segunda-feira, 27 de março de 2017

Quem de voces frequentou a Sinagoga da Penha/ Tatuapé?? Fizeram parte da comunidade judaica do bairro?

Da mesma forma como questionei quem frequentou as sinagogas da Vila Mariana, do Cambuci e do Brás, assim o fiz com a comunidade judaica da Penha...

Assim, postei no Facebook: “Quem de voces frequentou a Sinagoga da Penha/ Tatuapé?? Fizeram parte da comunidade judaica do bairro? Possuem fotos? Documentos? Projetos? Histórias para contar? Citando algumas famílias: Vaiser, Acherboim, Rof, Sapojnik, Dortdorchik, Wainer, Wasong, Fischman, Greller, Gorman, Cushnir, Igel, David, Fischbein, Gampel, Schnaider, Taim, Schorr...Quem mais??? Se quiserem, me passem uma mensagem inbox ou deixem um comentário aqui!!”


Inicialmente posto a foto ao lado, disponivel na Enciclopédia Judaica (da Editora Tradição, edição de 1967), aonde temos o Lançamento da Pedra Fundamental da Sociedade Religiosa Israelita da Penha. Nesta foto vemos Henrique Waisman, Salo Wismann, Pinchas Schorr, Rebe de Muncack, Boris Sapojnik, Arthur Cuschnir.

Em relação aos comentários enviados, Denise Salama Feltrim indicou Zilda Bun Calencautcy . Na terça-feira, 21 de março de 2017 ZildaBun Calencautcy e eu pudemos bater um papo a respeito da Sinagoga da Penha. Segue um pouco do que conversamos e caso haja alguma correção a fazer, solicito que me informem.

Zilda contou que tres irmãos da família Bun (Henrique, Marcos e Isidoro), Arão David e Zacarias Gampel construíram uma casa no Tatuapé, que viria a ser a Sinagoga. Zacarias Gampel morava em uma casa em frente à esta. Também faziam parte desta Jacob Grinspan, famílias Wasong e Acherboim. Quando a frequência à sinagoga começou a diminuir, inclusive em Shabatot e o alto custo de manutenção, a instituição passou para o Renascença, “pensando nos jovens e no futuro destes”. Uma das várias lembranças é a de que havia grande respeito entre todos. E diz Sai da Penha com 17anos pra casar. Minha familia junto com mais algumas construiram o Shil da Penha.(que epoca boa)”


Eliana Vaiser já havia informado que frequentava a Sinagoga do Tatuape perto do Hospital Cristo Rei. Lembra-se que o pai do Silvio Acherboim e da Flavia Acherboim, sr. Michel, foi quem construiu a sinagoga do Tatuapé.

Julio Pelcerman indicou a sra.Flora Sheila Grinspan. A sra.Flora Sheila Grinspan contou que sr. Jacob, sra. Elisa e sr. Léo Grinspan fizeram parte da sinagoga. Comentou: “Inclusive o Sr.Jacob foi um dos fundadores da sinagoga do Tatuapé, que hoje está no Colégio Renascença. Sei que eles frequentaram lá e não tenho fotos. Família tradicional da Penha. Vou tentar ver se acho algo e te falo. Talvez o bar- mitzva do Léo Grinspan z"l parece que foi lá. Tenho o álbum posso verificar e te falar. Preciso ver o álbum tirar foto e te mandar p confirmar o local”. Assim, aguardamos novidades a respeito.

Nilton Schnaidman lembrou que o avô, Moisés Schnaidman, era ativo na sinagoga e acha que foi um dos fundadores... “Foi lá meu bar-mitzvá. Mas ali é Tatuapé. Passei lá depois de algum tempo...tinha virado uma clínica. Não tenho fotos infelizmente...”

Ivone Herzig  e a família de Silvio Ciocler tambem frequentaram a sinagoga, assim como sr. Alberto Tofic Simantob . Sr. Alberto frequentou esta sinagoga desde pequeno. “O pai foi um dos que inaugurou o Templo novo e também participou de muitas festas no antigo, em cima de uma loja”.

Sueli Farber indicou Bela Turecki, Hinda Potolski, Marilu Wasong, David Gampel, Silvia Gampel como famílias frequentadoras da sinagoga. Lembra-se do “Pidion a Bem” de Ricardo, pois os pais foram padrinhos. E lembra... “quantas boas celebrações nessa sinagoga e na casa dos Wasong...”

Bela Turecki  Morava em frente da Sinagoga e o pai foi um dos fundadores, Bencion Wasong.Passamos toda nossa infância e adolescência frequentando a Sinagoga. Estou emocionada de poder ler esta materia.
Tantas recordações!!!”



Helio Pilnik afirmou: "Vamos colaborar: Pilnik, Kupper, Bloch, Raw, Tarnovsky, Woiller, Portugueis, Mutchnic. ...se lembrar outras famílias além das citadas terei o maior prazer de informa-la". Quanto a fotos e documentos sugeriu contatar a família David, cujo patriarca, Sr.Aron David, foi durante muitos anos diretor da sinagoga. Seus descendentes, segundo falou, foram José David e Daise David. Estou com o contato...vamos conversar...

Conversei com a sra. Habibe Simantob, em 26 de junho de 2017, por indicação do sr. Helio Pilnik, que me avisou qe possui fotos e documentos. Os pais e avós fizeram parte da fundação da Sinagoga da Penha/Tatuapé, e eram frequentadores assíduos desta sinagoga. O avo, sr. Srul Gutman, ao chegar da Europa ao Brasil, foi inicialmente para Franca e posteriormente para São Paulo, indo morar no Bom Retiro. Ao casar, sr. Srul e esposa foram para a MoocaEm Franca havia aproximadamente 40 famílias judias, entre elas Tabacow e Steinberg. Sr. Moyses Simantob, pai da sra. Habibe, fazia parte da comunidade judaica da Mooca. Sra. Habibe cita algumas famílias que fizeram parte da Penha/Tatuapé, entre elas famílias Igel, Cuchnir, Fischbein, Schnaider, Taim, Schor.
Por sua vez, sra. Habibe indicou o irmão, José Simantob Netto, para conversarmos. Sr. José lembrou que a comunidade judaica do bairro era unida, e, quando criança, muitos iam juntos para a sinagoga. Diz possuir, também, documentos. Citou o sr. Sansão Woiler, sr. Yaco Bitelman, Moises Fischman e Regina Igel, de quem já pude estar em contato por e-mail e publicar as histórias que me passou.

Quando questionei quem morou ou mora no bairro da Penha e ainda possui fotos do edificio da antiga Sinagoga/Sociedade Religiosa Israelita da Penha, Ulisses Vidal , no Facebook indicou-me Flávio, da Gazeta Penhense. Contato que ainda necessito fazer...

domingo, 19 de março de 2017

Sociedade Religiosa Israelita da Penha

Rua Raul da Rocha Medeiros, 97- GoogleMaps-Street View-out2015

Sociedade Religiosa Israelita da Penha, segundo dados da enciclopédia Judaica, foi fundada em 12 de outubro de 1953. Localizava-se na Rua Antonio de Barros, transferindo-se, em 1956 para sua sede na Rua Raul da Rocha Medeiros, 97/99. 

Mantinha uma sinagoga e atividades culturais.

Rua Raul da Rocha Medeiros, 97-GoogleMaps


A primeira diretoria era composta por Moises Rof, Boris Sapojnik, Wolf Dortdorchik, Mordechai Wainer, Bension Wassong, Yehuda Fischman, Berel Greller, Moises Gorman, Arthur Kushnir, Moises Igel, Aron David, Ovsej Fischbein, Isachar Gampel, Herman Schnaider, Sara Taim, Pinchas Schorr.

Em agosto de 2016, o sr. Helio Pilnik comentou que "ainda existe o prédio da sinagoga do Tatuapé na Rua Raul da Rocha Medeiros, travessa da Av. Celso Garcia.No início deste ano passei por lá e fiquei admirando-a por alguns instantes . É mais um prédio para ter a sua arquitetura estudada...O prédio foi construído com o objetivo de abrigar a comunidade do Tatuapé e da Penha. Está desativada desde a década de 70, e o prédio foi vendido pela Fisesp. O prédio atualmente está ocupado com objetivos comerciais."


Foto do livro "A História dos Judeus em São Paulo"
 de Henrique Veltman- Ed. Expressão e Cultura- pg.38
O sr. Abrao Bernardo Zweiman  lembrou que as placas da Sinagoga da Penha e os Sifrei Tora se encontram na Sinagoga do Renascença. Quando a Sinagoga da Penha foi desativada os valores obtidos foram destiandos ao Renascença com a condição de que os frequentadores da Sinagoga da Penha pudessem frequentar a Sinagoga do Renascença nos Iamim Noraim.

Lucia Chermont no artigo "Migração judaica na cidade de São Paulo (1960 – 1970)  do XXVII Simposio Nacional de Historia-ANPUH-2013, relata que "a Sra. Póla Antonieta Bergel Cohen...depois de casar foi morar no bairro da Penha, não porque escolheu, mas porque não encontrou nada para alugar nos bairros de Perdizes e Pompeia e porque seu marido, que era dentista, tinha um consultório naquele bairro. Quando relatou o porquê de sua saída da Penha, disse que...o motivo principal foi a educação dos filhos. Ela traz várias informações sobre a vida social judaica no bairro. Conta que as famílias judaicas tinham uma comunidade, também judaica, organizada e constituíram território com sinagoga e uma pré-escola. Sua filha mais velha fez só o pré- primário numa escola da região, pois não havia na sinagoga..."

Já Rachel Mizrahi Bromberg em seu livro “Imigrantes Judeus do Oriente Medio: São Paulo e Rio de Janeiro” comenta: "Rebecca Simantob casou-se com Toufic Simantob e a família fixou residência na Penha, passando a frequentar a Sinagoga Ashkenazi do bairro, só indo para a Mooca nas Grandes Festas...” https://books.google.com.br/books?isbn=8574801623

domingo, 12 de março de 2017

O Bairro da Penha

A Penha tem suas raízes ligadas diretamente à história de São Paulo. Um dos bairros mais antigos da capital, foi por seus caminhos que, nos anos de 1600, os bandeirantes buscaram indígenas para escravizá-los.

A data da fundação da Penha, é incerta, mas a data mais citada é a de 5 de setembro de 1668, quando foi concedida uma sesmaria ao padre Mateus Nunes da Siqueira que já possuía uma fazenda no local e havia construído uma capela. O primeiro documento de 1667, refere-se a uma doação em testamento.

No século XVII, a região era passagem obrigatória para os viajantes que se deslocavam entre São Paulo, Vale do Paraiba e Rio de Janeiro.

Em 22 de março de 1796, a Penha foi elevada a categoria de freguesia, englobando regiões que hoje formam os bairros de Guaianazes, São Miguel, Ermelino Matarazzo e Vila Matilde. É deste período que data a Igreja N.S. do Rosário dos Homens Pretos, construída e destinada aos escravos. Com a manutenção de sua estrutura de taipa de pilão intacta, foi tombada pelo Condephaat em 1982, em detrimento da Igreja Matriz. 

A Penha, até o início do século 20, não passava de um pequeno vilarejo com algumas chácaras. Porém é interessante notar que em 9 de julho de 1924,  o bairro da Penha foi sede do governo estadual paulista quando Carlos de Campos, presidente do estado, foi forçado a abandonar o palácio dos campos Elisios, após ser atacado pelas forças revolucionárias durante a Revolução de 1924. 

Com a industrialização e urbanização da cidade, o bairro passou a receber parte da população operária, o que o caracterizou até meados da década de 60 como um bairro estritamente "dormitório". Já nos anos 70, o comércio local desenvolveu-se, e a inauguração da estação Penha do metrô, em 1986 impulsionou a modernização, proporcionando uma infra-estrutura auto-suficiente para região, com colégios públicos e particulares, um sistema de transporte, hospitais, parque e bibliotecas. 

O bairro residencial, aonde coexistem casas antigas e edifícios modernos, transformou-se também em um centro comercial para zona leste da cidade, possuindo além das já tradicionais lojas de rua, o Mercado Municipal da Penha, ou “Mercadão”, inaugurado em 1971, e um shopping center inaugurado em 1992. As principais ruas comercias do bairro são: Rua Padre João, Rua Dr. João Ribeiro, Avenida Penha de França, Praça 8 de Setembro e Largo do Rosário...

Como podemos ler nos links indicados abaixo, a Penha guarda ainda vários monumentos de sua história como igrejas, a ladeira da Penha, o prédio onde funcionava o cinema São Geraldo, o Conservatório João Paulo 2º, ruas e praças que levam nomes de personagens importantes do bairro como Maria Carlota - moradora que muito investiu no bairro nos seus primórdios - e Dona Micaela - famosa negra vendedora de doces da virada do século.

Um fato interessante pode ser lido no artigo "Os judeus de São Paulo", da Revista Morashá (Ed. 69 - Setembro de 2010): A política, até o começo do século XIX, proibia a entrada no pais de praticantes de outras religiões, que não a Católica Romana. Sendo assim, não viveram judeus em São Paulo até esta época, porém em alguns momentos, cristãos-novos judaizantes moraram na cidade. “Deles merece destaque o agricultor Teotónio da Costa Mesquita (1660–1686), morador em Santo Amaro, e o comerciante Miguel de Mendonça Valladolid (1694-1731), que viveu num sítio no bairro da Penha, ambos denunciados como praticantes ocultos do judaísmo, que foram julgados culpados de acordo com a legislação da época e queimados vivos por esta opção de vida.” ( http://www.morasha.com.br/brasil/os-judeus-de-sao-paulo.html


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Convites e as plaquinhas dos bancos na Sinagoga do Brás


Familiares e antigos frequentadores da Sinagoga Israelita do Brás questionaram-me sobre as plaquinhas com nomes, afixadas nos bancos de madeira. Como já comentei, estas permanecem na Sinagoga...Fotografamos a grande maioria destas, e aqui posto mais algumas delas, como fiz no post anterior.


Deixo aqui registrados novos comentários que recebi relativos à sinagoga:

Esther Salo Chimanovitch lembra-se desta sinagoga... o avo foi "shames" durante muitos anos. “Me deu saudades”, diz Esther.

O lugar do pai de Betty Habelak, “era exatamente onde está o relógio na parede do lado direito, ao lado dele era o lugar do sr. Marcos Zlotnik”. E completa: “nós tínhamos um excelente Hazn, ele era simplesmente maravilhoso, Solon, assim o chamávamos”.

Célia Brinstein contou que os pais casaram-se na Sinagoga do Brás. Célia tem, até hoje, o convite de casamento deles, com o endereço da sinagoga. Vejam a foto do convite!!

Rosa Herchcovitch achou esta sinagoga linda, assim como Ester Szajman. Lembrou-a a Sinagoga de Pinheiros “pelo menos, nas escadas para a parte superior onde ficavam as mulheres...também tenho muitas saudades dessa época com meus pais juntos”...e questiona: “a Sinagoga de Pinheiros ainda funciona na Artur de Azevedo ou Pinheiros, nao lembro bem?” Apresentaremos esta em outro momento...

Ester J. Fisberg nasceu no Brás, e seu avô, Abrao Jardinovsky, pai de Max(pai de Esther J. Fisberg), Samuel, Bertha e Laura, deve ter frequentado a sinagoga, “apesar de não possuir fotos”. 

Ester Finguerut Serff  comenta que sempre ia lá no Yom Kipur, com os pais. Acha que a mãe, Bertha Finguerut, Jardanovsky de solteira, se casou lá!!

O avo de Sandro Libeskind, quando chegou a São Paulo, frequentou essa sinagoga...


Gabriel Saidon contou que sua mãe, Simoni Waldman Saidon, filha de Wolf Waldman e irmã do Maurício Waldman “caberia muito bem no contexto criado nos posts, pois além de tudo é arquiteta e desenvolveu o projeto do Museu Judaico de São Paulo”. 

Simoni, por sua vez, entrou em contato e encaminhou o convite de Rosh Hashaná e Yom Kipur, de 1977/78, da Sinagoga do Brás,  que a mãe encontrou, e que aqui compartilho...



E vejam que interessante... Alicia Stiubi afirma que a Sinagoga do Brás se parece muito com uma sinagoga que visitou na Roménia, em Brasov. E fala: “vou ver se acho a foto para te mostrar”...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Os detalhes e objetos da Sinagoga Israelita do Brás


Em um artigo da Revista Morashá, Ed.82, de dezembro de 2013, podemos ler que “no judaísmo é apropriado adornar e embelezar a casa de orações, assim como seus objetos de culto, como mais uma forma de se honrar a D’us. O uso da arte nas sinagogas é um mandamento justificado, Hidú Mitzvasegundo o qual deve ser adicionada uma dimensão estética a todos os objetos religiosos” - As majestosas sinagogas da emancipação


A Sinagoga Israelita do Brás, pelo que podemos ver ainda hoje, é um exemplo da arte presente nas sinagogas, que abrange tanto as pinturas dos mazalót, já citados em outro post, como os candelabros presentes na Bimá, esta com Maguen David nas laterais, os detalhes do bancos em madeira, o “Ner Tamid”, a capa de tecido do Aron Hacodesh, as Menorót que os ladeiam e as Torót guardadas com todo cuidado.


Podemos observar os detalhes de cada "yad", de cada Keter, dos rimonim brilhantes. Estão presentes também as placas que identificam a diretoria e o conselho fiscal que construiu esta sinagoga, e o armário em madeira e vidro martelado, com uma Maguen David em madeira como detalhe, o qual guarda os livros de reza.

Caso queiram rever ou conhecer esta sinagoga, talvez seja possível agendarmos uma visita. Quem sabe?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Novo detalhe...sr. Mauricio Utchitel e a Sinagoga Mordechai Guertzenstein- Vila Mariana

No início de fevereiro de 2017, Sueli Utchitel retornou um contato que eu havia feito, aonde questionava sobre o fato do sr. Mauricio Utchitel ser o engenheiro da Sinagoga Mordechai Guertzenstein, na Vila Mariana, e da qual publiquei vários posts.

Sueli, nora do sr. Mauricio, confirmou-me que o sr. Mauricio realmente foi o engenheiro responsável por esta sinagoga, e acredita que, como este fato ocorreu há muito tempo, muito material, como fotos e documentos, se perdeu.

Sr. Abrão Utchitel, filho de sr. Mauricio Utchitel e marido de Sueli, foi aluno do Peretz e comentou que escola começou na R. Madre Cabrini 195, com uma pequena construção nos fundos do terreno. Quem fez essa construção, ele afirma não saber. Essa construção constava de 4 salas de aula, a secretaria e a diretoria, no térreo. No andar de cima havia o auditório. Com o crescimento da escola, construiu-se um prédio bem maior no alinhamento da calçada, o qual possui a placa com o nome do pai do sr. Abrão. Durante a construção desse prédio, o auditório do prédio antigo foi reformado, e passou a abrigar a sinagoga. Quem fez essa obra foi o pai do sr. Abrão, como engenheiro civil que era. E lembra: “Isso tudo foi possível graças à doação do terreno por Bernardo Guertzenstein, que era dono do laboratório Catedral, e um homem bem sucedido”.

Comenta ainda: “Meu pai era engenheiro do DAE , antecessor da Sabesp, e construía prédios, juntamente com o Simão Faiguenboim, dono do Anglo Vestibulares. Meu pai era primo de primeiro grau do Simão, o pai do Simão e a mãe do meu pai eram irmãs. Eu sugiro que você procure o filho do Simão, Guilherme Faiguenboim, que também é filho da primeira diretora da escola, Eliza Faiguenboim, esposa do Simão. Se alguém tiver alguma documentação interessante, é ele. Entre outras coisas escreveu um livro sobre os judeus das colônias gaúchas do Barão Hirsch, uma história interessante sobre os primeiros judeus que vieram ao Brasil, entre eles meu avô, minha avó e o avô do Guilherme. Inclusive meu pai nasceu nas colônias...O Guilherme fez um trabalho investigativo sobre a história da família, e deve ter uma documentação vasta não só sobre esse assunto, como sobre o início do Peretz. Estudamos juntos na primeira turma da escola...”

E sr. Abrão Utchitel conclui, colocando-se à disposição para mais detalhes...Sra. Sueli encaminhará algumas fotos antigas...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O edifício da Sinagoga Israelita do Brás

Neste domingo, 5 de fevereiro de 2017, com a colaboração do sr. Edson, pudemos visitar o interior da Sinagoga Israelita do Brás, “Beith Haknesset Agudat Israel Brás”.

A entrada ao edifício, de paredes brancas e faixas verticais em pastilhas azuis, dá-se através de dois portões laterais e suas respectivas escadarias, também na cor azul.
 
No primeiro piso temos uma área externa, atualmente coberta com plástico, e o acesso ao espaço interno da sinagoga, uma ante-sala com quadros e as placas de inauguração da sinagoga, e o setor masculino. Mais um lance de escadas chega-se à área feminina, uma galeria, a qual possui uma mureta, que permite visibilidade à ala masculina.

A área masculina é composta de um corredor central, e bancos em madeira nas laterais. Estes possuem, assim como nas sinagogas do Peretz e do Cambuci, espaços para que se guardem os livros de reza, como Sidurim e Machzorim. Cada banco possui uma “plaquinha” de identificação. Ao final do corredor situa-se a Bimá, em piso elevado, e o Aron Hakoseh.

Janelas, situadas em uma das laterais da edificação e ao fundo desta, possuem vidros martelados translúcidos, alguns em tons de azul. Os janelões frontais correspondem praticamente ao piso das mulheres, e nestes, um “desenho” em formato que remete às “Tabuas da Lei”. As portas, por sua vez, em madeira e de batentes retos ou em arco, também foram pintadas na cor azul.

As paredes, brancas, possuem pinturas de Mazalót/zodíaco nas muretas superiores. Estes foram preservados e mantidos, como podemos ver nas fotos deste post. Apesar do mesmo tema, a arte não é semelhante à Sinagoga do Cambuci. Como comentou Silvio Ary Priskulnik, não foi possível conservar as pinturas que havia no teto.

Observa-se que no piso térreo um salão, situado entre as entradas laterais, está atualmente desocupado.


Dois artigos descrevem o edifício da sinagoga Israelita do Brás. Um destes foi publicado nos Anais do V Encontro Nacional do AHJB, com o titulo de "Escola Judaica , integração social e preservação cultural(1937-1972)", de Edith Gross Hojda. À pagina 362 lemos que "A escola comemorava todas as festas judaicas, tanto na própria sede como também na Sinagoga do Brás. Esta constava de tres andares. No térreo, havia um salão grande com palco que era utilizado para representações teatrais, apresentações de coral e danças. Esse mesmo salão era usado nas grandes festas para as pessoas de menor poder aquisitivo rezarem. Duas escadas laterais levavam à sinagoga propriamente dita, ao andar masculinocom o Aron Hacodesh. Havia uma escadaria que levava ao ultimo andar, onde ficavam as senhoras..."

Já o artigo "A Escola Brasileira Luiz Fleitlich", de Lúcia Chermont, foi publicado no Boletim Informativo n.49, do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro. À pagina 34 vemos que "Os judeus que se estabeleceram no Brás criaram instituições formais. em 19/07/1927 a União Israelita do Brás firmava compromisso de compra e venda de terreno na Rua Bresser, onde em 1933, seria inaugurada a Sinagoga Israelita do Brás. O edifício tinha três andares. No térreo, tinha um salão onde realizavam festas de casamento, depois de inaugurada a escola, as representações de teatro, de dança e as reuniões festivas da comunidade escolar. Este salão também era usado nas grandes festas para o serviço religioso dos não associados à Sinagoga. No primeiro andar estava o setor masculino da sinagoga.No segundo andar, nas galerias laterais e no fundo estava a ala feminina da sinagoga. A sinagoga contava com 150 famílias associadas que contribuíam economicamente para a sua manutenção. À pagina 35 desta publicação podemos visualizar a fachada da Sinagoga (Acervo do AHJB)

Para saber mais um pouco sobre os detalhes deste edifício, e os objetos desta sinagoga...leia os próximos posts.

E você? Sua família fez parte desta sinagoga e da comunidade judaica do Brás? Possui fotos, histórias e documentos e gostaria de compartilhar??? Fale comigo...

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Muitas famílias fazem parte da história da Sinagoga Israelita do Brás

Assim como muitas famílias fizeram parte da história da Escola Israelita Brasileira Luiz Fleitlich, muitas famílias fazem parte da história da Sinagoga Israelita do Brás:

Familia de sra. Frida Risnic Rubin
Sra. Frida Risnic Rubin, encaminhou-me uma foto da família reunida, e contou que tem “informações e lembranças bem antigas”, de quando morou no Brás...os pais, sra.Zelda e sr.Josef Risnic tinham uma loja de confecção própria na Rua Oriente, a “Confecções Betty”, e, por volta de 1972 saíram de lá.  Montaram no Bom Retiro uma confecção e malharia. Os avós da sra. Frida, sr.Moshe e sra.Sara vieram da Rússia, e até 1965 mais ou menos eles, seus filhos e netos frequentaram a Sinagoga do Brás... Sra. Frida e as irmãs Gissela e Betty moraram no Brás(sra. Frida era a mais velha) e mudaram de bairro quando tinha “por volta de 10 anos de idade”. Frequentaram o Primário no colégio Liceu Academico São Paulo à Rua Oriente, e, de sua classe, lembra-se de uma única amiga, que também era da comunidade judaica e que frequentava a sinagoga: Marlyn Zukerman. Os primos moravam no Brás, e também frequentavam a sinagoga: Bóris Risnic, Duda, Sérgio e Milca. Todos os domingos iam às matines do cine Oberdan. Recorda-se da vizinha, sra. Regina Pustilnic, já falecida a qual também tinha uma loja no Brás (filhas Eliane e Sandra). Sra. Frida e sra. Regina moravam à Rua Barão de Ladário.

Sra. Myriam K. Epelboine comentou que ela, filha única, e os pais moravam em Atibaia, mas frequentavam o Schil do Brás, aonde os pais se casaram em dezembro de 1928, “a mãe com um vestido azul claro”. O pai, que era Cohen, sentava-se, na Sinagoga do Brás, na primeira cadeira, próxima à Bimá. Sra. Myriam participou do grupo de jovens da comunidade judaica do Brás, o “Motale Club”, nos anos 1950/1960.

Rochéli Ciocler avisou a Arthur Ciocler Chan que possui fotos do Brit-Mila do tio deste, no Brás, e postou que o avô também frequentava a sinagoga.

Sra.Betty Habelak , além de ter estudado na escola Luiz Fleitlich, contou que a família possuia lugares no Schil do Brás, na parte de cima. (Pertence às famílias Kuperman e Leiderman). Avisou que encaminhará a foto do casamento dos pais.

Os avós da sra. Paulette Ungar frequentaram a sinagoga do Brás, e recentemente, o sobrinho fez a Aliah à Torah nesta. O irmão doou uma Torah há alguns anos atrás. Aguardamos as fotos também...

Já os pais de sra.Clara Beer casaram-se nessa Sinagoga em 1936.

Sra. Sara Borensztejn , assim como a sra. Esther Chimanovitch (já comentado neste blog), lembrou que o avo Pinkus Glina foi shames do Schil do Brás por muitos anos. E a irmã ficou noiva neste Schil.

Patricia Golombek contou que os avós tinham loja na Rua Bresser, a uma quadra da sinagoga, e passou a infância e adolescência frequentando com a família aquela sinagoga. Guarda na memória os desenhos dos Mazalót das paredes da sinagoga...


Sra. Rosa Kohan comenta... “gostaria de saber, se consigo as plaquinhas, das cadeiras, com os nomes dos meus avós! Seria a única lembrança, que teria deles, e que me deixaria muito feliz! Me lembro, de pequena, subindo, par sentar junto com minha avó!!”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A Sinagoga Israelita do Brás

A Sinagoga Israelita do Brás, fundada em 23 de junho de 1925 e situada à Rua Bresser, 47, teve sua primeira diretoria formada por Leão Kassinsky(Kasinski), Guilherme Meltzer, Isaac e Fanny Kohan, Jacob Kutcher, Emilio Kuchnir, Max Jagle, Boris Rolnick, Paulo Leguer, Adolfo Rozenblat e Jaime Serber, segundo informação da Enciclopédia Judaica.

O edifício desta sinagoga assemelha-se, de certa forma, a diversas outras do mesmo período, possuindo duas escadarias externas em suas laterias, as quais servem de acesso à ala masculina. Através de mais um lance de escadas, chega-se à ala feminina.

Ao escrever sobre a Sinagoga Israelita do Cambuci, Francisco Moreno observou que a Sinagoga Israelita do Brás também era adornada com os símbolos do zodíaco ou Mazalót, tema artístico comum a várias sinagogas na Polônia. Ambas sinagogas receberam tal pintura de um artista judeu polonês, que acabou por voltar para a Polônia antes da II Guerra Mundial.

Silvio Ary Priszculnik comentou que esta sinagoga, como outras, eram atreladas à escola judaica do bairro. Mais ampla que a Sinagoga do Cambuci, possuía um salão ao fundo que foi, inclusive, utilizado na época em que estavam reformando e pintando a sinagoga, há mais de 25 anos. Procurou-se recuperar as pinturas dos Mazalót do teto, o que não foi possível, acabando por serem perdidas. Porém recuperou-se as pinturas dos Mazalóts laterais, preservando-as.

Segundo Silvio, a Sinagoga do Brás não está abandonada, como muitos pensavam. Seu pai, sr. Simão Priszculnik, e outros frequentadores continuam realizando as rezas do Shacharit de Shabat, nesta sinagoga.

Lembro, ainda, que meu tio-avô, Horacio Horst Lafer, foi residente desta sinagoga nos anos 1980.

Sra. Rachel Talesnick Berger  nos informou que sua família frequentou esta sinagoga, sendo que o pai, Mauricio (Meir) foi um dos fundadores do Shil. A cadeira com o nome do pai situava-se “do lado direito, em frente à Bima, e a da mãe, Rivka Talesnick, no mezanino, do lado esquerdo na mesma direção da cadeira do pai”. Enfatizou que as familias Fleitlich, Kogan, Taleisnick, Bylenky, Teperman são parentes entre si.

A sra. Esther Chimanovitch observou que o avô, Pinkus Glina, foi Shames por muitos anos, e sra. Esther “adorava passar as festas la”

O pai de sra. Betty Habelak , Aron Kuperman, foi diretor do shil. A sra. Betty era sobrinha da sra. Rosa Fleitlich (já falecida), filha do sr. Luiz Fleitlich. A sra. Beatriz Fleitlich, filha de Rafael e também neta de Luiz e Bertha Fleitlich) foi indicada pela prima, sra. Myriam K. Epelboine .

E o sr. Jack Strauss frequentou-a também. Informou que enviará uma foto de uma peça de teatro na Sinagoga. Lembrou-se também do sr.David Iampolsky, como Chazan.

Visitei o CDM do Museu Judaico, antigo AHJB, e a caixa CI-0001-Uniãoda Mocidade Israelita do Bráz nos mostra que situava-se na Rua Bresser,13 e a abertura desta deu-se em 13/03/1937. Vemos os nomes de Jacob Waldman, Marcos Bilenki, Peres Moscovich. A Assembléia da fundação deu-se em 20/09/36, na residencia de sr. Bernardo Blay, à Rua Bresser, 184, com a presença, entre outros de Miguel Kauffman, Aron David e Boris StarenickO pedido do Alvará de Licença ocorreu em 13/01/1937