sexta-feira, 17 de abril de 2020

Uma conversa com Vanderlei Martinez sobre a comunidade judaica de Sorocaba

A Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) institucionalizada
  em 2014 é composta por 27 municípios
https://emplasa.sp.gov.br/RMS
Tive a oportunidade de conversar com Vanderlei (Lemle) Martinez em 14 de abril de 2020, e aqui compartilho a história que relatou:

Vanderlei, que contou ter feito parte do Departamento de Pequenas Comunidades da Fisesp, está atualmente como o presidente do Centro Cultural Brasil-Israel em Sorocaba, entidade não religiosa, mas com espaço sinagogal. A avó de Vanderlei nasceu na Itália, morou na Holanda e veio ao Brasil. A mãe nasceu em Votorantin, porém nos anos de 1940 foram para Sorocaba, onde Vanderlei nasceu.

Vanderlei comentou sobre os laços judaicos na história da cidade desde o seu início, os “Fernandes Povoadores”, definição dos irmãos Fernandes, cujo um deles, Baltazar Fernandes, foi o fundador da vila de Sorocaba em 1654.  Citou não só a feira de muares que ali ocorria, com a presença judaica de mascates, relojoeiros, ourives, mas também o mas também o Maylasky, fundador e construtor da Estrada de Ferro Sorocabana (e que recebeu de Portugal o título nobiliárquico de Visconde de Sapucahy). 

Enfatizou que o Censo Imperial de 1872/76 identificou 18 judeus na cidade, os quais eram tributados com valores superiores aos  valores cobrados dos cristãos. Porém as primeiras “levas” ocorreram a partir de 1895/97, com a chegada das famílias Crochik, Goldman, entre outras. Reuniram-se inicialmente em uma casa, à Rua José Bonifácio, no centro de Sorocaba,  da família Steinberg, onde havia um espaço para rezas, escola, abate para carne kasher, biblioteca. No entanto não chegaram a estabelecer um cemitério judaico.

Por volta dos anos de 1940 reuniam-se em um salão da loja de moveis da família Crochiki. Em 1950 a Sociedade Israelita Brasileira de Sorocaba foi fundada, e em 1951 estabeleceu-se a sinagoga, como parte desta sociedade. Para tanto um amplo terreno foi adquirido com recursos de toda a comunidade judaica de Sorocaba. Optou-se por designar os senhores Bernardo Goldmam e Abrão Kann para representar esta comunidade na intermediação da compra e legalização do terreno, situado à Rua D. Pedro II, sendo subdividido em duas partes. Uma das partes foi vendida, gerando recursos para a construção do edifício sinagogal. O declíneo das atividades nesta sinagoga, se assim pode ser dito, iniciou-se no final da década de 1960, com a saída de jovens para outras cidades e o falecimento de muitos que faziam parte desta, entre outras razões. O edifício chegou a passar por reforma, mas atualmente está ruinas, como contou Vanderlei. A localização, por outro lado, é um dos pontos vulneráveis atualmente por estar dentro da área central degradada, fator que desestimula  a reconstrução ou retorno das atividades comunitarias neste antigo local. 
Fazem parte da história da comunidade local as famílias Goldman, Mittelman, Kaplan, Pinski, Kann, Crochik, Pavlovsky, Kanas, Epelman, Pasternik, Hackel, Shoer, Nigri, Gun, Simis, Messas, Zaedeman, Hirsch, Azar, Rotschild, Mitelpukt, Ben David, Ben Sion, Setton, Adler, Abramovich, Rosemberg, Rozman, Jankovitch, Rosenthu, Korn, Cuckier, Billet, Toporovsky, Aisenberg, entre tantos outros. Sr. Sami Mittelman é o atual presidente da sinagoga.

As atividades da comunidade como eventos, jantares e festividades ocorreram em outros espaços, tanto em salões alugados como em salões de festas de edifícios. Realizaram sedarim de Pessach, as Grandes Festas, comemoraram Purim. Por 2 vezes o Sefer Torah foi emprestado pelo Chabad. No entanto, como comenta Vanderlei, um Sefer Torah da Sociedade Israelita de Sorocaba está emprestado atualmente ao Centro Cultural Bnei Chalutzim. E afirma haver outro Sefer Torah.

A partir de 2005 Vanderlei contou que passaram a se reunir em um salão no bairro de Trujilo, onde ocorrem atividades para crianças e aulas de Krav-Magá. Como Vanderlei comentou há atualmente, por volta de 75 judeus na cidade, e 180 se considerarmos também o entorno.

Em uma homenagem à coletividade, o então prefeito Flávio Chaves em 1983 estabeleceu convênio de coirmandade internacional com a região do Conselho Regional de Sha"ar Haneguev, possibilitando visitas entre os  respectivos prefeitos da cidade de Sorocaba e da região Israelense.

Exposições culturais, workshops, palestras, lançamentos de livros com autores judeus, rabinos, sessões solenes na Câmara Municipal da cidade têm sido realizados.

Aqui pergunto novamente: você faz parte da história da comunidade judaica de Sorocaba? Frequentou a sinagoga situada à Rua D. Pedro II? Possui fotos, documentos, memórias histórias? Escreva para myrirs@hotmail.com  

terça-feira, 14 de abril de 2020

A comunidade judaica de Sorocaba e alguns comentários do Facebook


Ao divulgar, neste Blog, a minha busca por detalhes da comunidade judaica de Sorocaba e sua sinagoga, alguns comentários foram publicados no Facebook. Aqui compartilho alguns destes comentários...

Por exemplo, em Jewish Brasil Jayme Brener comentou que o prof. Jaime Pinski, diretor da Editora Contexto e ex-professor da Unicamp e da USP, era de lá e deve ter boas informações. A profa. Anita Novinsky, com quase cem anos, também.

Já na minha página, Paulo Valadares contou que muitos gaúchos chegaram a São Paulo, e tantos outros ficaram por Sorocaba, por ser economicamente mais viável.

Em Rubin Editores, como já publicado, Josebel Rubin havia sugerido falarmos sobre a primeira sinagoga de Sorocaba, cujo primeiro prédio está, infelizmente abandonado. Contou que tem várias fotos, em angulos diferentes e também do interior (essas mais antigas). Começou a “puxar” os nomes das famílias que faziam parte da comunidade de Sorocaba. Está listando as famílias que ali viveram entre os anos 1950/1960. E contou: “Esse êxodo, que considero forte a partir de 1962/1963 e anos seguintes, é quando a segunda geração, que em boa parte acho que nasceu lá, começa a sair para cursar Universidade em outros centros, principalmente em São Paulo. Em sua maioria foram cursar engenharia ou medicina. Houve, claro, quem viesse para outros cursos, inclusive na área de Ciências Humanas e Sociais. Um desses é o Jaime Pinski. Acho que cursou Ciência Sociais ou História, na USP. Pelo menos um amigo e contemporâneo, da família Kaplan, ainda mora lá. Pretendia visitar a cidade agora, mas o clima atual, com isolamento social, inibiu essa viagem”.  Josebel escreveu sobre Salomão Pavlovski: “Empresário, jornalista, radialista, visionário (assim era referido frequentemente), da TV Sorocaba, da Radio Vanguarda e depois FM Vanguarda. Antes de falar sobre suas principais realizações, relato um pouco da minha própria experiência, mas principalmente sobre notícias e sobre suas atividades de rádio e jornal, nessa época. Algumas vezes pedi para ele noticiar alguma coisa que achava importante. Admirava sua ousadia como empresário e, principalmente como repórter. Ousadia, pois não havia nenhum grande acontecimento importante no país onde não aparecesse o microfone do Salomão, disputando espaço com os grandes veículos nacionais (principais jornais, principais emissoras de rádio e de TV)Ficou famoso por essas ações, na chegada ao país de Presidentes de outras nações, Reis e Rainhas, artistas e atletas famosos...lá estava o microfone do Salomão. Fundou a Rádio Vanguarda (1957), depois a FM Vanguarda (1976), a primeira do interior de SP e depois a TV SOROCABA (1990, primeira TV aberta no interior paulista). Passou a trabalhar em Sorocaba ainda na década de 1940 (1940 – 1949) com pouco mais de 20 anos, como diretor e, ao mesmo tempo, como radialista e jornalista (Radio PRD-7 e Jornal Cruzeiro do Sul)Em 1957 criou sua própria Estação de rádio (Vanguarda, citada) seguida de Rádio FM e TV Aberta (citadas). Marcadas por muitas reportagens externas (muito raras à época) e por programações diferenciadas, comparadas com as demais. Salomão nasceu no Rio de Janeiro (1924) , filho de pai ucraniano (Moises Pavlovski) e mãe romena (Cecilia Rosemblat). Neste momento, estou escrevendo sobre a Rubin Familly...em preparação". Fiquei na dúvida se a foto divulgada na postagem anterior, em preto e branco, é da sinagoga de Sorocaba. Josebel avisou que lembra um pouco a fachada, talvez uma foto bem antiga..Lia Elias Belo comentou sobre o texto de Josebel: “Lembro-me bem do Salomão....” 

Klaus Haeckel, também em Rubin Editores, escreveu que a irmã, dra. Karin Hackel reside em Sorocaba há mais de 40 anos. Conversei com Karin e voltaremos a nos falar novamente...Karin indicou Vanderlei Martinez, que deu seu depoimento sobre a história e datas da comunidade judaica de Sorocaba. Compartilharei na próxima postagem...


Hilton Barlach “falou”: “Sabem por quê existe uma comunidade judaica em Sorocaba??? Porque a estrada de ferro que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo passava necessariamente por Sorocaba, tinha que fazer baldeação...” Josebel Rubin explicou que essa ligação SP- RS passando por Sorocaba tem um histórico bem mais antigo: "Eram caminhos de estrada de terra os que levaram bandeiras ( Bandeirantes ) de Sorocaba para o Sul e que colonizaram uma parte importante do território gaúcho.  Por longo período praticamente todo o comércio do país passava por essa rota , ao Norte e ao sul. Às margens do Rio Sorocaba, ocorria a feira dos muares. Moeda principal era a troca, o escambo..."

Na página Eventos Judaicos, Naftuli Levin, que morou muitos anos na região de Itu, comentou: “Realmente é uma pena ver a sinagoga de Sorocaba abandonada, sem apoio...Conheci muitas famílias judias e a dificuldade de manter as instituições e as tradições judaicas no Interior”. Voltaremos a falar novamente também...

Henrique Albagli, na mesma página, comentou também:Muito bacana o seu esforço e sua determinação em resgatar e preservar a história das Sinagogas do Estado de São Paulo. Que seu trabalho dê bons frutos.minha família sempre viveu no Rio de Janeiro, é pouco provável que tenhamos algum registro que pudesse ser útil para sua pesquisa”. E Kemmuna C. G. Welpf Lobo escreveu: “Belíssimo empenho, bela pesquisa, um trabalho rico e muito interessante! Sempre um prazer ver suas postagens”. Por sua vez, Eliane Pustilnik Broner indicou Eliezer Kan, que é de Sorocaba...”

Você faz parte da comunidade judaica de Sorocaba? Conhece alguém que fez ou faz parte da comunidade? Lembra-se da sinagoga da cidade? Como era internamente? Qual a situação atual em seu espaço interno e sua aparência externa? O Aron Hakodesh permanece ali? E os bancos? E as Torot? Conte aqui um pouco de suas lembranças e memórias. Compartilhe fotos, documentos...

Escreva para myrirs@hotmail.com

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Em busca por detalhes da comunidade judaica de Sorocaba e de outras cidades de São Paulo

Sinagoga de Sorocaba
Rua D. Pedro II , 56
Em busca por detalhes da comunidade judaica de Sorocaba e de outras cidades de São Paulo, encontrei o site da Sociedade Israelita Brasileira de Sorocaba, o qual informa que as atividades estão temporariamente encerradas. Por falta de recursos a SIBS fechou o escritório em Sorocaba. 

O site apresenta o texto “Comunidade Judaica de Sorocaba” de 15 de março de 2004 nos conta que “Em Sorocaba, interior de São Paulo, vivem cerca de cem famílias de origem judaica. Até 1950 a comunidade local foi uma das mais ativas do Estado, antes do êxodo para outros centros urbanos.contribuição judaica à vida da cidade, está desde sua fundação, estendendo-se até os dias de hoje. Um grande número de judeus sorocabanos, tais como: Goldaman, Crichick, Steinberg, Tabacow, Kalb, Kaplan, Chatam, Mitttelman, Pinsky, Blumer, Khan, Klein, Kuhl, Tank, Taub e outros que em poucos anos somariam mais de trinta, tiveram sua participação na história da cidade...” 

De 2013, no mesmo site, há a informação que  “Há dez anos, nosso querido chazan, hoje Rabino Uri Lam esteve celebrando conosco a festa de Shavuot aqui em Sorocaba.” Para quem tiver interesse, o link do site é http://sibs-sp.org/

No site do AHJB, atual Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo , consta que há uma coleção arquivística institucional referente à comunidade judaica de Sorocaba. Esta coleção espero poder consultar após a quarentena : Refere-se à CI0010 Sociedade Israelita Brasileira de Sorocaba.

A Conib, Confederação Israelita do Brasil registra que “...no interior do Estado de São Paulo, comunidades foram estabelecidas em várias cidades: Santos, São Caetano, Santo André, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Sorocaba, Jundiaí, Campinas, Ribeirão Preto, Franca, especialmente em torno do comércio no eixo das ferrovias que serviam à economia do café. Em dezenas de outras cidades, existiram núcleos formados por algumas pequenas famílias. A população judaica de São Paulo atingiu mais de 20 mil pessoas no ano de 1940...”

É possível localizar um edifício da Sinagoga, no “StreetView” do “Maps”, em imagem de 2018... e vermos a situação da fachada naquele momento. Para quem se interessar acessem o endereço: Rua Dom Pedro II, 56, Centro de Sorocaba. Inclusive encaminhei uma foto da sinagoga para Josebel Rubin. Josebel havia me questionado se eu tinha salvo as fotos mais recentes da atual sinagoga da cidade. E escreveu, “o primeiro prédio está infelizmente abandonado...tenho várias fotos em diferentes ângulos, e eu tinha também do interior (essas mais antigas). Vou ver se acho...começar a puxar os nomes das famílias que faziam parte da comunidade em Sorocaba...”

Busco informações sobre a Dissertação de Mestrado “Judeus de Sorocaba, um resgate histórico” de Noely Zuleika de Oliveira Raphanelli, orientação da sra. Anita Waingort Novinsky, do Departamento de História da FFLCH da USP, ano de 1997. Alguém teria detalhes a respeito?
Foto disponivel no site da SIBS
http;//sibs-sp.org/

Compartilho nesta publicação a foto disponível no site da SIBS relativa à Sinagoga de Sorocaba. Alguém poderia informar se houve, ou há, dois edifícios?

Escreva um pouco sobre esta e outras sinagogas do interior paulista, suas comunidades judaicas, origens, situação atual, memórias, histórias...  Escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Conversa com o arquiteto Michel Gorski e o Centro Judaico Bait


Nas últimas postagens sobre o Centro Judaico Bait divulguei informações disponíveis em diversos sites e revistas relacionadas ao projeto do edifício e um pouco sobre a histórias desta sinagoga.

Após a indicação de Roberta Sundfeld, pude conversar com o arquiteto Michel Gorski, do escritório BarbieriGorski, no dia 30 de março de 2020, autor do projeto do Bait.

Michel falou-me sobre seus avós, imigrantes, que moraram em São Roque, e, sobre sua família, que em São Paulo frequentou o Clube Luso e a Sinagoga da A Hebraica nas Grandes Festas. Nestas ocasiões conheceu diversas sinagogas da cidade, e, ao elaborar o projeto, visitou o Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, atual Centro de Documentação e Memória do Museu Judaico de São Paulo.


Como Michel contou, juntamente com Milton Weintraub e Calos Kibrit formaram um grupo para estudarem Torah e Cabalá, com Rabino Michaan. As aulas ocorriam no Colel, que inicialmente situava-se em um espaço na Av. Angélica, em frente à Praça Buenos Aires, em Higienópolis. Este Colel foi o precursor do Centro Judaico Bait.

Este grupo de estudos juntamente com o Rabino Michaan uniu-se para levar adiante a proposta de se construir um centro de estudos e uma sinagoga. Foram em busca de terrenos e de “grupo de casas” que comportassem a concretização desta idéia. Encontraram um conjunto de casas, que foram demolidas para dar espaço ao terreno. 

Carlos, Milton, Michel acompanharam e realizaram o projeto do edifício, sua aprovação, sua execução, os eventos que ocorreram nas variadas etapas da obra, como forma de divulgar a nova sinagoga. 

Houve o comprometimento de atraírem somente a comunidade judaica que não frequentasse outra sinagoga do bairro, realizaram pesquisas para verificar o que esta comunidade esperava do novo espaço, dentro de certos limites pré-estabelecidos. Como exemplo, a adoção de uma galeria feminina aberta e com piso escalonado, no primeiro pavimento do edifício, para que as mulheres pudessem visualizar o piso inferior e acompanhar, assim, as rezas nos Shabatót e Chaguim, modelo já adotado em antigas sinagogas da cidade.

Michel citou alguns eventos que ocorreram no período das obras: a etapa da escavação do terreno, com as diversas pedras de vários locais de Israel; o “Lançamento da Pedra Fundamental”;  o momento da finalização, do Aron Hakodesh, antes do final da obra, quando diversas pedras de Jerusalém foram coladas ao fundo, ocasião em que cada pessoa recebeu uma pedrinha semelhante como lembrança, como vemos na primeira foto deste post. Com “discussões” positivas e produtivas foram criando os espaços necessários. 

Carlos, engenheiro, Milton na área da marcenaria, Michel com o projeto de arquitetura e Ciça Gorski, arquiteta paisagista, trabalharam para a concretização da proposta inicial. Vale citar que Ciça utilizou plantas citadas na Torah neste projeto como pode ser visto, por exemplo, nas oliveiras e romãs que cresceram no espaço.

Um dos grandes diferenciais do projeto são as obras de arte ali presentes. Através da curadoria de Ricardo Ribenboim, selecionou-se os artistas que teriam suas obras no Centro Judaico Bait. Estão presentes obras de Renina Katz, Palatnic, Sergio Finguerman. O quadro “Montanhas”, localizado acima do Aron Hakodesh é uma adaptação de uma obra de Lasar Segall, autorizada pela família do artista. Os doze vitrais foram executados com a escolha cuidadosa de cores e coerência de temas e desenhos, e permitem uma iluminação diferenciada ao ambiente. Pode-se perceber que cada detalhe e cada espaço foi pensado e desenvolvido com muito cuidado, como é o caso dos bancos, do Aron Hakodesh, da Mikvah, com sua captação das águas de chuva e suas “tubulações” em mármore.

Mais detalhes ainda serão apresentados nas próximas postagens.

A primeira e última foto deste post foram enviadas por Michel Gorski. As demais fotos pertencem ao site do escritório BarbieriGorski:  http://www.barbierigorski.com.br/

Você teria alguma informação a respeito do Centro Judaico Bait? Faz parte desta sinagoga? Fez parte do projeto que o criou? Envie dados, fotos, documentos para myrirs@hotmail.com

quinta-feira, 26 de março de 2020

As Sinagogas e a comunidade judaica no Estado de São Paulo


Ao compartilhar, esta semana, a atualização do site sobre as Sinagogas em São Paulo, alguns comentários e conversas aconteceram no Facebook. Uma das conversas ocorreu com Josebel Rubin, na página “Rubin Editores” Josebel acompanha o trabalho que realizo, relacionado ao estudo das sinagogas na capital. E sugeriu que algum dia comecemos a pensar nas primeiras sinagogas do interior do estado de São Paulo, entre elas a primeira sinagoga de Sorocaba, cujo primeiro prédio está, infelizmente, abandonado.

Comentei que não precisamos aguardar a pesquisa e divulgação das sinagogas da cidade de São Paulo para buscarmos informações e resgatarmos a memória, as histórias das comunidades judaicas do interior e de suas sinagogas, para conhecermos quem foram seus fundadores, seus frequentadores, os que construíram estas sinagogas, qual era a configuração de cada uma, suas fachadas e disposição interna. E se tais edifícios ainda existem ou foram demolidos, quais os motivos que levaram a isto.

Sendo assim, proponho a sua participação e de quem mais puder indicar para este resgate. Para participar também na busca de detalhes do caminho percorrido pela comunidade judaica em direção ao interior de São Paulo, quando da chegada ao Brasil.

Sabemos que muitos imigrantes seguiram para diversas cidades, trabalhando como “klientelchiks” ou não, em busca de oportunidades e mercado de trabalho. Imigrantes que aqui chegaram a partir do final do século XIX, provenientes inicialmente da Alsácia-Lorena após a Guerra Franco-Prussiana, ou vindos da Bessarábia, Polônia, Alemanha, Lituânia, Letônia, Bélgica, Turquia, Itália, Bulgária, de países do Oriente Médio e tantos outros locais nas mais diferentes épocas...
Seguiram para diversas cidades além de São Paulo, fundando e promovendo o desenvolvimento inclusive de algumas destas. Cidades como Sorocaba, Piracicaba, Franca, Catanduva, Barretos, Jaboticabal. E aqui, claro, incluímos as cidades de Santos, São Bernardo, São Caetano, Santo André.

Ao lado vocês podem ver uma foto de meu avô materno, José Rosenblit...

A busca de informações sobre as sinagogas da capital prossegue em paralelo.

Conto contigo nesta empreitada, a sua participação é importante, faça parte desta busca!

Escreva para mim... myrirs@hotmail.com  

terça-feira, 24 de março de 2020

Sinagoga Centro Israelita de São Paulo - Knesset Israel - Ten Yad


Bairro: Bom Retiro – São Paulo – SP – Brasil
Localização: Rua Capitão Matarazzo, 18, atual Rua Newton Prado/ Avenida Angélica/ Rua Brasílio Machado (veja mais detalhes nas sinagogas em Higienópolis)
Fundação: Assim que a sociedade foi fundada, com a denominação de “Synagoga Centro Israelita”, efetivou-se a aquisição, por escritura lavrada em 19 de dezembro de 1916, de um terreno de 7,50m de frente.
Projeto do edifício: arquiteto Olavo Franco Caiuby, Mauricio Tuck Scneider. Há um projeto, não executado, do arquiteto Gregori Warchavchik .
Descrição do edifício, um pouco de história:  O edifício de fachada neoclássica, absorveu imigrantes europeus durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e também os sobreviventes do Holocausto no pós-Guerra, que chegavam ao Brasil. Estes recebiam moradia, empregos, educação, cultura judaica e ajuda financeira. A fundação ocorreu em 1916, porém a Sinagoga ficou pronta somente em 1918, contando com 300 sócios. 
No ano 1929, o edifício já não comportava o aumento do número de imigrantes. Agregou-se ao terreno e edifício existente um novo terreno, também de 7,50m de frente, por aquisição feita em 03 de abril de 1929. Durante muitos anos, esta área permaneceu como jardim e área de lazer da Sinagoga. Pretendia-se demolir o edifício existente, visando a construção de um novo. O projeto do novo edifício, que não foi executado, previa comportar mais de 500 sócios, seria em concreto armado, possuiria uma biblioteca, salão, e variados espaços. 
Uma ampla reforma ocorreu em 1936,: uma pequena sinagoga para as orações diárias e um salão para festas e reuniões foram adicionados ao espaço existente. Nesta época passou a ser conhecida como “Groisse Shil”. Em Assembléia de 08 de novembro de 1966 confirmou-se a necessidade de ampliar as dependências, pra atender seus sócios, famílias e outros membros da coletividade. O edifício antigo foi demolido, dando lugar à nova sinagoga, com amplo salão e vitrais, passando a oferecer lugar para mais de mil pessoas, além de outras espaços, projeto encomendado a Mauricio Tuck Scneider. 
A inauguração oficial deste novo edifício deu-se em 1981, edifício este que seguia a configuração das sinagogas à época, sendo a ala masculina no piso térreo, uma galeria feminina no piso superior e um salão de festas no piso inferior.
Chazan: Oswie Solon, Carlos Slivskin, Jaime Szabo,  Sami Cytman, Simon Amar
Situação atual: A nova sede do Centro Cultural Israelita Knesset Israel foi inaugurada à Rua Brasílio Machado no dia 07 de setembro de 2018, ano em que esta sinagoga comemorou os 102 anos de sua fundação. A antiga sede da Sinagoga Knesset Israel, à Rua Newton Prado, foi adquirida pela instituição beneficente Ten Yad, fundada em 1992. A antiga sinagoga, também reformada, e ao mesmo tempo preservada, inclusive em seus bancos de madeira, permanece ativa nos dias de hoje. As placas que homenageiam antigos fundadores, presidentes e diretores estão afixadas nas paredes laterais, que receberam novas pinturas, assim como o teto desta Sinagoga. O edifício foi adaptado e adequado às novas funções.
District: Bom Retiro – São Paulo – SP – Brazil
Location:  Capitão Matarazzo Street -Newton Prado Street/ Angelica Avenue/ Brasilio Machado Street
Founded: 1916: “Synagoga Centro Israelita”
Project: Olavo Franco Caiuby, Mauricio Tuck Scneider. Gregori Warchavchik
Description of the building and history: The building with a neoclassical façade, absorbed European immigrants during the First and Second World War and also the post-war Holocaust survivors who arrived in Brazil. 
They received housing, jobs, education, Jewish culture and financial aid. The foundation took place in 1916, but the Synagogue was only completed in 1918, with 300 members. In 1929, the building no longer supported the increase in the number of immigrants. A new piece of land, with the dimensions of 7.50m in front, was added to the existing building and land, by acquisition made on April 3, 1929. For many years, this area remained as a garden and leisure area for the Synagogue. The intention was to demolish the existing building, aiming at the construction of a new one. 
The project for the new building, which was not carried out, envisaged having more than 500 members, would be in reinforced concrete, would have a library, lounge, and various spaces. A major renovation took place in 1936: a small synagogue for daily prayers and a hall for parties and meetings were added to the existing space. At this time it became known as “Groisse Shil”. At the Assembly of November 8, 1966, the need to expand the premises was confirmed, to serve its partners, families and other members of the community. 
The old building was demolished, giving way to the new synagogue, with a large hall and stained glass, offering space for more than a thousand people, in addition to other spaces, a project commissioned by Mauricio Tuck Scneider. The official inauguration of this new building took place in 1981, which followed the configuration of the synagogues at the time, with the male wing on the ground floor, a female gallery on the upper floor and a lounge on the lower floor.
Chazan: Oswie Solon, Carlos Slivskin, Jaime Szabo, Sami Cytman, Simon Amar
Current state: The new headquarters of the Centro Cultural Israelita Knesset Israel was inaugurated at Brasílio Machado Street on September 7, 2018, the year in which this synagogue celebrated the 102nd anniversary of its foundation. The former headquarters of the Knesset Israel Synagogue, at Newton Prado Street, was acquired by the charity Ten Yad, founded in 1992. The old synagogue, also renovated, and at the same time preserved, including in its wooden benches, remains active in the days of today. The plaques that honor former founders, presidents and directors are affixed to the side walls, which have received new paintings, as well as the roof of this Synagogue. The building was adapted to the new functions.


quarta-feira, 18 de março de 2020

Publicações e internet – O Centro Judaico Bait

Mapa Digital da Cidade de São Paulo
GeoSampa - Ortofoto 2004 - MDC
Prefeitura de São Paulo
Rua Baronesa de Itu
http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/_SBC.aspx

Em tempo de nos protegermos e ficarmos em casa por causa do coronavírus, compartilho algumas informações disponíveis em publicações e na internet relacionadas às Sinagogas em São Paulo. Neste momento, sobre o Centro Judaico Bait.

Quando divulguei detalhes relacionados à Sinagoga Israelita da Penha, sr. Helio Pilnik comentou que conheceu, no final da década de 1990, o arquiteto Michel Gorski e o fotógrafo Salomão. Estes tinham um projeto semelhante ao que desenvolvo, sobre as sinagogas do Bom Retiro. Como escreveu, “Faz mais de 15 anos que não tenho contato com ambos. Se houver interesse em sinergizar o projeto, talvez eles possam colaborar...”  Realmente, é uma ótima sugestão. Vamos colaborar?

No site do Centro Judaico Bait encontramos informações sobre o Rabino Isaac Michaan, assim como sobre o rabino Shalom Bar Kochva, e Rabino Abi Michaan: Sobre o rabino Isaac Michaan lemos: “Um homem de visão, experiência e erudição. Após dezenas de anos exercendo o rabinato e promovendo o trabalho comunitário na cidade de São Paulo, o rabino Isaac Michaan identificou uma demanda real na comunidade judaica e, assim, desenvolveu e levou a cabo a ideia central do Centro Judaico Bait para construir um lugar onde todos tenham a oportunidade de aprender sobre o judaísmo, vivenciá-lo e praticá-lo. Graças à sua visão e idealismo, o estudo do judaísmo, as atividades judaicas, as orações diárias, o Shabat e as grandes festividades haveriam de ganhar no Bait uma forma viva, vibrante e atrativa para o grande público. Tal sonho foi perseguido e conquistado no Bait, dia após dia, desde sua fundação, em 2005”. 

Rachel Mizrahi, em seu livro “Imigrantes Judeus do Oriente Médio: São Paulo e Rio de Janeiro” (Atelier Editorial, 2003- Coleção Brasil Judaico;1 dirigida por maria Luiza Tucci Carneiro), cita Rabino Michaan: “De origem síria, nascido em São Paulo”, chegou a  “ocupar o cargo de chefe espiritual da Congregação Monte Sinai...os Michaan, naturais da cidade de Alepo, emigraram em 1965. Estudante da Escola Judaica Beit Chinuch, ligado ao movimento Chabad, Isaac Michaan formou-se na primeira turma da Yeshiva de Petropolis, no Rio de Janeiro, centro pioneiro brasileiro na formação rabínica. ...”

No Jornal “Folha de São Paulo”, de 19 de setembro de 2005, no caderno “Cotidiano”, por Daniela Tófoli, vemos a notícia relacionada ao evento de inauguração o Centro Judaico Bait, onde todos dançaram e cantaram pelas ruas, conduzindo uma Torah, para divulgar a sede em Higienópolis. Utilizando inclusive um trio elétrico e animados por um grupo de música judaica, cerca de 1.500 pessoas participaram do evento, que começou às 11horas, durando cerca de uma hora. Na ocasião, rabino Isaac Michaan enfatizou que a missão deste Centro Judaico é atrair cada vez mais frequentadores. O artigo rssalta que com projeto de Michel Gorski, a sinagoga é iluminada por luz natural e rodeada de vitrais. O Aron Hakodesh foi construído com pedras trazidas de Jerusalém, assim como na entrada, mas em seu estado bruto. Na inauguração, o então prefeito de São Paulo, Sr. José Serra, acompanhou a entrada da Torah na sinagoga, e visitou os salões, e demais recintos. Naquele dia foi aberta a exposição sobre os “150 anos do judaísmo no Brasil”. Veja mais em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1909200525.htm

Você frequenta o Centro Judaico Bait? Os cursos, os demais espaços? Gostaria de contar a sua história sobre esta sinagoga? Escreva para mim...envie um e-mail para myrirs@hotmail.com .

sexta-feira, 13 de março de 2020

A palestra do dia 14 de março 2020, na A Hebraica, foi cancelada.


Considerando a situação atual, a palestra do dia 14/03/2020, no clube A Hebraica, foi cancelada...esperamos que seja remarcada em breve. Anunciaremos a nova data!!!!

segunda-feira, 9 de março de 2020

O Centro de Memória do Museu Judaico e o Centro Judaico Bait

Capa da encadernação com o projeto do Centro Judaico Bait
Material disponível no CDM do Museu Judaico de S. Paulo
(necessária autorização para compartilhar a foto)

Por mais uma vez estive no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo, agora em busca de material relacionado ao Centro Judaico Bait. A mapoteca dispõe de uma encadernação com o projeto do escritório BarbieriGorski, cujo edifício foi inaugurado em 18 de setembro de 2005, sendo a capa desta encadernação uma ilustração da fachada proposta, que aqui compartilho.

Como o site da sinagoga informa, o Centro Judaico Bait foi fundado em 1991, com o objetivo de integrar a comunidade judaica, atendendo em vários aspectos e tornando-se um centro comunitário. “Foi criado a partir de um projeto longo e minucioso, baseado em estudos e pesquisa acerca das necessidades e demandas da comunidade judaica de São Paulo, particularmente dos residentes do bairro de Higienópolis” Em relação a missão e visão, podemos ler no site: “MISSÃO: Promover, fomentar, desenvolver e difundir os valores judaicos em suas diferentes expressões e adaptações em nossa sociedade. VISÃO: Ser um Centro Judaico que proporciona a cada indíviduo a possibilidade de encontrar o seu lugar e aprender e vivenciar o judaísmo no âmbito comunitário.” A equipe é composrta pelos rabinos Isaac Michaan, Shalom Bar Kochva e Abi Michaan. A sinagoga “também promove continuamente diversas atividades religiosas, culturais e sociais, como aulas, cursos, palestras e eventos de temática judaica, que contam com um público crescente e diversificado”.

Hoje, o Bait, como as demais sinagogas de São Paulo festejarão Purim, celebrada todo ano em 14 de Adar, quando se comemora a salvação do povo judeu na antiga Pérsia...

quinta-feira, 5 de março de 2020

Alguns detalhes do projeto do Centro Judaico Bait

Centro Judaico Bait
Foto Google StreetView- jan.2019

No site de BarbieriGorski vemos informações relativas ao projeto do Centro Judaico Bait, quanto à arquitetura e paisagismo: ano de construção 2005, autores do projeto Arqº. Michel Todel Gorski e  Arqª. Maria Cecília Barbieri Gorski, e parte da equipe Desª Deise Corrêa Francisco.  Sobre este assunto, a página indica as publicações Revista AU de março de 2006Revista com Shalom nº265 vol. VI pg.34 e 35 Abr/03 e Revista Finestra nº33 Ano 8 pg.23 Jun/03. Há uma breve descrição sobre o projeto: “Memorial Descritivo: Templo Judaico que mantém a função não só de sinagoga, mas também de centro de convivência da comunidade. O projeto, com extrema riqueza de detalhes, é baseado na simbologia da doutrina hebraica”. Disponibilizam diversas fotos também. http://www.barbierigorski.com.br/Centro-Judaico-Bait-Higienopolis-SP

Em relação à Revista AU(Arquitetura&Urbanismo) de março de 2006,  no artigo “Simbologia das Formas”, de Ledy Valporto Leal e com fotos de Marcelo Scandaroli, o projeto(plantas e cortes) é apresentado, informando que "em projetos religiosos, cabe ao arquiteto conciliar preceitos e tradições às questões técnicas e arquitetônicas". Como podemos ler, o Centro Judaico Bait pretende resgatar a tradição e a espiritualidade judaicas e foi uma iniciativa do Rabino Isaac Michaan. 

Em um terreno irregular de 691m² (18,60mx45m), o projeto acomodou não só uma sinagoga no piso térreo, como também um centro de convivência e de estudos, em um total de 2000m² de área construída distribuídos em seis pavimentos. 

A sinagoga possui um ponto retrátil para que, nos casamentos, a luz da lua possa incidir diretamente nos noivos. O piso principal pertence ao setor masculino, cabendo o mezanino, uma galeria em formato curvo e com “arquibancada” protegida por mureta, ao setor feminino. O vazio resultante, de seis metros, possui em sua parte superior uma cúpula invertida. A estrutura em concreto protendido permitiu um espaço interno livre de apoios. Uma segunda sinagoga, menor, localiza-se no segundo pavimento. Os demais pavimentos, incluindo o sub-solo e a cobertura, abrigam a administração, biblioteca, quadra, churrasqueira, forno de pizza, café, jardim, saleta, auditório. Na área ao fundo estão as três mikvaót. Em relação às obras dos artistas que fazem parte desta obra, dê uma olhada no post anterior. A construção do edifício coube à Elias Victor Nigri, coordenação geral de Carlos Kibrit, curadoria artística e adaptação das obras de Lasar Segall por Ricardo Ribenboim. Vejam mais detalhes em:

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