Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região
central da cidade de São Paulo, surgiu nos anos 1820, uma
área nobre de sítios e chácaras de veraneio, como “Dulley”, “Sítio do
Carvalho”, Chácara do Marquês de Três Rios, Solar do Marquês, e sr. Joaquim
Egídio de Sousa Aranha. O Jardim da Luz data de 1825, e a Estação da
Luz, de 1867, foi ampliada em 1901.
A partir de
1870 a mudança na paisagem tornou-se evidente, com a primeira leva de
imigrantes, e a presença de operários italianos. A proximidade com a estação
ferroviária, indústrias, oferta de emprego, moradia barata, presente em todas
as levas de estrangeiros no local, mudaram a paisagem local.
Com a
urbanização, arruamentos e loteamentos das chácaras, o bairro saiu de seu
isolamento: depósitos e olarias, como a Olaria
de Manfred Meyer, forneceram tijolos para a transformação da cidade.
Naquele momento, o bairro tornou-se um polo de indústrias, entre elas a Fábrica Anhaia (tecidos de algodão), a Cervejaria
Germânia e a Ford do Brasil (1921).
A primeira
Hospedaria de Imigrantes, situada no sobrado Bom Retiro, de 1882 a 1887,
atendeu levas de imigrantes. Naquela data mudou-se para o Brás, ali
permanecendo até a década de 1970. O sobrado,
demolido, foi substituído pelo edifício do Desinfectório Central, à
Rua Tenente Pena, 100, transformado em Museu de Saúde Pública Emílio Ribas.
Apesar das mudanças ocorridas no bairro, o Bom Retiro manteve, de uma maneira
geral, suas edificações construídas ao longo de sua história.
O perfil do
Bom Retiro, formado por origens, nacionalidades e religiosidades diversas, permanece
multicultural, evidenciando-se na convivência de
famílias de imigrantes de variadas origens: espanhola, portuguesa, italiana,
grega, armênia, coreana, boliviana, húngara,
paraguaia, e judaica (provenientes do leste europeu). As potencialidades
turísticas que apresentei para este bairro foram consideradas principalmente na
proposta da execução de uma exposição. Um ponto de partida que pode ser
replicado para cada comunidade, deste bairro ou não, independente de sua
origem, imigrante ou não.
Uma maneira de divulgar
conhecimentos e saberes, partindo do ponto de vista de Belanciano, em que
afirma: “Todos somos turistas. Mesmo os que não se sentem forçosamente identificados
com aquilo a que chamamos turismo.” (Belanciano, 2016). Multicultural
é o bairro, e diversas possibilidades de turismo se evidenciam. Como afirma
Richards (2009) “Junto com o patrimônio arquitetônico
e das artes, alguns países incluem em sua definição, por exemplo, a
gastronomia, o esporte, a educação, as peregrinações, o artesanato, a contação
de estórias, e a vida na cidade”. O bairro, com sua diversidade de identidades
de imigrantes, possibilita um percurso de turismo cultural, de experiências, criativo,
de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais, identificando
“motivações culturais” e o “fazer contato com moradores do local
e aprender mais sobre a sua cultura” (Richards, 2009).
Aguardem
mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.
Você
ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso,
escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com
*Este texto faz parte do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022
MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA.
DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP
Sugestões de leitura
Richards, Greg. Turismo
cultural: padrões e implicações. in Turismo cultural: estratégias sustentabilidade
e tendências. Camargo, Patricia e Cruz, Gustavo (orgs). editora da Universidade
Estadual de Santa Cruz – Uesc: Ilhéus, 2009, pp. 25-48
Belanciano, Vítor. "Todos somos turistas",
Jornal Público, 2016, https://www.publico.pt/2015/12/20/economia/noticia/todos-somos-turistas-1717829












