sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo *

Bom Retiro, ou “bons retiros”, um bairro da região central da cidade de São Paulo, surgiu nos anos 1820, uma área nobre de sítios e chácaras de veraneio, como “Dulley”, “Sítio do Carvalho”, Chácara do Marquês de Três Rios, Solar do Marquês, e sr. Joaquim Egídio de Sousa Aranha. O Jardim da Luz data de 1825, e a Estação da Luz, de 1867, foi ampliada em 1901. 

A partir de 1870 a mudança na paisagem tornou-se evidente, com a primeira leva de imigrantes, e a presença de operários italianos. A proximidade com a estação ferroviária, indústrias, oferta de emprego, moradia barata, presente em todas as levas de estrangeiros no local, mudaram a paisagem local.

Com a urbanização, arruamentos e loteamentos das chácaras, o bairro saiu de seu isolamento: depósitos e olarias, como a Olaria de Manfred Meyer, forneceram tijolos para a transformação da cidade. Naquele momento, o bairro tornou-se um polo de indústrias, entre elas a Fábrica Anhaia (tecidos de algodão), a Cervejaria Germânia e a Ford do Brasil (1921).

A primeira Hospedaria de Imigrantes, situada no sobrado Bom Retiro, de 1882 a 1887, atendeu levas de imigrantes. Naquela data mudou-se para o Brás, ali permanecendo até a década de 1970. O sobrado, demolido, foi substituído pelo edifício do Desinfectório Central, à Rua Tenente Pena, 100, transformado em Museu de Saúde Pública Emílio Ribas. Apesar das mudanças ocorridas no bairro, o Bom Retiro manteve, de uma maneira geral, suas edificações construídas ao longo de sua história.

O perfil do Bom Retiro, formado por origens, nacionalidades e religiosidades diversas, permanece multicultural, evidenciando-se na convivência de famílias de imigrantes de variadas origens: espanhola, portuguesa, italiana, grega, armênia, coreana, boliviana, húngara, paraguaia, e judaica (provenientes do leste europeu). As potencialidades turísticas que apresentei para este bairro foram consideradas principalmente na proposta da execução de uma exposição. Um ponto de partida que pode ser replicado para cada comunidade, deste bairro ou não, independente de sua origem, imigrante ou não.

Uma maneira de divulgar conhecimentos e saberes, partindo do ponto de vista de Belanciano, em que afirma: “Todos somos turistas. Mesmo os que não se sentem forçosamente identificados com aquilo a que chamamos turismo.” (Belanciano, 2016).  Multicultural é o bairro, e diversas possibilidades de turismo se evidenciam. Como afirma Richards (2009) Junto com o patrimônio arquitetônico e das artes, alguns países incluem em sua definição, por exemplo, a gastronomia, o esporte, a educação, as peregrinações, o artesanato, a contação de estórias, e a vida na cidade”. O bairro, com sua diversidade de identidades de imigrantes, possibilita um percurso de turismo cultural, de experiências, criativo, de forma a relacionar os espaços com seus territórios e roteiros culturais, identificando “motivações culturais” e o “fazer contato com moradores do local e aprender mais sobre a sua cultura” (Richards, 2009).

Aguardem mais detalhes! Este texto continua nas próximas postagens.

Você ou sua família frequentaram ou frequentam sinagogas? Conte mais sobre isso, escrevendo um texto ou comentários. Envie para o e-mail myrinhars@gmails.com

*Este texto faz parte do trabalho apresentado para a Disciplina IMU5022 MUSEUS, PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO NO CONTEXTO URBANO CONTEMPORÂNEO - PROFA. DRA. CLARISSA M. R. GAGLIARDI - PPGMus MAE USP

Sugestões de leitura

Richards, Greg. Turismo cultural: padrões e implicações. in Turismo cultural: estratégias sustentabilidade e tendências. Camargo, Patricia e Cruz, Gustavo (orgs). editora da Universidade Estadual de Santa Cruz – Uesc: Ilhéus, 2009, pp. 25-48

Belanciano, Vítor. "Todos somos turistas", Jornal Público, 2016, https://www.publico.pt/2015/12/20/economia/noticia/todos-somos-turistas-1717829

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