segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sinagogas paulistanas e o “Guia das Sinagogas em São Paulo”

Revitalização do Pletzale
Bom Retiro
Artista - Artur Lescher - 2020

Organizar um roteiro turístico-cultural temático, para que se conheçam os locais em que os judeus se estabeleceram ao chegarem à capital paulista, é a proposta da publicação, impressa ou digital para o “Guia das Sinagogas em São Paulo”. Apresentar não só a história de cada comunidade judaica, em textos, documentos e fotos, mas principalmente as respectivas sinagogas, nos bairros em que se fixaram, possibilita refletir sobre a inserção destas no contexto urbano, inclusive em relação à tipologia das edificações do entorno e no uso do espaço pelo homem.

Indicar caminhos e percursos, interligados ou setorizados por regiões, promovendo visitas guiadas, descobrindo os usos e destinos atuais que o então edifício sinagogal recebeu ao ser desativado ou demolido, faz parte da proposta. No caso do edifício ter sido demolido, um marco ou uma exposição de rua em uma praça do entorno, em museus de rua, torna-se uma opção. É possível uma interação entre a população local e os potenciais turistas, mas se faz necessário analisar as possíveis consequências de um fluxo turístico a estes bairros, caso ocorra. Vale destacar os pontos apresentados por Vitor Belanciano, relacionados aos bairros como um ecossistema complexo, sujeitos às mudanças na paisagem urbana ao absorverem um número (elevado) de turistas. Como afirma Belanciano, “o turismo gera receitas e por vezes reabilita zonas urbanas. Mas também pode contribuir para a diminuição da qualidade de vida local” (Belanciano, 2015).

Particularizar e exemplificar este roteiro torna-se possível no bairro do Bom Retiro, considerando-se que uma boa parcela da comunidade ali se estabeleceu a partir dos anos de 1910/1920, à época um bairro fabril e proletário, por facilidade de transporte, aluguel barato, na busca ou não de parentes ou amigos. A dificuldade com o idioma, e de se conseguir emprego, resultaram na escolha da profissão como mascates, ou Klientelchik, além das possibilidades de trabalhos em confecções têxteis. Os que aqui chegaram, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, acreditaram ser conveniente morar numa região onde já estava instalada parte da comunidade, com suas escolas, sinagogas, moradia e crédito. Organizaram-se, abriram lojas, fundaram sociedades de auxílio mútuo, organizações religiosas, sinagogas, escolas, publicaram jornais e revistas, construíram o cemitério. Muitas famílias da coletividade judaica que moravam no Bom Retiro, a partir da década de 1960, começaram a migrar para bairros como Higienópolis e Jardins. Várias instituições judaicas permanecem em funcionamento (Ten-Yad, Memorial do Holocausto, Unibes, Escola Gani-Lubavitch, Yeshivót, Casa do Povo, diversas sinagogas), e outras encerraram suas atividades no bairro (Escola Talmud Thorá, Escola Scholem Aleichem, Taib, Linath Hatzedek, Cooperativa de Crédito Popular, Habonim Dror, Hashomer Hatzair, Bnei Akiva).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*O presente texto é um recorte da pesquisa que venho realizando ao longo do tempo, relacionada às sinagogas de São Paulo e faz parte do Trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

2 comentários:

  1. Nasci me criei n Bom Retiro, onde a,primeira,sinagoga a frequentar fou d R Mamore do finado Rebe Beer, sinagoga de ortodoxo, hj ja nao existe mas e esta lacrada, era uma sinagoga de pessoas super religiosas que falavavam a lingua idisch. E tinhamos wue ir vestidas bem recatadad. Atr as meninas pewurnad

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