quinta-feira, 19 de março de 2026

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia - Arq. Sergio Kopinski Ekerman

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (2010 -

Arq. Sergio Kopinski Ekerman

Sociedade Israelita da Bahia | Salvador | Bahia 

A sinagoga com os bancos restaurados

A Sinagoga da Sociedade Israelita da Bahia (SIB) está construída na sede da entidade, em Salvador, Bahia. É parte de uma estrutura mais abrangente, ainda em construção, que contempla também salão de eventos, cozinha, espaços educacionais, biblioteca, além de outras áreas administrativas, recreativas e culturais.

O espaço religioso, propriamente dito, desenhado para até 150 pessoas, tem formato retangular, de planta central, articulado em função de seus dois elementos fundamentais: o Aron HaKodesh, ou Arca Sagrada, onde guarda-se a Torah; e a bimah, o baldaquino, de onde conduz-se a liturgia.

A planta reproduz um modelo comum em sinagogas asquenazitas, ou seja, ligadas à tradição judaica oriunda do leste europeu.

Neste caso, a bimah localiza-se ao centro, tendo a congregação à sua volta, e mirando o muro orientado a leste onde fica a Torah (voltada a Jerusalém). A plateia está organizada em níveis diferentes, o que cria uma situação confortável para visualização da cerimônia. Todo o conjunto visa acentuar o caráter congregacional do espaço – a comunidade coloca-se em volta da liturgia, diferente do que ocorre em organizações planimétricas que situam a bimah e o Aron HaKodesh junto à parede leste, em formato de auditório com atenção unifocal.

O Aron HaKodesh e a bimah hoje em uso foram trazidos da antiga sinagoga, localizada no bairro de Nazaré. As duas peças em madeira maciça constituem uma forte referência para a comunidade, estando a Arca disposta num nicho de concreto aparente, ladeado por muros com o mesmo tratamento. O baldaquino, por sua vez, repousa no ponto central do retângulo.

A sinagoga antes da instalação dos bancos

A sinagoga é também o único espaço do prédio com a laje nervurada que caracteriza sua estrutura totalmente aparente, levando o pé-direito máximo a cerca de cinco metros e criando um teto de luzes e brilho. Quatro pilares de concreto armado aparente e seção circular delimitam o espaço principal e duas “naves” laterais, onde são dispostos os equipamentos de climatização, bem como assentos complementares para cerimônias com maior público. O vão de 12,5m cria boa visibilidade, sendo estes únicos elementos portantes também uma homenagem a espaços de sinagogas tradicionais polonesas que tinham apenas quatro pilares como estrutura de sua cobertura. Na contemporaneidade, este esquema estrutural é reinterpretado em consonância com as possibilidades tecnológicas do concreto armado, em comparação às abóbadas de pedra do medievo.

A luz natural é um elemento fundamental na composição geral, uma vez que reforça a liturgia a partir do destaque do muro leste, bem como do nicho sobre a Arca Sagrada, que recebe iluminação zenital difusa, de modo a evocar sobre a Torah a presença do sagrado, a luz divina.

Complementa o espaço uma menorah cerâmica, de autoria do escultor baiano Israel Kislansky, que colore o espaço com seu tom azul, destacando-se sobre o muro de concreto aparente ao lado do Aron HaKodesh, reforçando a tradicional relação entre arte e arquitetura no espaço religioso.

Neste contexto, a doação dos bancos da antiga sinagoga do colégio I.L. Peretz à Sociedade Israelita da Bahia representou oportunidade de mobiliar o espaço com elementos coerentes com todas as ideias ali dispostas. Em perfeita harmonia com o baldaquino e a arca sagrada, os bancos são também a expressão do diálogo entre elementos tradicionais de sinagogas mais antigas e o espaço contemporâneo, o que acabou por constituir um conjunto único no Brasil, capaz de conservar parcialmente a história de espaços religiosos tradicionais judaicos do século XX, ao mesmo tempo em que adaptado a novas demandas da comunidade.

É de grande importância agradecer aos doadores que fizeram chegar os móveis a Salvador. Em São Paulo, Nicola Nissim Pelosof, Myriam Rosenblit Szwarcbart, Edurado Alcalay (presidente da mantenedora do Colégio I. L. Peretz na ocasião da fusão das escolas Alef e Peretz) e a todos os envolvidos nesta cidade, bem como agradecer à associada da SIB, Tália Dantas Carvalho, que viabilizou e providenciou a reforma e revitalização dos móveis para sua efetiva instalação e utilização no último mês de janeiro de 2026.


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