quarta-feira, 26 de abril de 2017

Visita à Sinagoga de Pinheiros Beth Jacob

Conheci a Sinagoga de Pinheiros Beth Jacob nos anos 1980. Pudemos revê-la, David e eu, nesta segunda-feira, 24 de abril de 2017. Fomos recebidos pelo Rabino Levi Yitschac Fishel Rabinowicz, à frente desta sinagoga há mais ou menos 5 anos. Contou-nos que, antes disso, participava dos Shabatót, como Baal Kore desta sinagoga.

Rabino Levi contou-nos que a maçonaria- Loja David Iampolski- alugou um salão da sinagoga, e isto ajudou a mante-la por mais ou menos 20 anos. Pelo que pudemos verificar, o edifício da sinagoga já passou por algumas reformas e pequenas alterações, como a instalação de aparelhos de ar-condicionado e a execução recente de uma cozinha Kasher..

Em termos do projeto arquitetônico, esta sinagoga assemelha-se às demais sinagogas de São Paulo, do mesmo período de sua fundação, como as do Brás, Cambuci, Peretz, já comentadas neste blog.  Possui um piso para a ala masculina, ao fundo o Aron Hacodesh, sobre este  dois leões em madeira ladeando os Luchót Habrit e a Bimá à frente.  Um corredor central, com fileiras de cadeiras laterais que substituem os bancos originais de antigamente. Estes foram mantidos somente próximos ao Aron Hacodesh.  

Duas galerias femininas, nas laterias do primeiro piso, estão ocupadas por cadeiras conservadas. Uma mureta, mais alta do que nas demais sinagogas já visitadas, impossibilita, de alguma maneira, a visão de quem venha a ocupar tais lugares. Nos shabatot de hoje em dia, a ala feminina situa-se na parte posterior do setor masculino, separada apenas por uma divisória...a “mechitzá”.

Diferentemente dos edifícios das outras sinagogas, o acesso à ala masculina faz-se diretamente pelo piso da entrada, e não através de escadarias laterais. A porta de entrada desta ala, em arco e de folha dupla, é feita em madeira e está bem conservada. 

As janelas, retangulares ou em arco, em vidro martelado, situam-se na lateral, porém é possível notar, na atual sala do rabino, uma janela em arco com uma Maguen David. Um corredor lateral leva ao amplo salão para kidush, situado ao fundo da sinagoga.

Neste dia de visita Rabino Levi mostrou-nos as Torót, uma Meguila e um “yad” antigos que permanecem em uso, assim como o Ner Tamid os candelabros com lâmpadas e quadros com algumas rezas como o Yzkor.

Um detalhe interessante é o fato de que aqui, não estão presentes os Mazalót, nem as “plaquinhas” dos bancos, que poderiam identificar os contribuintes na ocasião da fundação desta, como encontramos nas demais sinagogas. O que vemos sim é uma ampla placa à entrada, com os nomes dos fundadores, e uma placa da ocasião da reforma desta. Mas disto falaremos no próximo post...

Um detalhe interessante é o comentário de Mirella Rabinowicz, que escreveu-me...
“Bom dia Myriam, li com muito interesse seu blog, principalmente o que se refere à sinagoga Beth Jacob de Pinheiros, aonde o meu filho é o rabino. Apenas como curiosidade: Casei-me em janeiro de 1985 e residi até novembro na R. Oscar Freire. Meu contrato era por apenas um ano. No final de novembro já entrando no 9º mês nos mudamos para a R. Fradique Coutinho.  E essa foi a primeira sinagoga que Rabino Levi frequentou. Moramos em Pinheiros até o início de 1993. Nos referíamos a ela para as crianças como a sinagoga dos leões. Na época o Baal Corê era o Yechiel Yossi Zajac e sempre depois da reza ele vinha comer algo em casa. Depois de 20 anos, Rabino Levi retornou pra a primeira sinagoga que frequentou... agora como Rabino.”

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob

Fundada em 27 de setembro de 1937 por judeus poloneses, russos e romenos, do bairro de Pinheiros. Desde 1925 estes se reuniam em casas particulares, geralmente nos Iamim Noraim e tinham por objetivo construir um templo para o culto do judaísmo e para manterem contato entre si, utilizando, também, o espaço, para fins sociais.

A sinagoga funciona, ainda hoje, à Rua Arthur de Azevedo 1781. Demolida, foi reconstruída no mesmo local, em 1938, projeto de Bruno Cocianovich. 

Em “Pândegos, rábulas, gamelas: Os construtores não-diplomados entre a engenharia e a arquitetura (1890 - 1960)”, Tese apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) para a obtenção do título de Doutor em Ciências, 2016, por Lindener Pareto Jr., podemos ver, na página 234, o nome de Bruno Cocianovich como Projetista-construtor em todo o Estado e também como arquiteto.

Na ocasião, a comissão constituída para tanto, de acordo com a “Enciclopédia Judaica”, (Ed. Tradição S.A., R.J, 1967, vol.3, pg. 1101), era composta por Henrique Sancovsky, Felipe Akerman, Pedro Perlov, Leôncio Galper, Jacob Rosenblit (tio de minha mãe Dora Dina Rosenblit Szwarcbart), Francisco Helman e Naum Chechanovich. Compunham a diretoria Henrique Sancovsky, Moises Stulman, Abram Gandelman, Michael Mirror, Leão Steinberg, Felipe Gandelman, Benjamin Solon, Luiz Chechanovitch e Jacob Zilber.

Iniciativa comum na maior parte das comunidades judaicas em São Paulo formadas na primeira metade do século XX, A Escola Israelita Brasileira Chaim Nachman Bialik, fundada em 1943, funcionou até 1955 junto à Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob.

Gostaria de salientar que em fevereiro de 1999, propus ao Colégio Bialik, hoje em dia Escola Alef Peretz, na ocasião em que meus filhos Ana e Dany Friedman ali estudavam, a realização de um estudo e levantamento do patrimônio histórico, cultural, arquitetonico e artistico da instituição, com a finalidade de preservar e perpetuar a memória e raízes da mesma. Veja ao lado a carta apresentada à escola, que naquela época funcionava à rua Simão Alvares. Infelizmente tal pesquisa acabou não acontecendo.


Voce, que fez ou faz parte da Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob gostaria de compartilhar a sua história e da sinagoga, memórias, fotos, documentos, colaborando com esta pesquisa? Tem informações a respeito da arte e arquitetura desta sinagoga? Há interesse em ser entrevistado? Envie-me, então um e-mail para myrirs@hotmail.com ou deixe um comentário neste post.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O bairro de Pinheiros

A busca por mais informações sobre a Sinagogas da Penha permanece, aguardo o encontro com Regina Igel, Bela Turecki, Zilda Bun Calencautcy e demais frequentadores desta Sinagoga, e também mais informações, através de novos contatos, novas entrevistas, da busca de material, documentos e plantas no local aonde foi construída, ou até em arquivos históricos e órgãos públicos.

E vou prosseguindo na pesquisa, agora focando o bairro de Pinheiros, Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob e a comunidade judaica do bairro.

 Acervo Fotográfico do arquivo Histórico de São paulo



O bairro de Pinheiros está localizado na região oeste da cidade de São Paulo, ao longo do rio Pinheiros. É limitada pelo Rio Pinheiros, Av. Prof. Frederico Herman Júnior, R. Natingui, R. Heitor de Andrade, caminho de pedestres entre a R. Heitor de Andrade e a R. Cristóvão de Burgos, R.Paulistânia, R. Heitor Penteado, Av. Dr. Arnaldo, Av. Paulo VI, R. Henrique Schaumann, Al. Gabriel Monteiro da Silva, R. Groenlândia, Av. Nove de Julho, Av. Cidade Jardim, até chegar novamente ao Rio Pinheiros.

Há divergências sobre a origem do nome de 'Pinheiros'. Geralmente aceita-se que seja às grandes extensões de pinheiros nativos (Araucaria brasilienses) que ali existiam. 

Entretanto, como podemos ler no site da Wikipedia, “João Mendes de Almeida, em seu livro Dicionário Geográfico da Província de S.Paulo discorda dessa versão. Segundo ele, os índios tupi chamavam o rio de Pi-iêrê, que significa "derramado", em alusão ao transbordamento das águas que alagava as margens. Por corruptela, a palavra Pi-iêre teria se transformado em Pinheiros. A existência dos pinheiros, segundo o autor, serviu só para operar mais facilmente a corruptela".

Foto Gazeta de Pinheiros

O bairro é considerado pela grande maioria dos historiadores como o primeiro bairro de São Paulo, tanto por suas origens indígenas quanto portuguesas. Surgiu em meados do século XVI e serviu por muito tempo como passagem dos tropeiros para a Região Sul do Brasil.

Lemos ainda nos sites indicados abaixo que “após a chegada dos jesuítas ao planalto que originaria a cidade de São Paulo, um grupo indígena se instalou, por volta de 1560, às margens do rio Grande, posteriormente conhecido como rio Pinheiros”. Estabeleceram, uma nova aldeia onde atualmente fica o Largo da Batata (assim conhecido desde 1920, quando abrigava um mercado municipal e um entreposto onde imigrantes japoneses vendiam batatas), um local protegido das habituais inundações das margens do rio. Essa região habitada pelos indígenas tornou-se uma vila conhecida como Farrapos, e para a catequese dos índios foi erguida uma igreja.

Vemos também na Wikipédia que “A área de Pinheiros naquela época correspondia ao território que se estende desde o Butantã até parte do Pacaembu. Pertencia a uma sesmaria doada por Martim Afonso de Sousa a Pedro Góes em 1532 e que, a partir de 1584 passou a pertencer a Fernão Dias Paes. Este último foi um dos responsáveis pela expulsão provisória dos jesuítas do local, pois como bandeirante não concordava com a postura jesuíta contra a escravização dos índios...”

“A vila indígena, que passou a ser conhecida como Aldeia dos Pinheiros, ficava isolada da vila paulistana devido à topografia da região, porém era importante por causa do estreitamento das margens do rio Pinheiros, o que facilitava muito sua travessia e acabou tornando-se um trecho obrigatório de diversos caminhos que cruzavam a região, sejam de indígenas ou bandeirantes. Sua importância acentuou-se com a construção de mais vilas ao sul e de uma ponte que atravessa o rio, construída apenas no século XVIII, ligando a região às vilas de Parnaíba, Cotia, Itu e Sorocaba. Essa ponte foi muito utilizada nos séculos seguintes e, por ser destruída regularmente devido às enchentes, foi substituída por uma de metal em 1865... Além da ponte, os moradores custeavam também a manutenção do Caminho de Pinheiros que levava ao centro da vila de Piratininga, passando pela atual rua Butantã, Largo de Pinheiros, rua Cardeal Arcoverde e rua da Consolação...”

Site Estadão-SP antiga
No início do século XVII o Caminho de Pinheiros era um dos mais destacados da Vila de São Paulo, por ser o único acesso à aldeia e a outras terras além do rio. O desenvolvimento econômico e populacional do bairro posteriormente foi causado pelo sítio do Capão, uma propriedade altamente produtiva que se localizava nas terras da sesmaria, principalmente quando esta se encontrava sob comando de Fernão Dias Paes Leme, neto do antigo dono da sesmaria.

A região de Pinheiros possuía também uma boa quantidade de quilombos, os esconderijos e moradas dos escravos que fugiam de seus senhores e lá se instalavam devido às boas condições oferecidas pelo bairro com sua abundância de terrenos baldios e mato muito espesso.

Em 1786 iniciou-se a construção de estrada ligando Pinheiros aos campos de Santo Amaro, o que hoje corresponde à Av. Faria Lima. Posteriormente, a estrada foi estendida até a Lapa, e este novo trecho recebeu o nome de Estrada da Boiada, hoje Av. Diógenes Ribeiro de Lima. Esta região foi pouco habitada ao longo do século XIX, chegando ao seu final com 200 casas.  A primeira padaria foi inaugurada em 1890 e a segunda em 1900.

Havia um pouso para tropeiros e a economia era baseada em agricultura, carvoarias e, devido à excelente argila, olarias. Nestas eram fabricados tijolos e telhas que aos poucos foram substituindo o pau a pique nas construções de toda a cidade de São Paulo. A linha de bonde ligando Pinheiros ao centro da cidade foi iniciada em 1904 e chegava até o cruzamento da rua Teodoro Sampaio com a Capote Valente. Como não havia um pátio de manobras, os bancos do bonde eram virados. O Largo de Pinheiros foi alcançado apenas em 1909, após drenagem e aterro em toda a área entre os dois pontos. O Mercado de Pinheiros foi inaugurado em 1910 onde agricultores locais e de Cotia,  Itapecerica da Serra,  Carapicuíba,  Piedade, MBoy, comercializavam seus produtos.

A urbanização, o progresso e desenvolvimento econômico da região tiveram seu início apenas na época do ciclo do café no Brasil, principalmente em São Paulo, entre o final do século XIX e o começo do século XX, e foi constituído com o dinheiro proveniente das exportações do produto. Ao final do século XIX a região recebeu um bom número de imigrantes italianos e, posteriormente, já no século XX, de japoneses. O bairro começou a se firmar como uma região de classe média, com grande presença de comércio e indústrias.

Por volta de 1920 foi fundada a Sociedade Hípica Paulista, em 1915, foi firmado um acordo entre o governo do Estado de São Paulo e a Fundação Rockefeller para a construção da sede da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Acordo que previa a criação de um hospital para ser utilizado no aprimoramento dos estudantes e ao mesmo tempo no atendimento da população mais carente da capital paulista e até do interior do estado. Este hospital, o Hospital das Clínicas foi inaugurado oficialmente em 19 de abril de 1944. O hospital ainda é um dos principais da cidade e é considerado o maior complexo hospitalar da América Latina.

Pinheiros possui uma grande e diversificada rede comercial (roupas, sapatos, móveis, comidas e bebidas, bancos, etc) e uma intensa vida cultural (bibliotecas, livrarias, casas noturnas e bares, feira de artes e antiguidades, academias de dança, etc).

Segundo o site da prefeitura de São Paulo, “o bairro de Pinheiros possui duas bibliotecas municipais, a Biblioteca Alceu Amoroso Lima, que possui um acervo da memória do bairro para consulta e a Biblioteca Álvaro Guerra, que reúne depoimentos de moradores sobre suas histórias de vida e do bairro em sua Estação Memória.”

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Família Igel e a Sociedade Religiosa Israelita da Penha

Localização-Ruas Raul da Rocha Medeiros, Vitorio Ramalho e Antonio de Barros (https://www.google.com.br/maps/place)
"Recebi alguns e-mails da Professora Regina Igel, que leciona na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, nos meses de março/abril 2017, que me deixaram muito feliz, relativos à história da Sinagoga da Penha/Tatuapé...

Regina relata que leu a matéria que publiquei a respeito da sinagoga do Tatuapé, à Rua Raul da Rocha Medeiros, e que fez parte daquela sinagoga durante toda a adolescência. Muitos dos que fizeram parte do mesmo grupo estão em S.Paulo. 

Ressalta que foi na casa dos pais, de origem polonesa, sr.Moishe Igel (Z'L) e sra.Lúcia Igel, na Rua Vitório Ramalho, a algumas quadras da sinagoga, que aconteceram as reuniões mensais, por quase dois anos, do grupo que a dirigia. Sr.Moishe Igel (Z'L) doou vários objetos que comprou em Israel, em suas viagens àquele país, fez parte da primeira diretoria, foi um dos fundadores da sinagoga, desde que ela se reunia nos altos de um prédio na Rua Antonio de Barros, e colaborou financeiramente para a construção da sinagoga (a Dona Lúcia ainda tem o recibo principal!).

Regina lembra-se perfeitamente do pessoal da diretoria chegando na sua casa, térrea, com uma larga entrada lateral. Chegavam um a um, passando por uma figueira e por baixo de uma videira, até chegar ao salão de festas que tinham ao fundo do pátio de trás. Ali estava uma longa mesa, que o pai mandara fazer especialmente para acomodar os 12 ou mais membros da diretoria do shil.

Lembra-se bem que ela e a irmã Célia estendiam a imensa toalha verde de uma ponta a outra da mesa, e ali colocavam garrafas de água mineral. O irmãozinho Hênio trazia os copos, enquanto a mãe trazia as frutas. As reuniões eram muito animadas, todos os participantes colaboravam com ideias, algumas aceitas, outras desafiadas... As reuniões, que começavam pelas oito da noite, iam até além da meia-noite, com muita e muita conversa e muitas decisões.

E nos conta que quando, finalmente, a sinagoga foi construída, ali os jovens de 12 a 16 anos, estabeleceram o clube JIP (Juventude Israelita da Penha) do qual possui fotos tiradas por ela e outros, na maquininha 'box', da Kodak. Os jovens estudavam no Colégio Estadual da Penha e no Pedro II. Estabeleceu-se também uma escolinha infantil. Regina fotografou as crianças da escolinha, no ano da sua inauguração, uma por uma, e os membros da diretoria compraram tais fotos. Recorda-se também da chegada da Torá à sinagoga.

A mãe, sra.Lúcia Igel, aos 95 anos tem excelente memória de tudo o que vivenciou durante a formação da sinagoga, antes e depois da construção, sobre a idéia e execução do shil do Tatuapé, e de vários momentos da convivência no bairro.  A sra.Lucia e a sra.Sara Gampel eram amigas e a sra.Sara, que morava na rua da sinagoga, teve também muita atuação durante o tempo da formação e até da construção física desta sinagoga.

A iniciativa da formação desta sinagoga ocorreu por parte de um grupo de comerciantes da Rua Antonio de Barros, entre eles os Wasong, Gampel, Raw, David, Vainer, Bun, Fischman, Cirota e Tahin. A sra. Sara Tahin, nascida na Bessarábia, ao lado do marido Marcos, era a única mulher que compunha este grupo. Sansão Woiler, Silvia Rosenberg, Arthur Kuschnir, Mario e Henrique Joseph, família Waisman, Moishe Gurman também fizeram parte da sinagoga. Organizava-se jantares para angariar fundos, e a intenção de começar um shil no bairro, como afirmam, era para que os filhos destes frequentassem e dessem continuidade à comunidade.

O edifício da sinagoga, à Rua Raul da Rocha Medeiros, que teve como presidente o sr. Sapojnick, era “ultra-moderno, possuía uma marquise e um arco à frente, na fachada”. Situava-se no “meio de um terreno”, e uma escadaria conduzia a um balcão superior, para as mulheres. A Bimá ficava ao fundo da construção, no piso térreo, destinado à ala masculina. Nas Grandes Festas, o Chazan era Daniel Schor, família moradora do Tatuapé.

Com a transferência da Torah e da sinagoga para o Colégio e Sinagoga Renascença, os membros do shil teriam suas cadeiras garantidas para os dias religiosos, Chaguin e os Shabatot, fato que não se materializou por omissão do advogado encarregado de fazer o acordo, segundo nos conta Regina.


E completa... embora quase todos os membros daquela diretoria já tenham falecido, seus descendentes estão na cidade e podem colaborar com suas lembranças também daquele tempo da formação de uma comunidade maravilhosa, que foi a do shil do Tatuapé na Rua Rocha Medeiros"

Edito aqui esta postagem, após publica-la no Blog e no Facebook. Regina Igel e Bela Turecki conversaram, e ao final também Zilda Bun Calencautcy comentou sobre a Sinagoga da Penha, e sobre a época em que viveram no bairro. Alguns comentários..."Éramos todos adolescentes e me lembro muito bem como nossos pais trabalharam para nossa Sinagoga. Era uma delícia quando chegavam as festas !! Os pais eram amigos, foi muito boa aquela época!"...Mantemos a amizade de sempre. Já tivemos duas reuniões maravilhosas em pizzarias de SP, e quase todos nós estávamos presentes. Fiquei muito emocionada com estes dois encontros, que ocorreram no ano passado e no ano retrasado. Estamos mais velhos, muitos entre nós já são avós, mas a juventude nossa ainda está presente nos nossos espiritos!" "Lembro da sua casa, dos nossos passeios, dos pique-niques, dos aniversários e até também de uma festa no salão da minha casa, com fogueira na porta, pipoca e pinhão! Éramos abertos a tudo, ao judaísmo e às tradições locais também. Frequentávamos, a maior parte do grupo, o Colégio Estadual da Penha...E mais..."Antes do nosso shil, do Tatuapé, íamos todos ao shil da Rua Bresser. Era lindo, com desenhos dos signos do zodíaco pelas paredes. E lembro que havia uma escadaria do lado de fora, para onde as mulheres se dirigiam. Era difícil chegar ao shil..." A conversa de muitas lembranças, acredito, vai continuar em um novo encontro do grupo que frequentava a Sinagoga da Penha...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Quem de voces frequentou a Sinagoga da Penha/ Tatuapé?? Fizeram parte da comunidade judaica do bairro?

Da mesma forma como questionei quem frequentou as sinagogas da Vila Mariana, do Cambuci e do Brás, assim o fiz com a comunidade judaica da Penha...

Assim, postei no Facebook: “Quem de voces frequentou a Sinagoga da Penha/ Tatuapé?? Fizeram parte da comunidade judaica do bairro? Possuem fotos? Documentos? Projetos? Histórias para contar? Citando algumas famílias: Vaiser, Acherboim, Rof, Sapojnik, Dortdorchik, Wainer, Wasong, Fischman, Greller, Gorman, Cushnir, Igel, David, Fischbein, Gampel, Schnaider, Taim, Schorr...Quem mais??? Se quiserem, me passem uma mensagem inbox ou deixem um comentário aqui!!”


Inicialmente posto a foto ao lado, disponivel na Enciclopédia Judaica (da Editora Tradição, edição de 1967), aonde temos o Lançamento da Pedra Fundamental da Sociedade Religiosa Israelita da Penha. Nesta foto vemos Henrique Waisman, Salo Wismann, Pinchas Schorr, Rebe de Muncack, Boris Sapojnik, Arthur Cuschnir.

Em relação aos comentários enviados, Denise Salama Feltrim indicou Zilda Bun Calencautcy . Na terça-feira, 21 de março de 2017 ZildaBun Calencautcy e eu pudemos bater um papo a respeito da Sinagoga da Penha. Segue um pouco do que conversamos e caso haja alguma correção a fazer, solicito que me informem.

Zilda contou que tres irmãos da família Bun (Henrique, Marcos e Isidoro), Arão David e Zacarias Gampel construíram uma casa no Tatuapé, que viria a ser a Sinagoga. Zacarias Gampel morava em uma casa em frente à esta. Também faziam parte desta Jacob Grinspan, famílias Wasong e Acherboim. Quando a frequência à sinagoga começou a diminuir, inclusive em Shabatot e o alto custo de manutenção, a instituição passou para o Renascença, “pensando nos jovens e no futuro destes”. Uma das várias lembranças é a de que havia grande respeito entre todos. E diz Sai da Penha com 17anos pra casar. Minha familia junto com mais algumas construiram o Shil da Penha.(que epoca boa)”


Eliana Vaiser já havia informado que frequentava a Sinagoga do Tatuape perto do Hospital Cristo Rei. Lembra-se que o pai do Silvio Acherboim e da Flavia Acherboim, sr. Michel, foi quem construiu a sinagoga do Tatuapé.

Julio Pelcerman indicou a sra.Flora Sheila Grinspan. A sra.Flora Sheila Grinspan contou que sr. Jacob, sra. Elisa e sr. Léo Grinspan fizeram parte da sinagoga. Comentou: “Inclusive o Sr.Jacob foi um dos fundadores da sinagoga do Tatuapé, que hoje está no Colégio Renascença. Sei que eles frequentaram lá e não tenho fotos. Família tradicional da Penha. Vou tentar ver se acho algo e te falo. Talvez o bar- mitzva do Léo Grinspan z"l parece que foi lá. Tenho o álbum posso verificar e te falar. Preciso ver o álbum tirar foto e te mandar p confirmar o local”. Assim, aguardamos novidades a respeito.

Nilton Schnaidman lembrou que o avô, Moisés Schnaidman, era ativo na sinagoga e acha que foi um dos fundadores... “Foi lá meu bar-mitzvá. Mas ali é Tatuapé. Passei lá depois de algum tempo...tinha virado uma clínica. Não tenho fotos infelizmente...”

Ivone Herzig  e a família de Silvio Ciocler tambem frequentaram a sinagoga, assim como sr. Alberto Tofic Simantob . Sr. Alberto frequentou esta sinagoga desde pequeno. “O pai foi um dos que inaugurou o Templo novo e também participou de muitas festas no antigo, em cima de uma loja”.

Sueli Farber indicou Bela Turecki, Hinda Potolski, Marilu Wasong, David Gampel, Silvia Gampel como famílias frequentadoras da sinagoga. Lembra-se do “Pidion a Bem” de Ricardo, pois os pais foram padrinhos. E lembra... “quantas boas celebrações nessa sinagoga e na casa dos Wasong...”

Bela Turecki  Morava em frente da Sinagoga e o pai foi um dos fundadores, Bencion Wasong.Passamos toda nossa infância e adolescência frequentando a Sinagoga. Estou emocionada de poder ler esta materia.
Tantas recordações!!!”



Helio Pilnik afirmou: "Vamos colaborar: Pilnik, Kupper, Bloch, Raw, Tarnovsky, Woiller, Portugueis, Mutchnic. ...se lembrar outras famílias além das citadas terei o maior prazer de informa-la". Quanto a fotos e documentos sugeriu contatar a família David, cujo patriarca, Sr.Aron David, foi durante muitos anos diretor da sinagoga. Seus descendentes, segundo falou, foram José David e Daise David. Estou com o contato...vamos conversar...

Conversei com a sra. Habibe Simantob, em 26 de junho de 2017, por indicação do sr. Helio Pilnik, que me avisou qe possui fotos e documentos. Os pais e avós fizeram parte da fundação da Sinagoga da Penha/Tatuapé, e eram frequentadores assíduos desta sinagoga. O avo, sr. Srul Gutman, ao chegar da Europa ao Brasil, foi inicialmente para Franca e posteriormente para São Paulo, indo morar no Bom Retiro. Ao casar, sr. Srul e esposa foram para a MoocaEm Franca havia aproximadamente 40 famílias judias, entre elas Tabacow e Steinberg. Sr. Moyses Simantob, pai da sra. Habibe, fazia parte da comunidade judaica da Mooca. Sra. Habibe cita algumas famílias que fizeram parte da Penha/Tatuapé, entre elas famílias Igel, Cuchnir, Fischbein, Schnaider, Taim, Schor.
Por sua vez, sra. Habibe indicou o irmão, José Simantob Netto, para conversarmos. Sr. José lembrou que a comunidade judaica do bairro era unida, e, quando criança, muitos iam juntos para a sinagoga. Diz possuir, também, documentos. Citou o sr. Sansão Woiler, sr. Yaco Bitelman, Moises Fischman e Regina Igel, de quem já pude estar em contato por e-mail e publicar as histórias que me passou.

Quando questionei quem morou ou mora no bairro da Penha e ainda possui fotos do edificio da antiga Sinagoga/Sociedade Religiosa Israelita da Penha, Ulisses Vidal , no Facebook indicou-me Flávio, da Gazeta Penhense. Contato que ainda necessito fazer...

domingo, 19 de março de 2017

Sociedade Religiosa Israelita da Penha

Rua Raul da Rocha Medeiros, 97- GoogleMaps-Street View-out2015

Sociedade Religiosa Israelita da Penha, segundo dados da enciclopédia Judaica, foi fundada em 12 de outubro de 1953. Localizava-se na Rua Antonio de Barros, transferindo-se, em 1956 para sua sede na Rua Raul da Rocha Medeiros, 97/99. 

Mantinha uma sinagoga e atividades culturais.

Rua Raul da Rocha Medeiros, 97-GoogleMaps


A primeira diretoria era composta por Moises Rof, Boris Sapojnik, Wolf Dortdorchik, Mordechai Wainer, Bension Wassong, Yehuda Fischman, Berel Greller, Moises Gorman, Arthur Kushnir, Moises Igel, Aron David, Ovsej Fischbein, Isachar Gampel, Herman Schnaider, Sara Taim, Pinchas Schorr.

Em agosto de 2016, o sr. Helio Pilnik comentou que "ainda existe o prédio da sinagoga do Tatuapé na Rua Raul da Rocha Medeiros, travessa da Av. Celso Garcia.No início deste ano passei por lá e fiquei admirando-a por alguns instantes . É mais um prédio para ter a sua arquitetura estudada...O prédio foi construído com o objetivo de abrigar a comunidade do Tatuapé e da Penha. Está desativada desde a década de 70, e o prédio foi vendido pela Fisesp. O prédio atualmente está ocupado com objetivos comerciais."


Foto do livro "A História dos Judeus em São Paulo"
 de Henrique Veltman- Ed. Expressão e Cultura- pg.38
O sr. Abrao Bernardo Zweiman  lembrou que as placas da Sinagoga da Penha e os Sifrei Tora se encontram na Sinagoga do Renascença. Quando a Sinagoga da Penha foi desativada os valores obtidos foram destiandos ao Renascença com a condição de que os frequentadores da Sinagoga da Penha pudessem frequentar a Sinagoga do Renascença nos Iamim Noraim.

Lucia Chermont no artigo "Migração judaica na cidade de São Paulo (1960 – 1970)  do XXVII Simposio Nacional de Historia-ANPUH-2013, relata que "a Sra. Póla Antonieta Bergel Cohen...depois de casar foi morar no bairro da Penha, não porque escolheu, mas porque não encontrou nada para alugar nos bairros de Perdizes e Pompeia e porque seu marido, que era dentista, tinha um consultório naquele bairro. Quando relatou o porquê de sua saída da Penha, disse que...o motivo principal foi a educação dos filhos. Ela traz várias informações sobre a vida social judaica no bairro. Conta que as famílias judaicas tinham uma comunidade, também judaica, organizada e constituíram território com sinagoga e uma pré-escola. Sua filha mais velha fez só o pré- primário numa escola da região, pois não havia na sinagoga..."

Já Rachel Mizrahi Bromberg em seu livro “Imigrantes Judeus do Oriente Medio: São Paulo e Rio de Janeiro” comenta: "Rebecca Simantob casou-se com Toufic Simantob e a família fixou residência na Penha, passando a frequentar a Sinagoga Ashkenazi do bairro, só indo para a Mooca nas Grandes Festas...” https://books.google.com.br/books?isbn=8574801623

domingo, 12 de março de 2017

O Bairro da Penha

A Penha tem suas raízes ligadas diretamente à história de São Paulo. Um dos bairros mais antigos da capital, foi por seus caminhos que, nos anos de 1600, os bandeirantes buscaram indígenas para escravizá-los.

A data da fundação da Penha, é incerta, mas a data mais citada é a de 5 de setembro de 1668, quando foi concedida uma sesmaria ao padre Mateus Nunes da Siqueira que já possuía uma fazenda no local e havia construído uma capela. O primeiro documento de 1667, refere-se a uma doação em testamento.

No século XVII, a região era passagem obrigatória para os viajantes que se deslocavam entre São Paulo, Vale do Paraiba e Rio de Janeiro.

Em 22 de março de 1796, a Penha foi elevada a categoria de freguesia, englobando regiões que hoje formam os bairros de Guaianazes, São Miguel, Ermelino Matarazzo e Vila Matilde. É deste período que data a Igreja N.S. do Rosário dos Homens Pretos, construída e destinada aos escravos. Com a manutenção de sua estrutura de taipa de pilão intacta, foi tombada pelo Condephaat em 1982, em detrimento da Igreja Matriz. 

A Penha, até o início do século 20, não passava de um pequeno vilarejo com algumas chácaras. Porém é interessante notar que em 9 de julho de 1924,  o bairro da Penha foi sede do governo estadual paulista quando Carlos de Campos, presidente do estado, foi forçado a abandonar o palácio dos campos Elisios, após ser atacado pelas forças revolucionárias durante a Revolução de 1924. 

Com a industrialização e urbanização da cidade, o bairro passou a receber parte da população operária, o que o caracterizou até meados da década de 60 como um bairro estritamente "dormitório". Já nos anos 70, o comércio local desenvolveu-se, e a inauguração da estação Penha do metrô, em 1986 impulsionou a modernização, proporcionando uma infra-estrutura auto-suficiente para região, com colégios públicos e particulares, um sistema de transporte, hospitais, parque e bibliotecas. 

O bairro residencial, aonde coexistem casas antigas e edifícios modernos, transformou-se também em um centro comercial para zona leste da cidade, possuindo além das já tradicionais lojas de rua, o Mercado Municipal da Penha, ou “Mercadão”, inaugurado em 1971, e um shopping center inaugurado em 1992. As principais ruas comercias do bairro são: Rua Padre João, Rua Dr. João Ribeiro, Avenida Penha de França, Praça 8 de Setembro e Largo do Rosário...

Como podemos ler nos links indicados abaixo, a Penha guarda ainda vários monumentos de sua história como igrejas, a ladeira da Penha, o prédio onde funcionava o cinema São Geraldo, o Conservatório João Paulo 2º, ruas e praças que levam nomes de personagens importantes do bairro como Maria Carlota - moradora que muito investiu no bairro nos seus primórdios - e Dona Micaela - famosa negra vendedora de doces da virada do século.

Um fato interessante pode ser lido no artigo "Os judeus de São Paulo", da Revista Morashá (Ed. 69 - Setembro de 2010): A política, até o começo do século XIX, proibia a entrada no pais de praticantes de outras religiões, que não a Católica Romana. Sendo assim, não viveram judeus em São Paulo até esta época, porém em alguns momentos, cristãos-novos judaizantes moraram na cidade. “Deles merece destaque o agricultor Teotónio da Costa Mesquita (1660–1686), morador em Santo Amaro, e o comerciante Miguel de Mendonça Valladolid (1694-1731), que viveu num sítio no bairro da Penha, ambos denunciados como praticantes ocultos do judaísmo, que foram julgados culpados de acordo com a legislação da época e queimados vivos por esta opção de vida.” ( http://www.morasha.com.br/brasil/os-judeus-de-sao-paulo.html