domingo, 9 de fevereiro de 2020

Visita à Congregação Monte Sinai


Em 04 de fevereiro de 2020 pude conversar com Rabino Azulay, e visitar a Congregação Monte Sinai, em Higienópolis. 
Esta sinagoga ainda hoje mantém a mesma tradição, costumes e meldodias das rezas dos que aqui chegaram, de famílias provenientes de Sidon, ou Seida, ao sul do Líbano e a 60km da cidade de Tzfat. Comunidade esta que inicialmente se dirigiu ao Rio de Janeiro, depois à cidade de São Paulo e fundou a Sinagoga Israelita Brasileira na Mooca. 
Informações sobre esta sinagoga na Mooca já foram divulgadas neste Blog, mas caso alguém possua mais detalhes, entre em contato...
Rabino Azulay comentou que a coletividade que frequentava a sinagoga da Mooca morava no bairro, mas também no Ipiranga. Reuniam-se também no Grêmio Monte Sinai em festas, eventos e time de futebol, uma maneira não só de manter unida a comunidade judaica que ali vivia, mas também uma forma de se evitar a assimilação.
A migração de uma parcela dos frequentadores da Sinagoga Israelita Brasileira para outros bairros, entre eles Higienópolis, a busca pela melhoria das condições de vida, e as dificuldades do bairro, como as enchentes, motivaram a aquisição do terreno à Rua Piauí. Pensava-se, à época, no futuro e continuidade desta comunidade, inclusive na questão de assimilação que poderia ocorrer. 
Na ocasião, 10 pessoas se juntaram, sendo 3 da família Khalili, 4 da família Nigri, 1 da família Cohen, 1 da Politi e 1 da Zeitune.
Em 1971, a sinagoga ficou pronta, tendo o sr. Joseph Meyer Nigri como engenheiro. Como comenta, um sucesso quanto à continuidade e visão de futuro, lembrando que os descendentes permanecem em escolas judaicas como Beit Yaacov, Iavne e Maguen Avraham.
Agradeço ao Rabino Azulay pela oportunidade de conversarmos e de visita a esta sinagoga.
Caso você possua fotos, histórias, memórias, documentos, plantas e demais detalhes da Congregação Monte Sinai, ou de outras sinagogas da cidade, entre em contato comigo, deixando um comentário ou encaminhando um e-mail para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Centro de Memória do Museu Judaico e os judeus da Alsacia-Lorena em São Paulo


Arquivo FP0005- Egon e Frieda Wolff
Centro de Memória do Museu Judaica de São Paulo
Compartilhar somente com autorização do Centro de Memória)
Na última semana de janeiro de 2020 estive por mais uma vez no Centro de Memória do Museu Judaico em São Paulo, em busca de material sobre uma possível sinagoga ou minian, dos descendentes dos judeus de Alsacia-Lorena que chegaram a São Paulo ainda no século XIX. 
O Centro de Memória guarda um Fundo Pessoal da família Weil(FP0015), acervo este doado por Daniela Weil, filha única de René Weil e Suzanne Wormser. Este acervo possui informações sobre as famílias Stransky, Kahn, Astruc, Levy, Lilienfeld (um sub-fundo, de sr. Paul Lilienfeld, FP0015 PLLF), além de Weil e Wormser. Além desta vasta documentação, verifica-se um texto relacionado à Alliance Israelite Universelle(AIU), do Arquivo de Egon e Frida Wolf,  com nomes de judeus vinculados à AIU e seus membros. Pode-se citar, Isidore Aron, Dr. Samuel Edouard da Costa Mesquita, Lucien Levy.
Arquivo FP0005- Egon e Frieda Wolff
Centro de Memória do Museu Judaica de São Paulo
Compartilhar somente com autorização do Centro de Memória)
Interessante observar, porém, as notas jornalísticas sobre os judeus no século XIX ao ano de 1904, no fundo FP0005, de Egon e Frida Wolf. Vemos em “The American Israelite- Cicinnati” a anotação “9-23-1897 – In San Paolo, Brazil, a Jewish congregation was established. Its assets consist a burial ground free of incumbances”.  Em “Jewish Chronicle”, temos “9-10-1897- Brazil – In San Paolo there resides a small body of Jews mostly natives of Alsace-Loraine and of Russia, all of them engaged in trade.  These have formed themselves into a congregation, and as a first step have appointed a gentleman selected in Hungary, as Reader and Shochet. Services are held regularly, and the congregation has obtained permission from the Government to open a apecial cemetery". O mesmo texto vemos em um jornal francês.
Pelo que vemos, uma congregação judaica de imigrantes da Alsacia-Lorena foi formada em 1897. Sendo assim, alguém saberia informar se há registros desta congregação em algum órgão oficial? E sobre o cemitério???
Agradeço um contato de quem possuir informações!!! Escrevam para myrirs@hotmail.com

domingo, 19 de janeiro de 2020

Publicações e comentários sobre a comunidade judaica da Alsacia-Lorena em São Paulo

http://smul.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico/img/mapas/1881.jpg
Planta da Cidade de São Paulo
levantada pela Companhia Cantareira de Esgotos em 1881

Alguns comentários no Facebook, e artigos publicados nos remetem á comunidade judaica proveniente da Alsacia-Lorena para São Paulo. Em “ArtiSion-Sionismo e Hasbará”, José Roitberg escreveu: “A sinagoga União Israelita do Brasil, estabelecida no RJ em 1873 por alvará assinado em decreto por D. Pedro II foi fundada, excencialmente por judeus vindos da Alsácia-Lorena. Sabe-se que a União existia desde 1863, mas sem alvará”.Em Jews”, Comino Caleb Guelpa Netto III comentou: “Très intéressant!” e  Yvonne Schvarcz Pereira falou: “É sempre bom conhecer a nossa gente.” Já em “Mundo Judaico” Breno Lerner indicou sra. Malu Toledo: “A Malu é descendente de judeus alsacianos”. Encaminhei mensagem e aguardo um retorno. Na página “Hasbara&Sionismo”, Salomon Mizrahi comentou também: “Parece que algumas ruas de SP levam nomes de Judeus da Alsácia, como, Nothmann, Glette, Schaumann. Confere esta informação?” Sim, é verdade...Sr. Nachman Falbel, em seu livro “Judeus no Brasil: estudos e notas” (Ed. Humanitas, 2008), informa que “A Guerra Franco-Prussiana de 1871 motivou a que muitos israelitas das regiões da Alsacia e Lorena, incorporadas à Prussia, se dirigissem ao Brasil,constituindo uma verdadeira corrente imigratória, cuja contribuição cultural e econômica ainda está para ser avaliada. Seus nomes estão hoje afixados em várias ruas de São Paulo, tais como os Netter, os Burchard, os Nothman e muitos outros...introduzindo as casas de modas e joalherias...” Lemos também que “Em São Paulo, a situação era outra, pois o famoso dentista Samuel Eduard da Costa Mesquita improvisou-se como rabino na pequena comunidade existente então na década de 1870. Somente em 1897, conforme notícia encontrada no periódico Archives Israelites, daquele ano, verificamos que os judeus da Alscaia e Lorena e de outros lugares constituíram-se em comunidade por iniciativa de um membro da família Worms, que já decidira providenciar a vinda de um shochet da Hungria, de nome Samuel Klein, que também exercia as funções rabínicas, abrangendo a orientação sobre a pureza da alimentação...e que as autoridades, ou o presidente do Estado haviam autorizado a criação de um cemitério particular para a comunidade judaica, que estava em franco desenvolvimento. Lamentavelmente nada se sabe a respeito desse cemitério, nem sequer onde se localizava” E completa: “mas, da comunidade alsaciana do século passado, nada restou.” Estas informações constam também do artigo de Dra. Anat Falbel(Unicamp/IFCH) “Como cantaríamos o canto do Senhor numa terra estrangeira?”(Salmos, 137,4)

http://smul.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico/img/mapas/1905.jpg
Planta Geral da Cidade de São Paulo 1905
Na Revista Morasha, Edição 69 - Setembro de 2010, no artigo “Os judeus de São Paulo” vemos que “Anteriormente, em 1808, Portugal, para resistir o avanço de Napoleão sobre o território lusitano, tinha- se aliado à Inglaterra e, por pressão desta potência não-católica, derrubara a proibição da entrada de protestantes e judeus no país. Isto foi o alicerce da comunidade judaica na cidade São Paulo, já que na segunda metade do século 19, chegaram judeus vindos da França. No caso paulistano, não há um personagem que possa ser registrado como o primeiro judeu a viver abertamente como tal na cidade. Há uma relação de comerciantes franceses, nomeadamente da Alsácia-Lorena, que por viverem numa zona de desconforto, disputada pela França e Prússia, foram atraídos pelas oportunidades comerciais que surgiram com a comercialização do café. Aqui eles negociavam roupas, relógios, jóias e artigos finos importados da França para os consumidores locais. Esse tipo de imigrante vivia em trânsito. Sua permanência na cidade era com prazo determinado. Ele vinha com a família, negociava por alguns anos e depois revendia o seu estabelecimento para um parente ou conterrâneo e voltava para a aposentadoria, na França. Dado o seu caráter passageiro, eles não criaram nenhuma instituição religiosa na cidade. Normalmente o culto era feito no seio da família. Mesmo assim, eles são importantes, pois além do seu pioneirismo, deixaram uma imagem positiva dos judeus, ajudando a aceitação dos que viriam depois. São muitos os alsacianos que se celebrizaram na cidade. Porém, para uma história dos judeus em São Paulo, nos interessa o comissário-agente do Consulado francês, Manfred Meyer (1841-1930), que, ao lado de suas obrigações diplomáticas, também mantinha atividades comerciais e industriais...”

Em “Memórias da Comunidade Israelita de S. Paulo - My Memories on the Jewish Community of S. Paulo” (GERAÇÕES / BRASIL- publicação da Sociedade Genealógica Judaica do BrasilMaio 2000, vol. 9), sr. Marcos Firer, escreve: “Na entrada do Cemitério Israelita de Vila Mariana um túmulo chama a atenção, com as seguintes inscrições: Um Tal Ulmann, nascido na Alsácia em 1822, falecido em Ribeirão Preto em 1906 / Um Tal Ulmann, nascido no Peru em 1856, falecido em Ribeirão Preto em 1908 / Um Tal Gelber, nascido em 1888 na Aústria e falecido na Suiça em 1913”1 São três gerações, pai, filho e genro do filho, que entretanto, através de suas ramificações representam quase 150 anos duma familia judia no Brasil. O primeiro Ulmann deixou a Alsácia no decorrer da revolução de 1848, que por sua vez, forçou o início da imigração dos judeus alemães para os EUA, Perú, que por sua vez, em virtude das riquezas minerais, serviu como ponto de atração para jovens aventureiros. Porém a rigorosa influência jesuítica perseguia os judeus, forçando-os à conversão ou a emigração para outros paises latino-americanos mais tolerantes. O Brasil do tempo de D. Pedro II já abolira as restrições religiosas e a riqueza dos barões de café, atraia os mercadores de origem mista franco-alemã da religião mosaica. Portanto o velho Ulmann se estabeleceu na chamada Princesa do Café, Ribeirão Preto, onde por mais de trinta anos manteve um florescente estabelecimento comercial. As filhas e netas, por sua vez formaram famílias, casando-se com imigrantes de origem russa, lituana, etc. Por exemplo, uma filha do velho Ulmann, se casou com Cezar Gordon, que era por sua vez, cunhado do Hessel Klabin. As filhas do Gelber, casadas com Kadischewitz, Siegelman e outros deram raizes a várias famílias. Para ilustrar, a viúva do Berco Udler, neta do Gelber, tataraneta do velho Ulmann já é avó, portanto já são sete gerações duma ininterrupta identidade judaica... Apesar de cronologicamente pertencer a esse grupo, a primazia na forja duma mentalidade judia brasileira, os elementos alsacianos, se isolaram. Talvez, por não se tratar de migrantes, que deixaram atrás, a pobreza, a perseguição, cuja única riqueza era o talit e tefilim além das tradições e a vontade de vencer”... Sr. Marcos Firer continua: “Os alsacianos, vieram de famílias, bem abastadas e em geral, atraídos pelos nababescos turistas brasileiros, que ao comprarem jóias, artigos de arte e vinhos finos em Paris e Lion, foram vistos por eles, e assim resolveram abrir filiais tanto no Brasil, bem como na Argentina. Já por volta de 1840/1850 se instalam tanto em S. Paulo, Rio até Pelotas, filiais com nomes tradicionais judaicos. Kahn, Levy, Aron, Israel, Weil, Hanau, Worms, Grumbach, Netter, Frank, Koblenz, Haenel, Loeb, Jacob, Nathan, etc...Já que a Alsácia passava do domínio francês para alemão e vice-versa. Eram cultos e justiça seja feita, Strasbourg, Metz, Colmar, Mulhause, mesmo antes e durante a emancipação napoleônica era a sede da erudição talmúdica, bagagem trazida para o Brasil, além do amor pela a civilização européia, no melhor sentido da palavra, existia um certo orgulho e dignidade judaica, porém discreta e introvertida. Pode-se dizer, que durante um século perdurou o dominante papel da “colônia alsaciana” seria exagerado chamá-la de francesa. Na época ela representou um certo poder econômico, mas discreto, por exemplo a maioria dos prédios no chamado triângulo (Rua 15 de Novembro, Direita, São Bento, Quitanda) pertencia aos Netters, Arons, Levy, Worms, Grumbach, Michel. Mas, com a crise do café e o declínio dos “barões”, eles foram obrigados a vender as propriedades e fechar as casas de luxo. Interessante notar, que cada uma dessas famílias, nutria o sonho, ao se retirar do comércio, passando-os para genros, sobrinhos, retirar-se na velhice para Paris, Nice. Como já frisei, o Brasil era uma colônia, a metrópole era Paris, aliás, ciclo interrompido pela Segunda Guerra e Nazismo, mas retomado nas últimas décadas. Seja como for, a “colônia” teve um papel histórico, deu aos judeus um certo ar de respeitabilidade em contraste dos elementos indesejáveis, que entraram no Brasil, no fim do século, através de Buenos Aires e que desmerecidamente popularizaram o nome das “Polacas”. Ao lado negativo da colonia deve se anotar uma falta de compromisso aos problemas judaicos mundiais, as contribuições parcas e raríssimas para os fundos, apesar de terem participado para as necessidades locais e beneficentes. Do outro, lado nunca negaram a identidade judaica, e, durante gerações mantiveram um judaísmo formal evitando até pouco tempo conversão e casamentos mistos. É talvez um fim melancólico, depois de cem anos, depois de manter uma posição importante no comércio, depois de fundar cidades e indústrias (por exemplo Osasco foi a cria dos Levys e Heimans – Cerâmica Hervy) deles restam só túmulos nos cemitérios..."

Você possui alguma informação sobre a comunidade judaica que chegou a São paulo, proveniente da Alsácia-Lorena? Escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Comunidade judaica francesa da Alsácia-Lorena, Facebook e internet

Rua Cubatao em 1930, segundo o Mapeamento Sara
http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/_SBC.aspx#

Alguns comentários foram publicados no Facebook, relativos ao post anterior “A comunidade judaica proveniente da Alsácia-Lorena, em São Paulo, estava organizada e construiu uma sinagoga?” Por exemplo, em “Eventos Judaicos Sociais, Culturais e Religiosos”, Claude Hasson escreveu: “a comunidade judaica proveniente da Alsácia-Lorena em São Paulo, ou de outros lugares, são judeus franceses. Falam francês, cultura francesa! O político francês Dominique Strauss-Kahn é da Alsácia e Lorena. Os dois sobrenomes são típicos dos judeus da região assim como os sobrenomes Weil, judeus da cidade de Weil, e Worms, judeus da cidade de Worms. São judeus de famílias muito antigas destas regiões. Alguns tem mais de 1000 anos!”  Agradeço muito pelo comentário e observações, e pelo que li, os judeus que aqui chegaram provenientes desta região, vieram após a Guerra Franco Prussiana, quando a região deixou de pertencer à França. Questionei se a família de Claude Hasson é francesa, desta região e se saberia algo sobre esta comunidade judaica em São Paulo Já em “Em Jewish Brasil – Comunidade Judaica do Brasil”, sra. Sonia Miltzman sugeriu: “Converse com um rabino da comunidade Sefaradi. Em “Pletzale”, Daniel Strum escreveu que “o casal Wolf publicou material sobre isso. Em São Paulo eram poucos e no Rio, alugavam espaços para as festas.” Estou consultando o material de Egon e Frida Wolf...e quanto à Rua Cubatão, vou verificar informações. Em 1930, de acordo com o “mapa Sara”, esta rua era extensa, com diversas edificações... E Daniel completou: “mas em 1930 era outra cidade. Os alsacianos vieram no XIX...”
É possível verificar na internet, na página ainda disponível do AHJB, o texto: “Por Paulo Valadares, historiador (AHJB): O acervo do AHJB é organizado em vários fundos oriundos das doações de familiares ou de instituições. Um destes fundos é o “Paulo Lilienfeld”, com documentação pertencente à família Weill, judeus alsacianos que viveram em São Paulo. Ele é formado principalmente por fotografias e documentos pessoais pertencentes ao núcleo familiar. A maioria das fotos são cenas que marcam o registro de suas vidas na capital paulistana. Dentre estas fotografias encontramos duas que fogem deste padrão, uma delas autografada, de um importante personagem do Judaísmo francês. Trata-se do Rabino Justin Schuhl, conhecido capelão do exército francês na I Guerra Mundial. Junto às fotografias, três recortes de jornais falando dele...”  (http://www.ahjb.org.br/ahjb_pagina.php?mpg=06.03.00.00&npr=25&pg= ) . Material a consultar no atual Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo.
Em “A Integração dos judeus em São Paulo”, sra. Marilia Freidenson escreveu: “Segundo os recenseamentos, em 1900 o número de judeus em todo o Estado de São Paulo era de 226 (DERTÔNIO, 1971, p. 22)...Judeus franceses vieram ao Brasil no século XIX. Um entrevistado brasileiro, cuja mãe veio da Alsácia em 1919, explica: Quase todos os judeus franceses vieram da Alsácia. A maioria veio por causa da guerra de 1870, que anexou a Alsácia à Alemanha. Os franceses que vieram para cá foram logo aceitos pela sociedade brasileira, porque muitos brasileiros mandavam os filhos estudar na França. A França, na época, era modelo de educação, de cultura, era tudo isso, e falar francês era importante. Então os judeus franceses vieram aqui já com certa deferência, vamos dizer, eles já podiam falar com alguém. Essa é a grande diferença entre o pessoal que veio do norte da Europa, da Rússia, da Polônia, que não falavam a língua e tinham que ficar entre eles. (FREIDENSON; BECKER, 2003, p.52)...O historiador Ernani Silva Bruno também menciona Manfredo Meyer, citando um texto de Henrique Raffard de 1890: "Bem andou o Manfredo Meyer abrindo ruas e vendendo lotes nos seus vastos terrenos do Bom Retiro." (BRUNO, 1984, p. 1035). Os pesquisadores Egon e Frieda Wolff informam: Manfred Meyer era um israelita alsaciano, comissário-agente do consulado francês carioca, autorizado, em 1871, a aceitar subscrições para as vítimas da guerra franco-prussiana. Homem generoso, contribuiu para as mais variadas causas com importâncias elevadas. (WOLFF, 1988, p. 69).” ( A Integração dos judeus em São Paulo - Revistas USP https://www.revistas.usp.br › ceru › article – Cadernos CERU Série 2, n.18, 2006)
No livro “Franceses no Brasil: séculos XIX- XX” (por Laurent Vidal, Tânia Regina De Luca(orgs)- São Paulo: Editora Unesp, 2009) lemos que  “entre os comerciantes franceses de alto padrão citados por Georges Ritt estavam os Bloch Frères , um dos casos de judeus franceses originários da Alsácia-Lorena que vieram se estabelecer em São Paulo.Fundaram em 1878 e loja de roupas masculinas Au Bon Diable, que se tornou uma das mais importantes do comércio paulistano na passagem do século XIX para o XX, Entre pelo menos 1884 e 1915 encontram-se registros nos almanaques comerciais dessa casa, situada na Rua Direita, no pavimento térrei do edifício ocupado pelo Hotel de França...”
“O jornal Le Messager de St. Paul foi publicado durante duas dezenas de anos em São Paulo, de 6 de julho de 1901 a julho de 1924, totalizando 23 anos. Foi o mais importante jornal francês de São Paulo. Não sabemos exatamente qual foi a última edição, mas sabemos que o jornal foi fechado em julho durante a Revolução de 1924.116 A princípio o título vem em francês, Le Messager de St. Paul – feuille hebdomadaire – propriété d’une association (26/10/1901). A associação referida era provavelmente a Alliance Française, cuja sede era no Rio de Janeiro e que tinha uma sucursal em São Paulo, ambas ligadas à comunidade judaica, segundo Egon e Frieda Wolf: Os franceses, e entre eles os franceses israelitas, formavam um círculo fechado, possuindo suas próprias associações e sociedades. O Cercle Français, a Société Française de Bienfaisance, o Comité 14 Juillet, a Câmara de Comércio Francesa, a Alliance Française são exemplos para estas associações segregadas. [...] EUGÈNE HOLLENDER pertencia à Alliance Française desde 1890, participando do comitê ainda em 1892. O Sr. P. Lyon, da casa P. Lyon & C., era delegado da Alliance Française para São Paulo”. (Relações transnacionais: jornais franceses publicados no Brasil (1854-1924) Valéria Guimarães)
O artigo “Os judeus alsacianos em São Paulo” (OESP- Edison Veiga-20 de outubro de 2010) descreve: “Não se tem registro do primeiro judeu “paulistano”. A partir de 1870 chegaram os primeiros judeus da Alsácia-Lorena, atraídos pela riqueza gerada pelo café e tangidos pela derrota da França diante da Alemanha. Os alsacianos aproveitaram o boom econômico do café para suprir os fazendeiros e a nascente burguesia urbana com artigos de luxo... Do Rio de Janeiro veio o dentista judeu francês Samuel Edouard da Costa Mesquita (1837-1894), que trabalhara para o Imperador D. Pedro II e depois viera para São Paulo onde havia muito serviço. Com o governo incentivando a imigração europeia, ele pretendia trazer judeus da Rússia que por lá viviam em péssimas condições. No bairro Bom Retiro, muito próximo da Estação da Luz, já se viam alguns judeus vindos do Império Russo que tentavam ganhar a vida como mascates.” (Excerto do livro Os Primeiros Judeus de São Paulo, de Paulo Valadares, Guilherme Faiguenboim e Niels Andreas-Fraiha, 2009)
Heloisa Faissol escreveu em seu livro “O Lixo do Luxo” (Livros Ilimitados-2012) que a raiz da família nasceu após a derrota da França, na guerra de 1870-1871. “Lorena e Alsácia acabaram sendo anexadas às terras da Alemanha, de modo que muitos franceses, principalmente israelitas, procuraram as terras da América. Com esses israelitas vieram os Worms, um grupo jovem de primos, procedentes de Tragni-Lorena, França. Em 1860, com apenas 18 anos, o meu tataravô, Jacob Worms, foi transferido para o Brasil. Na cidade de São Paulo, os Worms já dominavam o comércio de jóias, trazendo da Europa mercadorias de luxo. Uma das pintoras de grande prestígio nesta época era Berta Worms, sua irmã. Mas o meu tataravô se desligou dos conterrâneos e seguiu sozinho o seu caminho. Tornou-se mascate...”
Aguardem novidades, inclusive de mais publicações ou artigos divulgados na internet relativos aos judeus franceses que chegaram a São Paulo. Fundaram uma sinagoga? Reuniam-se em casas de famílias provenientes da França? Formaram uma comunidade organizada? Sua família faz parte dos imigrantes judeus que chegaram da França, após a Guerra Franco-Prussiana? Deixe seu comentário ou escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

A comunidade judaica proveniente da Alsácia-Lorena, em São Paulo, estava organizada e construiu uma sinagoga?


https://pixabay.com/pt/illustrations/mapa-da-fran%C3%A7a-1290907/
A comunidade judaica proveniente da Alsácia-Lorena, em São Paulo, estava organizada e construiu uma sinagoga? Esta questão não está clara, e venho buscando informações a respeito, ao mesmo tempo em que busco mais detalhes, não só das sinagogas de Higienópolis, mas também das demais sinagogas em São Paulo.

Durante uma conversa, em 08 de março de 2018, Rabino Shimon Brand, como já publicado numa postagem deste Blog, comentou sobre alguns minianim e/ou sinagogas em São Paulo. E comentou que houve uma situada à Rua Cubatão, “dos franceses”, citando a família Danek. 

Assim, já no começo deste post pergunto: você faz parte da família Danek? Sua família fez parte da imigração judaica proveniente da região da Alsácia-Lorena, ocorrida na segunda metade do século XIX? Poderia compartilhar informações, histórias, alguma memória? Em qual região da cidade de São Paulo estabeleceram-se? Constituíram uma sinagoga? Um minian? Possuem fotos, documentos? Conhece alguém da comunidade proveniente daquela região?

Algumas informações podem ser encontradas no livro do sr. Henrique Veltman, “A História dos Judeus de São Paulo” (2.edição, revista e ampliada, Rio de Janeiro, Ed. Expressão e Cultura, 1996). No capítulo IV, página 27, lemos que “Judeus franceses trazem o bom gosto no vestir e introduzem as primeiras casas de joias. São de judeus alemães e alsacianos as primeiras companhias de seguros, os estúdios de fotografia, as lojas de calçados e de fazendas. Destacam-se na importação, de uma forma geral e sobem socialmente, por exemplo, de Victor Nothman e de Frederico Glete. Em 1881, os judeus franceses organizam-se na “Sociedade 14 de julho”. É dali que surge Alexandre Levy...” Lemos também que Dr. Samuel Edouard da Costta Mesquita chegou ao Brasil em 1860, exercendo a profissão de cirurgião-dentista e foi o primeiro rabino de São Paulo. Seu túmulo, assim como da família, encontra-se no Cemitério dos Protestantes (enterrado em 13 de janeiro de 1894). Também vemos que, assim como os alemães e húngaros, os judeus alsacianos instalaram-se em São Paulo e partiram para o interior, participando inclusive da implantação de ferrovias e da agricultura. Sr. Veltman cita as famílias Maylasky, Wille, Baumann, Frank...E no início deste capítulo, percebemos um pouco o sentido desta busca por informações que venho realizando: “Com o correr do tempo, judeus e seus descendentes perdem a lembrança de suas origens. Ainda assim, pode-se seguir os passos de muitos deles...”. No mesmo livro, à página 55, há mais detalhes sobre a comunidade judaica paulistana no século XIX: “Onde eram realizadas as cerimônias? Na edição de 3 de setembro de 1897, o Allgemeine Zeitung des Judenthums, que circulava em Lepzig, na Alemanha, noticiava: foi constituída em São Paulo uma congregação israelita, a qual ultimamente recebeu permissão de estabelecer o seu próprio cemitérios. Essa mesma informação foi reproduzida em jornais judaicos da França, Inglaterra e Estados Unidos. Nada, porém, foi encontrado a respeito da sede dessa organização (que incluiria, é claro, uma sinagoga e muito menos sobre o cemitério israelita. O cemitério da Vila Mariana foi inaugurado somente em 25 de fevereiro de 1923". Sobre este, leiam o livro “Os Primeiros Judeus de São Paulo - Uma breve história contada através do Cemitério Israelita da Vila Mariana” (Paulo Valadraes, Guilherme Faiguenboim, Niels Andreas- Rio de janeiro, Ed. Fraiha, 2009). Na página 25 deste livro, com o título “Os judeus alsacianos em São Paulo", há a informação de que não se tem registro do primeiro judeu paulistano. Os judeus provenientes da Alsácia-Lorena aqui chegaram não só atraídos pela riqueza gerada pelo café, mas também motivados pela derrota da França na Guerra Franco-Prussiana. Assim, aqui vieram suprir a população abastada da cidade com artigos de luxo. Na mesma página, há uma foto da família Worms, judeus franceses, em 1916, em que vemos Bertha e Fernand, sendo este sobrinho do Dr. Samuel Edouard da Costa Mesquita, acima citado.

No livro “Estudos sobre a comunidade judaica no Brasil” (Fiesp, São Paulo, 1984), Dr. Nachman Falbel apresenta detalhes sobre a imigração judaica da região da Alsácia-Lorena: “”...Os judeus franceses trouxeram à cidade de São Paulo o bom gostos no vestir e também o consumo do supérfluo estabelecendo na capital paulista casas de jóias e afins...Outros eram importadores de alto vulto e acabaram ascendendo na sociedade paulistana pela sua riqueza e iniciativas sociais...”. Dr. Falbel aponta o livro “São Paulo de outrora”, de Paulo Cursino de Moura, em que este lembra os franceses e sua contribuição para a cidade, na moda e na elegância, na arte na música. E organizaram a sociedade “14 Julliet”, fundada por volta de 1881, tendo entre seus membros a família Cahen Levy. Sr. Falbel cita ainda na área da música Henry Levy, Louis e Alexandre Levy e Edgard Levy, e a pintora Bertha Worms. Descreve também sobre Dr. Samuel Edouard da Costa Mesquita, preenchendo a função de rabino ao oficiar as rezas nas festas judaicas...

Leiam no próximo post mais informações que foram publicadas e também disponíveis na internet sobre os judeus da Alsácia-Lorena que chegaram a São Paulo no século XIX.

E aqui pergunto novamente: como era organizada e constituída, em São Paulo, a comunidade judaica na segunda metade do século XIX, conforme foi publicado e noticiado no Allgemeine Zeitung des Judenthums, em Lepzig, e reproduzida em jornais judaicos da França, Inglaterra e Estados Unidos, e particularmente os provenientes da Alsácia-Lorena?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Sociedade Religiosa Kehilat Achim Tiferet Lubavitch


A Sociedade Religiosa Kehilat Achim Tiferet Lubavitch situa-se à Rua Dr. Veiga Filho, em cima de uma padaria. Pude visitá-la, e conversar com Alberto Savoia, presidente desta sinagoga, no dia 26 de novembro, antes do horário de Minchá e após o horário de estudos dos meninos do Colel.

Uma escadaria conduz ao espaço da sinagoga. O setor masculino possui cadeiras situadas próximas à Bimah e ao Aron Hakodesh, que guardam as Torót. O setor feminino, separado, situa-se na parte posterior. Um terraço coberto comporta o salão do Kidush, que, na Festa de Sucót, abriga a Sucá. Cozinha e banheiros mantêm o aspecto original, da época da construção do edifício, não foram modernizados. Um ventilador, um relógio e alguns quadros ocupam as paredes.

Esta sinagoga originou-se em 1972, a partir da Sinagoga Tiferet. Com a saída de muitos jovens que a frequentavam e que mudaram de sinagoga, hoje em dia é formada principalmente pelos senhores mais velhos, que se reúnem para completar o minian das rezas diárias. Podemos citar que três sobreviventes do Holocausto participam da sinagoga, sr. Abraão Bem Meir, sr. Moisés Levi e sr. Ishartiel (corrijam-me os nomes, caso eu tenha informado erroneamente). O pai do Rabino Sobel, sempre que vinha ao Brasil, rezava no Shil da padaria, como esta sinagoga é conhecida. 

Em um determinado momento, pensaram em fechá-la, mas como Alberto Savoia comentou, vêm mantendo-a ativa, e conservada. Hoje em dia quem conduz as rezas é o Rabino Berlinov...

 Você teria mais informações sobre o Shil da Padaria? E sobre a Congregação Monte Sinai? Compartilhe mais detalhes, suas memórias, histórias, lembranças, fotos, documentos. Deixe uma mensagem aqui ou escreva para myrirs@hotmail.com

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Congregação Monte Sinai...mais informações...

Vitral da sinagoga
Foto disponivel no Centro de Memória
do Museu Judaico de São Paulo 

A diretoria da Congregação Monte Sinai, formada em 2014/2015 era composta, entre outros, por sr. Daniel Alberto Mansur como presidente, sr. Nathan Victor Peres como vice-presidente e sr. Moises Hasbani como 1. Secretário. Estas informações estão disponíveis no livro de rezas editado pela Congregação, conforme apresentou sra. Guigui Srur, em conversa no dia 26 de novembro de 2019. A família de sra. Guigui, Sawaya, chegou ao Brasil no final de dezembro de 1959/início de 1960, proveniente de Beirute. Moraram na Mooca, ao lado da Sinagoga Israelita Brasileira e posteriormente no Bom Retiro. Ao se mudarem para este bairro começaram a frequentar a sinagoga da Rua Piauí, ampla, com vitrais e construída pela família Nigri e Khalili. Sra. Guigui conversará com Rab. Azulay para que possamos conversar e para agendarmos uma visita à Sinagoga.
Ao questionar quem frequenta ou frequentou a Congregação Monte Sinai, e solicitar a quem pudesse que compartilhasse suas histórias, suas memórias, suas fotos, seus documentos, alguns comentários foram postados no Facebook. Por exemplo, em Em Guisheft Vendas e Anuncios,  sr.Moishe Waintraub indicou sr. David Salim Cohen, e escreveu que são frequentadores desta sinagoga. Em Jewish Brasil, Lilian Schreiner Módolo indicou Luiz Augusto Módolo, e Lili Muro Zaitoune Muro escreveu que o pai, Ibrahim Zaitoune, assim como outros que conheciam bem a Torá, eram Chazanim na Sinagoga Monte Sinai(Sinagoga Israelita Brasileira, no caso) na Mooca, pois nao havia um Rabino na Sinagoga.
E você, frequenta ou frequentou a Congregação Monte Sinai??? Compartilhe suas histórias, suas memórias, suas fotos, seus documentos... 

domingo, 17 de novembro de 2019

Centro de Memória do Museu Judaico e a Congregação Monte Sinai

Congregação Monte Sinai-
Foto do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo
(compartilhamento somente com autorização do Centro de Memória)

Em busca de informações sobre a Congregação Monte Sinai, estive no dia 12 de novembro de 2019 no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo. Algumas fotos, estão disponíveis, assim como três vídeos relacionados ao Projeto Memória, iniciado em 1992. O livro “O Brasil como destino- Raízes da imigração judaica contemporânea para São Paulo ” da Profa. Dra. Eva Alterman Blay (Editora Unesp, 2010) também pôde ser consultado. Neste, a Profa. Dra. Eva Alterman Blay apresenta o depoimento do sr. Assalam Nigri, membro fundador da Congregação Monte Sinai. Inicialmente a família de sr. Assalam Nigri, originária da cidade de Sidon, no Líbano, morava na Mooca e rezava na Sinagoga Israelita Brasileira. Posteriormente mudaram-se para o Ipiranga. E com a transferência da maioria das famílias para a região de Higienópolis, fundaram a sinagoga da Rua Piauí. E explica, como vemos no livro, o nome da sinagoga, remetendo-o ao já existente Grêmio Monte Sinai, na Mooca. A geração fundadora trabalhava de forma voluntária, com boa vontade.
A Revista Morasha, Edição 70, de dezembro de 2010, também faz referência à Congregação Monte Sinai, informando que esta sinagoga sefaradita em Higienópolis foi fundada por judeus de origem libanesa oriundos de Sidon e também de Israel, Egito e Turquia. Originou-se como uma migração dentro da cidade de São Paulo, pois seus membros, antes morando na Mooca, deslocaram-se para a região da Paulista e Higienópolis. Tal fato dificultou o deslocamento para a sinagoga de origem. Desta forma, compraram um terreno e fundaram em 1971 a Congregação Monte Sinai, à Rua Piauí.
E você, frequenta ou frequentou a Congregação Monte Sinai??? Compartilhe suas histórias, suas memórias, suas fotos, seus documentos...

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

A Congregação Monte Sinai e o livro “Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro”

Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro
 Rachel Mizrahi -São Paulo, Ateliê Editorial, 2003 - 
Coleção Brasil Judaico; 1/ dirigida por Maria Luiza Tucci Carneiro

O livro Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro, de Rachel Mizrahi (São Paulo, Ateliê Editorial, 2003 - Coleção Brasil Judaico; 1/ dirigida por Maria Luiza Tucci Carneiro) apresenta, entre as várias sinagogas de origem dos judeus do Oriente Médio, a Congregação Monte Sinai (página 213 a 218).
Rachel Mizrahi relata que "no final da década de 1960, apesar da compra do terreno na Mooca, evidenciava-se aos dirigentes da Sinagoga Israelita Brasileira que um novo templo não seria erguido no bairro... Projetos de construção de uma sinagoga em Higienópolis ganhou apoio da maioria dos participantes". A autora escreve que, em julho de 1971, concretizou-se a compra de um terreno à Rua Piauí, com a colaboração de Assilam, Marco, Joseph e Alberto Nigri; David e Marco Cohen; Assilam e Esther (viúva deToufic) Kalili, Elias Politi, Salim Zeitune. Os Estatutos foram elaborados em reuniões semanais, à Rua Itambé. Com a posse do terreno, mobilizaram-se para a arrecadação de fundos para o início das obras, contando inclusive com a ajuda da sra. Esther Dana Kalili em jantares-jogo. No lançamento da pedra fundamental ausentaram-se Nassim Nigri e demais fundadores da Sinagoga Israelita Brasileira, da Mooca. A sinagoga, ampla e moderna, foi inaugurada em 1974, ainda em obras, na festa de Pessach, e os serviços religiosos foram realizados com livros e Sifrei Torah emprestados pelo Templo Israelita Ohel Yaacov. Em 1982, a condução dos trabalhos diretivos da Monte Sinai foi transmitida aos filhos dos fundadores, das famílias Nigri, Politi, Zeitune, Mansur, Simantob, Peres. Já em julho de 1984, novos Estatutos foram aprovados, Meyer Yehuda Nigri assumiu a presidência e Luiz Simantob a secretaria. 
No livro de Rachel Mizrahi podemos ler ainda que os chazanim Jacoube Cohen e Lazaro Setton passaram a conduzir os serviços religiosos. No mesmo período, Assilam Nigri convidou Alberto Savoia para ajudar na condução das rezas, preocupado em manter as tradições judaicas da Mooca. Os novos dirigentes, na ocasião, buscaram um rabino profissional. Em junho de 1985 Isaac Michaan, de origem síria, família natural de Alepo, aceitou o cargo. Estudou no Colégio Beith Chinuch e era ligado ao Chabad. Na Monte Sinai propôs o ensino sistemático da Torah, adquiriu livros de estudos da religião, organizou cursos, palestras... Aos poucos os participantes da sinagoga, embora saudosos da época da Mooca, aceitaram o caminho que Rabino Michaan adotou...
Aguardem mais informações sobre a Congregação Monte Sinai, em Higienópolis... Você gostaria de compartilhar alguma foto, dados, histórias sobre esta sinagoga??? Deixe seu comentário aqui!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A Congregação Monte Sinai em Higienópolis

Página do site da Congregação Monte Sinai
http://www.montesinai.org.br/

A Congregação Monte Sinai situa-se à  Rua Piauí, 62, em Higienópolis. De acordo com a Enciclopédia Judaica, data de 2 de junho de 1971, tendo sido a primeira diretoria composta por Assilan M. Nigri, Elias Kalili, Elias Politi, Marco Nigri, Albert M. Nigri, Aslan Kalili.

Recordando, em dezembro de 2017 visitei a Sinagoga Israelita Brasileira acompanhada de David Carlessi, Rachel Mizrahi, Linda Zeitoune, Haim Zeitoune e Victoria Hadid e pudemos conversar com o sr. Jamil Sayeg e seu filho, Isaac Sayeg. Naquela ocasião, Sr. Jamil nos contou que esta sinagoga foi fundada em 1930 pela coletividade síria sefaradi de São Paulo, sendo os fundadores o sr. Isaac Sayeg (pai do sr. Jamil) e o sr. Nassim Nigri. Noventa por cento da coletividade israeli síria residia na Mooca. Sr. Jamil havia relatado que a sinagoga tinha alta frequência, inclusive de sábado, não só nas Grandes Festas. A sinagoga ficava sempre lotada, não havia cadeiras vazias, sempre com muitos cohanim. Com o crescimento da comunidade judaica do bairro, cogitou-se a construção de uma sinagoga maior, em um terreno à rua Barão do Jaguara. A frequência nesta sinagoga, com o tempo, começou a diminuir, inicialmente aos sábados, com a “migração” dos frequentadores para Higienópolis, motivada, entre diversas razões, por problemas como as enchentes no bairro da Mooca, e com o enriquecimento desta coletividade. Parte dos frequentadores, optou, assim, pela construção de uma nova sinagoga à Rua Piauí, denominada Congregação Monte Sinai... Sr. Jamil contou-nos que muitos estão hoje nesta sinagoga...são os descendentes. A Sinagoga Israelita Brasileira mantém-se, no entanto, ativa e continuam em atividade. Isaac, filho do sr. Jamil afirmou naquele encontro: “prometemos ao meu avô que não iriamos fechar!!” 
Para a construção da sinagoga da Congregação Monte Sinai, em Higienópolis um grupo organizou-se para a compra de um terreno à Rua Piauí, o qual se concretizou em 1971. Elaborados os Estatutos e com a compra do terreno efetivada, passou a ser necessário a arrecadação de fundos para a construção do edifício. Em Pessach de 1974, a Congregação Monte Sinai foi inaugurada, tendo como primeiro presidente o sr. Assilan Meyer Nigri.

No site da Congregação Monte Sinai podemos ler que atualmente a sinagoga tem à frente de seus serviços religiosos os Rabinos David Azulay e Yossef Sisro e, como presidente da instituição, o Sr. David Salim Cohen. Também vemos que oferecem vários serviços à comunidade, entre eles o Projeto Chessed, de visita a doentes e idosos em suas residências e/ou clinicas de repouso; atividades em suas dependências para senhoras, bingo, coral e chá da tarde. Possui também aulas de judaísmo, ministradas pelas Rabanit Simcha e Shoshi, rezas diárias, Bar- Mitzvah, hebraico, almoços com shiurim, shiurim diários de manhã, entre Minchá e Arvit, aula de Guemará e Colel. No Shabat oferecem serviço de recreação para crianças a partir de 3 anos de idade, com monitoria especializada.

Você frequenta a Monte Sinai? Já frequentou? Conhece quem a frequenta? Possui fotos, memórias ou documentos que gostaria de compartilhar? Sabe de algum acervo? Quem foi o autor do projeto arquitetônico? Saberia dizer onde estão arquivadas as plantas deste projeto? Compartilhe suas informações. Deixe um comentário ou escreva para myrirs@hotmail.com 

Para a criação deste post foram consultadas as seguintes referências bibliográficas:

·      MIZRAHI, Rachel: Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro, São Paulo, Ateliê Editorial, 2003 – (Coleção Brasil Judaico; 1/ dirigida por Maria Luiza Tucci Carneiro)
·      MIZRAHI, Rachel: Diversidade Cultural dos Imigrantes Sefaraditas e Judeus em São Paulo” In Recordações dos Primórdios da Imigração Judaica em São Paulo, organizadora por Maria Luiza Tucci Carneiro, São Paulo, Ed. Maayanot, 2013
·      ENCICLOPÉDIA Judaica, Rio de Janeiro, Ed. Tradição, 1967
·      Site da Prefeitura de São Paulo - Prefeitura Regional da Mooca: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/regionais/mooca/historico/index.php?p=435