quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Comunidade judaica no interior paulista

Estação de Pinhal no inicio do seculo XX
Cia. Mogiana de Estradas de Ferro
1889-1060
(autor desconhecido)
www.estacoesferroviarias.com.br/p/pinhal.htm
A busca por detalhes sobre as comunidades judaicas do interior paulista levou-me ao artigo “Poucos eram, e simpáticos, os judeus desta terra”, escrito por sr. Alberto Isaac, jornalista, e publicado no “Correio de Itapetininga” em  inicia-se questionando quais e quantos foram os judeus que se estabeleceram em Itapetininga? E revela que um pequeno número se estabeleceu na cidade entre 1930 e 1950, tendo como moradia a rua Campos Sales. Sr. Alberto relata: “Foram os bravos e simpáticos Moshe Grajkar - especialista em recepcionar as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas em sua loja - Benjamin Perloff - competente alfaiate, Isaac Ferman, com grande loja de miudezas por atacado, José Lerner, em frente ao Cine São Pedro, com a loja de confecções e miudezas, Shatane, família transacionando com móveis de alto padrão, Marcos Steiman e família Segal, trabalhando com móveis novos e usados. Comenta no artigo que “se aculturaram com os habitantes de Itapetininga, contribuindo e colaborando com entidades filantrópicas, e contribuindo com outras causas beneficentes como os filhos do saudoso Bereck Grajkar, residindo ainda na rua Campos Sales...”  Como informa, até a década de 80, o sr. Bereck Grajkar – já falecido - filho de Moshe Grajkar, residiu na capital, vendendo artigos para inverno, na rua Anhaia. Leiam o artigo completo no link: https://correiodeitapetininga.com.br/coluna/poucos-eram-e-simpaticos-os-judeus-desta-terra/

No início de 2020, quando escrevia sobre a comunidade judaica da Alsacia-Lorena, em São Paulo, Breno Lerner, na página “Mundo Judaico”, no Facebook, indicou a sra. Malu Toledo: "A Malu é descendente de judeus alsacianos". Sra. Malu e eu pudemos conversar, tanto através do Messenger, como pessoalmente. Comentou que ficou bem feliz em escutar notícias de judeus alsacianos:  “Nasci em Pinhal, mas moro em são Paulo. Tenho um bisavô Jacob Worms, que veio da Lorraine, na metade do século XIX, em 1852. Sempre tive muita curiosidade sobre ele, e já fiz muitas pesquisas, pois temos informações orais de família. O que sei é que meu bisavô veio trazido por um tio, que comercializava pedras preciosas. Ele era de Tragny, região de Metz. Veio com um primo da família Baccarat, família que tiveram muitos contatos. A lenda diz que andava pelo interior como mascate com um escravo. Certa vez ficou doente, foi cuidado por uns indígenas, e se apaixonou pela filha do cacique. Queria se casar com ela e o cacique perguntou se ele tinha moradia. Ele voltou para Espírito Santo do Pinhal, e fez a primeira moradia urbana da cidade, onde foi uma figura de bastante proeminência.  Meu avô Jacob Worms Júnior se casou com minha avó Ursulina Tavares Worms, de antiga família brasileira. Meu avô foi prefeito de Pinhal e Grão Mestre da Maçonaria. Era primo dos judeus da casa Worms, e um tio meu, Olavo Worms, era vem amigo de Michel, um dos donos da Casa Worms. Como fiz várias pesquisas, tenho leis que foram feitas por meu avô em Espírito Santo do Pinhal. Atualmente encontrei um primo neto, filho de Leonor, uma irmã de meu avô. Ele se chama Paulo Alves de Lima, e fui eu quem passou várias pesquisas para ele. Acho esta história muito interessante, pois são raízes do povo brasileiro. A maior coincidência é que meu amigo Breno Lerner tem um avô que foi rabino em Pinhal. Sobre este detalhe, Breno Lerner escreveu que o avô materno, Maurício Rosenblit, nasceu em 1901, filho de Golda e Isaac Roizenblit. Era da cidade de Britchve, Bessarabia e veio ao Brasil solteiro, em 1922, tendo morado em Pinhal. O avô paterno era Nathan Lerner e morava em Catanduva, “onde tentou fazer uma sinagoga no pátio da casa, mas quase nunca funcionou por falta de mínima. Durou pouquíssimo tempo...”

Francisco Gioney Marques Rodrigues, há um tempo também, contou que a sra. Mina Karpovas é nascida em Limeira, sobrinha do Sr Bernardo Rosenthal, irmão da sra. Hia Rosenthal Spielberg, e casada com o sr. Aron Spielberg, da Romênia: “Construíram uma história muito bonita aqui no Brasil”. Sra. Mina Karpovas escreveu: “Meu tio se chamava Bernardo Rosenthal. Ele e minha mãe vieram da Bessarábia, e se estabeleceram em Limeira, onde eu nasci. Havia lá uma sinagoga que chamávamos de “Shill”, e que nas grandes festas reunia as famílias judias de Limeira e das cidades vizinhas como Americana, Rio Claro e Piracicaba. Morei em Limeira até 1962, quando eu e meus pais nos mudamos para São Paulo. Atualmente o Shill não existe mais...”  Francisco Gioney Marques Rodrigues completou: “Vale ressaltar que foram homenageados com nomes de ruas em Limeira também!! Tudo a ver com a matéria que marquei a senhora esse seu relato. No terceiro momento que vieram pra São Paulo o Sr Aron estabeleceu o comércio no Cambuci e frequentavam as festas na Sinagoga do Cambuci, era isso?”

Debora Sitnik contou que a mãe de Cassio Posvolsky (que é irmã do pai, já falecido) moraram em Pompeia e Tupã. A família do Boris Sitnik viveu em Garça. E “a da minha mãe, em Marília e Bauru...” Já Eli Roisman nasceu em Limeira, em 1959... o pai era gaúcho e a mãe de São Paulo

No Facebook, em Thora, Judaismo e Sionismo, há um tempo, Mikhael Y. Ben David relatou sua história: “Minha avó materna é da Letônia e meu Avô da Lituânia.  Minha avó chegou no Brasil com dez anos de idade, ela e minhas tias e tios viveram em regime de quase escravidão em uma fazenda na região de Ribeirão Preto. Fugiram para a vila Zelina em São Paulo. O meu avô era ateu, e minha avó só descobriu sua ascendência na Vila Zelina, por outros imigrantes que vieram no mesmo navio que ela. O meu bisavô materno, forçado a servir o exército vermelho com a ocupação soviética dos países bálticos, e com medo da guerra e da perseguição antissemita europeia, os enviou para Brasil como "Novos-Cristão", pois eram 7 filhas.  Só uma tia-avó minha que se casou com um judeu, e depois se reconverteu digamos assim ... o resto da família acabou aderindo a cultura religiosa brasileira. Minha avó era de Riga...”

Pinto Villela Luiz Seria solicitou mais detalhes: “muito enriquecedor saber de outras famílias, no Vale do Paraíba, do Ribeira...” Vânia Ejzenberg citou sua família: “Família Guinsburg, em Taubate. Minha mãe está no Face, Rosa Guinsburg, e sabe bastante sobre a comunidade judaica no Vale do Paraíba...

Vamos divulgar e buscar preservar nosso rico patrimônio histórico e cultural, seja ele material ou imaterial? Compartilhem lembranças, enviem fatos, fotos, documentos, lembranças. Vamos participar deste estudo que realizo, assim como do levantamento arquitetônico e artístico das sinagogas, seus objetos e mobiliário, a fim de preservar, revitalizar e reutilizar estas edificações?! Escrevam para myrirs@hotmail.com ou deixem seus comentários aqui no Blog... 



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Lembranças do Talmud Thorá - Dr. Irineu Wajntraub

Recebi, em dezembro de 2020, o e-mail do Dr. Irineu Wajntraub, relacionado ao Talmud Thora:

“Vi seu Blog "As Sinagogas em São Paulo" e gostaria de colaborar, se possível, com um pouquinho de história. Acredito que irá ajudar mais a mim do que a você. Isso porque poderei compartilhar lembranças e sentimentos que, até agora, estiveram somente comigo. Com certeza, pode compartilhar o texto no Blog. Muito obrigado e forte abraço...

Lembranças do Talmud Thorá - Dr. Irineu Wajntraub

“Nasci em 1956 e morei no Bom Retiro até 1995. Frequentei a Escola Talmud Thorá de 1960 a 1970, onde passava todas as manhãs, até as 13 horas. Não é possível avaliar a emoção que sinto ao recordar aqueles tempos; não que fossem muito fáceis: eu era uma criança tímida e, ao invés de brincar com as outras crianças, eu preferia andar pelas escadarias e corredores do Talmud Thorá que, ao fim de algum tempo, eu já conhecia de cor, e até sonhava com elas. 

Hoje, passados 50 anos, ainda recordo do cheiro de massinha, das canções, do silêncio durante as aulas; lembro das aulas da Dona Marina, e de suas irmãs, as professoras Águida e Teresinha; e de vários professores que deixaram marca, como a Morá Leia Schwartz e o diretor da escola, Prof. Isaac Schraiber. E do porteiro, "seu" João. 

Também aprendi a conhecer cada degrau, cada sala e cada canto da escola... A escadaria mais impressionante é a que dava acesso às salas de aula do segundo andar. De trajeto curvo, feita inteiramente de granito (ou será mármore?), terminava num corredor onde uma janela redonda envidraçada (não a que fica acima da fachada da sinagoga), permitia vislumbrar um dos pátios da escola. 

Mas isso não é tudo; recordo-me de portas, degraus, janelas, pisos de madeira; do alçapão dentro de uma das salas de aula, que permitia descer até o palco da escola; de outra escadaria que levava a um terreno abaixo, mas que, no início dos anos 60, foi demolida, para a construção do "prédio novo"; de um mural que foi pintado pelo Prof. Jorge. 

Nunca mais voltei ao Talmud Thorá, não sei como anda. Sempre tive vontade de voltar a percorrer aqueles corredores, subir as escadas, entrar nas salas... יהודה וינטרוב WAJNTRAUB IRINEU”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Estrela de David em Sorocaba - por Israel Blajberg

A divulgação de dados, informações, memórias e histórias sobre as comunidades judaicas e suas sinagogas, tanto da cidade de São Paulo como do interior paulista permanece. Neste sentido compartilho também textos relacionados ao assunto, desde que autorizados pelos autores.

No final de 2020, sr. Israel Blajberg encaminhou um e-mail contando: 

“Sou carioca da gema, 75 anos, e nas minhas viagens sempre procuro conhecer as sinagogas e demais locais judaicos. De São Paulo, tenho uma recordação de Sorocaba, que envio ao final. Depois que estive em Sorocaba, li em algum lugar que os judeus oriundos de lá estavam promovendo alguma atividade. 

Gostaria de saber se conhece alguma família judaica de Poços de Caldas dos anos 1970. Estive lá com meus pais, e ele tinha amigos que moravam lá. Ou talvez fossem Landsman, ou parentes. Na época não dei muita importância, de modo que esqueci tudo, mas gostaria de recordar essa passagem...essa família de poços tinha uma fábrica de doces. São vagas recordações perdidas em algum canto da memória...

Muito grato, e parabéns pelo seu trabalho maravilhoso, gostei muito...” 

Sr. Israel autorizou compartilhar o texto sobre Sorocaba...Assim, segue o texto:

Estrela de David em Sorocaba

Israel Blajberg 

“Em nossas viagens, seja para Nova Iorque ou Pelotas, Buenos Aires ou Macapá, e tantas outras, sempre procuramos reservar um espaço para visitar locais judaicos. Em Sorocaba não foi diferente.  Ainda que não tivesse sido localizado nenhum contato, pudemos descobrir que Sorocaba também tem um passado judaico importante. Quem percorre o calçadão do centro de Sorocaba depara-se com um pequeno prédio, portas e janelas fechadas, paredes pichadas.  

Seria igual a tantos outros, não fosse um detalhe que logo identifica tratar-se de algo judaico.  No alto, uma estrela de 6 pontas ainda se destaca com sua pintura azul, resistindo ao tempo com a palavra Zion escrita em caracteres hebraicos. O azul da estrela destoa do estado geral de penúria, teimando em não esmaecer, não se deixar apagar, mantendo ainda suave tonalidade, como que a querer marcar aquele local com a santidade do seu simbolismo.

Era um final de tarde de sexta-feira, quando aproveitamos alguns momentos livres para localizar a antiga sede da SIBS - Sociedade Israelita Brasileira de Sorocaba. 

Por ser uma pequena rua lateral, este trecho do calçadão não é muito movimentado. Diante do prédio, detenho-me e procuro imaginar como poderiam ter sido alguns momentos assim há cinquenta, sessenta anos atras. Sorocaba teria talvez uma centena de famílias judaicas.

Algumas lojas do calçadão talvez estivessem baixando as portas um pouco mais cedo, face aos preparativos para o Cabalat Shabat. As portas da casa estariam abertas, as paredes pintadas, e quem passasse pela rua talvez se surpreendesse com um movimento diferente, de pessoas em suas melhores roupas, mulheres de chale, homens de kipá, talvez pudessem até entreouvir cânticos vindos do interior daquela casa.

Mas logo desperto das minhas divagações, caindo na realidade.  Como tantas outras no Brasil, Sorocaba já não possui mais uma comunidade judaica minimamente organizada. Assim parece ser a tendencia em pequenas cidades. O judaísmo no nosso modelo prevalente, nas últimas décadas tendeu a se concentrar em alguns polos, com certas exceções. Não é a teia pulverizada de shtetales (cidadezinhas) que existiu em países da Europa Oriental, e hoje ainda se verifica, com outras características, nos EUA.

Entretanto, existe uma memória judaica relevante, e que ainda se manifesta fortemente em Sorocaba. 

Estamos falando de Luiz Matheus Maylasky, judeu hungaro, fundador e construtor da EFS - Estrada de Ferro Sorocabana, que veio a receber de Portugal o título nobiliárquico de Visconde de Sapucahy, conforme nos ensinou em suas obras o saudoso casal de historiadores dos judeus do Brasil, Egon Wolff (1910-1981) e Frieda Wolff (1912-2008).

Não muito distante da sede da SIBS no calçadão, diante do Museu da EFS, uma estátua de Maylasky o representa ao lado de um trabalhador que empunha uma picareta. 

Olhar firme, pergaminho na mão, o braço levantado aponta para a frente como que indicando o caminho a seguir para construir a ferrovia, que presidiu de 1870 a 1875, passando depois o controle para o grupo inglês de Percyval Farhquar, o lendário construtor da Madeira-Mamoré, e que anos depois foi encampado pela FEPASA, hoje subsistindo o transporte de carga pela ALL.

Há mais de 30 anos o trem de passageiros já não adentra mais a bela estação de Sorocaba, menor, mas no mesmo estilo da Julio Prestes em São Paulo, próximo ao Bom Retiro.

O Museu abriga entre tantas peças da ferrovia, diversos objetos pessoais de Maylasky, destacando-se o florete que a ele pertenceu, na qualidade de oficial do Exército Imperial austro-húngaro. Os judeus formavam em grandes números naquelas tropas, como se pode avaliar visitando o cemitério judaico de Vienna, onde uma seção foi especialmente dedicada aos que tombaram na 1ª. Guerra Mundial, servindo de cemitério militar com monumentos e mausoléus. Mais de 40 coronéis, generais e almirantes judeus lá estão sepultados.

Os da geração de imigrantes, que palmilharam as ruas de Sorocaba, já não estão mais aqui. Mas alguns de seus nomes ainda podem ser consultados na página da Internet da SBIS, onde verificamos uma observação esclarecedora: Atividades temporariamente encerradas. Por falta de recursos a Sibs fechou o escritório em Sorocaba.

Os judeus partiram, deixando a marca da sua contribuição, onde certamente se destaca Maylasky, ainda que provavelmente não muitos sorocabanos possam identificar sua origem.  Mas podem se orgulhar muito dele.”

Vocês gostariam de ter as suas histórias, ou de suas famílias, publicadas neste Blog? Memórias relacionadas às sinagogas que frequentaram ou que ainda frequentam, ou relacionadas às comunidades judaicas a que pertencem, resgatando suas raízes? Escrevam um texto e encaminhem para myrirs@hotmail.com

Vamos divulgar e buscar preservar nosso rico patrimônio histórico e cultural, seja ele material ou imaterial? Compartilhem lembranças, enviem fatos, fotos, documentos, lembranças. Vamos participar deste estudo que realizo, e também do levantamento arquitetônico e artístico das sinagogas, seus objetos e mobiliário, a fim de preservar, revitalizar e reutilizar estas edificações?!

Obs: As fotos foram enviadas por sr. Israel Blajberg. Para compartilhar, contatem-no e solicitem autorização...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Sinagogas em São Paulo e as comunidades judaicas da capital e do interior paulista

Meus avós maternos
José Rosenblit e Ida Rebeca (Lafer) Rosenblit
e minha mãe
Dora Dina Rosenblit Szwarcbart

Como muitos de vocês já sabem, realizo um estudo e pesquisa das sinagogas no Estado de São Paulo, assim como das comunidades judaicas, tanto da capital como do interior paulista, resgatando suas memórias, compartilhando fotos, documentos e informações, visitando os locais e conversando com familiares que fizeram ou ainda fazem parte desta história. 

As informações que venho reunindo são compartilhadas principalmente no Blog que escrevo, “As Sinagogas em São Paulo - Arte e Arquitetura Judaica”, que já contabiliza mais de 250.000 visualizações, e 326 postagens, mas também no Facebook e no Instagram, e em outras mídias, como poderão ver neste texto. Vale ressaltar que todo este trabalho, incluindo a busca, a coleta, a organização deste material que venho divulgando, e o tempo e a dedicação que o mesmo demanda, vêm sendo realizado, durante todos estes anos, sem apoio financeiro...

O início deste trabalho ocorreu em 2009, com o estudo relativo à origem e história das sinagogas, como um todo, e à história da comunidade judaica em São Paulo, em particular.  A pesquisa foi retomada em 2016, tendo como foco o estudo das comunidades judaicas dos diversos bairros da cidade de São Paulo e suas sinagogas e, desde o início em 2020, um ano de isolamento social, venho coletando detalhes relacionados às comunidades judaicas do interior paulista, contando com a participação de todos que queiram compartilhar momentos vividos nestes lugares, momentos seus ou de seus familiares.

A iniciativa deste projeto partiu da percepção do fato de que tanto a comunidade judaica da cidade de São Paulo, como do interior paulista, sua existência, embasamento e permanência deu-se, muitas vezes, a partir da criação das sinagogas de cada região aonde esta comunidade se estabeleceu, inicialmente vinculadas ao país de origem.  

Pode-se perceber neste resgate, uma oportunidade de “religação” com os antepassados que criaram as comunidades judaicas de São Paulo, comemorando, reconhecendo e honrando seus esforços de manter o judaísmo vivo em São Paulo; e, adicionalmente, conhecer os fundadores, doadores e patrocinadores daquela época e que possibilitaram a construção de muitas das sinagogas do Estado. 

A situação atual evidencia que muitas das comunidades judaicas e suas sinagogas já deixaram de existir, ou migraram para outros locais. Diversas sinagogas, tanto na capital paulista como no interior, deixaram de ser frequentadas, mudaram de uso ou foram desativadas. A necessidade de resgate da história destas, e de suas famílias, favorecem a realização desta pesquisa e sua continuidade neste momento, com o envolvimento da comunidade judaica. Pode-se considerar o fato de que, somente na história da comunidade judaica da cidade de São Paulo, existiram mais de 60 sinagogas. 

Entendo que este estudo (e sua divulgação), é uma oportunidade para a população, como um todo, conhecer uma história cujo legado é parte importante na construção da diversidade cultural, que caracteriza, não só a cidade e o Estado de São Paulo, como todo o país. Pode-se, também, incentivar o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à construção e registro das memórias de pequenas comunidades, desenvolvendo a consciência e o respeito aos valores culturais de outros povos, responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional. 

Considero que os valores da primeira infância, dentro da comunidade judaica ou não, provém, em grande parte, da vivência e transmissão dos conhecimentos dos mais velhos. Na permanência inclusive, dos aprendizados e memórias que estes transmitem. Muitos jovens vêm acompanhando a pesquisa que realizo, e indicando os pais e avós para participarem deste meu trabalho. Comento nas entrevistas, rodas de conversas, “lives”, e nos encontros que ocorrem que "somos o que somos como comunidade judaica", pelo fato de nossos bisavos, avós e pais que aqui chegaram terem construído uma comunidade sólida, com suas sinagogas, escolas e instituições. 

A comunidade judaica aprende, desde cedo, a conhecer, e não esquecer, o seu passado, valorizando a tradição. E, neste sentido, entendo também a importância de minha pesquisa. Como dizem, "Ledor Vador", de geração a geração... 

As informações de todo este estudo vêm ocorrendo em diversas mídias, possibilitando a participação, envolvimento e contribuição da comunidade judaica. Dêem uma olhada: 

·       Instagram @sinagogasemsaopaulo   

·       Blog: https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/  

·       Face: https://www.facebook.com/sinagogasemsaopauloarteearquiteturajudaica/  

·       Site: https://sinagogasemsaopaulo.wordpress.com/  

·       Site "The Bezalel Narkiss Index of Jewish Art" -"Center for Jewish Art -Hebrew University of Jerusalem":  http://cja.huji.ac.il/search.php?mode=search&submited=submited&query=brazil&area=all&cat=all&scope=3 

·       Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=i9tTWRP80Go    

·       Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=js6_mxwRW0w 

O Projeto “Guia das Sinagogas em São Paulo”, realizado com a participação do jornalista Alberto Guedes e do arquiteto e designer Roberto Strauss, foi aprovado na Lei Rouanet, e continuamos buscando patrocínio. Para conhecerem este projeto, vocês podem acessar o link: http://versalic.cultura.gov.br/#/projetos/184242 . O artigo “Do Bom Retiro á Penha, guia lista 70 sinagogas em São Paulo”, foi publicado por Iara Biderman, na Folha de São Paulo em 17 de agosto de 2019. Vejam o site https://titulos.com.ar/geral/Folha%20de%20S.Pablo/do-bom-retiro-penha-guia-lista-70-sinagogas-em-so-paulo/382348

Para conhecerem a metodologia de trabalho, ações necessárias e em andamento, propostas, novos meios de divulgação e novidades, aguardem as próximas postagens.

E, se puderem apoiem este projeto e compartilhem com que acreditam que possa apoiar.

Por mais uma vez pergunto: vocês teriam alguma informação sobre as comunidades judaicas da capital paulista, de Jundiaí, Piracicaba, Limeira, Marília, Franca, Sorocaba, Rio Claro, Itu, Ribeirão Preto, Campinas, Santos, São Caetano, São Bernardo, Santo André, Jaboticabal, Barretos, Botucatu, Bauru, Santa Barbara D´oeste, São José dos Campos, Bebedouro, Tatuí, Taubaté, Guaratinguetá, Jacareí, Novo Horizonte, nos Núcleos Coloniais ou outras cidades de São Paulo? Conheceu as sinagogas destes locais? Você ou seus familiares fizeram parte destas comunidades ou frequentaram as sinagogas? Possuem fotos, memórias, histórias a compartilhar? 

Participem vocês também! Enviem detalhes para meu e-mail: myrirs@hotmail.com

E caso queiram compartilhar este texto, ou alguma outra publicação do blog, não esqueçam de divulgar a fonte: https://artejudaicasaopaulo.blogspot.com/


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Comunidade judaica de Jundiaí e sua sinagoga - alguns comentários

Provável Registro em Cartório
Sinagoga de Jundiaí
Foto Sheila Bulis

Alguns comentários foram escritos no Facebook, relacionados à comunidade judaica de Jundiaí e à sinagoga da cidade:

Por exemplo, Alexandre Censi comentou que é de Jundiaí, e nunca soube que havia uma Sinagoga na cidade: “Temos um grupo de Jundhiay antiga, vou compartilhar. Você sabe dizer até que ano a sinagoga existiu? Quanto a mais detalhes, vou ficar devendo estas informações, vou ver com um amigo, Agnaldo, talvez ele possa nos ajudar, o local onde era a Sinagoga hoje é um anexo da Câmara Municipal de Jundiaí.

Jose Roberto Moreira contou: “Morei, quando era garoto, na mesma rua Barão de Jundiaí onde se localizava a sinagoga citada, no número 149. Hoje funciona lá um anexo da Câmara Municipal, conforme já dito. Não me lembro da sinagoga neste endereço, e sim de duas casas onde moravam familiares da família Campos. Conheci familiares da família Jaroslawics e Bulis. Os Jaroslawics tinham loja de móveis na mesma rua, altura do número 500, já a família Bulis, com loja de roupas feitas, mudou-se para Curitiba nos anos 1960, sendo que meu amigo chamava-se Ezequiel Bulis, parece ser médico em Curitiba. Já a família Jaroslawics era chefiada pela dona Rosa e sua filha Miriam, nunca mais tive notícia delas.”

Sheila Bulis Strausas, em relação ao já publicado, sugeriu: “Pessoal, dêem uma olhada, e complementem: Zelda Goldenberg, Rosely Bauer, Iziel Zilberman Bulis, Mauro Z. Bulis, Geni Sonnenfeld... Zelda Goldenberg escreveu: “Eu me emociono vendo o que meus avós e pais realizaram...”  E indicou Sergio Bulis Goldenberg

Mauro Z. Bulis contou que acredita que a pedra de mármore, com inscrições da Torah da sinagoga de Jundiaí, esteja na parede de um dos salões da UNIBES. Zelda Goldenberg confirmou: “Ficou, durante muitos anos, no hall de entrada da Unibes.” Alguém teria mais informações? Saberia dizer se permanece na Unibes?

Simone Taboga é jundiaiense: “A minha avó materna frequentava a Sinagoga com a família...” Vamos aguardar mais detalhes...

Valquiria Giacomin postou: “Olha Benjamin Cohn...”

Mara Tedeschi comentou também: “Que triste não ter mais a sinagoga. O meu sobrinho sempre foi em São Paulo ou Campinas, e eu sempre me perguntei o porquê de Jundiaí não atender ao povo judeu”.  Jose Roberto Moreira escreveu para Mara Tedeschi: “Acho que as pessoas de religião judaica são em número pequeno em Jundiaí...” E Mara Tedeschi respondeu: “Sim, são mesmo mas será que mesmo um pequeno grupo não merecia uma sinagoga, não precisa ser uma grande construção, bom é o que penso assim não precisariam ir para Campinas e São Paulo...”

Você teria alguma informação sobre a comunidade judaica de Jundiaí? Conheceu a sinagoga da cidade? Você ou seus familiares fizeram parte desta comunidade ou frequentaram a sinagoga? Possuem fotos, memórias, histórias a compartilhar?

Participe você também! Envie detalhes para meu e-mail: myrirs@hotmail.com