terça-feira, 25 de agosto de 2026

O bairro do Bom Retiro: uma sugestão de roteiro cultural*

Jardim da Luz - São Paulo (SP)

O bairro do Bom Retiro, como um bairro multicultural, possibilita um percurso de turismo de experiências e criativo, de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais. Além da possibilidade de uma exposição sobre as sinagogas do bairro, é possível definir e sugerir roteiros diversos: um roteiro gastronômico (cafés, armazéns e restaurantes coreanos, italianos, gregos, judaicos, colombianos, entre outros); oureligioso; ou de memória (Memorial do Holocausto, Memorial da Resistência, Rua Itaboca/Dr.Cesare Lombroso); ou de turismo criativo, um roteiro arquitetônico, com as requalificações e revitalizações de edificações já realizadas ou a realizar (Arquivo Histórico Municipal, Casa do Povo, Oficina Cultura Oswald de Andrade, casas antigas até hoje existentes); e também um roteiro visando atividades diversas como o Eruv, a dança tradicional coreana, feira boliviana, palestras, exposições relacionadas às origens dos imigrantes, rodas de samba e ações artísticas.

Pinacoteca - São Paulo (SP)

Além das atividades e roteiros específicos do bairro, há a possibilidade de serem incluídas atividades e visitas ao entorno, como “pontos de interesse”, a instituições e a uma variedade de organizações culturais. Neste sentido, considera-se a Pinacoteca/Pina Contemporânea, Jardim da Luz, Sala São Paulo, Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz, Pina estação/Museu da Resistência, Museu de Arte Sacra, Arquivo Histórico Municipal, Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, Museu da Obra Salesiana, Memorial do Holocausto, Casa do Povo, Sesc Bom Retiro, Museu das Favelas, Museu da Energia de São Paulo, Jardim da Luz. Escola Marechal Deodoro, Colégio Santa Inês, Centro Paula Souza, Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo, Instituto Dom Bosco, Escola Senai, Faculdades Oswaldo Cruz. 

Ações anteriores já foram realizadas, vinculadas ao Bom Retiro, desde inventários, publicações, artigos, e iniciativas de políticas públicas. Como exemplos, tem-se:

1) Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) - Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) : Inventário do Bairro do Bom Retiro, considerado um modelo de miscigenação e variedade étnica. Técnica do Iphan responsável pelo projeto, Simone Toji.

2)    “Renovando, revitalizando e imaterializando: ações de reconhecimento cultural na região do Bom Retiro e Luz” - Simone Toji e Flávia Brito do Nascimento / IPHAN-SP

3) Bom Retiro de muitas etnias- Marcelo Spomberg – Estação TV - Vídeo produzido, para finalizar o trabalho de registro do bairro Bom Retiro, como Patrimônio Cultural Imaterial do País.

4)  Koreatown: Entre a cidade de enclaves e a urbe cosmopolita - artigo de Simone Toji (2021)

5) “Little Seul” (2017), projeto de revitalização em parceria entre empresas sul-coreanas e a prefeitura de São Paulo

6) “Luz Cultural” (1984) privilegiou a instalação bens imóveis restaurados e reconvertidos.

7)    Nos anos 2000, a prefeitura de São Paulo, propôs o programa de concessão pública “Nova Luz”.

8)   VII Seminário da Associação Nacional Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo 20 e 21 de setembro de 2010 – Universidade Anhembi Morumbi – UAM/ São Paulo/SP O Patrimônio Cultural Imaterial dos Imigrantes Coreanos no Bom Retiro/SP Rafael Galvão Monteiro

9)  MulticulturalBom Retiro tem 215 opções de patrimônio - 16/05/2009 - Folha de S. Paulo. **

Você ou sua família frequentaram ou frequentam o bairro do Bom Retiro e suas sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com


*resumo de um trecho do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP


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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo *

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo, surgiu nos anos 1820, uma área nobre de sítios e chácaras de veraneio, como “Dulley”, “Sítio do Carvalho”, Chácara do Marquês de Três Rios, Solar do Marquês, e sr. Joaquim Egídio de Sousa Aranha. O Jardim da Luz data de 1825, e a Estação da Luz, de 1867, foi ampliada em 1901. 

A partir de 1870 a mudança na paisagem tornou-se evidente, com a primeira leva de imigrantes, e a presença de operários italianos. A proximidade com a estação ferroviária, indústrias, oferta de emprego, moradia barata, presente em todas as levas de estrangeiros no local, mudaram a paisagem local.

Com a urbanização, arruamentos e loteamentos das chácaras, o bairro saiu de seu isolamento: depósitos e olarias, como a Olaria de Manfred Meyer, forneceram tijolos para a transformação da cidade. Naquele momento, o bairro tornou-se um polo de indústrias, entre elas a Fábrica Anhaia (tecidos de algodão), a Cervejaria Germânia e a Ford do Brasil (1921).

A primeira Hospedaria de Imigrantes, situada no sobrado Bom Retiro, de 1882 a 1887, atendeu levas de imigrantes. Naquela data mudou-se para o Brás, ali permanecendo até a década de 1970. O sobrado, demolido, foi substituído pelo edifício do Desinfectório Central, à Rua Tenente Pena, 100, transformado em Museu de Saúde Pública Emílio Ribas. Apesar das mudanças ocorridas no bairro, o Bom Retiro manteve, de uma maneira geral, suas edificações construídas ao longo de sua história.

O perfil do Bom Retiro, formado por origens, nacionalidades e religiosidades diversas, permanece multicultural, evidenciando-se na convivência de famílias de imigrantes de variadas origens: espanhola, portuguesa, italiana, grega, armênia, coreana, boliviana, húngara, paraguaia, e judaica (provenientes do leste europeu). As potencialidades turísticas que apresentei para este bairro foram consideradas principalmente na proposta da execução de uma exposição. Um ponto de partida que pode ser replicado para cada comunidade, deste bairro ou não, independente de sua origem, imigrante ou não.

Uma maneira de divulgar conhecimentos e saberes, partindo do ponto de vista de Belanciano, em que afirma: “Todos somos turistas. Mesmo os que não se sentem forçosamente identificados com aquilo a que chamamos turismo.” (Belanciano, 2016).  Multicultural é o bairro, e diversas possibilidades de turismo se evidenciam. Como afirma Richards (2009) Junto com o patrimônio arquitetônico e das artes, alguns países incluem em sua definição, por exemplo, a gastronomia, o esporte, a educação, as peregrinações, o artesanato, a contação de estórias, e a vida na cidade”. O bairro, com sua diversidade de identidades de imigrantes, possibilita um percurso de turismo cultural, de experiências, criativo, de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais, identificando “motivações culturais” e o “fazer contato com moradores do local e aprender mais sobre a sua cultura” (Richards, 2009).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*Este texto faz parte do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

Sugestões de leitura

Richards, Greg. Turismo cultural: padrões e implicações. in Turismo cultural: estratégias sustentabilidade e tendências. Camargo, Patricia e Cruz, Gustavo (orgs). editora da Universidade Estadual de Santa Cruz – Uesc: Ilhéus, 2009, pp. 25-48

Belanciano, Vítor. "Todos somos turistas", Jornal Público, 2016, https://www.publico.pt/2015/12/20/economia/noticia/todos-somos-turistas-1717829

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sinagogas paulistanas e o “Guia das Sinagogas em São Paulo”

Revitalização do Pletzale
Bom Retiro
Artista - Artur Lescher - 2020

Organizar um roteiro turístico-cultural temático, para que se conheçam os locais em que os judeus se estabeleceram ao chegarem à capital paulista, é a proposta da publicação, impressa ou digital para o “Guia das Sinagogas em São Paulo”. Apresentar não só a história de cada comunidade judaica, em textos, documentos e fotos, mas principalmente as respectivas sinagogas, nos bairros em que se fixaram, possibilita refletir sobre a inserção destas no contexto urbano, inclusive em relação à tipologia das edificações do entorno e no uso do espaço pelo homem.

Indicar caminhos e percursos, interligados ou setorizados por regiões, promovendo visitas guiadas, descobrindo os usos e destinos atuais que o então edifício sinagogal recebeu ao ser desativado ou demolido, faz parte da proposta. No caso do edifício ter sido demolido, um marco ou uma exposição de rua em uma praça do entorno, em museus de rua, torna-se uma opção. É possível uma interação entre a população local e os potenciais turistas, mas se faz necessário analisar as possíveis consequências de um fluxo turístico a estes bairros, caso ocorra. Vale destacar os pontos apresentados por Vitor Belanciano, relacionados aos bairros como um ecossistema complexo, sujeitos às mudanças na paisagem urbana ao absorverem um número (elevado) de turistas. Como afirma Belanciano, “o turismo gera receitas e por vezes reabilita zonas urbanas. Mas também pode contribuir para a diminuição da qualidade de vida local” (Belanciano, 2015).

Particularizar e exemplificar este roteiro torna-se possível no bairro do Bom Retiro, considerando-se que uma boa parcela da comunidade ali se estabeleceu a partir dos anos de 1910/1920, à época um bairro fabril e proletário, por facilidade de transporte, aluguel barato, na busca ou não de parentes ou amigos. A dificuldade com o idioma, e de se conseguir emprego, resultaram na escolha da profissão como mascates, ou Klientelchik, além das possibilidades de trabalhos em confecções têxteis. Os que aqui chegaram, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, acreditaram ser conveniente morar numa região onde já estava instalada parte da comunidade, com suas escolas, sinagogas, moradia e crédito. Organizaram-se, abriram lojas, fundaram sociedades de auxílio mútuo, organizações religiosas, sinagogas, escolas, publicaram jornais e revistas, construíram o cemitério. Muitas famílias da coletividade judaica que moravam no Bom Retiro, a partir da década de 1960, começaram a migrar para bairros como Higienópolis e Jardins. Várias instituições judaicas permanecem em funcionamento (Ten-Yad, Memorial do Holocausto, Unibes, Escola Gani-Lubavitch, Yeshivót, Casa do Povo, diversas sinagogas), e outras encerraram suas atividades no bairro (Escola Talmud Thorá, Escola Scholem Aleichem, Taib, Linath Hatzedek, Cooperativa de Crédito Popular, Habonim Dror, Hashomer Hatzair, Bnei Akiva).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*O presente texto é um recorte da pesquisa que venho realizando ao longo do tempo, relacionada às sinagogas de São Paulo e faz parte do Trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP