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| Revitalização do Pletzale Bom Retiro Artista - Artur Lescher - 2020 |
Organizar
um roteiro turístico-cultural temático, para que se conheçam os locais em que
os judeus se estabeleceram ao chegarem à capital paulista, é a proposta da
publicação, impressa ou digital para o “Guia das Sinagogas em São Paulo”.
Apresentar não só a história de cada comunidade judaica, em textos, documentos
e fotos, mas principalmente as respectivas sinagogas, nos bairros em que se fixaram,
possibilita refletir sobre a inserção destas no contexto urbano, inclusive em
relação à tipologia das edificações do entorno e no uso do espaço pelo homem.
Indicar
caminhos e percursos, interligados ou setorizados por regiões, promovendo
visitas guiadas, descobrindo os usos e destinos atuais que o então edifício
sinagogal recebeu ao ser desativado ou demolido, faz parte da proposta. No caso
do edifício ter sido demolido, um marco ou uma exposição de rua em uma praça do
entorno, em museus de rua, torna-se uma opção. É possível uma interação entre a
população local e os potenciais turistas, mas se faz necessário analisar as
possíveis consequências de um fluxo turístico a estes bairros, caso ocorra.
Vale destacar os pontos apresentados por Vitor Belanciano, relacionados aos
bairros como um ecossistema complexo, sujeitos às mudanças na paisagem urbana ao
absorverem um número (elevado) de turistas. Como afirma Belanciano, “o turismo
gera receitas e por vezes reabilita zonas urbanas. Mas também pode contribuir
para a diminuição da qualidade de vida local” (Belanciano,
2015).
Particularizar
e exemplificar este roteiro torna-se possível no bairro do Bom Retiro,
considerando-se que uma boa parcela da
comunidade ali se estabeleceu a partir dos anos de 1910/1920, à época um bairro
fabril e proletário, por facilidade de
transporte, aluguel barato, na busca ou não de
parentes ou amigos. A dificuldade
com o idioma, e de se conseguir emprego, resultaram na escolha da profissão como
mascates, ou Klientelchik, além das
possibilidades de trabalhos em confecções
têxteis. Os que aqui chegaram, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, acreditaram
ser conveniente morar numa região onde já estava instalada parte da comunidade,
com suas escolas, sinagogas, moradia e crédito. Organizaram-se, abriram lojas, fundaram sociedades de
auxílio mútuo, organizações religiosas, sinagogas, escolas, publicaram jornais
e revistas, construíram o cemitério. Muitas famílias da
coletividade judaica que moravam no Bom Retiro, a partir da década de 1960, começaram
a migrar para bairros como Higienópolis e Jardins. Várias instituições judaicas
permanecem em funcionamento (Ten-Yad, Memorial do Holocausto, Unibes, Escola
Gani-Lubavitch, Yeshivót, Casa do Povo, diversas sinagogas), e outras
encerraram suas atividades no bairro (Escola Talmud Thorá, Escola Scholem
Aleichem, Taib, Linath Hatzedek, Cooperativa de Crédito Popular, Habonim Dror,
Hashomer Hatzair, Bnei Akiva).
Aguardem
mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.
Você ou
sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso,
escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com
*O presente texto é um recorte da pesquisa que venho
realizando ao longo do tempo, relacionada às sinagogas de São Paulo e faz parte do Trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS,
PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA.
CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP













