terça-feira, 17 de julho de 2018

A comunidade judaica faz parte da história do Bom Retiro...

Jardim da Luz - aberto ao público em 1825 - Bom Retiro

A comunidade judaica faz parte da história do Bom Retiro... e fez parte, também, do progresso do bairro, a partir dos anos de 1910/1920, quando começaram a ocupar a região, provenientes do leste europeu, de países como Romenia (Bessarábia), Rússia, Lituânia, Polônia. Aportaram em Santos, como tantas outras comunidades que ali chegaram, e, de trem, desembarcaram em São Paulo, muitos deles na Estação da Luz. Alguns já chegaram no bairro em busca de parentes ou amigos que por ali moravam, outros sem conhecidos ou familiares. Exerceram atividades ligadas principalmente ao comércio, muitos inicialmente como Klientelchik, de comércio ambulante, com venda de objetos a prestação, realizados de porta em porta nas casas, trabalharam em confecções têxteis, abriram suas lojas. A imigração judaica intensificou-se também em decorrência da 2ª Guerra Mundial.

Jardim da Luz - nome atualfoi dado em 1916
Bom Retiro
Diversos artigos já foram escritos sobre a comunidade judaica do bairro. Um deles, já citado, publicado no “Almanaque da Folha”, em texto de Elaine Muniz Pires (do Banco de Dados, em seu Acervo on line), deixa claro que após os anos 1930, e “em uma década, a maioria dos moradores do bairro já era de origem judaica. Isto foi possível, por um lado, pela mudança de muitos italianos que preferiram morar em outros bairros...Por outro lado, para os judeus recém-chegados era conveniente morar numa região onde já estava instalada parte da comunidade, com suas escolas e sinagogas. Isto lhes conferia a segurança e auxílios como trabalho, moradia e crédito...”


Museu da Lingua Portuguesa- - Reconstrução
Estação da Luz
Paulo Valadares, no artigo “Os judeus de São Paulo”, publicado na Revista Morasha (Edição 69 - Setembro de 2010) relata que na segunda metade do século XIX, judeus vindos da França chegaram ao Brasil, mas sem a intenção de permanência. Estabeleciam-se por um tempo e, revendiam seu negócio e retornavam para a França. Sendo assim, “não criaram nenhuma instituição religiosa na cidade. Normalmente o culto era feito no seio da família”, escreve Paulo Valadares. E cita como um dos alsacianos que se celebrizaram na cidade Manfred Meyer (1841-1930), já indicado na postagem anterior. Quanto aos judeus, inicialmente vindos da Bessarábia (região da Moldávia e Romênia), muitos deles provenientes de pequenos shtetlach (povoados) rurais, chegaram ao Brasil por razões econômicas e perseguições religiosas. Inicialmente seguiram para os EUA, porém, por causa das cotas de entrada estabelecidas por este país, rumaram para Argentina e Brasil. Originários, em sua maioria do distrito de Hotin, as histórias pessoais assemelham-se: inicialmente um membro da família chegava ao país em busca de algum familiar ou conhecido da cidade de origem. Posteriormente, já estabelecido de alguma forma, ou exercendo algum trabalho, trazia, aos poucos os familiares, parentes e amigos. Buscava estabelecer-se na cidade e no bairro dos conterrâneos, no caso São Paulo... e Bom Retiro. Neste artigo podemos ler que a limitação do idioma e dificuldade de empregar-se resultaram na escolha da profissão de comércio ambulante (clienteltchik). A mercadoria, muitas vezes era fornecida em consignação. E os vendedores, ofereciam, de porta em porta, tornando-se involuntariamente o pioneiro na venda a crédito no Brasil.
Pinacoteca de São Paulo - Fundada em 1905
Está instalada no antigo edifício do Liceu de Artes e Ofícios
É o museu de arte mais antigo da cidade
Apesar de muitos terem começado na cidade de forma semelhante, o destino de cada clienteltchik foi, muitas vezes, diferente. Muitos properaram, abrindo lojas, alguns no ramo de móveis. Outros, na esperança de inserção e ascensão social, destinaram os seus ganhos para a educação dos filhos.
Quanto à comunidade em si, naquela época, os imigrantes passaram a se organizar da forma que o faziam na Europa. Reuniram-se, inicialmente a outros conterrâneos, formando um minian, em um salão ou casa para as rezas coletivas, muitas vezes, inclusive, comprando um Sefer Torah proveniente da Europa. Fundaram, em seguida, as sociedades de auxílio mútuo, organizações religiosas, sinagogas, escolas, publicaram jornais e revistas, construíram o cemitério...
O Bom Retiro, assim, cresceu e desenvolveu-se. A partir da década de 1960 o perfil do bairro passou a se alterar, pouco a pouco, com a mudança da comunidade judaica para bairros como Higienópolis e Jardins, e a chegada de sulcoreanos ao Bom Retiro. O Colégio Renascença, antes funcionando no bairro, acabou sendo transferido para Higienópolis, estando, hoje em dia, já em novo endereço.

Pode-ses citar, além do Renascença, várias instituições judaicas em funcionamento e outras que encerraram sua atividades no Bom Retiro: o Ten-Yad, o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, a Unibes, a Escola Talmud Thorá, a Escola Gani-Lubavitch, Yeshivót, a Escola Scholem Aleichem, o Taib, a Casa do Povo, Cooperativa de Crédito Popular, o Habonim Dror, Hashomer Hatzair, e também diversas sinagogas da cidade de São Paulo...tema desta pesquisa...

Como complemento para este post, seguem os comentários realizados no Facebook. Na página do Net Shuk, Perola Ventura contou que morou no Bom Retiro com os pais e irmãos. Escreveu: “Somos uma das famílias de fundadores da Sinagoga Ahavat Reim. Meu pai criou a primeira fábrica de casaco de couro do Brasil. Antigamente, os negociantes judeus e estrangeiros tinham as lojas, na Rua Mauá, da Luz. A mercadoria era de boa qualidade...” Elaine Howe contou, na página de Memórias Paulistanas, que sente saudades do Bom Retiro. E Magali Boguchwal Roitman comentou sobre um senhor que fazia doces na Rua dos Italianos, weifels em formato de triangulo.  No Blog, José Marcos Thalenberg escreveu: “Muito bom saber mais do meu Bom Retiro natal. Parabéns pelo trabalho!” Agradeço muito o comentário e a participação de todos...

E você...quais suas lembranças do Bom Retiro? Em que época morou no bairro? Estudou em escola judaica? Onde a família trabalhava? Qual sinagoga frequentava? E hoje, qual frequenta? Possui histórias a contar?  Compartilhe suas fotos, e documentos! Vamos preservar e resgatar as memórias das sinagogas de São Paulo!!!

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