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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A comunidade judaica de Botucatu

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo preserva a história
das pessoas que chegavam ao Brasil na antiga Hospedaria do Imigrantes

Durante o mês de julho alguns comentários foram publicados no Facebook, relacionados às famílias da comunidade judaica que moraram em Botucatu. Na página do “Guisheft Vendas e Anúncios”, Perola Wajnsztejn e Anette Wajnsztejn contaram que sua família, Wajnsztejn, morou em Botucatu, além dos Grimblat, Wasserman, Zumerkorn, Akerman, Groberman e Waxman. Perola também comentou sobre uma crônica sobre os judeus em Botucatu, escrita por um historiador de lá. E marcou Cecilia Mesniki Zveibil em seus comentários. 

Zyndal Farber Zumerkorn e Anny Zumerkorn Papalexiou  escreveram que o pai, Jacques Zumerkorn e a mãe, Mina Farber, foram morar em Botucatu, eram donos da famosa “Casa Jacques”, e, elas e os irmãos, David Zumerkorn, Deborah Zumerkorn Hassan e Esther Pipek, nasceram na cidade. Estudaram no colégio La Salle e como não havia sinagoga na cidade, os pais reuniam as outras famílias para passarem o Pessach e Rosh Hashana na casa da família. E enfatizaram: “Era muito bom mesmo, até depois que fomos pra São Paulo, e começamos a frequentar outras comunidades judaicas...”

Gil Segre, pelo Messenger, também contou: “Vim com minha família a São Paulo, de Botucatu. Todos os anos, todos os judeus da cidade, na época em que lá moramos, vinham para Pessach na nossa casa. Eu cheguei em São Paulo com apenas seis anos de idade. As melhores pessoas para te contar nossa história são minha mãe (Ariella Segre) e minha irmã mais velha”.

Conversei com a sra. Ariella Segre, que relatou que a família morou em Botucatu por 10 anos, no período de 1970/1980. Naquela ocasião o marido deu aulas na Faculdade de Medicina, inaugurada naquele período, e os quatro filhos estudaram em escola pública e de padres. Sra. Ariella, na época em que moraram em Botucatu, deu aula de hebraico e judaísmo, e citou a família Zumerkorn, onde se reuniam para celebrar Pessach, família esta que possuía uma loja na cidade. Botucatu, cuja palavra signfica “bons ares” como sra. Ariella contou, não possuía sinagoga...Miriam Segre Rosenfeld, filha da sra. Ariela, contou por e-mail: “Agora, aprendi mais história dos judeus de Botucatu do que em toda a minha vida! A questão da sinagoga, na realidade, a casa da Família Zummerkorn, sempre foi um ponto de referência judaica para nós. Seu Jaques sempre convidava os judeus que apareciam na cidade para celebrar as festas judaicas. Minha mãe, em algum momento deu aulas de judaísmo para as crianças de ambas as famílias. Nos anos oitenta, os Lubavitch faziam viagens ao interior e eram recebidos pelo Sr. Jaques. Levavam uma sinagoga portátil no carro. Nessa época, a família Segre já tinha voltado para São Paulo. Meu pai, Prof. Dr. Marco Segre, começou a lecionar no Departamento de Medicina Legal e Trabalho da Universidade em 1970, após sair da USP. Foragido da Itália, de onde veio com seus pais em 1940, aos seis anos de idade, Dr. Marco era médico formado pela USP...” 

Também conversei com sra. Clara Wajnsztejn e com seu filho Alberto, por indicação de Perola e Anette Wajnsztejn e de Julia Damiano. No dia 21 de julho de 2020 sra. Clara relatou que nasceu em Olimpia, próxima a Barretos, cidade “muito quente”, para onde os pais se mudaram após se casarem. O pai de sra. Clara, Sr. Ramiro Grimblat (ou Grynblat), saiu da Rússia aos 21 anos, e a mãe chegou ao Brasil aos 20 anos, proveniente de Yedenitz, na Bessarábia. Quando sra. Clara tinha quatro anos, a família mudou-se para Botucatu, após o pai adoecer, cidade em que cresceu e estudou. Casou-se em São Paulo, pois “tinham família na capital” e porque não havia sinagoga em Botucatu. O marido, Jankiel, chegou a São Paulo, proveniente da Polônia, aos seis anos de idade. Retornaram a Botucatu, onde os quatro filhos nasceram, e cursaram escola pública. As Grandes Festas eram comemoradas também na capital. Como contou, a comunidade judaica da cidade era pequena. Lembra-se da família Waksman, sr. Rubens e a irmã, da família do sr. Jacques Zumerkorn, da família Krystal. Alberto Wajnsztejn contou que nasceu em 1951 em Botucatu, veio morar em São Paulo em 1969, retornando à Botucatu em 1971, onde cursou medicina até 1976. O curso de medicina foi criado em Botucatu, como comentou Alberto, em 1963. Morou com o avô até 1970, quando o avô saiu da cidade. Havia, em Botucatu, umas cinco famílias nesta época, e na casa do sr. Bentzion Waksman eram comemoradas as festas, onde todos se reuniam.

Recebi um e-mail de Anette, em 18 de agosto de 2020, com uma foto da família Wajsztejn, a qual compartilho aqui, juntamente com os dados: “Clara casada com Jankiel Wajnsztejn e seus 4 filhos: Precila, Alberto, Rubens e Perola; Ramiro e Berta pais da Clara e do Carlito. Tem mais 2 filhos, Germano e Miriam; Tio Felipe e irmão da avó Berta. Em pé da esquerda para a direita: Alberto Wajnsztejn, Cziel ( Carlito) Grimblat, Felipe Groberman, Clara Grimblat Wajnsztejn, Jankiel Wajnsztejn, Precila Lana Wajnsztejn. Na frente: Rubens Wajnsztejn, Ramiro Grimblat, Berta Grimblat, Pérola Wajnsztejn” 

Em Jewish Brasil Lilian Elman escreveu: “família Goldenberg em Botucatu”. Alberto comentou que o sr. Goldenberg é professor da faculdade...

Podemos buscar também informações na internet... No site da Wikipédia, por exemplo, encontramos detalhes sobre Noel Nutels (1913 - 1973), “um médico e indigenista judeu brasileiro, nascido na atual Ucrânia. Ainda menino, veio para o Brasil com os pais para morar em Recife, no estado de Pernambuco. Em 1938, formou-se pela Faculdade de Medicina do Recife e, no mesmo ano, naturalizou-se brasileiro. Em 1941, mudou-se para Botucatu, São Paulo, para trabalhar no Instituto Experimental de Agricultura. Foi o médico da primeira expedição Roncador-Xingu, em 1943.”

Você faz parte das famílias da comunidade judaica de Botucatu? Morou nesta cidade, ou em outra cidade do interior paulista??? escreva para mim... myrirs@hotmail.com 


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Objetos na Sinagoga Religiosa Israelita Beith Itzchak Elchonon, à Rua Prates



Diversos objetos permanecem guardados na Sinagoga Religiosa Israelita Beith Itzchak Elchonon, à Rua Prates. 

Em um armário no salão do subsolo, por exemplo, vemos os cálices de vinho, menorót (candelabros), “caixa” para besamim e diversos livros, sendo vários sidurim. Como a sinagoga permanece ativa, vemos as Torót, Rimonim e o “yad” em seus lugares...


Boa parte do edifício mantém-se como na época da construção, em excelente estado conservação, como os bancos já citados, as escadas, pisos em tacos de madeira, luminárias, o teto com suas pinturas e detalhes dos mazalót(zodíaco), aqui presentes como em outras sinagogas.  

A fachada do edifício apresenta, em uma "torre", as doze tribos e seus símbolos.

Quanto às memórias desta sinagoga, sra. Paula Ruchlejmer Szapiro marcou Bety Szapiro Neumann e Jair Szapiro. 

Paula Shafirovits Goldfarb dipôs-se a conversar e contar sua história. Comentou que conheceu os pais do Gilson Suckeveris, que eram amigos da família. 

E adiantou: “Cheguei a conhecer a avó dele, mãe da d. Rosa...”

E você, quais suas lembranças sobre esta sinagoga? Frequentou-a ou frequenta ainda hoje?

Escreva para mim! Envie um e-mail para myrirs@hotmail.com ou poste o seu comentário... 

Chanukah Sameach!!!



sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Frequentadores e familiares comentam sobre a Sinagoga Beith Itzchak Elchonon

Diversos frequentadores e descendentes de antigos frequentadores estão comentando as publicações sobre a Sinagoga Religiosa Israelita Beith Itzchak Elchonon, tanto no Facebook, como encaminhando e-mail e também deixando uma mensagem neste blog.

Na minha página do Facebook Gilson Suckeveris indicou Waldir Bliacheriene, Flavio Beni Duobles e Mario Kauffmann. Waldir compartilhou o post em sua página, e informou que atualmente é o presidente desta sinagoga, estando à disposição para qualquer informação. Flavio Beni Duobles escreveu: “Parabéns pela divulgação desta tradicional sinagoga”.  
Mario Kauffmann também compartilhou as publicações em sua própria página do Facebook e contou: “Eu frequento a sinagoga, e soube da sua visita e do encontro.  Apesar de conhecer todos lá, nem eu nem minha família fazem parte da história da sinagoga. Por isso eu não teria nenhum material pra te ajudar. Compartilhei, pensando que algum dos meus contatos fosse de uma família ligada a sinagoga... Aproveito para parabeniza-lá por essa iniciativa e que você tenha êxito. Ficarei aguardando, ansiosamente, o livro”.
Por sua vez, Monica Zilbovicius compartilhou a postagem na própria página, “marcou” Mauro Zilbovicius, Ioca Levin e Nahum Levin e escreveu: “Vamos procurar fotos e documentos para o trabalho de pesquisa da Myriam Szwarcbart!”. Monica contou que os avos David e Raquel Zilbovicius Z'L aparecem nas fotos divulgadas na postagem anterior. E aqui divulgo mais algumas fotos antigas de uma álbum desta sinagoga... Mauro Zilbovicius interessou-se em saber sobre esta pesquisa e encaminhou as fotos do seu Bar-Mitzvah, em 8 janeiro 1972, e do Bar-Mitzva de Leo Pereira Zilbovicius, seu filho, em 5 de março de 2016, também nesta sinagoga
Ioca Levin contou que o avô, Prof. Yaacov Leib Lewin, Z´L foi presidente e Chazan do Shil, e que também tem fotos do Bar-Mitzvah... Na página do Guisheft Anúncios, também no Facebook, Marta Hepner Tkacz compartilhou a foto do documento de aquisição de uma cadeira do Shil, comprada pelo avo e pelo tio do marido...  irá procurar mais fotos... E Daniel Altman contou: “Meu Bar-Mitzvah foi lá!” Em Shofar Tupiniquim sr. Abram Sztutman lembrou que há outras sinagogas tão antiga como essa no Bom Retiro. E Claudio Minkovicius compartilhou o link da postagem do blog na linha do tempo de Boris Minkovicius. 
Na página das Sinagogas em São Paulo, também no Facebook, Francisco Gioney Marques Rodrigues enviou fotos com sra. Marta Fridland, 93 anos, a irmã sra. Sara, com 90 e sra. Sabina Karpovas, 95. Escreveu que desde a inauguração frequentam a sinagoga, e tem cadeiras com as plaquinhas!! Enviou a foto da plaquinha correspondente...Francisco contou que enquanto acontecem as rezas, as crianças ficam brincando. E enviou a foto de seu filho, Michel Karpovas Rodrigues, do neto e da neta do Sr Moisés Cohen brincando no salão... Vejam algumas plaquinhas afixadas ainda hoje nos bancos da sinagoga nas fotos ao lado. Mas sobre estas, e as demais placas da sinagoga, comentarei em outro post...

Sr. Eliezer Szpektor, que fez Aliah em 1969 e vive em Rishon Letzion, comentou no Blog que fez o Bar-Mitzvah nessa sinagoga em março de 1960, sendo seu professor Marcos Smaletz. “Jaiminho”, a partir deste comentário, também escreveu: “Então somos dois que fizemos lá, e tivemos o mesmo professor...meu Bar-Mitzvah foi em 1962”.

Rachel Muszkat enviou-me um e-mail, elogiando o resgate de nossa história... Contou que os avós maternos eram membros dessa Sinagoga. A mãe, sra. Sônia Golcman Muszkat, frequentava essa Sinagoga durante Rosh Hashana e Yom kipur e sentava na cadeira que tinha o nome da avó, Rachel Golcman. Rachel Muzkat e os irmãos frequentavam também essa Sinagoga. Eram em 6 irmãos, e todos “se enfiavam” na fileira estreita das cadeiras do piso superior, o piso das mulheres e se sentavam para darem um beijo em sua mãe e sua avó. Ficavam brincando na porta da Sinagoga com muitas outras crianças.  Completou: “Lindas lembranças!”
E sugeriu para entrar em contato com a mãe: “Imagino que ela tenha boas histórias para recordar e contar. Parabéns pela linda e importante iniciativa!”

E você, faz parte desta história? Compartilhe e colabore com a pesquisa de resgate das memórias e hitórias das Sinagogas em São Paulo!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

“Lançamento da Pedra Fundamental”-Sinagoga Beith Itzchak Elchonon



A sede da Sinagoga Religiosa Israelita Beith Itzchak Elchonon situada à Rua Prates, 706, foi inaugurada em 1957, como informado no post anterior.

Com projeto de “Sznelwar e Raw”, como vemos, ao lado, na foto da maquete, o “Lançamento da Pedra Fundamental” ocorreu em 29 de janeiro de 1956, 16 de Shvat de 5716. Nas fotos, que constam de um álbum da sinagoga, podemos ver a solenidade com a presença da comunidade. Antes da inauguração, as rezas e reuniões aconteciam na casa do Rabino Valt, que ficava quase ao lado da atual padaria SanRemo, também na Rua Prates. Esta informação foi fornecida pelo sr. Isaac, frequentador da sinagoga, ao Gilson Suckeveris.

Paulo Valadares encaminhou dados por e-mail relativo ao sr. Henrique Suckeveris, citado na publicação anterior, ou Naftalis-Hercas Suckeveriene, de acordo com a Ficha Consular de Qualificação, da seção consular de Helsinki, de 5 de julho de 1939. 

Nascido em Germanskis, nacionalidade lituana, desembarcou em Santos em 15 de agosto de 1939, da embarcação Highland Patriot. Fixou residência à Rua Silva Pinto de acordo com tal documento. Paulo Valadares informa que o navio que o Sr. Henrique chegou no Brasil foi afundado perto de Glasgow em 1940.

Através de diversos comentários feitos no Facebook, com a participação de familiares frequentadores desta sinagoga e e-mails encaminhados a mim é possível conhecer um pouco mais sobre a história do Litvischer Shil.  


Sr. Saul Sotnik contou que fez Bar-Mitzvah neste shil e o avô, sr. David Fligel Z´L, foi um dos fundadores. Paula Shafirovits Goldfarb comentou que a família frequentava e sra. Lea Burdman informou que tem fotos do próprio casamento nesta sinagoga. Já Marcia Cytman escreveu: “Saudades, meu pai Z´L frequentava esta sinagoga dia-a-dia.”

Daniel Sirota marcou, em seu comentário, Denis Duhovni e contou: “Nossos avós/bisavós foram fundadores e o Valdo Duhovni frequenta até hoje. Por sua vez, Sueli Miriam Duhovni comentou: “Meu marido frequenta sempre.


Beti Chertman escreveu: “Meu pai, Isaac Diamandi, frequentava. Saudades...Meus tios Bolik Diamandi e Jaime Lewin. Meu irmão Ari Diamandi ainda reza lá...” Pricila Kahan Heliszkowski lembrou: “Litfiche shil”.

Marta Hepner Tkacz também contou: “O avo do meu marido foi um dos fundadores. Vou ver se meu marido tem algum documento”. E André Leibl lembrou: “Meu filho fez Bar-Mitvzvah lá. Boas lembranças!

No próximo post divulgarei um pouco mais os comentários e textos recebidos! E você, fez ou faz parte desta sinagoga? Gostaria de divulgar alguma história ou compartilhar memórias? Participe você também!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Visita à Beith Hacknesset “Rabi Itzchak Elchonon” - Litvischer Schul



Hoje, 16 de novembro de 2018, David Carlessi e eu estivemos na Sinagoga da Rua Prates, Beith Hacknesset “Rabi Itzchak Elchonon”, Litvischer Schul, que permanece ativa, realizando Cabalót Shabat, Shacharit/Mussaf/Mincha Shabat, comentários das Parashiót e também minianim diários...

Fomos recebidos por Gilson Suckeveris, que nos contou um pouco sobre sua família paterna, de origem lituana e a materna, polonesa, e também sobre esta sinagoga. O pai, sr. Henrique (Naftali Hersz), o mais velho dos irmãos, chegou sozinho ao Brasil, aos 18 anos, em 1939, na cidade de São Sebastião, seguindo posteriormente para São Paulo. A família chegou um período depois. No Bom Retiro, morou à R. Anhanguera, trabalhando inicialmente como mascate e, depois, como comerciante, com uma loja à Rua Jose Paulino. 

Estudou desenho no Liceu de Artes e Oficios, tocava flauta e era artista habilidoso em madeira e pintura. Alguns quadros seus, inclusive, estão expostos no salão de festas da sinagoga. Sr. Henrique muitas vezes conduzia a reza, pois a sinagoga não possuía, e não possui, um rabino fixo.

Visitamos a sinagoga. O piso inferior, um lance abaixo da entrada da rua e destinado ao salão de festas, possui ao fundo o antigo Aron Hakodesh, entalhado em madeira, (provavelmente pelo sr. Henrique), e a Bimah à frente. Como nas outras sinagogas, os 2 leões, na parte superior do Aron Hakodesh, ladeiam as Luchót Habrit. As Torót, em seu interior, estão muito bem conservadas. E diversos objetos como “cós yain”, recipientes de bessamim, candelabros, permanecem guardados em um armário, juntamente com os livros de reza. Hoje em dia, neste espaço, realizam-se os almoços de Shabat e o Kidush.

Um lance de escadas acima da entrada da sinagoga, chega-se à ala masculina. 

Um corredor central, coberto por um tapete azul e ladeado, em ambos os lados, por bancos de madeira semelhantes às diversas sinagogas ashkenazim de São Paulo, da mesma época de construção, conduz à Bimah e ao Aron Hakodesh coberto por paróchet branca. Os leões desenhados na parede superior também ladeiam, aqui, as Luchót Habrit e o Keter acima destas. Os bancos mantêm, ainda hoje, as plaquinhas com nomes fixas em seus encostos. Placas com “Ner Zikarón” estão afixadas próximas à entrada deste piso, em homenagem aos antigos frequentadores.

No segundo piso da sinagoga situa-se a galeria feminina. Os mesmos bancos em madeira, as plaquinhas fixas nestes, e uma mureta que possibilita que as mulherese acompanhem as cerimônias compõem este espaço.

Esta sinagoga, projeto de “Sznelwar e Raw”, é parte da história da comunidade judaica, e vem mantendo a tradição, de geração em geração.

Você faz parte desta história? Frequenta ou frequentou esta sinagoga?
Como era a sinagoga, antes de 1957? Em qual local reuniam-se? Gostaria de compartilhar suas memórias, histórias, fotos, documentos?

Conte, compartilhe, esta é uma pesquisa e estudo colaborativo...deixe seu comentário aqui ou envie e-mail para myrirs@hotmail.com

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Sinagoga Adat Ischurum e Vila Anibal

Rua Pde Edgar de Aquino Rocha- Antiga Vila Anibal

Ao publicar um dos posts do Shil da Vila neste blog, e como já divulgado, Francisco Gioney Marques Rodrigues comentou no Facebook: “A casa vizinha era do Sr. Samuel e Sra. Ana Rycer, avós de Sueli Raquel Duobles BogomoltzFlavio Beni Duobles e Marli Duobles!! E o engenheiro Milton Birman participou do projeto dessa Sinagoga também!” Atualmente o sr. Szaja Akkerman tem mais de 90 anos e foi um dos pioneiros da acústica no Brasil.

No dia 30 de setembro de 2018 conversei pelo Messenger com Sueli Raquel Duobles Bogomoltz, que elogiou este trabalho, e escreveu: 

“Cresci na vila...Tem tudo a ver com minhas raízes. Muita lembrança recheada de sabores e sensações...sonhos. O idish é a coisa mais linda que existe. Temos muitas fotos!! Ter crescido naquela vila foi um privilégio. Meus avós, alfaiates, com oficina de costura num quartinho. Tchulent todo sábado. A casa tinha um porão..."

Os documentos originais pertencem
ao Arquivo Historico Municipal da
Secretaria Municipal de Cultura -
Prefeitura do Municipio de São Paulo
Compartilhamento por terceiros não autorizado
Sueli completa o comentário: "Imagina!! Minhas fantasias, e medo. Meu zeide e minha avó materna permanecem fortemente vivos dentro de mim. Vai ser uma delicia esse momento de pegarmos as fotos da nossa infância.... Pena q a minha mãe se foi em 2016. Ela era apaixonada por álbuns de família!! Uma pessoa muito rara, muito do bem...Vamos marcar um dia na casa de meu pai, que mora no Bom Retiro ainda, e onde estão todos os álbuns...Fiquei muito orgulhosa por meus avós terem sido citados e lembrados.” Sueli indicou o irmão Flavio e a irmã caçula, Marli, para que participem da conversa, pois poderão contribuir...

Busquei informações sobre esta vila, antigamente denominada Vila Anibal, e citada por Abrão Bernardo Zweiman e por Sueli Raquel Duobles Bogomoltz.  No início do século XX, a Rua Padre Edgar de Aquino Rocha, endereço da Sinagoga Adat Ischurum nos dias de hoje, era uma vila particular, situada à Rua Prates no então n.16. O Arquivo Histórico Municipal, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Municipio de São Paulo, possui os documentos, em que podemos ver que o sr. Anibal Rodrigues, em fevereiro de 1911, apresenta uma solicitação ao Exmo. Sr. Prefeito Municipal, desejando construir dez casas e, anexando a planta, solicita que a mesma seja aprovada. Através de diversos comunicados entre sr. Anibal e a prefeitura, alterações são realizadas. 

Os documentos originais pertencem
ao Arquivo Historico Municipal da
Secretaria Municipal de Cultura -
Prefeitura do Municipio de São Paulo
Compartilhamento por terceiros não autorizado
Em outubro de 1911, nova solicitação, de aumento da construção e de construção de mais uma casa. Alterações na numeração da Rua Prates estão também registradas neste Arquivo, em livros relacionados ao emplacamento... Fica registrado que os documentos originais aqui citados e apresentados pertencem ao Arquivo Histórico Municipal, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo, e não podem ser compartilhados por terceiros em nenhuma hipótese...

E você, possui documentos, fotos, histórias, memórias do Shil da Vila ou da Vila Anibal? Vamos compartilhar e divulgar???

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

“Templo Beth-El: de Sinagoga a Museu”


A exposição “Templo Beth-El: de Sinagoga a Museu” pode ser visitada até 31 de dezembro de 2018 no Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo, localizado no bairro Pinheiros. 

Esta exposição nos permite acompanhar a história de uma das primeiras sinagogas da cidade, conhecendo seu acervo de fotos, documentos, maquetes, entrevistas e memórias que marcaram a história da comunidade judaica. O cartaz da exposição informa que o Templo Beth-El abrigou casamentos, Bar-Mitzvót, corais e cerimônias judaicas, e em breve abrigará um museu, a ser inaugurado em 2019, como já divulgado aqui neste blog. 

Atualmente o edifício da sinagoga, tombado, passa por por um processo de restauro, revitalização e modernização de suas instalações com implementação de condições ideais de luz, temperatura, umidade, reforço estrutural e redimensionamento dos espaços. 

Visite a exposição e faça também uma visita às obras. Faça parte desta história você também!!!

terça-feira, 29 de maio de 2018

Uma visita ao Templo Israelita Brasileiro Ohel Yaacov - Sinagoga da Abolição



Visitamos em 28 de maio de 2018 o Templo Israelita Brasileiro Ohel Yaacov, atualmente situado no bairro dos Jardins. Fomos recebidos pela sra. Juliette Douek, que nos acompanhou e apresentou os diversos espaços deste edifício, como a ampla sinagoga, a sinagoga menor utilizada no dia-a-dia, o salão para Kidush, o salão para festas e a quadra esportiva no último piso.

A sinagoga atual, projeto de Itamar Berezin e Louna Douek e Miro Construtora Ltda.nos remete à sinagoga que se situava à Rua Abolição, com sua organização interna e seus amplos vitrais restaurados. 

Os bancos, novos, estão dispostos nas laterais e na parte posterior, no setor masculino situado no pavimento térreo. O posicionamento dos bancos da galeria feminina, localizada no primeiro piso, permite uma excelente visão de todo o espaço da sinagoga. O Hechal e a Bimah assemelham-se também à antiga sinagoga, e estão de acordo com a tradição sefaradi. Muito bem iluminada, foi projetada para que seja possível a abertura do teto em uma celebração de um casamento. A sinagoga utilizada para o dia-a-dia, menor, também recebeu parte dos vitrais e a Paróchet da Sinagoga da Abolição. 
As placas em homenagem ao sócios que se destacaram na reconstrução da sinagoga, e da diretoria no ano de 1961, foram cuidadosamente afixadas próximo ao hall de entrada. Da mesma maneira, placas com detalhes semelhantes aos dos vitrais, afixadas na entrada, no hall e nos corredores do diversos pisos, homenageiam colaboradores, doadores, patronos, beneméritos, diretoria, comissões e conselhos deste novo edifício inaugurado em Lag Baomer, 17 de Iyar de 5772, 9 de maio de 2012. 
Vemos também a placa em que consta  projeto da arquiteta Cristina G.A.Antonelli e Trino Construtora Ltda.
Como já postado, o edifício de 2.705m² situa-se em um terreno de 1.100m², possui uma sinagoga para 580 pessoas, outra menor, para 100 pessoas, um salão de festas para 500 pessoas, salas de ensino, centros de palestra, biblioteca, auditório e área de convivência, Instituto de Música, Kolel para jovens, programa “after school”. 

Em 25 de fevereiro de 2018 ocorreu a festa de inauguração da quadra e abertura do “Bnei Akiva dos Jardins” na Ohel Yaacov.

No dia da visita conversamos com Rabino Samy Pinto sobre a pesquisa que realizo, relativa às sinagogas em São Paulo. Rabino Samy Pinto enfatizou que as sinagogas e suas edificações nos mostram, e permitem compreender a migração da comunidade judaica nos diversos momentos de nossa história nesta cidade. 

Realmente, tem sido possível acompanhar e observar, através das postagens deste Blog, o estabelecimento, as mudanças e os deslocamentos da comunidade judaica em São Paulo, e a construção de suas sinagogas, nos mais diverso bairros da cidade...

Assim, pergunto novamente...voce teria alguma informação sobre as sinagogas da cidade? Gostaria de compartilhar? Alguma foto, documento, histórias e memórias, inclusive de familiares, relacionadas aos bairros onde a comunidade de estabeleceu e sobre as sinagogas nos bairros de São Paulo?

Então entre em contato comigo deixando seu comentário, ou envie-me um e-mail para myrirs@hotmail.com



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Os primeiros tempos da Sinagoga Israelita Paulista


Sr. Tomaz Kovari encaminhou as fotos da “Introdução” do Rabino Jolesz Karoly, em dezembro de 1960, na Sinagoga Israelita Paulista. Antigos frequentadores, muitos pais, avós e provavelmente bisavós da geração atual da comunidade judaica...Talvez, quem sabe, alguém se reconheça nas fotos? Rabino Jolesz Karoly, foi para Israel....Quem gostaria de comentar? 

Sr.Tomaz reuniu este material e o texto abaixo, muitíssimo interessante, e encaminhou-me por e-mail. Como comenta, “uma parte deve ser da Ata em húngaro, ou alguém contou, ou a partir de algum diário, ou saiu num jornal...”

Aqui transcrevo o texto:
“Os judeus húngaros foram convocados para o dia 29 de novembro 1931, um domingo, no Sportklub, sito à rua Brigadeiro Tobias, para participar da assembleia de fundação da Congregação Húngara. Compareceram József Fürst, Lajos Nébel, Vilmos Steiner, József Boros, Károly Gábor, Dezsö Gábor, Zsigmond Pollák, Zsigmond Havas, Ernö Balázs, Alfréd Krausz, Bernát Róth, Géza Zsupnik, Jenö Vágó, Bernát Borgida e Éliás Altschüler.  Proclamaram a fundação da Congregação Israelita Húngara e elegeram a primeira diretoria. Presidente: Jenö Spivák; secretário: Alfréd Krausz; escrivãos: Lajos Nébel e Richard Tolnai; tesoureiro: Jenö Vágó; gabes: Élias Altschüler e Jenö Klein. Membros do conselho deliberativo: Bernát Róth, Károly Gábor e Bernát Slamovitch. 

Sem saber, os fundadores da Congregação Israelita Húngara representavam uma coletividade bastante numerosa. Assim que se espalhou a notícia que a Congregação acabara de ser fundada, houve manifestações de apoio e pedidos de ingresso por parte de pessoas de quem nem se sabia que eram judeus. A recém eleita diretoria também foi à luta para arregimentar novos sócios, obtendo grande êxito. Não se sabe o número certo dos novatos, mas o número que constava da carteirinha de sócio de Lajos Nébel era o nº 83. Ou seja, havia no mínimo oitenta e três sócios pagantes. Quem conhece a história das congregações judaicas húngaras sabe que muitas congregações florescentes contavam com um número menor do que esse de membros pagantes. 

Os primeiros tempos...

Faltava ainda encontrar uma sede, mesmo que provisória. O sr. Bernát Borgida ofereceu um quarto em sua residência situada à rua dos Andradas, à Sociedade Religiosa Húngaro-Brasileira, razão social da Congregação Israelita Húngara.
Em 1932 foi alugado o salão de um clube, num prédio caiado de amarelo, localizado em frente ao edifício do jornal “A Gazeta”.
A mudança da congregação para uma casa no outro lado da rua, à rua dos Andradas nº40, não trouxe grandes modificações à administração da congregação. (Hoje o quarteirão inteiro é ocupado pelo prédio arredondado da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo. N. do Org.) 

Em 1933 os serviços religiosos das grandes festas foram realizados novamente num salão alugado, dessa vez à rua Ribeiro de Lima, antigo nº9, nas velhas dependências do Clube Macabi. Pelos mesmos motivos, em 1934 as festas também ocorreram ainda “fora de casa”, no salão de ginástica do Clube de Ginástica Turnerschaft, à rua Couto Magalhães nº40. Porém, a festa já ganhou em majestade, pois o serviço religioso, celebrado pelo senhor Mermelstein, contou com a participação de um coral de oito vozes. 
Finalmente, em 1935 a situação foi solucionada. A congregação alugou todo o primeiro andar, em cima do cinema (o Cine Central), do prédio localizado à rua General Osório nº182...”

Reedito o post acrescentando novas informações, relativas à fotos publicadas!!!

Judit Breuer contou que, abaixo da Chupa, no meio, Rabino Jolesz, na esquerda dele Nebel Luiz, atrás é Emmerich Neufeld. Perto do Sr. Nebel sentado Sr.Csillag.
Paulo Valadares informou: o Rabino era natural de Poroszlo (04/10/1914), filho de Joszef e Etelka (Frank) Jolesz. Chegou ao Brasil em 16/09/1958 e apresentpi-se como "israeliano" e "comerciário". Trocou para "Rabino-mor" da SIP em 29/10/1962.
Suzana Yara Guttmann escreveu: “Sim, Judit Breuer- também reconheci os mesmos, e entre as mulheres, minha mãe Boriska- tias e tios... Acho importante esse resgate, e gostaria pode trocar nossas histórias! Bela iniciativa da Miriam Szwarcbart.” E completou: “Casei em 1961- com o Rabino Jolesz- sendo seu primeiro casamento!
Judit Breuer respondeu: “Parabéns a Myriam pelo trabalho. Suzana voce sabe mais, conhece melhor do que eu”
Roberto Strauss comentou “Na foto das mulheres, a terceira da esquerda para a direita, de blusa preta e colar branco, braço cruzado, minha tia-avó Baby Strausz, mulher de meu tio avô Paulo Strausz. Na Quinta foto, em primeiro plano, terno escuro, quipá e óculos, olhando para direita, acho que é meu avô, Dr. Francisco "Feri" Reiszfeld. Ao fundo a direita, chapeu e batendo palmas, o Neufeld?
E Lili Muro Zaitoune Muro comentou:"Exatamente este Rabino que realizou meu casamento-Karol Yoles
E você, gostaria de comentar, contar algo a respeito???