segunda-feira, 16 de maio de 2022

RABINO JACOB MAZALTOV - texto de Clara Kochen

Synagoga Sepharadin de São Paulo
foto enviada por sra.Clara Kochen

O texto abaixo foi escrito pela sra. Clara Kochen, e enviado a mim, com autorização para publicá-lo neste blog:

"EM ISTAMBUL, ÀS MARGENS DO GOLFO DO CORNO DE OURO, NO BAIRRO JUDEU DE HASKÖY NASCEU EM 1883, JACOB MAZALTOV.

NA  ÉPOCA HASKÖY ERA UM BAIRRO ONDE SE REFUGIARAM  JUDEUS FUGIDOS DA INQUISIÇÃO QUE LA VIVIAM TRANQUILOS COM SUAS FAMÍLIAS.

ERAM CERCA DE 10.000 SEFARADIS, QUE SE SERVIAM DE 12 SINAGOGAS E ALGUNS LOCAIS DE ORAÇÃO DE PEQUENOS GRUPOS

A ÚNICA LÍNGUA FALADA ERA O LADINO, NA FAMÍLIA, NAS RUAS, NA SINAGOGA E QUEM VINDO DE FORA QUIZESSE NEGOCIAR OU TER ALGUM INTERCAMBIO COM SEUS MORADORES ERA OBRIGADO A APRENDER O LADINO PARA FAZÊ-LO.

JACOB MAZALTOV VEIO DE UMA FAMÍLIA DE RABINOS E SEU PAI QUERENDO QUE SEU FILHO SEGUISSE A TRADIÇÃO O FEZ IR PARA ALEXANDRIA PARA ESTUDAR.

TERMINANDO OS ESTUDOS DE RABINATO E CONTRARIANDO O DESEJO DE SEU PAI VEIO PARA O BRASIL PARA TRABALHAR NO COMÉRCIO.

NO RIO DE JANEIRO CONHECEU DORA HAZAN, NASCIDA EM URLÁ NAS CERCANIAS DE ISMIRNA COM QUEM SE CASOU.

EM POUCO TEMPO FICOU DEMONSTRADO QUE A ATIVIDADE COMERCIAL  NÃO ERA A ÁREA A QUE DEVIA SE DEDICAR.  ASSIM O CASAL PARTIU PARA BUENOS AIRES ONDE COMEÇOU A EXERCER O RABINATO, PARA O QUAL  SEGUNDO PROFECIA DE SEU PAI FORA TALHADO.

CONTRATADO POR UMA SINAGOGA DE MONTEVIDÉO, NESSA CIDADE VIVEU NOS ANOS DE 1922 E 1923, VINDO  A SEGUIR  PARA O BRASIL.

EM SÃO PAULO, FOI MORAR NA PARTE SUPERIOR DE UM SOBRADO NA RUA MAJOR DIOGO, PELA PROXIMIDADE DA SINAGOGA DA RUA ABOLIÇÃO, PARA A QUAL FORA CHAMADO.

O CASAL MAZALTOV NÃO DEIXOU DESCENDENTES, MAS VIVEU COM ELES DURANTE ALGUNS ANOS SEU SOBRINHO SAMI STAMATI CASADO COM NINA HAZAN STAMATI, QUE TORNARAM-SE OS FILHOS QUE ELES NÃO TIVERAM E DE  TAL MANEIRA A ELES SE AFEIÇOARAM QUE POR HONRA A ELES SEUS FILHOS RECEBERAM OS NOMES DE JAQUES E DORA (POR ELLOS FORAN NOMBRADOS ).

SUA PASSAGEM PELA SINAGOGA ISRAELITA SEFARADI DE SÃO PAULO TAMBEM CHAMADA DO RITO PORTUGUES, DEIXOU PROVAS DE  SEU PIONEIRISMO E DA AMPLITUDE DE VISÃO SEMPRE DENTRO DO ESPÍRITO RELIGIOSO, RESPEITANDO  A HALAHÁ OU ADAPTANDO CONHECIMENTOS AO MOMENTO QUE VIVIA E ÀS NECESSIDADES QUE SE LHE APRESENTAVAM.

TRADUZIU PARA O PORTUGUES O RITUAL DE ORAÇÕES PARA AS FESTAS DE ROSH HASHANÁ E YOM KIPUR CONFORME O RITO SEFARADI E ESCREVEU “O GUIA DA JUVENTUDE ISRAELITA”, ESTE PREFACIADO E CORRIGIDO PELO CATEDRÁTICO PROFESSOR SILVEIRA BUENO, QUE MUITO O ADMIRAVA COMO PESSOA E POR SUA OBRA E DE QUEM ERA AMIGO FRATERNO.

SÃO DELE ESTAS PALAVRAS EM 1937:

“ É GRANDEMENTE ELOGIOSA E DIGNA DE APLAUSO A OBRA INTENSAMENTE RELIGIOSA QUE O REVERENDO RABINO, SR. JACOB MAZALTOV VEM DESENVOLVENDO EM SÃO PAULO. NÃO PODIA ESCAPAR, PORTANTO, À SAGACIDADE DE SUA INTELIGÊNCIA,  A FALTA DE INSTRUÇÃO RELIGIOSA EM SÃO PAULO.  O PRIMEIRO MEIO DE QUE DEVERIA LANÇAR MÃO TINHA DE SER O LIVRO : ESCREVEU-O E PUBLICOU-O! ”

NO PREFÁCIO DO GUIA DA JUVENTUDE ISRAELITA MAZALTOV EXPLICA QUE EM SEU LIVRO REUNE “ ENSINAMENTOS QUE PREPARAM GRADUALMENTE O ESPÍRITO RELIGIOSO DAS CRIANÇAS PARA SENTIR O VALOR DE NOSSSAS TRADIÇÕES E O SIGNIFICADO DE NOSSAS PRECES AOS MENINOS E MENINAS QUE DESCONHECEM O HEBRAICO”.

É CURIOSO OBSERVAR QUE ELE SE REFERE A MENINOS E MENINAS, A LEITORES E LEITORAS DIRECIONANDO ASSIM, SUA VISÃO JÁ AVANÇADA PARA A ÉPOCA, DE CONSCIENTIZAÇÃO DO VALOR DA MULHER NA RELIGIÃO, QUE ELE REAFIRMOU SEMPRE COM A REALIZAÇÃO DA FESTA DAS SETE CANDELAS PARA FADAR UMA MENINA AO NASCER E COM O BAT MITZVA, CERIMÔNIA DA QUAL FOI O PRECURSOR EM SÃO PAULO E NO BRASIL, CONFORME ATESTA FOTO TIRADA EM 1938 DURANTE UMA FESTIVIDADE COLETIVA  PARA AS MENINAS.

FOI MAZALTOV O PRIMEIRO RABINO A MANTER CONTATO COM A CÚRIA METROPOLITANA VISANDO ENTROSAMENTO DAS RELIGIÕES COM DIÁLOGO INTELIGENTE E ABERTO.

NUNCA SE NEGOU A ABENÇOAR UM CASAMENTO QUE  TROUXESSE MAIS UMA FAMÍLIA PARA O SEIO DO JUDAISMO.  DE TODOS OS ESTADOS DO BRASIL ERA PROCURADO PARA ACONSELHAR E ORIENTAR PESSOAS QUE EM SITUAÇÕES AFLITIVAS SABIAM QUE NELE ENCONTRARIAM COMPREENSÃO E A ACOLHIDA PATERNA DE SUAS PALAVRAS DE SABEDORIA.

FEZ, SEMPRE QUE NECESSÁRIO, ELE MESMO, BERIT MILA EM SUA PRÓPRIA CASA, QUANDO CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS PARA A ÉPOCA FAZIAM NECESSÁRIA  CERTA DOSE DE COMPREENSÃO .

A JUVENTUDE ERA A SUA GRANDE PREOCUPAÇÃO E INTERÊSSE . NO SALÃO AMADEU TOLEDANO SOB A SINAGOGA  FAZIA COM QUE SE REUNISSEM E ESTIMULAVA O ENCONTRO DOS JOVENS POR MEIO DE COMEMORAÇÕES DE TODAS AS FESTAS DO CALENDÁRIO RELIGIOSO COM GRANDE ENTUSIASMO.

A ATENÇÃO ESPECIAL QUE SEMPRE DEU À MOCIDADE, RESULTOU EM DIVERSOS CASAMENTOS QUE COM MAIS PRAZER AINDA ELE OFICIAVA,COM APARATO E POMPA, COMO NAS VELHAS SINAGOGAS DA TURQUIA, COMO SE FOSSEM DE FILHOS SEUS. UMA PECULIARIDADE DOS CASAMENTOS REALIZADOS NA RUA ABOLIÇÃO ERA O FATO DE FAZER A QUEBRA DO COPO, COM MUITA ELEGÂNCIA, COM UM MARTELINHO DENTRO DE UM ESTOJO DE  MADEIRA, MOSTRANDO ATÉ NESSE DETALHE SEU ESPÍRITO INOVADOR E CRIATIVO.

NO RABINATO DA SINAGOGA SEFARADI DE SÃO PAULO, FICOU ATÉ 1948 APROXIMADAMENTE, MAS MESMO APÓS ESSA DATA, LÁ OU EM OUTROS LOCAIS, REALIZAVA CERIMÕNIAS SEMPRE QUE SOLICITADO.

SEU CARISMA MARCOU ÉPOCA EM S. PAULO ESPECIALMENTE PELA ATENÇÃO AOS JOVENS, PELA COMPREENSÃO DA VIVÊNCIA COM A SOCIEDADE AMPLA E PELO INTERCÂMBIO COM OUTRAS RELIGIÕES, MAS ACIMA DE TUDO, SERÁ SEMPRE LEMBRADO POR SUA BONDADE, COMPREENSÃO E ATITUDE INOVADORA". 

Agradeço muito o texto encaminhado por sra. Clara Kochen!

Você gostaria de escrever um texto relacionado à sinagoga que você ou sua família frequenta ou frequentou, na capital paulista, para ser publicado neste blog? Envie para myrirs@hotmail.com, e se puder, adicione fotos da sinagoga, ou da família.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Comunidade judaica egípcia e a Mekor Haim

A partir das mensagens recebidas por e-mail e Facebook, pude conversar com Edu Cohen, tanto sobre a Mekor Haim, como em relação à imigração judaica proveniente do Egito. Edu comentou sobre a exposição que acontecerá no Clube A Hebraica, de 11 de junho a 17 de julho de 2022, relacionada aos 70 anos de exílio da comunidade judaica egípcia, e iniciada em 1952, quando mais de 20 mil judeus deixaram o Egito. Esta exposição, que será aberta ao público em geral, apresentará fotos, objetos e documentos não só da Mekor Haim, mas de toda a comunidade egípcia que imigrou para o Brasil, assim como depoimentos e histórias inéditas. Muitos detalhes sobre esta imigração já podem ser acessados no site judeusdoegito.org 

Em relação à Congregação Mekor Haim, Edu Cohen contou que desde o final da década de 1950, além de sinagoga, a Mekor Haim tem importante papel como entidade social, cultural, sionista, e participativa na comunidade sefaradi paulista, brasileira e latino-america. Sua mãe, Becky Cohen, por exemplo, trabalha no Comitê das Damas(criado nos anos 1960), como já divulgado anteriormente. Há, inclusive, nesta sinagoga, mais de 20 Sifrei Tora trazidos das sinagogas do Cairo e Alexandria, um deles por seu avô, Eduardo Cohen, e na qual Edu teve a honra de ler a Parasha Noach em seu Bar-Mitzva, que aconteceu nesta sinagoga em 9 de outubro de 1980. Os avós maternos de Edu, sra. Alegra e Marco Madjar, provenientes do Egito, ao chegarem a São Paulo como apátridas, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes. A mãe, na época, com 15 anos, e não teve seus estudos reconhecidos. Formou-se em secretariado no Mackenzie, e conseguiu trabalho no Banco Frances. A bisavó materna, de Edu era originária da Turquia, falava ladino e francês. Os avós paternos, Eduardo e Rachel Cohen, possuíam nacionalidade francesa, e chegaram ao Brasil com carta de recomendação, pelo fato do Sr. Eduardo ter trabalhado na empresa Philips, no Cairo. Como detalhe, em sua maioria, os egípcios provenientes de Alexandria, rumaram para o Rio de Janeiro, e os que chegaram do Cairo, fixaram-se em São Paulo. 

Os que aqui chegaram, nos anos 1956/1957, estabeleceram-se, principalmente em duas regiões: na Bela Vista e nos Campos Elíseos. Os que foram morar na Bela Vista passaram a frequentar a Sinagoga da Abolição. Naquela época, na sinagoga, aconteciam dois minianim: um, da comunidade originária da Turquia, e o outro, da comunidade egípcia. A comunidade que se estabeleceu nos Campos Elíseos formou sua sinagoga na Rua Brigadeiro Galvão, em edifício cedido pela CIP, que ocupara o imóvel anteriormente. Por dois anos, as Grandes Festas ocorreram no Palácio das Indústrias. Ao se estabelecerem à Rua São Vicente de Paula, inicialmente reformaram a área interna da casa que ali existia, inaugurando a nova sede em 1967. Edu comentou que há uma foto desta casa, além de esboços e planta/croqui desta época. A comunidade, muito ativa, estava sempre envolvida com a beneficência da comunidade egípcia e com atividades do centro comunitário. Relembrou a época em que o Grão-Rabino Moche Dayan Z´L, de origem egípcia, falecido em 1979, conduzia os serviços religiosos da sinagoga. A presença da comunidade egípcia foi diminuindo com o tempo. Em 1995, um novo edifício foi inaugurado. Edu Cohen estudou no Beith Chinuch, na Escola Macedo Soares e no Mackenzie Os que aqui chegaram, e que tinham cidadania francesa, matricularam seus filhos no Licee.

David Levy, pelo Facebook, também escreveu que o grupo “Juifs d´Egypte”, hoje possui mais de 1900 membros no Facebook e estará expondo na Hebraica de São Paulo a história desta comunidade, de 12 de junho a 17 de julho, com vários documentos fotos, objetos, além de realizarem palestras e debates.

Aqui compartilho o cartão de visita do Grão-Rabino Moche Dayan Z´L, entregue a mim pelo Rabino Daniel Eskinazi, no momento em que pudemos conversar sobre o meu projeto de Exposição das Sinagogas do Bom Retiro, aprovado no Promac.

Sr. Jacob Pinheiro Goldberg, contou, por telefone, que trabalhou na Instituição Ezra, à época da imigração judaica egípcia para São Paulo, e escreveu artigos para a revista “Aonde Vamos?”, sobre esta imigração e a questão relacionada ao acolhimento da mesma. Ficamos de marcar um novo horário para conversar, assim como aguardo o agendamento e a possibilidade de visitar a Congregação Mekor Haim.

E aqui pergunto novamente: vocês, possuem objetos que contam, de alguma maneira, sua história e de sua família, relacionada à sinagoga Mekor Haim, ou à Hospedaria dos Imigrantes, ao chegarem do Egito? Sua família frequenta ou frequentou a Mekor Haim? Escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Frequentadores e familiares da sinagoga da Mekor Haim contam histórias

Questionei, na última publicação do blog, se você e sua família teriam informações sobre a Congregação Mekor Haim, se possuem objetos que contam, de alguma maneira, sua história e de sua família, relacionada a esta sinagoga, ou detalhes relacionados à Hospedaria dos Imigrantes, se possuem fotos e documentos, se gostariam de relatar suas histórias e suas memórias, ou escrever um texto e enviar para mim.

Diversas pessoas entraram em contato, inicialmente pelo blog, por e-mail, whatsapp ou Facebook.

Por e-mail, e no Blog, Edu Cohen escreveu: “Edu Cohen, filho e neto de país e avós egípcios, fiz meu Bar-Mitzvah na Mekor Haim em 9 de outubro de 1980, frequentei muitos anos a sinagoga, hoje menos, mas sim, tenho muita história da sinagoga ,inclusive minha mãe Becky Cohen, até hoje trabalha no comitê de damas da Mekor Haim, faz mais de 50 anos, poucos sabem o que a Mekor Haim representou para a comunidade egípcia nos fins dos anos 1950 até meados dos anos 1980, não somente como sinagoga, mas como uma entidade representativa social, cultural e sionista, e com uma visão muito além do seu tempo, ouvi e conheci muitos judeus egípcios que deram muito do seu tempo e dinheiro para construí-la e mante-la, desde o envolvimento com a HIAS até assistência social governamental oficial, tenho documentos sobre isso. Foi participativa, ou os seu diretos foram muitos participativos, na comunidade sefaradi paulista, brasileira e latino americana com importante presença na FESELA ( Federação Sefaradi Latino-Americana) Há pelo menos 20 Sefer Tora trazidos por judeus egípcios que estavam nas sinagogas do Cairo e de Alexandria, uma delas meu avô paterno, Eduard Cohen, trouxe com ele e eu tive a honra de no meu Bar-Mitzvah ler a Parashat Noach, Noé, sobre a história do dilúvioTem muito mais histórias !!!! Estou à disposição para conversarmos”.

Pelo Facebook, na página “Jewish Brasil”, Davy Levy escreveu: “A imigração egípcia provocada por Nasser após caçar a cidadania (a maioria veio como apátridas), empregos, empresas e bens gerou a saída de mais de 20 mil judeus entre os anos de 1956 e 1962 com apenas 20 libras egípcias no bolso. Chegaram ao Brasil com a ajuda da HIAS internacional, a maioria passou pela hospedaria dos imigrantes, e recomeçou a vida no Brasil, que os acolheu do zero. De 11 de Junho a 17 de Julho 2022, na Galeria da "A Hebraica" esta trajetória será mostrada e contada em detalhes. Saímos em 1956 eu rinha 5 anos minha irmã 8 (na revista quebraram a boneca dela para ver se algo estava escondido). Veja nosso site "judeusdoegito.org" onde tem vários depoimentos que contam a nossa historia. A organização da exposição é da 'Museum Cultural". Venha ver a exposição e a peça de abertura dia 11 " Bagagem" do Marcui Ballas, que conta nossa história”.

Noemí Weksler comentou: “Meu sogro e família frequentaram a Sinagoga da Abolição, onde ele era Chazan e Professor de Bar-Mitzvah, David Souccar Z'l, meu marido Victor David Souccar”.

Na página “Pletzale”, Michele Rachel Ventura Danciger lembrou: “Meu tio avô (z"l) trabalhou muitos anos na tesouraria da Mekor Haim!!!! Lembro que quando ele morou comigo,ele dava alguns livros de Tora para o meu pai e nunca esqueço de um Tanach em francês. Ele se chamava Jacques Michel Matattia (z"l). Vou dar um pulo nos meus pais e tiro a foto e te mando!!! Vou ver se lembro e te passo!

Nina Nacson contou: “Frequentava a sinagoga da Rua Brigadeiro Galvão, com minha avó, aos sábados e depois na Rua São Vicente de Paulo, meu pai, Joseph Nacson foi tesoureiro, sempre ativo e dedicado à Mekor Haim.

Luiza Benbassat Krausz diz ter ótimas lembranças dessa sinagoga, agora está ultra-ortodoxa, e não era assim... 

Sr. Jacob Pinheiro Goldberg comentou: “Trabalhei na Ofidas como assistente social e acolhemos os imigrantes. Relatei experiência em "Aonde Vamos", revista de Aron Neuman.

Gil Segre escreveu: “Irei contar uma linda historia sobre o nascimento da Mekor, na Rua Brigadeiro Galvão com participação de meu avô z"l materno”.

Juliano Riedel enfatizou: “Uma das melhores sinagogas! Gosto da localização e do prédio também. Tive o prazer de estudar um tempo lá. Faz tempo, cerca de 10 anos atrás, na época eu fazia o Kiruv, que tinha outro nome na Mekor. Fiquei pouco tempo. No Shabat eu ia na sinagoga de Moema, porque ficava longe pra mim a Mekor”

Pude conversar com Edu Cohen e com o sr. Jacob Pinheiro Goldnerg, e na próxima publicação compartilharei mais detalhes e informações.

E vocês, possuem objetos, fotos, documentos, que contam, de alguma maneira, sua história e de sua família, relacionada à sinagoga Mekor Haim, ou à Hospedaria dos Imigrantes, ao chegarem do Egito? Sua família frequenta ou frequentou a Mekor Haim? Escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Congregação Mekor Haim e a imigração judaica egípcia

 

Como já publicado anteriormente, os judeus provenientes do Egito chegaram a São Paulo no final da década de 1950, frequentaram, em um primeiro momento, a Sinagoga da Abolição e, posteriormente, acomodaram-se em uma casa cedida pela Congregação Israelita Paulista, na Rua Brigadeiro Galvão. A Congregação Mekor Haim foi fundada em 07 de junho de 1959, e sua sede, na ocasião, situava-se naquele endereço. A primeira diretoria era composta por Joseph Fahri(presidente), Raphael Horn e Ibram Salama(vice-presidentes), Elie Arias, Raphael Levy, Moise Cohen, Victor Lagnado, Edgard de Piccioto, David Douek, Albert Gomel, David Simhon, Izaac Carolla, Ezra Shammas, Zaki Cohen, Alexandre Ados e Moche Bigio. No mesmo ano de 1959, Joseph Farhi encabeçou a compra de um terreno de 700 m², em Higienópolis, lançando-se a Pedra Fundamental da Congregação Mekor Haim. Construíram, à Rua São Vicente de Paula, sua sede, inaugurando-a em Rosh Hashana de 1967. 

Rachel Mizrahi , em seu livro Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro (São Paulo, Ateliê Editorial, 2003 - Coleção Brasil Judaico; 1/ dirigida por Maria Luiza Tucci Carneiro) informa que a maioria dos imigrantes judeus provenientes do Egito, composta por um grupo de profissionais experientes, e provenientes de cidades como Cairo e Alexandria, instalou-se no centro da capital paulista. Diversas famílias, ao chegarem a São Paulo, contaram com o apoio da HIAS e da FISESP, ou foram encaminhadas à Hospedaria dos Imigrantes, como relata Rachel Mizrahi nas páginas 197 a 201 de seu livro, pois havia a proibição egípcia das famílias saírem com seus recursos, seus bens materiais e suas posses.  

Adriana Abuhab Bialski e eu, Myriam R. Szwarcbart, já pudemos verificar, em consulta ao acervo do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, e relacionada ao nosso estudo sobre a imigração judaica, alguns “Registros de Matrícula” de "imigrantes israelitas" provenientes do Egito no ano de 1957, e que passaram pela Hospedaria dos Imigrantes. Consultamos, também a listagem de imigrantes dos navios, na qual, além dos nomes das famílias, há informações sobre a nacionalidade, idade, estado civil, profissão, religião, locais de última residência, portos de embarque e desembarque, nomes do vapor, data de desembarque.

Alguns comentários foram postados no Facebook, após compartilhar informações sobre a Congregação Mekor Haim. À pagina “Hebraica”, Luiza Benbassat Krausz comentou que o avô, Moise Cohen, trouxe a Torá e os livros de reza do Egito, e fundou a sinagoga Mekor Haim. Como escreveu, “não era tão ortodoxa como é hoje”. Em “Hasbará & Sionismo”, Davy Levy indicou Edu Cohen, e na minha página, Ana Llobet indicou Patricia Catran Martha Klein.

Você e sua família teriam informações sobre a Congregação Mekor Haim ou detalhes relacionados à Hospedraia dos Imigrantes, possuem fotos e documentos? Gostariam de relatar suas histórias e suas memórias, ou então, escrever um texto e enviar?

Vocês possuem objetos que contam, de alguma maneira, sua história e de sua família, relacionada a esta sinagoga ou à Hospedaria? Sua família frequenta ou frequentou a Mekor Chaim? Escreva para myrirs@hotmail.com

quinta-feira, 31 de março de 2022

Enciclopédia Judaica, a Congregação Mekor Haim e a busca de informações

Vocês conhecem a Enciclopédia Judaica? Já verificaram a diversidade de informações disponíveis, relacionadas às sinagogas e à comunidade judaica brasileira? A edição brasileira foi publicada no Rio de janeiro pela Editora Tradição, em 1967, no mesmo ano da inauguração do edifício da Congregação Mekor Haim, à Rua S. Vicente de Paula. 

No  volume 1, na página 351 desta enciclopédia, há a informação de que a Congregação Mekor Haim foi fundada em 07 de junho de 1959, e sua sede, na ocasião, situava-se à Rua Brigadeiro Galvão, 181. Entre os objetivos, lista “organizar e manter os serviços religiosos de rito sefaradita, fomentar a cultura israelita entre os associados, organizar e manter serviços de beneficência e de assistência médica,  e colaborar com as demais entidades judaicas”. Naquele ano, o número de sócios totalizava 546 pessoas e informa que estavam construindo sua nova sede. 

A primeira diretoria era composta por Joseph Fahri(presidente), Raphael Horn e Ibram Salama(vice-presidentes), Elie Arias, Raphael Levy, Moise Cohen, Victor Lagnado, Edgard de Piccioto, David Douek, Albert Gomel, David Simhon, Izaac Carolla, Ezra Shammas, Zaki Cohen, Alexandre Ados e Moche Bigio.

Um dos projetos desenvolvidos pela Congregação Mekor Haim é o Projeto Mekor Avodá, lançado em junho de 2013, um portal de empregos, onde o portal faz o contato entre quem procura uma colocação e quem oferece uma vaga. Sempre o primeiro contato entre as partes é feito pelo Mekor Avodá. Esta informação consta do site da Conib:  https://www.conib.org.br/congregacao-mekor-haim-em-sao-paulo-lanca-o-projeto-mekor-avoda-portal-de-empregos/ e o acesso ao Mekor Avoda é feito pelo site http://www.mekoravoda.com.br/

Espero em breve ser recebida para visitar a sinagoga novamente, e conversar com seus frequentadores. Enquanto esta visita não acontece, permaneço buscando detalhes em livros, publicações e internet.

Assim pergunto: você faz parte da Congregação Mekor Haim? Sua família frequenta ou requentava esta sinagoga? Teria informações, fotos, detalhes, memórias e histórias sobre esta sinagoga? Como é a disposição interna do edifício e suas sinagogas? Poderia escrever um texto relacionado a esta sinagoga? Gostaria de ser entrevistado? Deixe seu comentário, ou encaminhe para myrirs@hotmail.com


quinta-feira, 24 de março de 2022

Congregação Mekor Chaim - Higienópolis - São Paulo

Desenho do edifício da Congregação Mekor Haim
Myriam R. Szwarcbart

A Sinagoga Mekor Haim, situada em Higienópolis, foi formada em 1959 por imigrantes egípcios que chegaram ao Brasil a partir de 1954, refugiados do governo Nasser. Esta informação consta do artigo “Como cantaríamos o canto do Senhor numa terra estrangeira? (Salmos,137,4) - parteII” de autoria da Dra. Anat Falbel (Unicamp/FCH), publicado no Boletim Informativo do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, n.37, de maio de 2007, onde podemos ler, também, que inicialmente instalaram-se na Rua Brigadeiro Galvão, 181 e, em 1967 inauguraram sua sinagoga à Rua S. Vicente de Paula, em um edifício de 2000m². A edificação compreendia, além da sinagoga, uma biblioteca, salas de aula e estudos. A comunidade judaica libanesa e a de Alepo, moradoras do bairro passaram, também, a frequentá-la.

A maioria dos judeus egípcios, ao chegar a São Paulo, instalou-se na região central da cidade, frequentando inicialmente a Sinagoga da Abolição. Buscaram, porém, com o tempo, outro espaço, para alugar, para a realização de suas cerimônias religiosas. Decidiram por ocupar uma casa à Rua Brigadeiro Galvão, antes utilizada pela CIP (espaço ocupado por esta no período da construção de sua sede), até o momento de poderem construir a sua própria sinagoga. Sr. Joseph Farhi liderou a compra de um terreno de 700 m² em Higienópolis. A “pedra fundamental” da Congregação Mekor Haim foi lançada em 1959, e o edifício foi inaugurado em 1967. “O nome Mekor Haim, atribuído a essa Congregação, é uma homenagem prestada ao grão-rabino do Egito, Haim Nahum Efendi, responsável pela emissão dos documentos aos refugiados e pela saída, relativamente tranquila, da maior parte dos judeus do Egito”. Estas informações fazem parte do livro Imigrantes judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro, de Rachel Mizrahi (São Paulo, Ateliê Editorial, 2003 - Coleção Brasil Judaico; 1/ dirigida por Maria Luiza Tucci Carneiro), e estão disponíveis nas páginas 197 à 201. No mesmo livro há a informação de que o Rabino Moshe Dayan, de origem egípcia e que conduzia os serviços religiosos em Paris, foi contratado, fato que acabou por atrair judeus alepinos e libaneses para esta Congregação.  Nesta mesma época, o Rabino Moshe Dayan, junto com os Rabinos Eliahu Valt e Mendel Diesendruck, constituíram em S. Paulo um Tribunal Rabínico, o Beit Din, cujas decisões eram reconhecidas pelo grão-rabino de Israel. Em 1982, quando Rabino Dayan faleceu, o Rabino Isaac Dichi passou a Rabino da Mekor Haim, sendo responsável pelo culto e ensino religioso. Já a Revista Morasha, em seu artigo “Judeus em São Paulo”, publicado na edição n.70, de dezembro de 2010, relata que imigrantes judeus provenientes do Egito chegaram a São Paulo no final da década de 1950, depois da ascensão do general Nasser ao governo, em 1952, e muitos se estabeleceram em São Paulo após a Guerra do Suez, em 1956. Frequentaram, em um primeiro momento, a Sinagoga da Abolição e posteriormente uma casa cedida pela Congregação Israelita Paulista, na Rua Brigadeiro Galvão. Construíram, à Rua São Vicente de Paula, sua sede, inaugurando-a em 1967. A Congregação Mekor Haim foi dirigida pelo rabino Moshe Dayan até seu falecimento, em 1982. Esta informação esta disponível no site, consultado em 22 de março de 2022http://www.morasha.com.br/brasil/judeus-em-sao-paulo.html

O site “correiobraziliense” informou, em 2010, que "em Santa Cecília, em um quarteirão colado ao bairro de Higienópolis, a nova sinagoga da Congregação Mekor Haim deve ser o maior centro de educação religiosa para judeus ortodoxos de São Paulo. Com seu estilo funcional, poderia passar por um prédio empresarial, não fossem os pilares de concreto na calçada.”

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2008/11/09/interna-brasil,47268/sao-paulo-tera-tres-novos-megatemplos-ate-2010.shtml

Você teria informações relacionadas à Congregação Mekor Haim? Histórias e memórias a contar? Gostaria de participar de uma entrevista para relatar, ou então escrever um texto e enviar? Possui fotos, documentos, objetos que mostram, de alguma sua história e de sua família, relacionada a esta sinagoga? Sua família frequenta ou frequentou a Mekor Chaim? Compartilhe aqui, ou escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 16 de março de 2022

Visita à sinagoga Kehilat Mizrachi

Já divulguei, aqui, diversas informações, fotos e histórias sobre diversas sinagogas do bairro de Higienópolis. Compartilhei no blog memórias de frequentadores e seus familiares, relacionadas à Sociedade Religiosa Kehilat Achim Tiferet Lubavitch (Shil da padaria), ao Centro Cultural Israelita Knesset Israel, à Congregação Monte Sinai e ao Centro Judaico Bait.


Em 15 de março de 2022 pude visitar e rever a Kehilat Mizrachi, em Higienopolis. A sinagoga, salas de aula, espaço para kidush, cozinha, setor administrativo inserem-se em uma casa adaptada para estas funções. 

A sinagoga possui um setor masculino e um feminino, separados por uma mechitza(divisória) em vidro e madeira. O acesso, a cada setor, é feito de maneira independente. O acesso à ala masculina, é possível por uma porta dupla em madeira, situada logo na entrada do edifício. Já o acesso à ala feminina, ocorre através de um pátio. Este pátio é utilizado não só como espaço para kidush e sala de aula, como também é o local onde se constrói a Sucah na festa de Sucot. Neste espaço, fixa em uma parede, uma bandeira de Israel. Como já comentado em outra publicação, a Kehilat Mizrachi comemora Yom Haatzmaut.

No espaço masculino situa-se a Bimah, à frente do Aron Hakodesh. O Aron Hakodesh é recoberto por uma capa, a parochet, em veludo bordado, e nas suas laterais vê-se dois vitrais coloridos. Os bancos em medeira, detalhe comum em grande parte das sinagogas já visitadas, não estão presentes nesta sinagoga. Em seu lugar, cadeiras estofadas, e mesas, recobertas, para apoio dos sidurim e machzorim. Uma placa em homenagem aos doadores está afixada na parede do setor masculino.

As salas de aula situadas no andar superior dispõem de cadeiras e mesas. 

Em uma dela, mais ampla, nota-se outro Aron Hakodesh, menor do que o da sinagoga. Esta sala é utilizada também como espaço de sinagoga em Rosh Hashana e Yom Kipur, e, eventualmente, nos Shabatot.

Você frequenta ou frequentou esta sinagoga? E seus familiares? Alguma informação a acrescentar? Fotos, documentos, memórias a compartilhar? Participe você também. Encaminhe e-mail para myrirs@hotmail.com


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Kehilat Mizrachi - sinagoga e centro comunitário

Kehilat Mizrachi - desenho Myriam R. Szwarcbart

A Associação Beneficente e Cultural Mizrachi do Brasil é formada por um centro comunitário e uma sinagoga, que tem como objetivo integrar a comunidade judaica através do sionismo religioso, Aliah, ensino e transmissão do judaísmo, tendo como mestre inspirador o Rav Kook, haRav Avraham Itzhack haCohen Kook T”Zl, primeiro rabino Chefe de Israel. “Am Yisrael B´Eretz Israel al pi Torat Israel” resume a ideologia do Mizrachi

O Mizarchi Brasil está ligado ao Movimento Mundial Mizrachi, organização fundada em 1902, pautada na Torá e no sionismo. Mizrachi é a junção das palavras Merkaz Ruchani, ou centro espiritual.

Quanto à história da Kehilat Mizrachi, em Rosh Hashana de 1994 foi inaugurada, em Higienópolis, a sede do Bnei Akiva, parceiro de ideologia, após anos de presença nos Jardins e Bom Retiro. Com o passar do tempo, o Bnei Akiva passou a contar com um espaço próprio, em uma nova sede no bairro. Um grupo de adultos, no entanto, separando-se do Bnei Akiva, permaneceu no espaço que já ocupavam, dando continuidade à sinagoga e ao centro comunitário, constituindo, em 14 de setembro de 2004, a Kehilat Mizrachi.

A Mizrachi sempre contou com os trabalhos de rabinos e suas esposas, entre os quais o Rabino Marcelo Borer, Rav Moshe e Shelomit Bergman, Rav Daniel e Syme Touitou, Rav Shlomo e Shelomit Guelman, Rav Meir e Hanna Fuksman.

Estas informações estão disponíveis na página da Kehilat Mizrachi do Facebook, onde poderão verificar mais detalhes. Acessem os links: 

https://m.facebook.com/kehilat.mizrachi/about?lst=1416637922%3A100004374243206%3A1644431746

https://m.facebook.com/kehilat.mizrachi.7/posts/pcb.1168976696807706/?photo_id=1168976473474395&mds=%2Fphotos%2Fviewer%2F%3Fphotoset_token%3Dpcb.1168976696807706%26photo%3D1168976473474395%26profileid%3D1416637922%26source%3D49%26refid%3D17%26_ft_%3Dmf_story_key.1168976696807706%253Atop_level_post_id.1168976696807706%253Atl_objid.1168976696807706%253Acontent_owner_id_

Você frequenta ou frequentou a Kehilat Mizrachi, ou alguma das sinagogas do bairro de Higienópolis? E seus familiares? Conte um pouco, registre suas memórias, lembranças, histórias, compartilhe fotos e documentos. Escreva para myrirs@hotmail.com

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Kehilat Mizrachi - Associação Beneficente Cultural Religiosa Mizrachi em São Paulo

Kehilat Mizrachi- este é o logo?

A comunidade judaica está, ainda hoje, presente em diversas cidades do Estado de São Paulo. Prosseguindo com o estudo destas comunidades e suas respectivas sinagogas, volto a divulgar detalhes das sinagogas dos diversos bairros da capital paulista, mantendo, no entanto, a busca por informações relacionadas com as comunidades judaicas do interior do Estado. Relembrando, em publicações do ano de 2019, divulguei detalhes sobre o bairro de Higienópolis, um bairro em que, ao caminharmos pelas suas ruas, podemos encontrar diversas sinagogas, entre elas o Centro Cultural Israelita Knesset Israel, a Congregação Monte Sinai, o Centro Judaico Bait e a Sociedade Religiosa Kehilat Achim Tiferet Lubavitch (Shil da padaria), com informações, fotos, e memórias aqui já compartilhadas.

Há muito tempo, conheci a Kehilat Mizrachi, ou Associação Beneficente Cultural Religiosa Mizrachi, neste bairro, ao estar presente em aulas e palestra.

Nesta semana de fevereiro de 2022 pude conversar com a Michele Rachel Ventura Danciger, que frequentou a Mizrachi até dois anos atrás. Michele comentou que esta sinagoga é muito familiar, e funciona no dia- a-dia, com minianim, nos Shabatót, Rosh Hashaná, Yom Kipur e demais Chaguim. Composta pela “velha guarda” do Bnei Akiva, o pessoal que não fez Aliah (os jovens reúnem-se na RuaVeiga Filho), continua abrigando o Projeto Fundo de Bolsas, o Ieladim e o Kiruv.  Ortodoxa sionista, esta sinagoga comemora também Yom Haatzmaut. Entre suas atividades, como espaço cultural, realizam palestras, aulas, lançamentos de livros. Recentemente houve a entrega de Sifrei Torót. Os pais da Michele frequentam a sinagoga da Rua Cravinhos, a família paterna é de origem egípcia. A família materna, de origem polonesa, frequentava a sinagoga da Rua Guarani, sendo o bisavô foi um dos fundadores desta sinagoga.

Você frequenta ou frequentou a Kehilat Mizrachi, ou alguma das sinagogas do bairro de Higienópolis? E seus familiares? Conte um pouco, registre suas memórias, lembranças, histórias, compartilhe fotos e documentos. Escreva para myrirs@hotmail.com


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Comunidade judaica em Mogi das Cruzes, Guaratinguetá, Taubaté, São José dos Campos, Catanduva?

Museu da imigração - São Paulo - SP

Busco informações sobre a imigração judaica no Estado de São Paulo, em diferentes épocas. Informações de imigrantes que, ao chegarem aqui, e, antes de rumarem para as mais diversas cidades do Estado, hospedaram-se, ou não, na “Hospedaria dos Imigrantes” no Brás, atual Museu da Imigração. 

Venho há alguns anos pesquisando detalhes, fotos, documentos, memórias e histórias das comunidades judaicas e suas respectivas sinagogas da capital e do interior paulista, em cidades como Mogi das Cruzes, Catanduva, Marília, Rio Claro, Franca, Campinas, Jundiaí, São Carlos, Ribeirão Preto, Botucatu, Barretos, Bauru, Piracicaba, Americana e tantas outras cidades do Estado de São Paulo.

Como mais um exemplo da presença judaica no interior paulista, cito Mogi das Cruzes e o sr. Hélio Borenstein, um imigrante russo que veio de Kiev, na Ucrânia, em 1917, desembarcando de navio no Brasil, no Porto do Rio de Janeiro. Como podemos ler na página https://www.helbor.com.br/quemsomos : “Um acaso o levou a Mogi das Cruzes, em São Paulo. Devido à dificuldade com o idioma, acabou descendo na estação errada. Este foi o erro mais acertado em toda a sua vida, porque foi lá que ele consolidou uma história de trabalho, sucesso e respeito empresarial”. Em 1930, sr. Helio Borenstein abriu uma pequena loja de camisas, gravatas e cintos em Mogi das Cruzes. Um tempo depois inaugurou a “Casa Helios”, na Rua Coronel Souza Franco. Já na década de 1940, tornou-se sócio de seu sogro, administrando cinemas. Em 1951, Helio Borenstein criou a Vila Helio, construindo 72 sobrados residenciais. O empresário faleceu em 1964. Os irmãos Marcos e Henrique, filhos do sr. Helio, foram sócios nas áreas financeira e imobiliária. Em 1988, Marcos fundou o Grupo Marbor, inicialmente Marbor Administração e Negócios, com sede na Vila Helio. A partir daí, cada um trilhou seu rumo. O Grupo Marbor passou a atuar em locação de imóveis, veículos, na área hoteleira e de eventos. Na década de 2010 revitalizaram a Vila Helio, e em 2020 inauguraram uma nova via, a Travessa 21 de Maio, e um memorial.

Podemos ler à página https://www.grupomarbor.com.br/ : “A Vila Helio agora tem uma nova travessa e um memorial contando a sua história. A inauguração da via e do Memorial Helio Borenstein ocorreram no dia 21 de maio, data do aniversário de 80 anos de Marcos Borenstein, fundador e presidente do Grupo Marbor. A Travessa foi construída entre os edifícios Loloya e Maria Antonieta e foi batizada justamente de “21 de Maio”. Nela, está o Memorial, um espaço que conta um pouco da história da Vila Helio desde a sua construção, em 1951, além da trajetória empresarial da família de Marcos Borenstein e do Grupo Marbor. O Memorial foi produzido em diferentes materiais, para dar profundidade e várias dimensões ao painel, que tem fotos e informações desde a chegada ao Brasil de Helio Borenstein, imigrante ucraniano, nos anos 1920, até a criação da Marbor, o crescimento da empresa e a atual revitalização da Vila Helio. Quem passar por lá poderá conferir um pouco dessa trajetória, já que o local é acessível à população”.

Ao lado do Museu da Imigração - São Paulo - SP

Em relação às demais cidades do interior paulista, Carlos Alberto Póvoa em sua Tese de Doutorado, apresentada ao Departamento de Geografia da FFLCH da USP, em 2007, “A territorialização dos judeus em São Paulo- SP”, informa que, segundo dados da Federação israelita do Estado de São Paulo, (departamento de pequenas comunidades) em 2001, a comunidade judaica estava presente também no Vale do Paraíba, em cidades como São José dos Campos, Taubaté, Guaratinguetá e Jacareí.

Vamos resgatar nossas raízes? Colabore, participe! Escreva para myrirs@hotmail.com