segunda-feira, 3 de julho de 2017

Comunidade Judaica do Ipiranga

Rua Silva Bueno, 1512 - imagem Google

Para falarmos sobre a comunidade judaica do Ipiranga entendo ser fundamental citar o livro “Ouviram do Ipiranga- Fragmentos de uma Vida” de Jacob Murahovschi.

Este livro, como escreve sr. Jacob, é uma homenagem aos judeus do Ipiranga, e em especial, aos pais Anna Steinberg e Moyses Murahovschi, originários da Bessarábia. Sr. Jacob escreve sobre a sua vida e sobre a vida de sua família, sobre o bairro do Ipiranga, um pouco da história deste, suas personalidades, os revolucionários (Iara Iavelberg, Gelson Reicher e Chael Charles Schreier), seus vizinhos da comunidade judaica do bairro, sobre os que não eram da comunidade, sobre a Sinagoga e Clube Juvenil, e sobre o Clube Atlético Ypiranga. 

Podemos ler na página 75 do livro: “Meus amigos judeus do Ipiranga. Esta homenagem é a todos os meus queridos Judeus do Ipiranga. Moraram entre os anos 1940/1950 umas 550 pessoas, em torno de 120 famílias. Quando penso que todos praticamente chegaram ao Brasil, instalando-se no Ipiranga, sem conhecer a língua, a maioria sem conhecer ninguém e praticamente sem dinheiro e conseguiram o que conseguiram com luta e determinação, tornando-se cidadãos brasileiros importantes, não só para o bairro, como também para o Estado de São Paulo.  Assim os vejo, com admiração e respeito, ao acompanhar suas trajetórias de vida…” E cita as famílias com as quais conviveu, entre elas as famílias Besen, Scholnik, Veiser, Tabacov, Reichev, Itzcovici, Markscheid, Schreier, Reicher, Haberkorn, Leiderman, Entner, Winer, Iavelberg, Khrahmalnik, Murik, Murachovsky, Czeczanowiski, Horovitz, Chusid, Metzger, Kreimer, Kohn, Tarasautschi, Gleizer, Torikachvili, Landa, Skujis, Demasko, Weiner, Kolber, Krip, Finger, Vaidergorn, Sapojnic, Avrucik, Steinberg, Hune, Carmona, Gendel, Konstantyner, Schnaider.

Gostariam de conhecer e ler o livro do sr. Jacob Murahovschi? Ele está disponível para venda na Editora e Livraria Sefer. Visite a livraria e adquira o seu!

Caso queiram saber um pouco mais sobre esta comunidade, vejam o vídeo do Mosaico na TV, aonde Vitor Padovan entrevista sr. Jacob. Foi publicado em 31 de jan de 2013 no YouTube. Assistam:


E voce, fez parte da comunidade judaica do Ipiranga? Tem fotos, documentos, histórias a contar, sabe algo sobre a sinagoga do bairro? Aguardem as próximas postagens!!!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Identificando o bairro do Ipiranga

Museu do Ipiranga foi a primeira grande obra da região;
 era o unico predio visível da rua. Acervo/Estadão

Este texto foi extraído dos sites indicados abaixo. Consta destes que a palavra “Ipiranga” possui diversos significados, não havendo um estudo definitivo a respeito de sua tradução exata. Junção de duas palavras em tupi, pode significar "água roxa", “água barrenta”, ou ainda “água vermelha”.

Os primeiros registros da região datam de 1510, época em que João Ramalho habitava, juntamente com os índios Guaianazes, a área de Piratininga, entre a margem direita do Ribeirão Guapituva e a aldeia do cacique Tibiriçá. Segundo dados históricos, João Ramalho se casou com Bartira, filha do cacique, com quem teve muitos filhos.

Museu do Ipiranga em 1902, fotos de Guilherme Gaensly
site Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_do_Ipiranga
Com doações de terras que se seguiram, a região do Ipiranga recebeu “ocupação branca”, levando à transferência dos índios para novos locais.

Até o final do século 16, esta região já contava com aproximadamente 1500 pessoas, por toda a área do RioTamanduateí. A localização privilegiada favoreceu a concentração e expansão de sítios e fazendas, desenvolvendo-se o comércio.

O principal fato histórico do bairro foi a Proclamação da Independência do Brasil, em 7 de Setembro de 1822, por Dom Pedro I, às margens do riacho Ipiranga.

Com o passar do tempo, o bairro deixou de ser apenas “uma passagem entre o mar e a cidade". O bairro fez parte das modificações urbanas geradas pela indústria. Em 1904, o Ipiranga foi “palco do primeiro bonde elétrico” e em 1947 ocorreu a inauguração da Rodovia Anchieta .

A Companhia Fabril de Tecelagem e Estamparia, dos irmãos Jafet, contribuiu para o surgimento do bairro Ipiranga, auxiliando no seu desenvolvimento e estando presente nas principais obras da região do Ipiranga. Foram eles os responsáveis pela implantação de fábricas, obras de tratamentos as águas do rio Tamanduateí, construção de hospitais, escolas e estradas. 

Outra figura importante para o surgimento e desenvolvimento do bairro foi a do Conde José Vicente de Azevedo, advogado, professor e parlamentar. Nos últimos anos do Império, sr. José adquiriu terras na colina do Ipiranga.

Bairro residencial e comercial, podemos citar avenidas e ruas conhecidas como a Av. Nazaré e as ruas Manifesto, Tabor, Comandante Taylor, Silva Bueno, Lino Coutinho, entre outras. O bairro é atendido por três estações da Linha 2 – Verde- do Metro, por escolas, restaurantes, bares e lanchonetes.

Cartão postal antigo-Museu do Ipiranga
Como marcos históricos do bairro temos o Museu e o Monumento do Ipiranga, inaugurados em 1895 e 1922, e o Parque da Independência. Hoje, é considerado um “museu a céu aberto”, pois em 8 de maio de 2007 as doze construções centenárias do bairro foram tombadas pelo Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo). 

O distrito inclui, além do Ipiranga, outros sete bairros: Alto do Ipiranga, Dom Pedro I, Vila Carioca, Vila Eulália, Vila Independência, Vila Monumento e Vila São José.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Participem divulgando os posts do blog de minha pesquisa...

Ao compartilhar minha última publicação no Facebook, sugeri aos leitores que “participem divulgando os posts do blog de minha pesquisa, que venho desenvolvendo de forma independente. Já são mais de 56 mil visualizações das páginas deste blog. Estou escrevendo com a colaboração de todos que querem participar, e que querem ajudar a divulgar a nossa história aqui em São Paulo, as sinagogas que a comunidade ajudou a construir nos mais diversos bairros da cidade, sua arquitetura, arte e memória !!! E...caso haja interesse em patrocina-la, entrem em contato comigo!!!”


Recebi vários comentários, muitos deles no Net Shuk.

Entre eles, o de Edith Nekrycz Wertzner: “Que interessante! Vou compartilhar...Adorei”




Adriana Assad Gross e Lili Artz escreveram...Sucesso!!! Sensacional!!! Parabéns!!!

Sr.Eduardo Csasznik enfatizou... “Muito legal! Não conhecia a história. Me lembro quando batiam na nossa casa na Rua Sebastião Velho, nos convocando para completar Miniam nesta Sinagoga. Isso no fim dos anos 60. Na Rua Sebastião Velho tinham umas 6 famílias da coletividade então, na necessidade de miniam era por ali que convocavam. Ainda tem pessoas de idade avançada que ainda poderão lhe ajudar: a mãe da Sima Halpern, acho que D. Malvina Shehtman (mãe do arquiteto Léo Shehtman). Acho que D. Rosa mãe do Nilson e Irineu Cupersmid. Assim, pergunto: Alguém das famílias citadas possuem histórias a compartilhar, fotos e documentos para divulgar?

Josette Hazan achou “Muito interessante, como a nossa comunidade sempre tem histórias bonitas para lembrar, tem que ser divulgada, vou compartilhar!!!”

Agradeço a todos que estão participando desta pesquisa, concedendo entrevistas, e divulgando o material que vamos encontrando...


terça-feira, 13 de junho de 2017

Milton Rososchansky e a Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob

Joyce Marcovits entrou em contato comigo por email, informando-me que sua família foi uma das fundadoras da sinagoga de Pinheiros e que o pai, Milton Rososchansky, gostaria muito de conversar a respeito. Conversamos, e entrei em contato com sr. Milton. E agendamos um horário: dia 9 de junho de 2017, às 10h30. Nesta data encontrei-me com sr. Milton e esposa sra. Judy, que comentaram que o filho, no México, havia lhes falado sobre minha pesquisa. Em uma conversa muito agradável, ouvi a seguinte história:

Com sobrenome de provável origem russa (Rosos-nome de uma cidade; Chansky-filho de), sr. Jose, pai de sr. Milton, nasceu na Bessarábia, e possuía um irmão e duas irmãs. Juntamente com o irmão, sr. Salomão, uma das irmãs e o noivo desta, sr. Bentzion Solon, imigraram ao Brasil no inicio da década de 1930, sem recursos. O que possuíam permaneceu com os avós e a tia, no país de origem. Como detalhe, a tia acabou por estudar na Romenia, formou-se, sobreviveu à segunda Guerra Mundial e emigrou, juntamente com a filha, para Israel, no período de governo de Gorbachóv. Infelizmnete os avós não sobreviveram ao Holocausto...

No Brasil, muitas famílias de imigrantes chegavam com recursos trazidos do país de origem, outras não. As famílias ajudavam-se, associavam-se uns com os outros, e assim, cada um passava a ter o seu sustento. Sr. José, pai de sr. Milton, e sr. Leon Steinberg estabeleceram uma granja de galinhas no Embu, em amplo terreno, até 1947. Nesta época, por falta de ração, fecharam a granja e vieram a São Paulo. Sr. Jose, assim como muitos outros imigrantes, começou a vender mercadoria nas ruas, e conseguiu estabelecer-se, o que tornou possível “chamar” a namorada, no país de origem, para vir ao Brasil. Sr. Mendel Sancovsky, marido de sra. Fanny e pai do sr. Mauro, por exemplo, possuía uma loja de roupas masculinas na R.Teodoro Sampaio. Entregava camisas para os imigrantes da comunidade que chegavam ao Brasil, para que as vendessem, e assim, conseguissem seu sustento.

Morador de Pinheiros, sr. Bentzion, cunhado de sr. José e “mais religioso”, juntamente com as famílias da comunidade judaica do bairro, uniram-se para formar e construir a Sinagoga Beth Jacob. Para tanto, compraram uma casa velha, em terreno de 5m x 25m, demoliram-na e construíram um edifício com 2 pisos-um para os homens, outro para as mulheres- e um salão de eventos ao fundo. Sr. Milton lembra que sr. Felipe Ackerman foi quem doou o Aron Hakodesh da sinagoga. No espaço ao fundo, em 1 ou 2 salas, iniciou-se a escola Chaim Nachman Bialik, como já publicado em posts anteriores, sob direção e ensino do prof. Karolinski, amigo de sr. Leon Steinberg. Sr. Milton começou a estudar neste cheder, cujo ensino, dos 6 aos 13 anos, finalizava-se quando os meninos celebravam o Bar-Mitzvah. Com o aumento do numero de alunos, a escola transferiu-se para a R. Cardeal Arcoverde e, posteriormente para a R. Simão Alvares, permanecendo neste endereço até a criação do Colégio Alef no Clube a Hebraica.

Com o falecimento do pai, em 1951, sr. Milton “assumiu” a cadeira do pai na sinagoga, frequentando-a nas Grandes Festas. A sinagoga, na década de 1960/1970 passou a ser frequentada pelos filhos dos fundadores. A comunidade judaica de Pinheiros, que sempre foi unida, começou a diminuir, com a mudança para outras regiões da cidade, principalmente Jardins e Higienópolis. Com receio de que a Sinagoga de Pinheiros "acabasse, convocäram-se os descendentes dos fundadores, que reuniram-se com sr. Helio Solon, filho do sr. Bentzion, e presidente na ocasião, para estabelecerem um rumo e resolverem problemas daquele momento crucial.

 Sr. Milton, no momento em que era presidente da sinagoga, conta ter sido procurado por sr. Fred Mester. Haviam sido procurados pela Loja Maçonica David Iampolsky, que estava desocupando um espaço do Bom Retiro. Em reunião com os membros da Sinagoga de Pinheiros e da Loja Maçonica, esta expos que estavam dispostos a alugar e reformar o edifício. Alguns aceitaram a proposta, outros não; alguns sugeriram que a sinagoga fosse transferida para o Bialik, outros afirmaram ser fundamental permanecer como sinagoga aonde estavam. Decidiram, por fim, permanecer aonde estavam e acatar a locação da Loja. Sr. Helio redigiu o Contrato de Locação a ser firmado. Uma das cláusulas deste Contrato estabelecia não um valor de locação, mas que um dos salões da sinagoga fosse alugado pela Loja mediante o compromisso de manutenção da edificação como um todo, e da manutenção dos minianim de todos os sábados.  Assim, desde 1987, o Contrato e o acordo tem permanecido, com a contratação do Rabino Levi Yitschak Fishel Rabinowicz, mantendo um rito tradicional, permanecendo no local os frequentadores antigos, atraindo novos e incluindo a comunidade judaica que, hoje em dia, volta a se estabelecer neste bairro...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Bialik e Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob

O Colégio Bialik (Ginasio Israelita Brasileiro Chaim Nachman Bialik) teve seu inicio nas salas de aula, aos fundos da Sinagoga Israelita de Pinheiros, em 1943, como lembrou sr.Mauro Sancovski, presidente da sinagoga. Assim, da mesma forma como ocorreu com as comunidades judaicas da Vila Mariana, Cambuci, Brás, Lapa (veremos sobre esta em outro momento), esta escola, em seu inicio, esteve ligada à sinagogas do bairro.

O professor Luiz Karolinski, convidado por sr. Henqrique Sankovsky (presidente da sinagoga), começou a lecionar na escola logo no inicio desta. Seus 13 alunos estudavam o ydish e o hebraico. Professor Karolinski era o responsável pela escola, diretor e professor.


A respeito desta época inicial da escola pude conversar rapidamente com sra.Geni, mãe de Priscila (Kotujansky) Gorenstein. Sra.Geni comentou sobre a foto que vemos. O grupo de alunos reunido no salão ao fundo da Sinagoga, ao lado das salas de aula. Sra. Gemi aos 12 anos aparece na foto, assim como sua irmã. Apesar de frequentarem a escola, não frequentavam a sinagoga...

terça-feira, 30 de maio de 2017

Frequentadores da Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob

Assim como fiz nas publicações relativas às Sinagogas de V.Mariana, Cambuci, Brás e Penha, publico aqui alguns comentários de famílias que frequentam ou frequentaram a Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob:

Katia Biderman Mesniki Charf escreveu que faz pouco tempo que frequentam a Sinagoga de Pinheiros, e gostam muito. Katia indicou Thamar Zagury Rabinowicz, esposa de  Rab. Levi Yitschac Fishel Rabinowicz, o rabino da sinagoga, nos dias de hoje. Thamar avisou que a sinagoga, B’H, está na ativa... (para saberem mais, vejam o post sobre a  conversa com Rab. Levi e a visita à sinagoga).

Rosa Kibrit comentou: “Todo Shabat tem rezas lá! Kabalat Shabat e também shacharit/mussaf!!! Meu marido frequenta mais que eu! Meu pai foi chazan lá, nos anos 70/80, não sei ao certo.  Posso ver com minha irmã se possui fotos, o Bar-Mitzvah do meu sobrinho foi lá!!! Vou ver e te falo!!!”

Esther Naslauski Bacht indicou sr.Pedro Perlow e Golda Frym. E informou: “O sr.Pedro é neto de um fundador, e deve ter estórias de família. O marido da sra.Golda frequentou a vida toda essa sinagoga. Eu fui no offriff do filho deles lá!”

Silvio Ary Priszkulnik lembrou que a sinagoga foi “o berço do finado e tão tão querido Colégio Chaim Nahman Bialik, nome do maior poeta nacional do moderno Estado de Israel que jamais tirarão da história judaica. A Sinagoga Beth Jacob de Pinheiros, embora tenha sido o berço do Colégio Bialik, nos anos 80, elas, entre si, já não tinham de longa data qualquer ligação eu diria. Minha classe esteve para conhecê-la em 1983 (se não me engano). Lindo trabalho de pesquisa do patrimonio historico judaico de Sao Paulo que vc faz...”

Deborah Rittner Soihet solicitou a Laercio Hillel para contar “sobre a Sinagoga do Zeide!!!” Vamos aguardar...

Nathan Janovich indicou Fani Stein Janovich e Cleide Chusyd indicou Luciano Herman Werdesheim

Patricia Golombek comentou “Meu tio avô Felipe Akermann e seu irmão Enrique foram seus fundadores, entre outros. Frequentávamos a sinagoga do Brás, onde meu avô ia, os irmãos moravam em Pinheiros. Tenho uma prima que possivelmente tem fotos, te mando por inbox...E inbox, Patricia Golombek contou que a prima de minha mãe Clara Derdyk era filha do Enrique Akermann e frequenta ainda a sinagoga, a filha dela deve estar no facebook é a Marcia Derdik Czeresnia ( tem 2 Márcias Czeresnia, veja a Derdik), Publiquei no blog o nome dos fundadores e inclui o nome do tio-avo de Patricia Golombek, Felipe Akerman, a quem conheci quando criança. Publiquei no blog o nome dos fundadores e inclui o nome do tio-avo de Patricia Golombek, Felipe Akerman, a quem conheci quando criança.

Melany Yoseff Torres também lembrou “Quando jovem, um pouco antes do falecimento de papai, em 1981, moravamos no 1790 da Rua Arthur de Azevedo, bem em frente do shil!! Completando minian, papai começou um processo de teshuva nesse shil, comprou tefilin, sidur e kipá e comecou a rezar todas as manhas, dizendo: sim eu sou judeu e ainda sei rezar...foi lindo...alguns meses depois ele faleceu, nos meus braços, nesse mesmo apartamento.”

Sra. Janete Raquel Vaisbih contou: “Meu falecido sogro foi um dos fundadores dessa sinagoga e toda a família era frequentadora dessa sinagoga. O meu sogro chamava-se Jacob Vaisbih e minha sogra era a Rosa(Rosinha) Vaisbih. Existiam as cadeiras com o nome deles na sinagoga. Aliás, os outros irmãos do meu sogro o sobrenome é escrito de maneira diferente, pois deve ter sido erro qdo chegaram no Brasil Waisbich.”

Observei que os bancos de madeira de antigamente foram trocados em quase sua totalidade por cadeiras estofadas em tecido. Não pude verificar identificações nos bancos ainda existentes.

Sra. Lea Raicher informou que frequentou a sinagoga na infância...

Silvia Fichmann frequentava a sinagoga quando era criança e contou que nas festas, tinham a oportunidade de rever amigos Pinheirences... “Bons tempos!”, enfatiza. Silvia encaminhou o texto do livro que o pai, sr.Marcos Vaidergorn, um dos fundadores da sinagoga, escreveu: “Minha vida, uma história...Romênia-Brasil 1922-2003”. Para saber mais: http://artejudaicasaopaulo.blogspot.com.br/2017/05/muni-mordeo-marcos-vaidergorne-sinagoga.html

Agradeço muito o apoio, colaboração e incentivo de todos os que tem participado, como Sissa Metzger, Ricardo Assirati Vicente, Madalena Vaz e Sonia Fischer...

domingo, 28 de maio de 2017

Estatutos da Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob...

Nestas últimas duas semanas pude conversar com o sr. Guilherme Rosensveig, membro da Loja Maçônica; com o sr. Raphael Judkiewicz, secretário da Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob; e com o sr. Mauro Sancovski, presidente desta.

Sr. Guilherme Rosensveig, nascido no bairro de Pinheiros, comentou que o tio e o pai participaram do inicio da sinagoga. Mudaram-se para a Lapa, aonde a comunidade judaica da região reunia-se, inicialmente, em um salão de clube. Em outro momento falaremos da Sinagoga da Lapa...

Sr. Guilherme informou que por um longo período a sinagoga ficou ativa somente nas Grandes Festas. Em 1987, a Loja Maçonica, através de acordo realizado com a Sinagoga, assumiu a manutenção do edifício, revitalizando e reativando a sinagoga, realizando tres reformas no período, inclusive com a adaptação do mobiliário: os bancos originais foram substituídos por novas cadeiras. 

Sobre este fato sr. Raphael contou que os bancos originais, em madeira, estavam desgastados e em más condições de uso, por causa de cupins, muito comum no bairro. 

Sr. Raphael forneceu-me copia dos Estatutos aprovados em Assembleia Geral Extraordinária e 30 de janeiro de 1938. A diretoria nesta data era composta por Henrique Sancovsky(Presidente), Ramiro Rozensveig (Vice-Presidente), José Rosochansky (1.Secretário), Moyses Stulman (2.Secretário), Abram Gandelman (1.Tesoureiro), Michael Mirror (2.Tesoureiro). Como parte do Conselho Fiscal: Leão Steinberg, Felipe Gandelman, Benjamin Solon, Luiz Tchehanovich, Jacob Zilber.

Sr. Raphael apresentou-me, inclusive, o Requerimento de Registro e Arquivamento dos Estatutos da Sinagoga ao Oficial do 1. Registro de Títulos e Documentos da Capital, também de 1938, como podemos visualizar acima, assim como a cópia da publicação no Diário Oficial do Estado de S.Paulo, com o Extrato de seus Estatutos para Registro (vejam abaixo). 

Nesta copia lemos: “A sociedade só será dissolvida por não preenchimento dos fins para que foi criada e isso a juízo unanime da Assembléia Geral para tal fim especialmente convocada, e pelo consenso unanime dos sócios. Neste caso de sua dissolução, os bens reverterão em benefício do sanatório Ezra, em São José dos Campos.”

Sr. Mauro, em nossa conversa, enfatizou que neste ano de 2017 a Sinagoga completa 80 anos. Neste momento também é fundamental lembrar que o Colégio Bialik teve seu inicio nas salas de aula aos fundos da sinagoga. E o edifício desta escola não mais existe. Sr. Mauro também comentou sobre o acordo entre a Loja Maçonica e a Sinagoga, que contou com o sr. Jose Sancovski, filho do primeiro presidente, sr. Henrique Sancovsky

A partir de 1987, quatro são os presidentes da Sinagoga: sr.Helio Solon, sr.Moshe Weinfeld, sr.Jacobo Kogan e sr.Mauro Sancovski (como comentei, o atual presidente).

Nas próximas postagens veja quem fez ou faz parte da Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob

domingo, 21 de maio de 2017

Uma pausa para divulgar a minha proposta da pesquisa sobre as Sinagogas de São Paulo

Aqui faço mais uma pausa para divulgar a minha pesquisa sobre as Sinagogas de São Paulo, que venho realizando há um tempo. Se puderem, vejam a  proposta:

Proposta: Pesquisa e estudo sobre as Sinagogas de São Paulo, considerando a preservação de nossas memórias, e do patrimônio histórico, artístico, cultural e arquitetônico que possuímos.

Objetivos: Este trabalho tem como finalidade preservar e perpetuar a memória e raízes da comunidade judaica de São Paulo...seu passado, presente, futuro.... Definir origem e conhecer a história de cada sinagoga, da própria comunidade judaica do bairro aonde se estabeleceram, e da cidade de São Paulo como um todo. Compreender, assim, a comunidade judaica de São Paulo, sua realidade sócio-economica-cultural, da criação de cada um dos edifícios até os dias de hoje.

Meios de Trabalho: Pesquisa e coleta de material disponível, catalogação, entrevistas, organização de arquivo fotográfico e histórico. Estudo da coletividade judaica, da criação das sinagogas(fatos de época) aos dias de hoje, documentação produzida, levantamento das plantas e projetos, partido arquitetônico adotado e tipologia dos edifícios. Entendo que também seja possível realizar, em algum momento, propostas de restauração das edificações em questão, caso seja necessário.

Divulgação: A proposta engloba também a realização de mostras, exposições, livros, vídeos, desenhos, fotografias, “museu” da sinagoga, álbuns, etc. O material que já venho levantando e organizando está sendo divulgado em http://artejudaicasaopaulo.blogspot.com.br/ e https://www.facebook.com/sinagogasemsaopauloarteearquiteturajudaica/

Alguns detalhes: Iniciei esta pesquisa com o estudo da comunidade judaica da Vila Mariana, a Sinagoga do Lar dos Velhos-Cilly Dannemann e do Peretz- Mordechai Guertzenstein (sinagoga vinculada ao colégio). Cresci na Vila Mariana, minha familia fazia parte da comunidade do bairro, meu avo Chiel Leib era schochet e professor de Bar-Mitzva nos anos 1950/60, e também conduzia as rezas no Lar dos Velhos. Estudei, do maternal ao colegial, no Peretz, de 1964 a 1978 e cursei arquitetura na FAUUSP.

Neste momento, em específico, busco informações sobre a Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob. Fico no aguardo, se possivel, de dados, fatos, fotos e documentos desta.

Continuo em busca de material sobre as Sinagogas do Cambuci, Brás e Penha, das quais já divulguei informações, e também relativo às demais sinagogas. Colaborei na elaboração de livreto da Sinagoga Knesset Israel, entregue aos participantes do Evento Comemorativo dos 100 anos desta.

Caso queiram,  poderão encaminhar esta proposta de pesquisa a quem  conheçam e acreditem que também possam ter interesse em conhece-la, ou patrociná-la de alguma forma.

Sei que o trabalho é longo e intenso e requer dedicação de minha parte, e colaboração e participação de nossa comunidade, pois contamos, ou contávamos, com mais de 60 sinagogas espalhadas por alguns dos bairros da cidade de São Paulo.

Grata a todos que tem colaborado...e aos que ainda irão participar!!!

Myriam Rosenblit Szwarcbart    e-mail: myrirs@hotmail.com.br

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sra. Lea e sr.Muni...Mordeo...Marcos Vaidergorn...e a Sinagoga de Pinheiros


No inicio de maio de 2017 estive em contato com Silvia Fichmann, que comentou sobre o livro, “Minha vida, uma história”, escrito por seu pai, Marcos Vaidergorn, e ainda não publicado. Muito bonito, sensível, e de fácil leitura, o texto nos permite imaginar todo o cenário descrito pelo autor.

No prefácio deste livro podemos ler: “A pedido e insistência de minha filha, faço este relato esperando que fique como um registro de fatos vivenciados por mim e minha família...Tudo começou em Hotim, Bessarábia, Europa...”

Silvia Fichmann, na introdução do livro, afirma: “...A partir das primeiras páginas, me emocionei pelo fato de que só depois de 36 anos de minha vida, tive a oportunidade de conhecer com detalhes o que foi vivenciado por um ente tão querido...Espero que todos consigam entender o significado deste livro e que relembrem com carinho e admiração da pessoa maravilhosa que foi o Marcos, esposo, pai, avô e bisavô...”

Sr. Marcos, ao chegar a São Paulo com a mãe e a irmã Hanna, estabeleceu-se na casa da irmã Cecília no bairro de Pinheiros. 

Em um trecho do livro, relata: “Em Pinheiros, moravam muitas famílias judias e não havia nenhuma sinagoga. Em 1935, nos feriados religiosos, nós alugávamos uma sala grande em cima de uma loja e fazíamos a reza. Em 1936, alugamos um salãozinho na Rua Butantã para rezar e no ano seguinte organizamos uma comissão de moradores e compramos uma casa velha na Rua Arthur de Azevedo, com terreno de 7 m por 50 metros por 11 contos de réis. Fizemos uma reunião na casa de uma família idish, e cada um contribuiu com a sua parte. Derrubamos a casa, coletamos dinheiro para cada um dar a sua contribuição (tijolo), vendemos cadeiras cativas para os fundadores, meus irmãos e eu compramos e a coletividade de Pinheiros também. 

Enfim, construímos a sinagoga e demos o nome de Beit-Yacov. Elegemos o presidente do Schil o Sr Henrique Sancovsky, que ficou por muitos anos no cargo. Nos fundos dela construímos também quatro salas para iniciar ali a Escola Chaim Nachman Bialik. Ela começou com seis crianças. Algumas pessoas doaram a passadeira, o Aron Kodesh, e várias outras coisas. Fizemos rezas com o schil repleto. No andar de cima ficavam as senhoras em em baixo ficavam os homens. Na festa de Simchá Tora as crianças que já estavam frequentando a escola andavam cantando com bandeirinhas espetadas com maçã e velinhas. Em seguida, contratamos um diretor para a escola, o Prof. Carolinky, que dava aulas de hebraico e assim a escola continuou o seu curso...”

Para ler e conhecer um pouco mais sobre este livro, entrem em contato com SilviaFichmann  .

Dia 12 de junho de 2017 estive com a sra. Lea Vaidergorn, esposa do sr. Marcos, e com Silvia Fichmann, filha destes. Sra. Lea acrescentou vários comentários a respeito deste meu post. Um fato interessante é o de que a sogra juntos dinheiro e pode doar um Sefer Tora para a Sinagoga de Pinheiros, depois de 1947, ano de casamento da sra. Lea, e na época que a filha mais velha, Marli, já era nascida. Lembrou que a comunidade judaica do bairro era muito unida, encontravam-se inclusive nas ruas como a Teodoro Sampaio, quando circulavam a pé pelo bairro, ao irem ao mercado, à feira, às compras... Porém, ao encontrarem-se nas Grandes Festas, na sinagoga, cumprimentavam-se com um “Shaná Tová” de uma forma especial e alegre!!! A sinagoga ficava repleta e muitas mulheres acabavam por não conseguir sentar no interior da galeria do primeiro piso, destinado a elas. As crianças bricavam nestas ocasiões, assim como dançavam em Simchá Torá, com as bandeirinhas que incluíam uma maçã na ponta des cada uma destas.

Sra. Lea relembrou e questionou-me sobre as plaquinhas dos bancos da sinagoga, comentando que a primeira fileira da sinagoga era ocupada pelos irmãos Vaidergorn...E então, questiono...alguém saberia aonde estão tais plaquinhas?

terça-feira, 2 de maio de 2017

As placas na Sinagoga Israelita de Pinheiros Beth Jacob


Uma placa de 27 de setembro de 1937, na entrada da “Synagoga Israelita de Pinheiros Beth-Jacob”, nos mostra os nomes dos fundadores, assim como outras duas nos apontam os nomes dos falecidos, e o agradecimento aos que participaram da reforma, de junho de 2015/ Tammuz 5775.

Na placa com a data da fundação, vemos os nomes de:
Aron Sancovsky, Felippe Akerman, Francisco Elman, Froim Vaidergorn, Bention Salon, Jonas Vaidergorn, Jacob Rosenblit, Bernardo Vaisberg, Jacob Zilber, Moisés Zilberberg, Abram Candelman, José Groberman, Jacob Vaisbich, Mendel Sancovsky, Ovsie Sankovsky, Adolfo Vaisberg, Huna Vaisbich, Jose Ciechanovicz, Naum Ciechanovicz, Samuel Rozen, Aron Dectiar, Zeilig Portnoi, Leib Vaidergorn, Jacob Vaidergorn, Muni Vaidergorn, Herman Aberkorn, Heinoch Akerman. Temos também Leoncio Galper, Salomão Rosochansky, Isaac Guelman, Emilio Lewinson, Abrão Suker, Natan Faerman, Roberto Waissman, Fredy Mester, Abrão I. Goldenberg, Pedro Perlow, Benjamin Goldenberg, Luiz Pinchovsky, Simão Punsky, Herch Vaisbich, Luiz Vaisbich, Jayme Sister, Jacob Solon, Leon Gross, Abrão Kigner, Marcos Vaissman, Samuel Gluz, Mauricio Faerman, Marcos Faerman.

Já na placa dos fundadores falecidos temos:
Michael Mirroz, Isaac Vaisbich, Ichil Koifman, José Rososchanski, Ramiro Rosenzvaig, Luiz Ciechanovicz, Julio Guttenberg, Salomão Feldman, Bernardo Berman.

Quanto à placa de agradecimento aos que participaram da reforma, de junho de 2015, podemos citar Zatz Empreendimentos, Escola Beith Yaacov, A.: R.: L.: S.: David Iampolsky #145, Familia Helio Jrandir Worcman, Familia Mauro Sancovski, Familia Jaques Zitune, Familia Jacobo Kogan, Familia david Tarandach, Familia Eduardo Stock Sipilivan e Familia José Eduardo Gobbi.

Edito aqui este post, em 07 de novembro de 2017. Rabino Levi, há uns meses atrás, mostrou-me os escritos de Nuchim Ciechanowicz, traduzidos do idish por Frida e Jacob Lebensztayn em uma linda homenagem por parte destes, com a data de novembro de 2001. Muito bonito e com o titulo de “Recordações”, relata a história do sr. Nuchim, nascido em Sokolow, na Polonia, e morador do bairro de Pinheiros em São Paulo desde 1936. Sr. Nuchim ajudou a fundar a Sinagoga Beth Jacob, sendo por muitos anos o presidente desta. Como descreve, “os judeus pinheirenses tiveram a ideia de comprar uma casa para fundarem uma sinagoga própria. Rezaram Sucot na casa do sr. Bernardo Berman Z’L. Em Chol Hamoed um minian de judeus se reuniu e cada um contribuiu com quanto podia, conseguindo totalizar cinco contos de réis. Com esse dinheiro puderam dar entrada para a compra da casa, com tres quartos, onde é hoje o nosso Shil, na Rua Arthur de Azevedo. Ficaram devendo seis contos sob hipoteca, que saldaram em parcelas.Asssim o shil foi fundado em 27 de setembro de 1937”. E cita o grupo fundador: ramiro Rozenzveig, Henrique Sancovsky, Jose(Zeka) Gutemberg, Leizer Ciechanowicz, Bernardo Berman, Itzhac Vaisbish, Moishe Zilberberg, Jossef Ciechanowicz, Nuchim Ciechanowicz, Michael Mirroz, Ichiel Koifman, Jacob Zilber...E o nosso bairro de Pinheiros crescia em numero de famílias judaicas...Aqui nesse Shil, centenas de meninas receberam seu nome judaico, centenas de meninos fizeram Bar Mitzva, centenas de jovens foram chamados à Tora antes do casamento(Oifruf), mantendo o Idishkait...”