como São Paulo.
Esses espaços, muito mais
do que locais de culto, constituem um patrimônio cultural, histórico e
arquitetônico de valor inestimável para as comunidades judaicas e para a
sociedade em geral.
Historicamente, ao longo
dos séculos, esses espaços serviram como centros de aprendizado e da vida
comunitária, testemunhando a resiliência, a fé e a rica
tradição judaica em diferentes partes do mundo. Além das celebrações
religiosas, elas abrigavam escolas, tribunais, espaços de assistência social e
encontros comunitários. Em tempos de perseguição e
adversidade, as sinagogas muitas vezes se tornaram símbolos de resistência e
identidade, preservando a cultura e a coesão do povo judeu.
Arquitetonicamente, as sinagogas exibem uma diversidade impressionante,
refletindo as influências culturais dos locais onde foram construídas. Desde as
grandiosas sinagogas históricas da Europa e do Oriente Médio, com seus detalhes
ornamentados e imponentes cúpulas, até as linhas mais modernas e adaptadas às
realidades locais em outros continentes, cada uma conta uma história única.
Seus elementos internos, como a Arca Sagrada (Aron Kodesh ou Hekhal), o púlpito (Bimá ou Tebá), vitrais, luminárias,
candelabros e os assentos, são dispostos com significado e beleza, criando um
ambiente propício à oração e ao estudo.
Os costumes, as melodias, os rituais e ritos de orações, as línguas
faladas pelos imigrantes e as histórias de vida transmitidas oralmente de
geração em geração, que ecoam nos espaços sinagogais, compõem
um mosaico cultural diverso. Preservar esses espaços significa manter viva a
história judaica, além de promover o diálogo intercultural e a compreensão
mútua.
Reconhecer as sinagogas
como patrimônio implica em sua proteção e valorização. Isso
envolve a conservação de seus edifícios, da documentação de sua história e a
promoção de seu significado para as gerações presentes e futuras. Implica,
da mesma maneira, na readequação e no retrofit dos edifícios existentes, ou na
busca por novos espaços. Ao fazê-lo, honramos a memória daqueles que
construíram e mantiveram esses espaços sinagogais e enriquecemos nosso
entendimento da diversidade cultural que molda a todos.
Deste modo, preservar as sinagogas como patrimônio cultural significa reconhecer a importância da diversidade religiosa e étnica na formação da identidade paulistana, paulista e brasileira, promovendo o respeito e a valorização da memória de diferentes grupos que contribuíram para a construção da sociedade brasileira.











