segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Sinagogas do Bom Retiro como pontos de memória - a proposta de uma exposição:

O projeto de exposição das Sinagogas do Bom Retiro, aprovado na Lei de Incentivo Municipal PROMAC, pode ser uma oportunidade de se conhecer as sinagogas como pontos de memória, relatar suas histórias e origens, alinhando-se com o objetivo de proteger, preservar e difundir, para a população como um todo, suas expressões culturais de um dos grupos inseridos no pluralismo da cultura brasileira, seu patrimônio histórico, artístico, cultural e arquitetônico. 

Como parte dos objetivos, a apresentação à população da cidade e, mais especificamente, à do bairro, dos valores da comunidade estudada, desenvolvendo a consciência e o respeito a estes valores, pode estimular estudos, iniciativas, produção e difusão semelhantes nas diversas expressões culturais.

No programa proposto para a exposição pode-se extrapolar a citação de Ollie Davies ao apresentar os Museus Comunitários do Rio: “[...] a comunidade como um ‘monumento turístico’ e museu territorial [...]” e a ideia em que se “[...] compila e documentam as experiências e memórias dos moradores mais velhos [...]” (DAVIES, Olllie. Conheça os Museus Comunitários do Rio https://rioonwatch.org.br/?p=11941 ). Há a necessidade de se divulgar e refletir sobre a importância das diversas memórias na construção do patrimônio cultural material e imaterial de uma comunidade, no caso, a comunidade judaica, assim como na construção de sua identidade em um país, em um primeiro momento, desconhecido aos imigrantes.

Realizar entrevistas com pessoas ligadas à história das sinagogas, organizando-se questionários e roteiros, visitas e entrevistas nas sinagogas, registrar em fotos as sinagogas do Bom Retiro, organizar o conteúdo pesquisado até hoje em formato amigável e acessível para o público em geral, realizar debates sobre a história das sinagogas do bairro, preservação de patrimônio cultural, memória e resgate de raízes de diferentes comunidades permitem o envolvimento da população moradora do bairro, independente de suas origens, e contribuem para o apagamento de estereótipos.

Contrapartidas foram apresentadas aos potenciais incentivadores do projeto, quando este foi aprovado, como marketing da marca, impressão da logomarca em todos os materiais de divulgação impressos e virtuais do evento. Com entrada gratuita, alcance previsto de duzentos espectadores nas palestras, transmissão da palestra ao vivo (com possibilidade de alcance ilimitado de espectadores), plano de assessoria de imprensa e divulgação da exposição em meios de mídia, e impacto social, o local inicialmente proposto para a exposição um dos espaços da Oficina Cultural Oswald de Andrade, foi escolhido propositadamente por estar no coração do Bom Retiro, e localizado próximo à estação de metrô, além de ser acessível, também, ao público com deficiência motora.

Como metodologia de trabalho, a elaboração e produção para esta exposição prevê pesquisa, elaboração de texto, registro fotográfico, tratamento de imagens, visitas às sinagogas, entrevistas de história oral com frequentadores e familiares das sinagogas, rodas de conversa, coleta de informações, realização de palestras, coleta de fotos e documentação, pesquisa bibliográfica, material existente e em entidades judaicas e órgãos públicos municipais e estaduais e levantamento de plantas e projetos. Quando possível, analisar os edifícios em suas semelhanças, fatos e detalhes comuns, ou em suas diferenças, identificar a história das sinagogas e comunidades, e a forma como os frequentadores e a comunidade se relacionavam.

Para conhecer o trabalho e estudo que vem sendo realizado, entre em contato comigo, através dos e-mails myrirs@hotmail.com ou myrinhars@gmail.com . E acompanhe as postagens neste blog, inclusive as anteriores, para conhecimento  da proposta da exposição aprovada anteriormente no PROMAC.

Faça parte do resgate das memórias familiares, compartilhando fotos, documentos e objetos, tanto das sinagogas e comunidade judaica da Mooca, como dos demais bairros da capital e cidades do interior paulista.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

A respeito do projeto de exposição das Sinagogas do Bom Retiro, aprovado na Lei de Incentivo Municipal PROMAC

O projeto de exposição das Sinagogas do Bom Retiro foi aprovado na Lei de Incentivo Municipal PROMAC - Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais instituído pela Lei nº 15.948/2013, regulamentada pelo Decreto nº 59.119/2019. O Projeto, aprovação e período de execução restringiram-se aos anos de 2021 e 2022.

Para uma melhor compreensão dos termos utilizados para a exposição, relacionados aos objetos, mobiliários, origem e arquitetura, as sinagogas também são conhecidas como Beth Haknesset, Beit Midrash, local de reuniões, de orações, culto, estudo, centro comunitário, social, “scuola”, “schul”, “schil”, “knis”, “esnoga”, assembleia, congregação. Existentes desde o período bíblico do patriarca Jacob, as sinagogas, como casas de culto, surgiram após a destruição do Primeiro Templo, no Exílio da Babilônia (sec. VI a.e.c). Foram adaptadas aos locais e costumes ao redor do mundo, influenciadas pelo entorno, momentos históricos, e ambientes culturais (cultura grega, árabe, bizantina, medieval, moderna, contemporânea).

Como arte construtiva judaica, possui características próprias: separação de homens/mulheres, Aron Hakodesh ou Hekhal (armário), Parochet (cortina), Bimah ou Tevah (púlpito), Torah (rolo com os cinco primeiros livros da Biblia), livros de reza, castiçais, chama eterna (Ner Tamid), de lembrança (Ner Zikarón), bancos, Leões, Dez Mandamentos, Mazalót (Zodíaco), edificações sempre voltadas para Jerusalém.

A situação atual em São Paulo, e, em particular no Bom Retiro, onde muitas sinagogas já deixaram de existir, migraram de bairro, deixaram de ser frequentadas, mudaram de uso ou foram desativadas, favorece a realização desta exposição com o envolvimento da comunidade como um todo.

Citando exemplos, no Bom Retiro, a antiga “Sinagoga Kehilat Israel” abriga hoje em dia, o Memorial do Holocausto (Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto), assim como a “Sinagoga Knesset Israel” (Centro Israelita de São Paulo) sedia a Instituição Beneficente Ten Yad. Outra sinagoga do bairro, a “Sinagoga Talmud Torah”, possui uma placa da época da fundação da Sinagoga da cidade de Bauru,  quando esta foi desativada,

A exposição, bilíngue (português - inglês), apresentando as diversas sinagogas do Bom Retiro e suas histórias, prevê, em sua proposta apresentada ao Promac, a duração de dois meses, entrada gratuita para o público em geral, realização de duas palestras/debates com a pesquisadora em formato presencial e com transmissão online, com tradução para LIBRAS (uma palestra inaugural, a outra ao longo da duração da exposição).

Acessível com recurso de áudio-descrição, e prevista para ocorrer inicialmente na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Bom Retiro), a exposição aprofunda a pesquisa acerca das sinagogas desativadas e das ainda existentes no Bom Retiro, expondo fotos do passado, registros fotográficos atuais e contando suas histórias. Sendo apresentada em cerca de trinta painéis, o formato banner, em estrutura metálica rollup, dobrável e desmontável, possibilita o reaproveitamento de material, para que a mesma possa ocorrer em novos espaços futuramente. 

Para conhecer o trabalho e estudo que vem sendo realizado, entre em contato comigo, através dos e-mails myrirs@hotmail.com ou myrinhars@gmail.com . E acompanhe as próximas postagens neste blog.

Faça parte do resgate das memórias familiares, compartilhando fotos, documentos e objetos, tanto das sinagogas e comunidade judaica da Mooca, como dos demais bairros da capital e cidades do interior paulista.