quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Gregori Warchavchik, Asilo dos Velhos e a Sinagoga Cilly Dannemannn

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)

Buscando informações sobre possíveis projetos de Gregori Warchavchik para sinagogas em São Paulo, postei no Facebook a pergunta: “Você conhece os projetos e croquis de Gregori Warchavchik relacionados às Sinagogas em São Paulo? Gostaria de compartilhar alguma informação??? Possui fotos, histórias a contar? Eu já havia compartilhado alguns detalhes, tanto sobre o projeto para o “Lar dos Velhos”, como a existência de um projeto de Warchavchik para o Beth-El, que por fim não foi executado. 


Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Conversei, a partir desta busca, com Paulo Mauro M. de Aquino, responsável pela organização do acervo do arquiteto desde 2004, autor do último texto compartilhado neste Blog.

Busquei mais detalhes, fotos e plantas do projeto para o Lar dos Velhos, no dia 18/09/2019, por mais uma vez, no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo, e que aqui compartilho.... Edificação única, de linha retas e grandes janelões... 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Saliento que o relatório abaixo, assim como as fotos ao lado, e outros documentos, tanto do Asilo dos Velhos, como de outras instituições, escolas, e arquivos familiares, estão disponíveis para consulta no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo. Vale uma visita... Solicito que não compartilhem tais fotos, pois fazem parte do Acervo do Centro de Memória.

Reedito aqui postagens antigas relacionadas ao Asilo dos Velhos, ou Lar do Velhos, ou ainda “Moishev Zekenim”, da Vila Mariana...

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)

O relatório do “Primeiro Aniversário do Funcionamento” aponta que "o terreno que está inserido este edifício, e que mede cinco mil metros quadrados aproximadamente, foi adquirido no dia 4 de agosto de 1938...por intermédio do sr. Jose Teperman...a escritura era lavrada no primeiro Tabelião em 19 de setembro do mesmo ano".  Durante os preparativos para a construção a diretoria convidou os srs. Gregori Warchavchik e Henrique E. Mindlin, "pedindo a colaboração destes engenheiros arquitetos na elaboração de uma planta e dirigir e finalizar a construção". 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Estes prometeram apoio na construção e estudaram junto à diretoria planos e modelos de centros judaicos da Europa, América do Norte, Argentina e Israel. Na primeira reunião de diretoria, em 28 de outubro de 1937, angariaram donativos, além de contribuições na comunidade e pessoas influentes nesta, formando um fundo que tornasse possível a obra. A primeira assembléia ocorreu em 29 de maio de 1938, quando foi eleita a diretoria constituída por E. Mindlin, David Prouchan, José Teperman, Luiz Engel, Leão Kassinski, Boris Dannemann, Marcos Fuchs, Mauricio Feifer, Luiz Fleitlich, Nissim elias Nigri, Abraham Brickman, Abram Gorenstein, Jacques Grinberg, Simão Fleiss, Malvina Teperman, Fanny Mindlin, Berta Fleitlich. 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Em 28 de maio de 1939, realizou-se a cerimônia da pedra fundamental.  Em fevereiro de 1940 teve inicio a construção do Asilo, sob a direção do Sr. Berti Levi, sendo o sr. Gregori Warchavchik autor da planta e sr. Henrique E. Mindlin o responsável pela fiscalização da obra. Em maio de 1940 enterrou-se um pergaminho contendo o nome dos fundadores e doadores. Detalhe: o pergaminho encontra-se enterrado aonde situava-se a sinagoga “original”. Já em outubro de 1940 realizou-se a festa de cobertura. No inicio de 1941 a direção da construção foi entregue aos srs. Luis Engel e Leão Kassinski, porém este veio a falecer em abril de 1941.  Em 8 de junho de 1941 ocorreu a inauguração do asilo. 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
O registro do nome Sociedade Religiosa Israelita Asilo dos Velhos deu-se em 1942, e após décadas, o nome usado passou a ser Lar dos Velhos... Diversas reformas foram feitas, e com a diminuição da frequência a esta Sinagoga, mudou-se o uso do espaço, atualmente ocupada pela Eretz.Bio.

Contam que a frequência à sinagoga, com o passar dos anos, foi diminuindo, levando o Residencial a desativar esta sinagoga, criando uma outra, em um espaço menor. A história de minha família Szwarcbart está ligada à Sinagoga do Asilo dos Velhos, denominada Cilly Dannemann. 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Em Rosh Hashaná e Yom Kipur, quando éramos crianças, na década de 1960, todo o espaço do Lar dos Velhos era pura diversão. Gostávamos de brincar, assim como várias outras crianças, nos cordões próximos da Bimá, ou pulando do tablado, corríamos pelos corredores e escadarias do Lar, brincando de esconde-esconde, e parávamos grande parte das vezes para conversar com os residentes. 

O jardim interno, com grande quantidade de gatos, possuía uma jabuticabeira imensa (será que era imensa mesmo?) e um pé de amoras, “inimiga” de nossas roupas brancas. 

Foto do Acervo do Centro de Memória
Museu Judaico de São Paulo (favor não compartilhar)
Em Simchát Tora, dançávamos em roda, com as bandeirinhas de Israel e uma maçã na ponta. Familias Lerner, Back, Dzialowski, Tetner, Chusyd, Jankelovitz, e tantas outras, tambem faziam parte da comunidade judaica da Vila Mariana e frequentavam a Sinagoga do Lar dos Velhos. 

Havia também um salão, em frente à sinagoga, para kidush. Assim como muitas famílias, íamos da sinagoga do Lar para a do Peretz e vice-versa... 

Meu zaide e bubili ficavam sempre na sinagoga do Lar. Meus avós maternos, sempre na sinagoga do Peretz... lembranças, memórias, histórias...

Na foto ao lado vemos a planta do edifício do Asilo dos Velhos, da Vila Mariana, de autoria de Gregori Warchavchik, foto também disponivel no acrevo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo....

Aqui pergunto novamente...e você, qual a sua história? Quais são as sinagogas de São Paulo que você frequentou ou que ainda frequenta? Possui informações? Compartilhe! Participe deste estudo!!! Deixe seus comentários...

domingo, 22 de setembro de 2019

Sinagogas por Gregori Warchavchik - Paulo Mauro Mayer de Aquino


Sinagoga Centro Israelita de São Paulo 
Sinagogas por Gregori Warchavchik – Paulo Mauro Mayer de Aquino


Nascido em Odessa-Ucrânia em 1896, Gregori Warchavchik muda para a Itália, em 1918, onde se forma em arquitetura pelo Instituto Superior de Belas Artes de Roma. Em 1923, a convite de Roberto Simonsen, proprietário da Companhia Construtora de Santos, muda-se para São Paulo para trabalhar em sua empresa.

Planta - Sinagoga Centro Israelita de São Paulo 
Em um ambiente ainda efervescente pós Semana de Arte Moderna de 22 e de uma economia em crescimento, Gregori passa a ter contato com os intelectuais modernistas de SP. Em 1927 casa-se com Mina Klabin, filha do industrial Maurício Freeman Klabin.

No mesmo ano, Gregori projeta e constrói a sua própria residência, a primeira casa modernista de São Paulo, e daí em diante passa a projetar em seu próprio escritório para clientes.

Entre seus projetos para a comunidade israelita estão às sinagogas do Templo Beth-El, do Centro Israelita de São Paulo, do Lar dos Velhos, para os Israelitas da Colônia Síria e a da Congregação Israelita Paulista.

Warchavchik à frente do projeto de Roder,
durante a execução do revestimento em pedra
Para a sinagoga do templo Beth-El Gregori apresenta um projeto mais modernista enquanto Samuel Roder um projeto mais clássico, sendo este último o escolhido. Roder, atendendo a um pedido, coloca Warchavchik a frente do projeto durante o período em que é executado o revestimento em pedra do Templo.

Já para a Sinagoga do Centro Israelita de São Paulo, respeitando o desenho do terreno e seu desnível entre à Rua Newton Prado e a Rua Talmud Thorá, Gregori propõe um desenho linear ocupando a maior parte do terreno.



Sinagoga para os israelitas da Colonia Síria - R. Odorico Mendes
A Sinagoga no Lar dos Velhos fica na Rua Coronel Lisboa com a Rua Madre Cabrini, a Sinagoga para os Israelitas da Colônia Síria à Rua Odorico Mendes e, quanto ao concurso para a Congregação Israelita Paulista, o vencedor do projeto foi o arquiteto Henrique Mindlin.

No acervo pessoal do arquiteto Gregori Warchavchik está o projeto da Sinagoga do Centro Israelita de São Paulo,o projeto da Sinagoga para os Israelitas da Colônia Síria e um conjunto de fotos do Templo Beth-El.

Os pesquisadores interessados podem entrar em contato diretamente com o autor deste texto através do e-mail warcha.paulomauro@uol.com.br

Paulo Mauro Mayer de Aquino é arquiteto e responsável pela organização do acervo do arquiteto Gregori Warchavchik desde 2004

Bibliografia consultada: “Aquino, Paulo Mauro Mayer de (org.). Gregori Warchavchik – Acervo Fotográfico vol.- I e vol.-II, São Paulo, edição Família Warchavchik, 2005 e 2007.”.

Projeto proposto para a Congregação Israelita Paulista


Revistas Habitat_21, Acropole_199, Acropole_348.

Créditos das imagens: “Coleção Gregori Warchavchik”. 

E você, possui alguma informação sobre os projetos propostos por Gregori Warchavchik para as Sinagogas em São Paulo? Compartilhe, divulgue, deixe seu comentário aqui ou envie para myrirs@hotmail.com . Vamos compartilhar as memórias e divulgar a história, a arte e a arquitetura das sinagogas da cidade! 


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Sinagoga da Sociedade Hebraico Brasileiro Renascença - Bom Retiro



Compartilho aqui algumas informações relacionadas à Sinagoga do Renascença divulgadas no livro “Renascença, 75 anos/1922-1977”. Esta publicação foi realizada pela Sociedade Hebraico Brasileiro Renascença, e a pesquisa histórica e a edição tiveram o apoio cultural do sr. Samuel Klein, sendo o Projeto e Coordenação Editorial de Roney Citrinowicz.

O Renascença esteve situado, em seu início, na Rua Florêncio de Abreu e na Avenida Tiradentes. Antigos alunos contaram no livro que lembravam-se do professor Moyses Wainer, e relataram que sempre havia festa de Purim, Pessach, Rosh Hashaná. Como podemos ler, “o ano se encerrava com festas, havia um shil na escola em Yom Kipur, eles faziam o shil dentro da escola...” Esta é a primeira informação que encontrei a respeito de uma sinagoga na Escola Renascença. No mesmo livro, à página 84 vemos que nas festas judaicas de “Iom Kipur e Rosh Hashaná, o Renascença adaptava duas salas de aula para montar uma sinagoga e organizava os serviços religiosos. Durante alguns anos na década de 50, o chazan foi Isac Trejgier, que estudou na escola na década de 40”. E em destaque, à página 177 há o texto “Bom Retiro faz festa para doação de Torá à Escola. Em agosto de 1975 a Sinagoga do Renascença do Bom Retiro, que funcionava na Rua Bandeirantes, recebeu um Sefer Torah doado por David Gorodeski...a primeira Torah foi recebida com grande festa nas ruas do Bom Retiro, centenas de pessoas, inclusive alunos acompanharam, desde a casa do professor Busquila até a Rua Prates... Com a doação da Torah, conta abrãoa sinagoga tomou novo impulso, conta Abrão Bernardo Zweiman, que junto com Judah Busquila, organizava os serviços religiosos diários da sinagoga do Renascença, localizada na Rua Bandeirantes.”

No mesmo livro e ainda sobre o Renascença, Marcos Smaletz relatou que os alunos da escola completavam o minian da Sinagoga Beith Iztchak Elchonon, diariamente, participando na leitura da Torah, da chazanut, colocavam Talit e Tefilin. E sr. Isac Tejger lembrou que nos anos 1930/1940 as festas judaicas eram comemoradas nas salas de aula. Estas possuíam portas-sanfona que eram abertas, permitindo que as salas fossem unidas, com espaços separados para homens e mulheres.

Vocês frequentaram ou ainda frequentam a Sinagoga do renascença? Vamos compartilhar memórias e histórias? Esta pesquisa conta com a participação de cada um da comunidade judaica ou não para resgatar a História das sinagogas em São Paulo. Vamos colaborar???? Encaminhem um e-mail para myrirs@hotmail.com ou deixem seus comentários neste post...

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

História da Sinagoga Renascença - sr. Jaime Cimerman


Recebi o texto abaixo do sr. Jaime Cimerman, relativo à história da Sinagoga Renascença...

“A história da Sinagoga Renascença inicia-se em 1967 no Bom Retiro, quando é introduzida a primeira Cerimônia de Bat-Mitzvah, realizada pela primeira vez em escolas judaicas de São Paulo. Em 1975, o primeiro SeferTorah foi doado à Sinagoga, por David Gororodetchi, sendo recebida pelo moré Marcos Smaletz Z´L.  A partir de 1980, com a suspensão temporária das atividades do Círculo Macabi na avenida Angélica, o clube passou a alugar sua sede. A Sinagoga do Renascença, através de Arão David Z´L, realizou suas Grandes Festas naquele espaço, recebendo cerca de 150 pessoas. Em 1981, em um espaço improvisado na rua São Vicente de Paula, tendo como Presidente da Comissão da Sinagoga o Sr. Leão Feuerstein, a sinagoga iniciou a celebração das Grandes Festas. Os serviços religiosos da sinagoga foram conduzidos pelo Rabino Michael Leipziger até 1981. Na ocasião a Sra Paula Wornovitzky foi a primeira secretaria da Sinagoga. O Sr. Eugênio Vineyard Z'L, a partir de 1981, substituiu o Rabino Michael Leipziger em caráter voluntario até 1995, ano em que veio a falecer, sendo precedido pelo Sr.Ramiro Muller Z´L. Na gestão de Arão Sahm, em 25 de outubro de 1981, foi inaugurado o edifício que viria abrigar, em 1986, a Sinagoga do Renascença. Em 1983, na gestão do Dr. Isac Trejger, iniciou-se a construção da Sinagoga. A partir de 1984, Abrão Oberman passou a trabalhar com chazan nas cerimonias... Em 1985 foi concluída a Sinagoga pequena por Raul Gippsztejn e Leon Fuerstein. Em 03 de Outubro de 1986, tendo o Dr. Isac Trejgier como Presidente e o Sr. Leon Feurstein como vice-presidente, a mesma foi inaugurada em um arrojado e imponente prédio situado em Higienopolis, na Rua: São Vicente de Paula, 659. A Comissão de Obra teve entre seus membros: Engº Civil Alexandre Wainberg Z´L, que inclusive foi  responsável pela construção do prédio, Engº Civil José Leão Spiewack, Engº Dalio e Bernardo Sahm; Engenheiros Jonas Gordon, Erwino Soicher Z´L, Henrique BrenerZ´L ,Wilfrido Reisbeitch, Rafael Halper, Ruwin Pikman, Arq.Majer Botkovski Z´L. O Trabalho incansável do muterat, através de suas presidentes Ana Roso, Cecilia Ben David, Tzipora Waldman, Rosaly Knobel, Matilde Ajbszyc, Helena e Valeria e suas respectivas famílias, fizeram com que a Sinagoga sobrevivesse nos tempos mais difíceis, não permitindo a falta de miniam e dando continuidade aos serviços inclusive os de Bat-Mitzvah. Destacamos a participação ativa da Diretoria composta na ocasião pelos Srs. Fernando Lowenthal, Henrique Bobrow, Henrique Boruchovsk, Raphael Rogê Waba, Jacques Eskinazi, Isac Bieber, Carlos Ajbszyc, Raul Gipsztejn, Marcos Karniol, Benjamin Lebensztaj, Eduardo Manahim Khafif, tendo como diretor geral Prof. Walter Lerner Z´L. Nosso agradecimento eterno ao casal Anny e Samy que doaram a Menorah, que nos ilumina até hoje, em nossa Sinagoga. A nossa intenção é de resgatar a memória e prestar a nossa devida homenagem aqueles que em uma época difícil, fizeram algo por nossa sinagoga. Queremos externar o nosso muito obrigado a todas as gerações de funcionários, professores, diretores, ex-presidentes, colaboradores, voluntários e frequentadores de nossos serviços,que estiveram conosco durante estes 32 anos e que nos inspiraram a construir o presente e projetar o futuro”.   

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Uma visita ao Colégio Renascença e à sua Sinagoga


Estive no Colégio Renascença, uma construção ampla e moderna, em 10 de agosto de 2018, e pude conversar com Marli Ben Moshe e com sr.Jaime Cimerman. Marli presenteou-me com o livro “Renascença, 75 anos”, e compartilhou histórias de sua família, as quais já divulguei neste Blog. 

Sr. Jaime Cimerman, presidente da Sinagoga Renascença, contou-me sobre esta sinagoga, pudemos visitá-la, e fotografá-la. Cadeiras dispostas em formato de auditório, um palco, Aron Hakodesh à frente, com suas Torót ali guardadas. Como deixou registrado na página de Edith Nekrycz Wertzner, Jaime Cimerman comentou: “Esperamos que não esqueçam de uma Sinagoga que está ativa há mais de 32 anos, realizando diversas atividades inclusive as Grandes Festas, e é pioneira em curso de Ulpan no Brasil há mais de 3 anos. Ela é a Sinagoga Renascença”. Esteve situada tanto no Bom Retiro como em Higienópolis, e hoje localiza-se à Rua Inhaúma.  

Aguardem no próximo post os detalhes encaminhados pelo sr. Jaime Cimerman a respeito desta sinagoga...

Em relação à construção atual, podemos ler alguns detalhes no site “Galeria da Arquitetura” que “a autoria da arquitetura é do escritório paulista Jonas Briger Arquitetos Associados,  e alguns espaços foram projetados pela artista plástica Stela Barbieri... e está situado onde antes estava localizado o antigo estacionamento do parque de diversões Playcenter, em São Paulo... O conceito arquitetônico é de transparência, flexibilidade e transformação constante... O projeto conta também com uma sinagoga...” https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/jonas-birger_/colegio-renascenca/4649

Como podemos verificar no site do Colégio, “O Gymnasio Hebraico-Brasileiro Renascença iniciou suas atividades no dia 22 de abril de 1922 em uma pequena casa alugada na esquina das ruas Amazonas e Três Rios, no bairro do Bom Retiro. Na década de 20, a escola teria ainda duas outras sedes alugadas, na Rua Florêncio de Abreu e na Avenida Tiradentes. Fundada por imigrantes originários principalmente da Europa Oriental, o Renascença, primeira escola paulistana a oferecer o diploma de primário junto ao ensino judaico, foi uma das instituições que definiu o estabelecimento de uma comunidade judaica organizada em São Paulo...” http://www.renascenca.br/pt/colegio/#page-top

Comentários sobre o Renascença e sua sinagoga foram deixados no Facebook: Em Rubin Editores, Francisco Moreno, que estudou no Renascença de 1967 a 1977, escreveu: “O Renascença só teve sinagoga nos anos 1970, se não me engano a partir de 1972. Mudou-se a sala dos troféus para virar sinagoga. A escola, na origem, era sionista laica, daí o seu nome. No início se dava dois pontos numa nota, referente ao conceito de "Bom comportamento " como estímulo para a reza... há fotos publicadas no livro de 75 anos do Renascença, da chegada do Sefer Toráh ao Renascença. Inclusive se fez uma caminhada pelo bairro com o Sefer Torah, como convém à Hachnassat Sefer Torah. Se não me engano foi em 1972, coincidindo com os 50 anos da escola... havia o pré Seder de Pessach, e em Chanucá e Purim sempre comemorávamos.  Ronaldo, em post da mesma página relatou que Abrão Bernardo Zweiman foi seu professor de Bar-Mitzvah, e de praticamente todas crianças da comunidade, sendo o responsável pela sinagoga no Renascença Bom Retiro: “No Renascença, todos os dias, havia o Mínian, feito pelos alunos, com bolo e Giny no final, antes de irem para a aula. E completou: “Uma pessoa incrível!!

José Marcos Thalenberg contou que não era obrigatório ir à reza, antes do início das aulas: “Era pequena, não tinha Grandes Festas. Era uma sala adaptada. No final do Shabat, fazíamos a HavdaláA sinagoga funcionava no mezanino do prédio da Rua Prates, em frente à sala dos professores. Frequentei na década de 1970, não sei o período de funcionamento. Tocada pelo Abrão Zweiman (que está em Israel) e Yehuda Busquila (falecido)”.

Você frequenta ou frequentou as Sinagogas do Renascença? Conhece a sua história? Quais suas memórias? Gostaria de compartilhá-las? deixe aqui seu comentário ou escreva para myrirs@hotmail.com

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Lançamento do livro “Coragem, trabalho e fé” de Anna Gedankien



No domingo 25 de agosto de 2019 foi realizada, no Clube A Hebraica, uma palestra de sra. Anna Gedankien com o lançamento do seu livro “Coragem, trabalho e fé - a história da comunidade judaica na região do ABC paulista”.  No evento pude ouvir detalhes e fatos contados por sra. Anna, como a de sr. Wolf Gordon, que nos anos 1920/1930, escolheu a cidade de Santo André para morar, ou da família Berger que optou por viver em São Bernardo. Famílias da comunidade judaica, e muitos solteiros vindos da cidade de Erexim, chegaram a São Caetano na mesma ocasião. A escola judaica de Santo André atraía as famílias, e mantinha a comunidade viva, assim como as entidades Wizo e Pioneiras, formadas por mulheres ativas da comunidade destas cidades. Com coordenação de sra. Anna Gedankien, texto de Eduardo Shor e Raquel Glezer, e pesquisa de Eliza Simon Leibruder e Mieille Lerner, o livro resgata memórias desde a chegada dos imigrantes judeus à região, e relata diversas histórias, sendo uma delas a de meu zaide(avô), minha bubili(avó), meu pai e meu tio.  

Ichiel Leib Szwarcbart, meu zaide,
shochet, professor e shammes
Santo André
No livro podemos ler que a sinagoga possuía um anexo para moradia do shammes, ou gabai, responsável por cuidar dos mais diversos assuntos da sinagoga. O primeiro a exercer tal função foi meu avô. E como lemos no livro, “Sobrevivente do Holocausto, vindo da Bélgica, era casado, tinha três filhos. Dava aulas de Bar-Mitzvah e hebraico, exercendo a função de shochet, o abatedor de animais, conforme as leis judaicas. Quem quiser saber sobre um fato curioso, ocorrido na sinagoga, durante o governo de Getúlio Vargas, que iniciou uma campanha de nacionalização, sugiro comprar o livro...Alguns anos depois minha família paterna mudou-se para São Paulo, para o bairro da Vila Mariana...

No dia da palestra também pude conhecer familiares que conheceram meu pai, tios e avós. Muitos ficaram surpresos, e contaram algumas histórias. Uma delas foi relatada por sr. Henrique Lindenbojn, relativo também ao fato curioso apontado acima. Já sr. Jayme Waisberg comentou que meu pai organizava as atividades dos jovens, em um salão, no piso superior da sinagoga. E meu pai e meu tio ensinaram sr. Jayme a apreciar música clássica. Iam a concertos em São Paulo, sempre de terno e capa de chuva...
Em relação à Sinagoga de Santo André escreverei mais adiante. Mas fica registrado, como citado no livro, que o projeto da primeira sinagoga andreense foi criado por Vittorio Corinaldi, inaugurado em 1948, com entradas tantos pela Rua Siqueira Campos como pela esquina desta rua.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Minian do Clube Luso, muitas sinagogas...muitas histórias a contar...


Diversos comentários foram feitos nas páginas do Fcaebook, encaminhados por mensagem ou e-mail, a partir do post sobre o Minian do Clube Luso. Outros relacionam-se às diversas sinagogas da cidade de São Paulo.

Por exemplo, em Rubin Editores, Guilherme Fleischman contou: “Eu morei no Bom Retiro há 45 anos, e lembro de muitas sinagogas abertas nessa época no bairro que era judeu”. 

Já em "Jewish Brasil - Comunidade Judaica do Brasil", Luiz Fernando Chimanovitch escreveu que Abrão Zweiman foi seu professor de Bar-Mitzvah, e Michelle Goldenfeld comentou: “Meu avô também rezou lá no Luso, e fazia parte da diretoria. Eu me lembro de quando era criança, nas Grandes Festas, ir rezar lá”. Ida Cohen ia no Clube Luso. Tania Bragarnick escreveu: “Minha avó Chaja Touba (Tereza) Loda rezava lá no Luso. E lembro também de ir, nas Grandes Festas, no Luso-Brasileiro. Eu era muito pequena, não tenho fotos. Não podia tirar fotos nas Grandes Festas, e nao tinha celular. Se eu não me engano tinha uma quadra esportiva onde todas as criancas ficavam brincando. Não me lembro de muita coisa. Éramos muito pequenos”. Patricia Schmiliver também passou a infância no Luso-Brasileiro, sua família fundou a sinagoga. Patrícia é neta de Pierre Schmiliver, bisneta de Max Schmiliver. Tania Bragarnick lembrou-se de Patricia Schmiliver: “É verdade!!! Acho ate que brincamos juntas, nossas mães eram amigas. Nao é?” Ronaldo, em post da mesma página relatou que  Abrão Bernardo Zweiman foi seu professor de Bar-Mitsvah, e de praticamente todas crianças da comunidade, sendo o responsável pela sinagoga no Renascença Bom Retiro. No Renascença todos os dias havia o Míniam, feito pelos alunos, com bolo e Giny no final , antes de irem para a aula. E completou: “Uma pessoa incrível!! Noemí Weksler Souccar afirmou: “Grande Abrão!”.

Na página de Shofar Tupiniquim, Henrique Moscovich falou que gosta muito da história das sinagogas, e quando vem a São Paulo, gosta muito de frequentar o Kabalat Shabat da CIP e da Shalom.

Em Guisheft Vendas e Anuncios, Miriam Herscovici contou que lembra-se no Luso.


Em Guisheft Anuncios, Mirta Roitburd escreveu: “Minha avó paterna morava no Bom Retiro e nós também íamos nas Grandes Festas no Clube Luso. Mulheres no andar de cima, cada família no seu quadradinho, homens embaixo e crianças na quadra. Tenho histórias que aconteceram comigo nos dias das Grandes Festas, e que foram antes ou depois de eu ir p sinagoga, mas nada relativo à sinagoga em si. Outra coisa que me lembro bem era o barulho de ranger das madeiras do piso do andar das mulheres e das escadas. Dizíamos que um dia ainda íamos todas cair lá de cima juntas! Por isso as crianças acabavam brincando na quadra. Subiam, cumprimentavam vovós, desciam. Não dava para pular nem correr lá em cima, além do barulho, "podia cair o andar"! Lembrei também que tinha tanto falatório que o rabino tinha de bater forte com a mão na mesa e pedir silêncio a cada
10 minutos!”

Edith Nekrycz Wertzner compartilhou o artigo publicado no Jornal Folha de São Paulo, relativo às Sinagogas em São Paulo. Escreveu: “Trabalho árduo e maravilhoso de pesquisa da arquiteta Myriam Szwarcbart”. Jaime Cimerman comentou: “Esperamos que não se esqueçam de uma Sinagoga que está ativa há mais de 32 anos, realizando diversas atividades inclusive as Grandes Festas. É pioneira em curso de Ulpan no Brasil há mais de 3 anos. Esta é a Sinagoga Renascença”. Aguardem as próximas publicações...

Por mensagem no Facebook, Guila contou que vem acompanhando o trabalho das sinagogas! Vi que estou pesquisando sobre a Sinagoga da Mamoré. E comentou: “Ela era do Rebe Beer, filho do falecido Rebe Yoel (o único tzadik enterrado no Brasil) da chassidut de Ratzfert. Ele fechou essa sinagoga, e agora reza na Tocantins dos húngaros. Ele e a a esposa dele recebem muitas pessoas, que até hoje o procuram para bracha e orientações. O Rebe Beer é cunhado do ruv (Rabino Horowitz). Aguardo o contato para podermos conversar... Haviam me informado que o filho do Rebe Beer tinha escritório na Sinagoga Machzikei Hadas...

Rodolpho questionou-me no instagram, e aqui compartilho, se alguém teria informações sobre sras. Carolina e Agatha Escher. Elas teriam feito parte da Sinagoga de São Miguel Paulista? Chegaram da Polonia nos anos 1940 e foram trabalhar na Nitro Química...

Quem mais possui informações sobre as sinagogas do Bom Retiro ou de São Paulo como um todo? Escrevam para myrirs@hotmail.com . Compartilhem fotos, histórias e documentos. Vamos divulgar nossas memórias e preservar as raízes da comunidade judaica de São Paulo!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O Minian da Linath Hatzedek no Clube Luso Brasileiro - Bom Retiro

Bom Retiro - Rua da Graça
esquina com Rua Silva Pinto e RuaTrês Rios

No final do mês de agosto de 2019 puder conversar com o professor Abrão Zweiman, que contou um pouco sobre o Minian do Linath Hatzedek, no bairro do Bom Retiro. Diretoria, familiares e pessoas ligadas à esta instituição reuniam-se somente nas Grandes Festas, no Clube Luso Brasileiro, na Rua da Graça. Não possuíam um chazan contratado, e quem conduzia as rezas era o Baal Tefilah, sr. Leib Bisker. A renda obtida com a venda de convites era revertida em prol da instituição. O sr. Meyer Storch, avô da esposa de Abrão, era cohen e também rezava ali. O Sefer Torah deste Minian, durante o ano, ficava guardado no Shil da Vila, e o Aron Hakodesh, na Chevra kadisha. 

Antes de começarem a celebrar as Grandes Festas no Clube Luso Brasileiro, quando o número de pessoas deste Minian ainda era pequeno, reuniam-se e rezavam na Rua Prates, na antiga casa da Chevra Kadisha. O Clube Luso, com amplos salões, era o local aonde ocorriam as festas de Bar-Mitzvah e de casamento da comunidade no bairro. Mas também, havia o acordo de que nas Grandes Festas ficavam reservados os salões para o Minian da Linath Hatedek...

No Livro “Unibes 1915-2000 - Uma História do Trabalho Social da Comunidade Judaica em São Paulo”, disponível para consulta no Centro de Memórias do Museu Judaico em São Paulo, lemos que a Sociedade Beneficente Linath Hatzedek foi criada formalmente em 15 de novembro de 1929, na residência do sr. Idel Tkatchouk. Foi fundada por Leon Elinger, Max Goldstein, Max Schmiliver, Simão Deutschman, Julio Kuperman, Idel Tkatchouk, Pier Schmiliver e Kuba Kuperman. Esta instituição considerou o crescimento da comunidade judaica à época, e teve como finalidade trazer auxílio, cuidado e acompanhamento para os doentes. Em 21 de novembro decidiram por alugar uma sede no Bom Retiro, e no dia 25 duas salas foram alugadas em eum edifício na Rua José Paulino...

Você teria alguma informação a acrescentar sobre o Minian da Linath Hatezedek? Escreva para myrirs@hotmail.com e conte um pouco suas memórias e histórias sobre os Minianim e Sinagogas  da cidade de São Paulo.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Congregação Israelita Ortodoxa Kehal Chassidim - Kehal Chassidim Ratzfert


Rua Mamore- Google- Street View - fev.2018
A Congregação Israelita Ortodoxa Kehal Chassidim, ou Kehal Chassidim Ratzfert situa-se, ou estava situava, à Rua Mamoré, no Bom Retiro. De linha Chassidica Ashkenazi, há pouca informação disponível na internet, ou em livros consultados até o momento, relacionadas a esta sinagoga. Podemos verificar que a data de abertura, como Empresa/CNPJ, é 3 de fevereiro de 1970.
De acordo com a Lei 6904/90 | Lei nº 6.904, de 26 de junho de 1990, o Governador do Estado de São Paulo, fez saber que a “Assembléia Legislativa decreta e o Governador promulga a seguinte lei: Artigo 1º - Fica declarada de utilidade pública a "Congregação Israelita Ortodoxa Kehal Chasidim", com sede na Capital. Artigo 2º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.  Palácio dos Bandeirantes, 26 de junho de 1990. Orestes Quércia. Publicada na Assessoria Técnico - Legislativa, aos 26 de junho de 1990”.
Na Tese de Doutorado de Daniela Susana Segre Guertzenstein, “O uso do computador e da Internet pela comunidade judaica ortodoxa paulistana” apresentada para a FFLCH da USP, sendo Marta Topel a orientadora, registra que em 1958 chegou a São Paulo o Ratzferter Rebe Ioel Beher, nascido na Austria. De formação rabínica ultra-ortodoxa, estudou advocacia, e vários membros de sua comunidade estudaram em universidades brasileiras. Daniela escreve que a Congregação Israelita Ortodoxa Kehal Chassidim começou sob a liderança espiritual de Rebe Ioel Beher, e abriga uma ampla rede de serviços de assistência social, além de centro de estudos, o Kolel Shlomei Eliezer, tendo como responsável o Ruv Ytzchak David Horowitz e líder espiritual Zicha Beer.
Já o livro “Dialógos entre as Culturas Judaica e Contemporânea", do Instituto Cultural Interface, revisão de Miriam Schuartz, e de vários autores, podemos ler o texto a seguir: “No Brasil existem vários grupos de judeus ultra-ortodoxos, e ortodoxos, e São Paulo é a cidade que agrega o maior número destas comunidades. Havia no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo o Rebbe de Ratzfert, o Rebbe Beher...Hoje seu filho está com projeto de mudar-se para os Estados Unidos, e seu genro, que se mudou do Bom Retiro para a região de Higienópolis, é o rabino responsável por costumes judaicos rabínicos como tradições judaicas...”
Há a indicação de que o Rabino Itzhak D. Horowitz e o Rabino M. Z. Beer d’Ratzfert integram o Conselho Rabínico do Estado de São Paulo, composto também pelos Rabinos Jacob Begun, Henrique Begun, Eliahu B. Valt, Efraim Laniado, Meir A. Iliovits, Jacob Garzon, Isaac Dichi e David Weitman.
Você frequentou ou frequenta a Kehal Chassidim Ratzfert, ou conhece que fez parte desta sinagoga? Escreva para mim no e-mail myrirs@hotmail.com ou deixe seu comentário aqui...